Esse texto traz algumas reflexões críticas a respeito do pensamento cultural predominante na sociedade.

O argumento mais utilizado por quem é a favor do aborto é que a mulher deve ter plena liberdade de disposição do seu corpo.

Aí que começa o (nítido) engano, na medida em que o aborto extermina a vida de outro ser—vivo (sem adentrar às questões jurídicas para saber quando se inicia a vida), que, no começo de sua existência, depende, quase que exclusivamente da mulher que pode pretender abortar.

Assim, com exceções dos casos legais, por exemplo, quando a gravidez é decorrente de estupro, ou quando a manutenção o ser—vivo no interior da mãe possa causar sérios riscos a vida dessa pessoa, acredita—se que uma atuação a favor do aborto constitui uma atitude eminentemente egoísta e ignorante.

Se a mulher não quer engravidar, então previna, isso por que existem diversas formas eficazes, fáceis de serem observadas.

Se achar que a gravidez foi um erro, então “pague” por ela (permitindo que a vida exista!), como todas as pessoas que cometem erros devem ser responsabilizadas.

Por outro enfoque, observa—se que a legalização do aborto pode ter como causa cultural, especificamente a falta de sensibilização com o próximo, tendo em vista que, se por um lado, a população repudia veementemente (com certa razão) a legalização das drogas (apesar de essas somente causarem danos ao indivíduo que as utiliza), enquanto existe uma corrente a favor da legalização do aborto (apesar dessa ação causar dano a outrem, no intuito de afastar uma responsabilidade que a própria pessoa criou).

Sejamos honestos, educados e responsáveis, por favor!

A meu ver, a legalização do aborto é muito mais danosa do que a legalização da cannabis sativa (maconha) por exemplo, na medida em que, enquanto o primeiro ato pode afetar A PRÓPRIA VIDA (LIBERDADE DE EXISTÊNCIA), O VALOR MAIS IMPORTANTE DE TODO E QUALQUER ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO, o outro atinge basicamente questões relacionadas à liberdade de consciência do indivíduo (não muito diferente das discussões a respeito das bebidas alcoólicas, que, de certo modo, são prejudiciais à sociedade, não significando dizer que estou a favor de sua criminalização, muito pelo contrário, beber de forma moderada socialmente faz bem para o indivíduo e para a sociedade!).

Enfim, essas mesmas pessoas que defendem o aborto provavelmente defendem a aplicação da lei maria da penha (que defende as mulheres em situação de vulnerabilidade), a prisão do pai que não paga pensão alimentícia, punição para quem comete o crime de abandono de incapaz e de omissão de socorro (arts. 133 e 135, do Código Penal, respectivamente).

Hipocrisia a parte, "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço".


Autor

  • Pedro Antony de Morais

    Pedro Antony de Morais

    Ex-estagiário na Procuradoria da República no Distrito Federal<br>Aprovado no XII Exame de Ordem<br>Graduado no curso de graduação em Direito do UNICEUB (pendente colação de grau)<br>Matriculado no curso de pós-graduação em Direito Constitucional do IDP

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