A publicação do texto se dá porque estudo o comportamento humano no ambito civil e criminal. Através do Criminal Profiling, Direito sistêmico e fenomenologia.

 

RESUMO: O conto trata de uma típica senhora portuguesa esposa e  mãe. Certo dia  quando estava sozinha em casa, ao encontrar-se defronte do espelho começou a desvanear, nesse sentido, a atitude da mesma foi tão corriqueira que o marido pensou que ela estava doente. Quando os filhos voltam ao lar, a vida dela volta ao norte. Por outro lado, em um encontro de negócios no qual havia ido com seu  marido, embriaga-se, e desenvolve muita prosa com o chefe do esposo, ademais, algo que lhe feriu a vaidade foi detectar a beleza e vestimenta de outra mulher.  Logo, começou a repensar acerca da sua própria sensualidade e o desejo que podia despertar nos homens quando saiu do comodismo de casa. Isso demonstra que a personagem tinha muitos desejos inconscientes" ocultos" no qual o marido não notava. Portanto, a mesma era insatisfeita com a vida que levava, mas não buscava evolução, continuava no status quo, assim, a falta de comportamento da personagem feminina merece ser analisada minuciosamente, pois o ser humano tende a responder as experiências de vida de maneira diversas.Enfim, o estudo da fenomenologia em conjunto com a psicanálise ajudará a entender os desvaneios da mulher.

Palavras Chaves: Concubinato. Fenomenologia. Psicanálise

Análise do livro laços de família de Clarisce Lispector: Uma visão sistêmica e fenomenologica a partir  do conto  desvaneio e embriagues duma rapariga 

Inicialmente, o livro laços de família trata especificamente do processo de aprisionamento dos indivíduos através de entrelaçamentos. Desse modo, ao examinar o conto “desvaneio e embriagues duma rapariga”, desde então, se percebe que a análise será de uma personagem feminina, mas sob o prisma de um referencial teórico voltado para questões fenomenológicas.

Nesse passo, a personagem feminina estava desencantada e entediada com o seu papel de esposa e mãe e, na primeira oportunidade que surgiu para sair daquela vida monótona, em uma saída com seu marido, embriagou-se, e logo falou tudo que estava guardado no seu íntimo. Eis o cerne da questão: diante de tamanha insatisfação com a vida que levava, demostrou interesse por outro homem em um encontro ocasional.

Conforme o exposto acima, na primeira análise, tal comportamento poderá ensejar o concubinato? Vê-se que, tão somente um encontro ocasional pode apresentar demonstrações de interesse entre as partes, mas não o concubinato, pois diante do caso não houve qualquer contato íntimo, apenas e tão somente um interesse escuso e inconsciente da personagem feminina que somente aflorou após a embriagues.

Do mesmo modo, a resposta para essa indagação vai depender de cada pessoa, pois, dependendo do caso, posteriormente, poderá ensejar uma relação amorosa. Mas na questão em análise tal não progrediu, pois, a mesma, no dia seguinte, continuou sua vida normalmente, vale dizer que, para compreender o comportamento desta no sentido de não se deixar dominar por seus desejos e instintos é pertinente um estudo com mais afinco acerca do comportamento humano, no qual será explicado abaixo.

Noutro ponto, a terminologia concubinato levando em consideração o viés jurídico tem o condão de abranger relacionamentos e convivências reprováveis. O código civil faz referência em seu art.  1.727 in verbis “ as relações não eventuais entre homem e a mulher, impedidos de casar, constituem concubinato”. Nesse caso, se faz referência tão somente ao adultério, envolvendo pessoa casada em ligação amorosa com terceiro. Desse modo, o relacionamento amoroso que enseja o concubinato não deverá ser tão somente um encontro ocasional. Nessa linha, existe muitas conceituaçoes acerca do mesmo, no entanto, o foco é de antemão fazer um análise sistêmica e fenomenológica do comportamento da personagem feminina. 

Convém, explicar adiante, a compreensão da fenomenologia e psicanálise fazendo um comparativo com o concubinato que é o cerne o objeto do estudo.

DESENVOLVIMENTO

De início, a fenomenologia é o estudo dos fenômenos sendo um método especificamente filosófico, qualquer um, por conseguinte, que descreva aparências ou aparições, faz fenomenologia, nessa linha, o mundo é visto como um fenômeno, isto é, como só tendo sentido em sua manifestação na vivência.

Segundo Dartigues (1992, s/p):

A tarefa efetiva da fenomenologia será, pois, analisar as vivências intencionais da consciência para perceber como aí se produz o sentido dos fenômenos, o sentido desse fenómeno global que se chama mundo. Trata-se, para empregar uma metáfora aproximativa, de distender o tecido da consciência e do mundo.

De acordo com o explanado, com o estudo dos fenômenos, vê-se, uma ligação entre a fenomenologia e psicanálise, nessa linha, a primeira analisará as vivências intencionais da consciência. Segundo Hidalgo(2015) " a psicanálise estuda o consciente e o inconsciente"  Desse modo, o inconsciente também é um elemento da estrutura subjetiva do homem,  e é objeto de estudo da psicanálise, além do mais, quando o autor aborda a terminologia “distender” o tecido da consciência e do mundo, significa dizer que, aqueles pensamentos que estão escusos no inconsciente muitas vezes são estendidos e vindo a serem exteriorizados.

Nesse diapasão, é importante tecer que, para que seja compreendida a conduta da personagem feminina é necessário levar em consideração tanto o elemento consciente como o inconsciente, por conta de eles serem exteriorizados no mundo externo de maneira diversifica em razão de que cada pessoa é única e tende a responder às experiências de vida de maneira diversas, nesse passo, a atitude da personagem feminina quando diante de conflitos familiares foi tão somente a aceitação da vida que levava.

E finalmente, no conto, a esposa tinha desejos reprimidos em sua estrutura subjetiva - eis o vivido não denominado, o que Freud chama erroneamente de inconsciente. Desse modo, os pensamentos da esposa eram tão vastos que já tinha ultrapassado o inconsciente, nesse ponto, ela já havia exteriorizado os desejos ao mundo externo, quando se interessou por outro homem, mas não passou de um desejo momentâneo, no qual o comportamento negativo do marido no âmbito familiar pode ter contribuído com os desvaneios da personagem feminina, por exemplo, falta de atenção.

Contudo, a partir desse ponto, poderá começar a surgir os primeiros conflitos familiares no campo interno e externo, ademais, a identificação da raiz do problema em qualquer âmbito ajudará na busca de possíveis soluções para estes. Mas, por outro lado, a atitude final da personagem feminina foi tão somente continuar com a vida que levava e, não se envolveu amorosamente com o homem que havia despertado nela desejos inconscientes. Segundo Bert Hellinger (1988) dispõe que  é crucial tentar encontrar o motivo pelo qual ela se contentava. Desse modo, para que se compreenda tal indagação é necessário entender acerca da obra a “ simetria oculta do amor” .

 No mesmo sentido, dando uma breve pincelada na obra citada acima, nota-se que, existe uma resistência com o amor deslocado. O problema da personagem feminina possivelmente poderá ter solução, mas muitas vezes, não a procura-a. Isso tem muito a ver com o fato de os problemas psicológicos, a infelicidade ou os sintomas darem a segurança íntima de que é necessário continuar integrando o grupo no qual pertencem. Sendo assim, o sofrimento é a prova de que nossa alma pueril necessita para não sentir culpada perante a família. Toda desventura causada por dificuldades sistêmicas é acompanhada pela satisfação profunda de pertencer a família.

 Portanto, se constata a falta de diálogo entre o casal, principalmente do personagem masculino, vale dizer, ele não teve a capacidade de se colocar no lugar da sua mulher quando diante de qualquer comportamento fora do normal, por exemplo, quando ela estava reprimida etc. Tal atitude do esposo diz respeito segundo Krznaric (2015) “a falta de empatia que é arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo”. Nesse diapasão, o mal estar contemporâneo na atualidade diz respeito à falta de capacidade de se colocar no lugar do outro.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pretendeu-se, analisar com a obra, o conto desvaneio e embriagues duma rapariga, vale mencionar que, tal abre leques de pesquisa no viés das ciências jurídicas e ciências sociais, desse modo, o primeiro elemento que foi extraído diz respeito a uma possível relação que poderia ensejar o concubinato, no entanto, não progrediu, pois, começou em um encontro ocasional e terminou de igual modo.

Noutro ponto, o ordenamento jurídico brasileiro dá sua conceituação acerca do concubinato, no qual são relações não eventuais entre um homem e uma mulher que são impedidos de se casar. Mas, por outro lado, a jurisprudência já tem decido que ela também poderá ser constituída entre pessoas do mesmo sexo.

Saliente-se que, a fenomenologia advém da filosofia tendo características próprias que se conectam com os significados do passado, assim, ela estudará os fenômenos na contemporaneidade através do elemento consciente. Já a psicanálise analisará além do consciente, o inconsciente. Esses elementos fazem parte da estrutura subjetiva do ser humano, nesse passo, a subjetividade do homem deve ser estudada com profundidade levando em consideração uma multiplicidade de ciências que estão à disposição da coletividade, todavia, o principal cerne que merece destaque é o inconsciente, pois somente profissionais com vasto conhecimento técnico científico poderão identifica-lo e a análise é escusa diante dos olhos dos leigos e requer expertise.

Urge abordar que, os fenômenos podem ter o viés jurídico, filosófico, psicológico e social etc. No interior de qualquer sistema seja família, empresa, instituição de qualquer natureza oposta: de um lado, a busca de preservar o status quo; de outro, a tendência de evoluir e ampliar as fronteiras, ampliar o campo de ação. Saliente-se que, no caso em análise a personagem feminina preferiu ficar no status quo, estagnada.

Enfim, buscar soluções para os problemas no mundo moderno é algo ameaçador e desagradável. Traz consigo o medo de perder vínculos, os sentimentos confortadores de culpa, a confiança do grupo. Ademais, quando diante de um problema é necessário haver luta para a solução, noutro ponto, o homem poderá imaginar estar rompendo as normas familiares que veem que tem dever de obedecer ao procurar soluções para eventuais problemas.

Ou seja, a falta de comportamento em busca de solução para eventuais problemas pode ocorrer porque no futuro o homem, possivelmente, possa vir a se sentir culpado ao tomar alguma decisão negativa ou positiva conforme sua convicção. Mas, a mudança exige coragem para encarar a “culpa”. E finalmente, existe um vasto conhecimento acerca do tema que envolve os fenômenos do mundo moderno, e o objeto de estudo buscou tão logo compreender o comportamento da esposa. Além do mais, aquele encontro ocasional entre a personagem feminina e o negociante não ensejou o concubinato e muitos menos ela viveu um amor sem limites.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil.>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm> Acesso em 08/06/2019.

DARTIGUES, André. O que é fenomenologia?. 32ª ed. São Paulo: Centauro, 1992.

FIORELLI, O. J. Mangini, R.C.R. Psicologia jurídica. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2012

HIDALGO, Matheus. Fenomenologia e psicanálise: o inconsciente como estrutura da conduta. Revista de Psicologia da UNESP 14(2), 2015.

HELLINGER, Bert. A simetria oculta do amor. São Paulo: Cultrix, 1988.

KRZNARIC, Roman. O poder da empatia: A arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo. Editora Zahah. 1ªed.  Rio de Janeiro: Zahar, 2015.


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