O movimento monarquista ressurge das cinzas afirmando, a república não deu certo e o período de maior estabilidade brasileira foi o período imperial.

O Brasil vive hoje uma aguda crise moral na política, nos últimos anos foi revelado a nós pela operação Lava Jato que desde o fim do Regime Civil/Militar o sistema de poder foi estruturado por um sistema de corrupção onde os políticos criam dificuldades para venderem facilidades para as grandes empresas e essas mesmas grandes empresas estão tão acostumadas com o dinheiro público dado a elas por governos com uma visão nacional desenvolvimentista que elas passaram a ser a base de um capitalismo de Estado cujo o sangue é a corrupção de agentes públicos, eis que surge vozes dizendo que isso é um sintoma de uma doença chamada república presidencialista.

     O movimento monarquista ressurge das cinzas afirmando, a república não deu certo e o período de maior estabilidade brasileira foi o período imperial, mas isso não é bem verdade, o reinado de Dom Pedro I foi instável, conturbado e catastrófico, ao deixar o país ele saia como uma figura antipatizada e considerado sem jogo de cintura para lidar com políticos, o que fez dele um semi ditador, ele não soube equilibrar os interesses dos liberais e conservadores e utilizou-se desacertadamente de seu poder moderador, esse dispositivo o dava poder de intervir no legislativo e até do judiciário, o que fazia dele chefe de governo além de chefe de Estado.

     Por razão de problemas enfrentados por sua filha em Portugal e principalmente pelo isolamento que o afligia no Brasil ele abdicou do trono e voltou para Portugal deixando seu filho ainda criança como príncipe regente, seu filho Dom Pedro II cresceu e foi muito bem preparado para o trono, ao chegar ao poder pode se dizer que foi o líder mais bem preparado que a nação já teve, culto e visionário na maior parte de seu governo houve liberdade, coesão e prosperidade, mas com o passar dos anos ele acabou perdendo o jogo de cintura tão importante na política brasileira, se tornou um tanto apático e perdeu o controle das tropas, poderia ter efetivado o parlamentarismo se resguardando a figura de união como a monarquia inglesa mas não o fez, acabou deposto por um golpe de estado.

     O que se viu com a proclamação da república foi a instalação de uma ditadura elitista ao invés de uma república democrática, e a teoria positivista legitimava a ideia de que o Brasil precisava de um governo forte ditando todos os rumos já que dar liberdade aos indivíduos era uma tolice absurda, com certeza a república é um fracasso histórico e é compreensivo os anseios dos monarquistas, contudo nota-se nessa corrente a intenção de ressuscitar junto com o imperador o poder moderador e ai mora um problema, se há uma coisa que a vida de Pedro I e Pedro II demonstrou é que esse poder nas mãos de um monarca inapto é uma verdadeira tragédia, e como na monarquia o poder é hereditário a chance de ele cair nas mãos de um novo Pedro I é muito grande.

     Restaurar o império pode ate representar além de uma justiça histórica um acerto para unir a nação e fomentar um espírito patriota no povo além de coibir rupturas institucionais. mas pensar no monarca munido do poder moderador é um risco de se produzir no Brasil um rei semi absolutista, é poder demais para alguém que não foi eleito pelo povo, creio que há apenas um poder que é perfeito para dar-se ao monarca, o poder de nomear os ministros do supremo tribunal, já que é motivo de grande desconfiança juízes do supremo nomeados por representantes da classe política, mas enquanto a monarquia não é restaurada devemos lutar por uma república mais coisa pública.


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