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Artigo

A santificação pelo trabalho jurídico

Uma reflexão sobre a importância do trabalho jurídico no próprio desenvolvimento do ser humano, e, sua importância como instrumento de santificação profissional.

A ideia aqui proposta no texto é uma reflexão sobre a importância da realização do bom trabalho. Mesmo que o título aponte para o trabalho jurídico, o mesmo é aplicável a todo o trabalho humano lícito.

 

Talvez o presente texto não seja algo de nosso cotidiano em tomar conhecimento, mas, mesmo assim, é um texto que entendo plausível de leitura pelos colegas juristas, que adotam em sua vida um caminho cristão.

 

A ideia da santidade advém da graça e da luta pessoal, sabendo que a graça sempre precede, acompanha e segue os esforços. A busca da santificação é uma busca profunda por Deus. Um contato, um sentimento.

 

A força advinda da espiritualidade decorrente dos ensinamentos e exemplos trazidos pelas mãos do saudoso São Josemaria Escrivá demonstram que o ser humano é capaz de buscar a santidade, como caminho, através da realização do seu ofício.

 

A santificação do trabalho é tornar santa a atividade realizada pela pessoa, sendo um ato de amor a Deus, devendo o mesmo ser realizado com a maior perfeição possível, haja vista que o ato de trabalhar, além de engrandecer a pessoa, é uma forma de união com o Cristo Jesus.

 

Com a santificação do trabalho, deve o cristão buscar santificar-se no mesmo. Além da realização com a perfeição que se espera no viés do serviço à Deus, o ato da oração e a prática das virtudes, com as tarefas do dia-a-dia, perfazem o caminho para tal intentona. O jurista que acredita que deve sempre realizar o esforço para seu cliente, mas que deposita mais trabalho, mais estudo, mais dedicação, além de estar representando os interesses do seu cliente, esta se fortificando na construção da sua santidade. O esforço visto como sacrífico pessoal, e, a busca pela identificação com o Cristo, é entendido na realização do bom trabalho, aquele dedicado, que é capaz de empreender ao extremo de nossas forças em prol de um objetivo, corroborando como uma pequena parte da penitencia necessária para se colocarmos próximos a Paixão de Nosso Senhor.

 

Como consequência da santificação do trabalho e a própria busca pela santificação da pessoa, a consequência é a geração de um ambiente de que o trabalho realizado funcione como instrumento de santificação também dos demais. Um bom indício da retidão de intenção, com a qual deveis realizar vosso trabalho profissional, é precisamente o modo como aproveitais as relações sociais ou de amizade, que nascem ao desempenhar a profissão, para aproximar de Deus essas almas (São Josemaria Escrivá, Carta, 15.10.1948, n. 18, citado por Mons. Javier Echevarría, Carta Pastoral, 2.10.2011, n. 34). O trabalho dedicado e cristão gera frutos por onde é visto.

 

O trabalho é instrumento de santificação e apostolado. É um dos meios do cristão em procurar realizar a obra de Deus, haja vista que a perfectibilização humana da santidade, nos moldes vislumbrados no Cristo, jamais será atingido na terra, mas será uma consequência a ser reconhecida na espiritualidade.

 

Então, dentro desta visão, ainda mais que o profissional do direito é alguém que, em regra, lida com interesses de outras pessoas, é fundamental que entenda a relevância que possui diante das expectativas das mesmas e perante a própria visão de Deus. É lógico que ninguém está fadado a satisfazer expectativas que não sejam amiúde viáveis legalmente, mas cabe ao jurista, dentro da sua visão metafisica da responsabilidade com Deus, procurar esmerar-se ao máximo no intuito de garantir o resguardo jurídico da causa trazida. Não só pelo cliente, mas pela própria santificação da tarefa.

 

É dever do profissional a atuação detalhada, atualizada e comprometida. Não só pela confiança depositada, mas pela própria expressão do que é a santificação que tal intentona denota. A procuração é, muitas vezes, uma carta que o profissional do direito tem de seu cliente para poder melhorar-se, ao estudar o caso em concreto, as anuancias e perspectivas que advém pelo caso. O profissional da advocacia deve entender que, além do dinheiro dos honorários, a possibilidade de atuar, de forma cristã, em um processo, com todo o esmero, é um ato de amor.

 

Desta forma, uma vez que o jurista cristão tem em mente a busca pela santificação do seu trabalho, ele tem claro que sua atuação não é simplesmente de consequências terrenas, mas de uma forma importante de apostolado e aproximação com Deus.

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Sobre o autor
Imagem do autor Dartagnan Limberger Costa
Dartagnan Limberger Costa

Advogado militante nas áreas de Direito Empresarial, Tributário e Contratos. Foi professor de Graduação nas áreas de Direito Empresarial, Direito Civil e Falimentar. Graduação e Mestrado em Direito (UNISC) Graduação em Ciências Contábeis (UNINTER) MBA em Direito da Economia e da Empresa (Fundação Getúlio Vargas) Pós Graduado em Direito Empresarial do Trabalho pela Universidade Cidade de São Paulo Pós Graduado em Direito Tributário pela Universidade Cândido Mendes Pós Graduado em Direito Penal com fulcro em Direito Econômico pela Verbo Jurídico Pós Graduado em Contabilidade, Auditoria e Controladoria (UNINTER)

Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi

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