O artigo relembra o pensamento de Dom Helder câmara.

DOM HELDER E UM MODELO ECONÔMICO

Rogério Tadeu Romano

Em entrevista ao jornal italiano “La Stampa”, de Roma, D. Helder Câmara, em novembro de 1968, traçava as linhas do movimento que pretendia desencadear em toda a América Latina, visando a reforma do que considerava, à época, nas estruturas políticas, sociais e econômicas, para dar a camponeses e operários algo como houve na Iuguslávia(cuja unidade política deixou de existir após a queda do muro de Berlin e o fim do socialismo real).  Disse olhar com interesse especial o exemplo do Marechal Tito e ainda considerou a Igreja atrasada em um século.

titoísmo, conhecido internamente como socialismo autogestionário (socijalističko samoupravljanje em servo-croata), foi a tendência do comunismo aplicada por Josip Broz Tito na Iugoslávia durante seu regime, entre 1945 e 1980. O titoísmo ficou conhecido por ser uma forma muito mais "branda" de regime socialista, combinando a economia estatizada com diversas liberdades civis. Embora originalmente o termo tenha sido inventado pelos stalinistas no final dos anos 1940 como sinônimo de socialismo pervertido e deturpação ideológica, os próprios titoístas acabaram por adotá-lo, com certo orgulho, para designar o tipo de socialismo "leve" implantado na Iugoslávia.

Os titoístas iugoslavos se abrigavam na Liga dos Comunistas da Iugoslávia, nome do partido comunista federal daquele país após 1952. A mudança de nome se deu para refletir a intenção de desaparelhar o Estado, no sentido contrário dos demais regimes socialistas do mundo.

Quando ocorreu o rompimento entre a União Soviética e a Iugoslávia, em 1948, o rótulo de "titoísta" foi aplicado a opositores internos do regime soviético, que passaram a sofrer perseguição. Por outro lado, dissidentes iugoslavos também foram tachados de stalinistas pelo governo de Tito e igualmente reprimidos, especialmente na prisão de Goli Otok. Em 1955, com a União Soviética sob o governo de Nikita Khrushchov, os dois países reataram relações cordiais. Mesmo assim, a Iugoslávia nunca aceitou ser membro pleno do Conselho para Assistência Econômica Mútua (Comecon).

Fora do mundo socialista, e principalmente no Terceiro Mundo, o titoísmo exerceu grande admiração e liderança internacional, principalmente por conseguir conciliar justiça social com certo grau de democracia. Na África, sul da Ásia e América Latina, o socialismo iugoslavo persistiu como modelo político-ideológico para diversas correntes e governos. Aliada ao carisma pessoal de Tito, essa liderança ficou consolidada no Movimento Não Alinhado, principalmente entre as décadas de 1960 e 1970.

Era conhecido o engajamento socialista do ex-arcebispo de Olinda e Recife.

O ex-arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, poderia ter sido o primeiro brasileiro a vencer o prêmio Nobel da Paz, no início dos anos 1970, não fosse a intervenção do governo militar do general Emílio Garrastazu Médici. A revelação foi feita pela Comissão Estadual da Memória e Verdade, que leva o nome do religioso, durante o lançamento da obra "Prêmio Nobel da Paz: A atuação da ditadura militar brasileira contra a indicação de Dom Helder Câmara", realizado na manhã desta sexta-feira (18), no Palácio do Campo das Princesas.

O dossiê reúne diversas correspondências trocadas por autoridades entre os anos de 1970 e 1973. De acordo com o coordenador da comissão, Fernando Coelho, Dom Helder apresentava todos os pré-requisitos para ganhar a premiação devido a sua atuação humanitária e contrária à ditadura. Porém, ganhar o prêmio daria uma grande visibilidade para os problemas que o Brasil vivia como torturas e perseguições a quem era oposição.


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