Luiz Fernando Cabeda

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Perguntas, Respostas e Comentários de Luiz Fernando Cabeda

  • comentou em Sofrida República

    Terça, 11 de março de 2014, 14h53min

    O PROBLEMA É A CRISE DE REPRESENTAÇÃO

    Por brevidade, repito uma observação do sociólogo polonês Zygmunt Bauman: "vivemos o fim do futuro".

    Conforme ele disse em entrevista para a revista Época (19/02/2014 - está na internet), " a política investiu nos parlamentos e nos partidos para construir a democracia como atualmente a compreendemos." Entretanto, a crise que se apresenta está no deficit de representação dessas duas instituições. A palavra de ordem a respeito, que ganhou as ruas, é "NÃO ME REPRESENTA".

    Quando se fala de reforma política, vêm logo idéias requentadas de voto distrital, listas de votação, etc, com ofensa aos processos históricos, pois voto distrital já tivemos no Império e na República, quando a representação política era ainda mais viciada do que a atual. Quanto às listas, que formam uma experiência exitosa em países muito diferentes do nosso, elas também já existiram aqui, mas deformadas, pois os chefes políticos da Primeira República impunham candidatos escolhidos pela cúpula. Por exemplo, o caudilho gaúcho Flores da Cunha foi eleito deputado federal, nessa época, pelo Ceará (Estado onde nunca foi).

    Logo, sem a ilusão a que leva inevitavelmente o idealismo, o que cabe é postular o fim do monopólio da representação por partidos e parlamentos, e a admissão, com igual legitimidade, dos grandes centros de decisão da sociedade civil, da comunidade científica, das Universidades e - por que não admitir isso, contrariando todas as evidências? - dos tribunais, NAQUILO QUE ELES TÊM DE GUARDIÕES DOS DIREITOS POLÍTICOS FUNDAMENTAIS.

    O artigo do apreciado Ministro tem o mérito de nos devolver essas meditações e nos faz pensar se não seria o caso de nos espelharmos um pouco no jargão tão conhecido na França: as manifestações são as eleições com os pés.

    Em resumo, confiemos no voto, mas não depositemos toda nossa esperança nele. Retornando a Zygmunt Bauman, viveremos sim o fim do futuro, se permitirmos que ele nos seja roubado.

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