Neste artigo é feito um paralelo entre o filme “Minority Report” (2002) e a operação Lava Jato.

No filme “Minority Report” (2002), com ajuda de um elaborado sistema que une tecnologia da informação e premonição humana, os crimes são punidos antes de serem cometidos. O novo sistema penal reduz a criminalidade e é considerado perfeito. As vítimas não chegam a sofrer violências, advogados não conseguem distorcer o conteúdo da Lei, juízes não podem ser corrompidos, os criminosos são sentenciados sem direito de defesa, a prisão é imediata sem direito à apelação e o medo do sistema inibe a criminalidade.

A utopia Penal apresentada no filme, conduto, apresenta algumas falhas de origem. O crime é impedido antes que o autor do mesmo possa finalmente decidir se cometerá ou não o ato criminoso. A imposição de pena sem julgamento impede qualquer defesa com base na violenta emoção, doença mental incapacitante e legítima defesa. Pessoas diferentes estão fadadas a ter premonições diferentes e a eliminação dos relatórios discrepantes pode permitir que crimes perfeitos sejam cometidos sem serem punidos.

O Brasil está sendo enlouquecido pela oposição com ajuda da PF, da Justiça Federal e da imprensa. Estamos sendo obrigados a viver sob uma distopia “Minority Report”, cuja versão brasileira foi denominada “Lava Jato”. Há alguns meses criminosos delatores  tem sido transformados em heróis nacionais pela imprensa para que os petistas possam hostilizados nas ruas e tratados como criminosos por presunção no Judiciário. Novas delações são conseguidas com base em prisões que poderiam ser consideradas ilegais porque baseadas em ilações ou informações prestadas exclusivamente por delatores. Os tucanos delatados nunca são incomodados.

O partido que perdeu a eleição, o PSDB, também está envolvido com a corrupção na Petrobrás. Apesar disto, os tucanos seguem sendo blindados pelos jornalistas que tentam derrubar a presidenta Dilma Rousseff. De suspeitos que deveriam ser investigados pela “Lava Jato”, vários oposicionistas passaram a ser juízes dos seus próprios crimes e das infrações supostamente cometidas pelos petistas. A atividade de julgar deixou de supor isenção e a atuação policial passou a exigir comprometimento partidário. A imprensa, que diariamente reforça a distinção conceitual entre petistas culpados por suspeita e tucanos criminosos preventivamente inocentados, tem interesse na bancarrota do sistema político/judiciário. Afinal, os barões da mídia começaram a ser perseguidos por ter dinheiro sujo ou suspeito no HSBC da Suíça.

Em “Minority Report” a descoberta das falhas do sistema leva à sua destruição. Na sua versão “Lava Jato”, encenada atualmente no Brasil, todo o sistema está sendo destruído para que as falhas da imprensa e do PSDB possam predominar ao resultado das eleições. O partido que perdeu a disputa quer exercer o poder contra a vontade popular expressada nas urnas. Aquele que ganhou a presidência segue sendo destruído e impedido de governar porque é intensamente odiado pelos barões da mídia e pelos tucanos.

No filme norte-americano a violência homicida irrompe no exato momento em que a falha é descoberta e o sistema parou de funcionar porque Agatha, uma das Precogs foi raptada. Em que momento a farsa da “Lava Jato” começará a ser desmantelada? Quando a violência homicida em massa irromper sem controle nas ruas a imprensa, o PSDB, a PF e a Justiça Federal considerarão sua distopia finalmente concluída?

O perigo da violência cênica para o público é quase sempre nulo. Findo o filme cada um vai para a sua casa em segurança. A violência política deve ser sempre evitada, pois não tem fim e é sempre trágica depois que começa. Os ataques a sedes do PT e a atuação do “Revoltado on line” durante o congresso do partido sugerem que a encenação midiática da “Lava Jato” já está excedendo todos os limites. Se este “Minority Report” não acabar o público poderá acabar entrando em cena com prejuízo para todos, inclusive para os roteiristas e atores do golpe de estado em curso.



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