Os empréstimos, assim como os financiamentos, possuem uma sistemática de evolução do capital que foi disponibilizado para o cliente e a forma como ele retornará para a pessoa ou empresa que o concedeu. Isso se denomina Sistema de Amortização.

Matemática nunca foi o forte para muitas pessoas. Quando contratamos um empréstimo ou financiamento, afinal, o que estamos pagando?

Quando precisamos de dinheiro, é muito comum contrairmos empréstimos junto a bancos ou outras instituições financeiras. Se compramos carro, moto, imóvel, ou outros bens, para os quais não dispomos de todo o dinheiro necessário, temos que recorrer a financiamentos para complementar o preço. Assim, assumimos o compromisso de devolver esse capital através de prestações, geralmente mensais. Entenda a matemática financeira dessas operações.

Os empréstimos, assim como os financiamentos, possuem uma sistemática de evolução do capital que foi disponibilizado para o cliente e a forma como ele retornará para a pessoa ou empresa que o concedeu. Isso se denomina Sistema de Amortização.

Os sistemas mais conhecidos comercialmente são a Tabela Price (Sistema Francês de Amortização) e o SAC (Sistema de Amortização Constante): a Tabela Price possui prestações fixas; o SAC contempla prestações decrescentes.

Assim, se você comprou determinado bem financiado ou contraiu algum empréstimo cujas prestações têm valor fixo todo mês, então foi utilizada a Tabela Price como sistema de amortização. Contudo, se as suas prestações começam num valor maior e vão decrescendo, significa que se utilizou o sistema SAC.

A prestação (parcela que será paga geralmente por mês) é obtida mediante cálculo de duas variáveis: amortização e juros. Amortização refere-se à parcela do capital que lhe fora concedido e retornará para quem lhe concedeu; Juros são os rendimentos que a pessoa ou empresa receberá por ter lhe emprestado ou financiado determinado dinheiro. A não ser os seus pais ou alguém que goste muito de você, quem lhe emprestaria dinheiro para receber muito tempo depois sem ganhar nada a mais? Se fosse assim, ao invés de lhe emprestar, bastaria deixar o dinheiro aplicado na Caderneta de Poupança, que receberia, na pior das hipóteses, juros mensais de 0,5%.

Exemplo 1: você recebeu um empréstimo de R$ 1.000,00 para ser pago em 10 prestações mensais de R$ 117,23. Agora você já tem conhecimento de que se trata de Tabela Price, haja vista as prestações terem valor fixo. Precisa compreender então os termos restantes.

A tabela seguinte demonstra a evolução mensal do exemplo sugerido acima.

O que lhe cobram quando voc faz um emprstimo ou financiamento

Note que no mês "0" (mês da contratação) não há prestação, pois a mesma vencerá provavelmente no mês seguinte ao da contratação do empréstimo. Nessa data, há somente o saldo devedor da dívida (R$ 1.000,00).

No mês "1", inicia-se a amortização da dívida com o pagamento da 1ª prestação no valor de R$ 117,23, quantia essa calculada com base na fórmula definida pela Tabela Price, qual seja:

O que lhe cobram quando voc faz um emprstimo ou financiamento

Ainda no mês "1", identificam-se Juros de R$ 30,00. Ao se dividir esse valor pelos R$ 1.000,00 que foram emprestados no mês anterior (mês "0"), percebe-se uma razão de 3/100 (três dividido por 100), ou seja, 3% (três por cento). Descobre-se então que essa foi a taxa de juros aplicada pelo banco, isto é, a taxa de rendimento escolhida por ele para ser remunerado mensalmente por ter lhe emprestado os R$ 1.000,00. Lembre-se que a Poupança remunera geralmente a 0,5% ao mês. Significa que o banco, nessa operação, recebeu 6 vezes o valor que geralmente ele remunera na Poupança. Mas essa é uma outra discussão que pode ser lida nos demais artigos que publiquei!

Voltando ao exemplo, ainda no mês "1", tem-se que a Amortização (R$ 87,23) é calculada pela diferença entre o valor da prestação (R$ 117,23) e o dos juros (30,00), visto que, em matemática financeira, prestação é composta de amortização e juros.

Finalizando o mês "1", o Saldo (R$ 912,77) representa o resultado do saldo anterior (R$ 1.000,00) menos a amortização do mês atual (R$ 87,23).

Esse mesmo raciocínio se repete ao longo dos demais meses, sendo que ao final do prazo, com o pagamento da última prestação, o saldo é quitado (zerado).

Exemplo 2: você recebeu um empréstimo de R$ 1.000,00 para ser pago em 10 prestações mensais decrescentes.

O que lhe cobram quando voc faz um emprstimo ou financiamento

Conforme se verifica na tabela acima, trata-se então do sistema SAC, no qual o valor da amortização (R$ 100,00) mantém-se constante em todo o período contratual e as prestações decrescem.

Nesse sistema, a parcela de amortização (R$ 100,00) resulta da divisão do capital (R$ 1.000,00) pelo prazo (10 meses). O que varia são os Juros: no mês "1" (R$ 30,00) eles incidem sobre o capital (R$ 1.000,00), ou seja, 3%.

Assim, nesse mesmo mês, o valor da prestação (R$ 130,00) será obtido com a soma de Amortização (R$ 100,00) e Juros (R$ 30,00), já que prestação compõe-se de amortização e juros, conforme foi visto anteriormente.

O saldo (R$ 900,00) resulta do saldo anterior (R$ 1.000,00) menos a amortização do mês atual (R$ 100,00), e assim sucessivamente, até ser quitada (zerada) a dívida.

Esses são os principais elementos de um empréstimo ou financiamento, e que explicam a lógica dos sistemas de amortização mais utilizados, bem como o comparativo entre eles: perceba que, ao término do prazo, na Tabela Price (R$ 172,31) se pagará mais juros que no Sistema SAC (R$ 165,00).

Outros encargos costumam ser cobrados pelas instituições financeiras e na maioria das vezes são embutidos no valor do empréstimo ou financiamento: Taxa de Abertura de Crédito (TAC), IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), Serviços de Terceiros, etc. Nos outros artigos discutimos sobre a legalidade ou não dessas cobranças.

Dessa forma, antes de contratar um empréstimo ou recorrer a um financiamento, deve-se analisar minuciosamente cada parâmetro cobrado, e assim calcular o custo efetivo dessa dívida, de modo a comparar e decidir qual a melhor opção.


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Como citar este texto (NBR 6023:2002 ABNT)

PROTÁSIO, João Lucas Oliveira. O que lhe cobram quando você faz um empréstimo ou financiamento?. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 20, n. 4215, 15 jan. 2015. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/35322>. Acesso em: 22 fev. 2018.

Comentários

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    Fabíola Lima

    Gostei. Sucinto, claro, didático, e de ampla aplicação para as situações de análise dos empréstimos/financiamentos, como revisionais, e em avaliação de saldo devedor restante, cobranças abusivas, no geral questões judiciais na seara bancária, de maneira bem didática mesmo, de forma a distinguir o que foi pago de juros e de amortização (saldo devedor, dívida principal). Parabéns ao autor.

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    Jefferson Luiz

    olá , meu irmao estou sasfeito com esta materia sua sobre emprestimo quero muito aprender sobre os numeros para não ser vitima na hora do emprestimo junto ao banco . minhas consideração apreço a vossa pessoa. jeffersonluiz1967@hotmail.com e 65 9646 6051 cuiaba. tenho emprestimo voce pode me ajuda.artigo 5º inciso iv da cr 1988

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