As lições do "grande timoneiro" não podem ser desprezadas, especialmente quando levamos em conta a necessidade de punir os militares e policiais que cometeram crimes durante a Ditadura brasileira.

O Brasil assinou acordos importantes com a China, garantindo não somente a capacidade da Petrobras expandir a exploração do Pré-Sal como investimentos diretos na produção de bens e serviços em nosso país. É obvio que isto não agradou muito aos conservadores derrotados e aos anti-comunistas embolorados, que só gostam de estrangeiros quando eles tem olhos claros e nasceram nos EUA e na Europa. O anti-semitismo pode estar fora de moda, o anti-chinesismo pode ser visto nos jornais, revistas e até nos telejornais que criticaram abertamente referidos acordos bilaterais.

Nada tenho contra a China, menos ainda tenho em favor dos EUA. Mas confesso que adoro atormentar pró-norte-americanos. Afinal, eles fomentaram a Ditadura que entrou na minha casa a chutes em 1967 e financiaram a repressão oficial e extra-oficial que moeu os companheiros de meu pai. Sempre que posso, provoco os anti-comunistas embolorados, inclusive utilizando a aproximação do Brasil com a China.

Quando um general chinês veio ao Brasil para assinar acordos sigilosos com o governo Lula, tive o prazer de almoçar na mesma mesa que um militar aposentado que tinha um cargo na prefeitura de Osasco (então comandada pelo PSDB). Quando ele começou a criticar Lula com sua ladainha anti-comunista o interrompi e disse em alto e bom som para que todos vissem que ele estava sendo humilhado:

- Como militar aposentado você deve bater continência para seu novo chefe, o comandante das tropas comunistas chinesas que assinou um acordo militar com o Brasil. Se não fizer isto o seu chefe ficará descontente e …(ha, ha, ha, ri de maneira teatral e desaforada) você pode acabar tendo que meter sebo nas canelas e correr tanto quanto os norte-americanos correram na Coréia do Norte quando os chineses ameaçaram romper as linhas de abastecimento deles.

O militar aposentado, afrontado publicamente em seu orgulho anti-comunista, quase teve um ataque do coração. Ficou sem resposta, coitado. Ele engoliu a comida e saiu correndo da mesa. Nem se despediu do médico tucano amigo dele com quem estava conversando quando eu sentei.

- Você é malvado - disse o médico, que me conhecia de algum tempo.

Sou sim, respondi, mas ainda não invadi a casa dele a chutes como os amigos dele invadiram a minha casa em 1967 - foi minha resposta

Hoje, porém, farei algo diferente para irritar os anti-comunistas brasileiros. Não vou homenagear esta China que fez um acordo com o Brasil. Afinal, o país criado pelo “pequeno timoneiro” Deng Xiao-Ping é capitalista e bem diferente da China comunista do “grande timoneiro” Mao Tsé-Tung. Em razão disto, usarei o episódio para homenagear meu velho pai, comunista que teve uma fase maoista e morreu antes de ter o prazer de ver os pró-americanos ficarem perdidos no imenso bambuzal chinês que virou a política externa brasileira.

Transcrevo abaixo algumas citações do próprio Mao Tsé-Tung comentando a situação atual brasileira. As citações foram extraídas do livro "Citações do Presidente Mao Tsé-Tung", José Alvaro Editor, Guanabara, Brasil, 1967:

“Na sociedade de classes, cada homem ocupa uma posição de classe determinada e não existe qualquer pensamento que não tenha um sentido de classe.” (p. 15)

Verdade. A sociedade brasileira é dividida em classes. Uma delas, composta pelos elitistas e aristocratas que construíram ou que apóiam o PSDB (classe esta que é mais e mais ligada aos anti-comunistas fardados aposentados), se considera dona do país. Esta classe não consegue se imaginar como oposição e tampouco acredita no valor intrínseco da soberania popular. Quando ganha a eleição saúda a democracia. Quando perde bate panelas, exige uma intervenção militar e deplora a ditadura do PT. Os membros desta classe social sofrem muito neste momento em razão de não conseguirem pensar sem o seu tradicional sentido de superioridade classista, por não terem o controle do processo político, por não comandarem as Forças Armadas e, principalmente, por não terem nem armas nem coragem de pegar em armas para impor à força sua inerente vontade de domínio.

Mao Tsé-Tung pode não ter sido um grande pensador, mas além de líder guerrilheiro vitorioso e político bem sucedido ele foi um excelente psicólogo. O "grande timoneiro" conseguiu definir de maneira perfeita a razão pela qual os tucanos e seus agregados anti-comunistas estão sofrendo. A doença deles não tem cura, pois está ligada ao fato deles acreditarem que pertencem à uma classe governante que, contudo, não pode mais governar o Brasil. Não só isto, a lição do líder comunista chinês é bastante alvissareira e me faz dar boas risadas. Afinal, nada indica que a ex-classe dominante brasileira conseguirá novamente dominar o que quer que seja em nosso país.

“A vitória não deve, de maneira alguma, afrouxar nossa vigilância em relação aos complôs insensatos dos imperialistas e de seus lacaios que procuram a revanche. Quem afrouxar sua vigilância se encontrará politicamente desarmado e reduzido a uma posição passiva.” (p. 49)

Esta é uma lição que qualquer brasileiro decente e anti-nazista deve levar em conta, especialmente neste momento de transição. Os lacaios do “American way of supremacy” não foram totalmente derrotados no Brasil. Eles ainda ocupam cargos importantes (no Senado, na Câmara dos Deputados, no Judiciário, no Ministério Público, nos governos estaduais e municipais, na imprensa, etc…). A julgar pela guerra política travada em torno da Petrobras e do Pré-Sal, os lacaios do imperialismo norte-americano ainda são ativos e podem prestar relevantes serviços à sua pátria da bandeira azul e vermelha. Eles até foram às ruas para depor a presidenta Dilma Rousseff usando as cores do Brasil como se fossem brasileiros, algo que não são e que na verdade detestam ser.

As vitórias eleitorais, portanto, não devem causar qualquer ilusão. Não podemos ficar desarmados ou numa posição passiva em relação aos tucanos e aos anti-comunistas embolorados. Onde quer que estejam eles devem ser combatidos de maneira aberta ou disfarçada. Mesmo que não sejamos maoistas, podemos perfeitamente levar em conta as lições de Mao Tsé-Tung. Afinal, como disse Deng Xiao-Ping, o criador da moderna China capitalista sob comando comunista “não importa a cor do gato, importa é que ele apanhe o rato”. Nem todos os ratos que roeram e que roem o Brasil a serviço dos EUA foram apanhados.

“O mundo é tanto vosso como nosso, mas no fundo, é a vós que ele pertence. Vós, os jovens, sois dinâmicos, em pleno desabrochar, como o sol, às oito ou nove horas da manhã. É em vós que reside a esperança.” (p. 189)

A mensagem de Mao Tsé-Tung pode ser dedicada a todos os jovens que ousam confrontar os trastes velhos do PSDB e os anti-comunistas embolorados. O mundo deles já começou a ser enterrado, mas eles ainda não deram baixa nos cemitérios. Mais dia menos dia isto ocorrerá, mas antes que isto ocorra há uma guerra de gerações em curso. A democracia brasileira está rapidamente degenerando em gerontocracia. Mesmo no PT a velha guarda liderada por Lula ainda dá as cartas.

O país só poderá avançar mais e rápido se o lulismo, em sua versão "lulinha paz e amor", for atropelado ou ultrapassado. Dilma Rousseff conseguiu realizar mais do que Lula, mas ainda não teve coragem de enfiar o pé na jaca. Como presidente ela deve ser e tem sido cautelosa. Compete aos jovens, portanto, fazer aquilo que a presidenta não pode fazer. Vocês, jovens, já esculhambaram publicamente os criminosos da Ditadura. Isto não basta, vocês precisam ser mais ousados. Precisam começar a esculhambar os Ministros do STF, os Desembargadores e os Juízes insistem em mater suas togas manchadas com o sangue dos brasileiros se recusando a condenar os crimes imprescritíveis que foram cometidos de 1964 a 1988.

As palavras de Mao Tsé Tung são um grande incentivo aos jovens brasileiros. Cabe a vocês, jovens, aprender a lição dele e colocar a mesma em prática. Quando a “lata de vermes” do Judiciário for sacudida nas ruas, a própria gerontocracia brasileira começará a desabar em razão dos velhos cúmplices da Ditadura (escondidos no PSDB, PMDB, PSB, PDT e no PT também) começarem a brigar entre si. Novas lideranças de esquerda devem surgir para remover a podridão que paralisa o Brasil em razão da união silenciosa que existe entre a (in)Justiça, os anti-comunistas eternamente impunes e a oligarquia política envelhecida.



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