Neste artigo é abordado os riscos ao contratar um influenciador digital, bem como as ações que podem ser tomadas para mitigar riscos, segurança e estratégias.

O universo das mídias sociais vem moldando a forma de operar negócios, possibilitando o crescimento de empresas e o surgimento de novas profissões, existindo um oceano azul de oportunidades aos que utilizam o marketing digital ao seu favor, vale destacar que houve um aumento de 87,5% de investimentos das empresas para maior presença no digital, em decorrência da pandemia.

 

No universo das mídias sociais, surgiu a figura do influenciador digital, pessoas com grande número de seguidores em plataformas de mídias sociais, as quais contribuem com o mercado de consumo, alavancando negócios mediante associação de sua imagem a alguma marca ou produto.

O que não te contam é dos riscos de uma má escolha, que pode se mostrar prejudicial, como observado no caso da blogueira australiana Belle Gibson que forjou um câncer e alegava ter sido curada por meio de uma dieta, lucrando com a mentira.

 

Ao longo desse texto, irei sanar as principais dúvidas ao buscarem um influenciador para a sua marca.

Por que contratar um influenciador digital?

O objetivo na contratação de um influenciador é difundir a marca ou produto ao consumidor, com base na confiança do público na figura do influencer, de modo que as campanhas publicitárias possam ter êxito e alcance em públicos ainda não explorados.

Tal estratégia já se mostrou assertiva em muitos casos, mas a forma de aplicação vem sendo questionada, medir o êxito de um influenciador não pode ser baseado no número de seguidores, empresas precisam de clientes para aquisição de seus produtos ou serviços.

Podemos destacar, o que houve com a rede Ritz-Carlton que se deparou com 78% dos seguidores fruto de seus influenciadores são falsos. Entram no ranking ainda (veja a lista completa abaixo) marcas como Pampers (um dos braços da P&G), L’Occitane, Crocs e o picolé Magnum, empresas que investiram grandes somas de dinheiro e viram seus esforços com publicidade escoarem para o lixo.

 

Outra estratégia muito utilizada por empresas é a contratação de embaixadores para sua marca, o embaixador fala pela marca, suas ações refletem na marca. Tal figura é conhecida pelo público, antes comumente observado em grandes grifes como Louis Vitton, Prada, Chanel, já figura no mundo dos esportes como Nike, Adidas, Cervejarias, até chegar ao mundo corporativo, vide Nubank.

Após o surgimento de grandes influenciadores e golpes como o exposto acima, ingressamos em um cenário de roleta russa, escândalos que podem ocasionar em mancha a reputação da empresa, risco este que já era observado na contratação de artistas famosos, mostrou-se ainda mais crítico com o influenciador. Pelo exposto, é importante a adoção de estratégias certas para o êxito.

Esta mais do que na hora de abandonarmos o amadorismo de lado e encarar a contratação de um representante para a sua marca com profissionalismo.

O influenciador digital e o risco para o seu negócio

O influencer pode se tornar um pesadelo para uma empresa, se a escolha não for pautada em mecanismos eficientes, segurança, os riscos se fazem presentes, basta lembrarmos do caso da Nike e o jogador de futebol Neymar, ou ainda a cantora Karol Konka que devido a sua participação em um reallity show gerou a rescisão de contratos, sem mencionar a influenciadora digital Gabriela Pugliesi que durante a pandemia agiu de forma que lesou a reputação de seus patrocinadores.

É de extrema importância que a empresa busque uma atuação preventiva, para inibir riscos e não associação a condutas que divergem de seus valores.

Aqui eu vou te mostrar os pontos de atenção, para que você não comprometa a reputação da sua empresa.

Lembre-se, uma má escolha pode destruir a imagem que seus clientes possuem da sua marca e toda a reputação construída ao longo de anos poderá ser comprometida.

O que levar em consideração ao contratar um influenciador digital

È importante que a empresa possua clareza quanto a sua identidade como marca, seus valores devem ser claros e refletirem na relação com seus funcionários, clientes e perante o público em geral, mediante essa consciência ela deverá associar sua marca com pessoas que prezem pelos mesmos ideais, imagine o seguinte cenário:

“A empresa CCY, efetua a venda de produto destinado a um público jovem, porém o influenciador possui um passado turbulento e em sua fala evidencia-se um linguajar ofensivo, com palavrões”.

Essa é a associação que irá gerar bons resultados para sua empresa? Ou seria uma situação de potencial risco?

Dessa forma, é importante que se efetue o due diligence, a diligência prévia, mecanismo,o por meio do qual será identificado riscos para o negócio, deve ser analisado se existe algum indício de risco, conduta ilícita, associação a corrupção, situação financeira, possíveis envolvimentos com conduta ilícita.

Na lise a postura do influenciador dentro e fora do ambiente digital, verifique se o mesmo é coerente com o que aborda, pois se não o for, não se sustenta no longo prazo.

contrato deve incluir observância a padrões éticos da empresa, o qual deve ser formalizado por escrito, cláusulas de integridade e anticorrupção, postura esperada.

contratado deve ser orientado e seguir as disposições do código de conduta da empresa, possuir valores em comum e os respeitar, pois se torna um representante da mesma. Devendo ser assegurado que o mesmo compreenda e vista a camisa do negócio.

A escolha, para ser assertiva deve incluir ainda verificação se o número de seguidores são reais, qual nível de engajamento com o público, para se evitar golpes ou ainda captalizar com a parceria.

Garantir que o passado do influenciador não seja ofensivo, para não vinculação da marca a algo que ela não deve ser associada.

Estude quais os parceiros atuais do influencer, para verificação da postura do mesmo, ou ainda não estar associado a um concorrente e caso tenha estado pode gerar perda de credibilidade e deve ser dimensionado, neste cenário deve existir uma estratégia clara.

Além do exposto, é necessário um plano de crise estruturado, com plano de ação para minimizar danos em caso de ocorrer, previsão contratual para possibilidade de rescisão do contrato ou ainda a suspensão do mesmo.

Uma marca pode ser mais valiosa do que sua estrutura ou capital, tomemos a Apple como exemplo, sua marca é formada pela junção da reputação e sua imagem, com todo o desenvolvimento de branding por trás, não mate o que vem construindo por uma vinculação frágil.

Não se engane

Não se engane a qualidade do seu serviço não é mais um diferencialé a base de qualquer negócio. O que irá agregar valor a marca?

Lembre-se, existem muitos concorrentes hoje no mercado e o acesso a informação esta facilitado, o cliente não irá cair em qualquer conto, atrair o cliente certo demanda não apenas a qualidade do que oferecem, os valores importam, a integridade, ele precisa de mais da sua marca para que ele compre, para que se torne a escolha certa para o público.

Proteja seu negócio, valorize seu capital! Tenha estratégia.

E por falar no mundo digital, a sua empresa está preparada para a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)?

Deseja saber mais a respeito? Entre em contato e eu o espero para mais conteúdos.

LEIA MAIS:

Afinal, o que é compliance?

Contrato de trabalho e blindagem trabalhista

A minha empresa precisa de um regulamento interno?

Você pode me encontrar:

https://albertacci.com.br/

Instagram: @lauraalbertacci


Autor

  • Laura Abbott Albertacci

    Advogada, Membro do Comitê da ANPPD (Associação Nacional dos Profissionais de Proteção de Dados) e Membro ANADD (Associação Nacional de Advogados de Direito Digital), me encontre no site www.albertacci.com.br ou @lauraalbertacci.

    Atuação em Registro de Marcas e Patentes, Compliance: Política Anticorrupção, Código de Conduta, Gestão de Riscos, Políticas de Risk Assesment, Regimento Interno, Termo de Sigilo, adequação de políticas de prevenção voltadas às orientações da LGPD.

    Elaboração, negociação e revisão de contratos Contratos e em conformidade a LGPD.

    Telecomunicações: Provedor de Pequeno Porte, consultoria e assessoria, quebra de IP, adequações em conformidade a ANATEL, revisão de procedimento interno.

    Consultoria Jurídica e Treinamentos de equipe e palestras, Compliance e LGPD.

    Textos publicados pela autora

    Fale com a autora

    Site(s):

Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pela autora. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi.

Comentários

0

Autorizo divulgar minha mensagem juntamente com meus dados de identificação.
A divulgação será por tempo indeterminado, mas eu poderei solicitar a remoção no futuro.
Concordo com a Política de Privacidade e a Política de Tratamento de Dados do Jus.

Regras de uso