Compartilho, dando vez e voz[1] à minha estupidez aos mortos em forma de letra, uma composição antiga,[2] mas ainda atualíssima, perfeita para o Dia de Finados (em tempo, finar-se-eu agonia!?). Ei-la:

Vamos celebrar a estupidez humana

A estupidez de todas as nações

O meu país e sua corja de assassinos covardes

Estupradores e ladrões

Vamos celebrar a estupidez do povo

Nossa polícia e televisão

Vamos celebrar nosso governo

E nosso Estado que não é nação

Celebrar a juventude sem escola, as crianças mortas

Celebrar nossa desunião

Vamos celebrar

Eros e Thanatos

Persefóne e Hades

Vamos celebrar nossa tristeza

Vamos celebrar nossa vaidade

Vamos comemorar como idiotas

A cada fevereiro e feriado

Todos os mortos nas estradas

Os mortos por falta de hospitais

 

Vamos celebrar nossa justiça

A ganância e a difamação

Vamos celebrar os preconceitos

O voto dos analfabetos

Comemorar a água podre e todos os impostos

Queimadas, mentiras e sequestros

Nosso castelo de cartas marcadas

O trabalho escravo, nosso pequeno universo

Toda a hipocrisia e toda a afetação

Todo roubo e toda indiferença

Vamos celebrar epidemias

É a festa da torcida campeã

Vamos celebrar a fome

Não ter a quem ouvir, não se ter a quem amar

Vamos alimentar o que é maldade

Vamos machucar o coração

Vamos celebrar nossa bandeira

Nosso passado de absurdos gloriosos

Tudo que é gratuito e feio

Tudo o que é normal

Vamos cantar juntos o hino nacional

A lágrima é verdadeira

Vamos celebrar nossa saudade

E comemorar a nossa solidão

Vamos festejar a inveja

A intolerância, a incompreensão

Vamos festejar a violência

E esquecer a nossa gente

Que trabalhou honestamente a vida inteira

E agora não tem mais direito a nada

Vamos celebrar a aberração

De toda a nossa falta de bom senso

Nosso descaso por educação

Vamos celebrar o horror de tudo isto

Com festa, velório e caixão

Está tudo morto e enterrado agora

Já que também podemos celebrar

A estupidez de quem cantou essa canção

Venha!

Meu coração está com pressa

Quando a esperança está dispersa

Só a verdade me liberta

Chega de maldade e ilusão

Venha!

O amor tem sempre a porta aberta

E vem chegando a primavera

Nosso futuro recomeça

Venha que o que vem é perfeição (grifos adidos)

Direitos autorais da imagem.[3]


[1] Legião Urbana - Perfeição. In: Legião Urbana, [S. I.]. (4 min e 40 s). Disponível em: https://youtu.be/UueCjRrQLM4. Acesso em: 02 nov. 2021.

[2] BONFÁ, Marcelo; VILLA-LOBOS, Dado; RUSSO, Renato. Perfeição. Disponível em: https://www.letras.mus.br/legiao-urbana/46967/. Acesso em: 02 nov. 2021.

[3] OPERAÇÃO contra furto de água prende cinco pessoas em Canoas. CORSAN, Porto Alegre, 07 mai. 2019. Disponível em: https://www.corsan.com.br/operacao-contra-furto-de-agua-prende-cinco-pessoas-em-canoas. Acesso em: 02 nov. 2021.


Autor

  • Elton Rockenbach Baron

    Bacharelando em Direito, Empregado Público Estadual e aspirante a Promotor de Justiça.

    Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. J. C.

    A vida tem sentido quando a investimos na vida dos outros, ou quando encarnamos a luta dos outros como se ela fosse nossa, a luta do coletivo. Eis meu escopo: despender esforços pela construção contínua da justiça social, a transformação, com justiça, da realidade social, máxime quando os beneficiados são idosos, deficientes, crianças e adolescentes. O desafio vem sendo o esmero na renhida luta em busca do bem comum, não dando tréguas àqueles que se desviam dos ditames constitucionais e legais, com os olhos voltados à concretização da Justiça, sobretudo contra crimes hediondos, crimes políticos e o abandono e maus tratos a animais. Contate-me sobre os supracitados temas: [email protected]

    “Não é o crítico que importa nem aquele que mostra como o homem forte tropeça, ou onde o realizador das proezas poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que se encontra na arena, com o rosto manchado de poeira, suor e sangue; que luta com valentia; que erra e tenta de novo e de novo; […] que conhece os grandes entusiasmos e as grandes devoções; que se sacrifica por uma causa nobre; que ao menos conhece, no final, o triunfo de uma grande realização; e que, na pior das hipóteses, se fracassar, pelo menos fracassou ousando grandes coisas; e por isso o seu lugar não pode ser junto àquelas almas tímidas e frias que não conhecem nem vitórias nem derrotas.” (Theodore Roosevelt)

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