Políticas de inovação de Singapura

26/10/2022 às 12:36
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Introdução

De um dos menores países do mundo para uma das maiores economias, Singapura tem uma extensão territorial de 618 km² e uma população de 5,6 milhões de habitantes, a título de comparação, a cidade de São Paulo possui 12,1 milhões de habitantes, e ainda contando com um Índice de Desenvolvimento Humano altíssimo, estando em 0,912 de acordo com o Banco Mundial, o 11° mais alto de todo o mundo, tornando Singapura um paraíso para os empreendedores e laboratórios de tecnologia da última geração.

Apesar de ter uma falta de recursos naturais e uma história conturbada, Singapura se desenvolveu e se tornou um dos melhores países do mundo para investimento, destacando-se do meio no qual está situada, este sendo o Leste Asiático. Os fatores que levaram ao desenvolvimento extraordinário do país serão aprofundados neste artigo, mas já podem ser mencionados alguns como posição estratégica entre os oceanos Pacífico e Índico, os investimentos maciços em áreas de infraestrutura como seu porto e como na educação como um todo.

Outro fator importante a ser mencionado brevemente que será posteriormente aprofundado é a participação do Estado direta e indiretamente na Economia singapuriana, investimentos e fundos soberanos formados sob medida para movimentar e fomentar o desenvolvimento.

História de Singapura

Chamada de Porto de Temasek (ou Porto do Mar) no século XIV, os javaneses a rebatizaram de Singapura, Cidade do Leão, que era na época uma aldeia de pescadores até 1819, ano no qual um Oficial da Marinha Britânica a comprou em razão

da Companhia das Índias Orientais, para que o Reino Unido pudesse ter uma rota para a China e ao mesmo tempo, impedir os holandeses de avançar.

Em 1823, a Companhia incorporou Singapura ao principado de Bengala, e três anos depois, tornou-se parte das colônias britânicas no Leste Asiático. A ilha, que na época possuía uma população de míseros 1 mil habitantes, após o surto comercial, este número aumentou para 5 mil, uma vez que vários imigrantes, principalmente chineses, se moveram para o local, em 1824, a ilha tornou-se verdadeiramente uma colônia britânica, uma vez que fora totalmente submetida à administração e leis britânicas. Em 1837, Singapura tomou o lugar de Penang e se tornou a capital das ditas colônias.

Virou a Capital das Colônias por dois fatores importantíssimos até os dias de hoje para a economia singapuriana: Sua posição estratégica nos mares Índico e Pacífico e seu porto, que era de livre aporte, garantindo que comerciantes de todo mundo pudessem parar e comercializar seus bens. Pode-se observar que, em contrapartida com o Brasil, Singapura foi desde cedo aberta ao comércio com várias outras nações, mesmo colônia, enquanto o primeiro esperou pela chegada da Família Real para que se desvencilhasse das amarras da metrópole.

A passagem obrigatória por Singapura a tornou um grande centro comercial que fez com que a região se beneficiasse, ainda mais com a conveniente abertura do canal de Suez em 1869, outro fator que, combinado com a colonização britânica, trouxe vantagens econômicas notáveis, como se tornar a maior exportadora de borracha do globo. É válido ressaltar que Singapura exportava borracha em grandes quantias, pois era parte integral de sua economia até o ano de 1969, ocupando 26,4% do total de exportações do país.

Singapura crescia e florescia sob a administração britânica, mas esta se provava ineficaz em aspectos sociais, visto que não cumpria com as demandas de bem-estar da população, com condições sanitárias mortais e fracas, principalmente no quesito da saúde, e ainda com a crescente criminalidade. O Canal de Suez, que o Reino Unido tomou do Egito, foi fator decisivo que alterou tal quadro, pois este momento trouxe grande prosperidade à Singapura.

O crescimento singapuriano e a administração britânica se mantiveram até a Segunda Guerra Mundial, quando, por razões óbvias, as forças colonizadoras se retiraram para proteger a pátria, deixando-a para ser dominada pelo Império Japonês em 1942, que governou cruelmente até 1945, quando se retirou do país. O domínio nipônico fora marcado por muita brutalidade aos cidadãos singapurianos, principalmente contra os chineses que residiam na área.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o domínio japonês se esvaiu e deixou espaço para que os britânicos retornassem, mas sua estadia não fora bem aproveitada, uma vez que o país estava em péssimas condições sanitárias, estruturais e de saúde, com doenças se espalhando ao vento juntamente com o crescimento da violência. Todos estes fatores foram importantes para que os singapurianos obtivessem um sentido de nacionalidade e repulsa pelos colonizadores.

Em 1947 houve alguma melhora na economia, visto que havia uma grande necessidade do mercado mundial por borracha e estanho, mas não chegou aos níveis de exportação como antes da guerra. Os britânicos, em tentativas de amenizar o sentimento de repulsa pela metrópole, criou conselhos legislativos locais e o cargo de Primeiro Ministro de Singapura, mas não obteve sucesso em diminuir a vontade de nacionalidade dos singapurianos.

Este sentimento perdurou até 1955, quando o então Primeiro Ministro Lin Yew Hock negociou com o Reino Unido o autogoverno de Singapura, e em 1958, uma votação histórica no Parlamento Inglês se instaurou, aprovando a criação do Estado de Singapura.

É feita então a primeira eleição para o governo de Singapura, onde vence Lee Kuan Yew, vindo do Partido da Ação Popular (ou Peoples Action Party). Lee governou por 30 anos, e foi responsável por muitas das políticas fundamentais de Singapura que permitiram sua ascensão econômica e social nas décadas subsequentes, sendo apontado como uma das principais figuras históricas do país e seu desenvolvimento.

Apesar de ter se tornado um Estado, Singapura se une à Sarawek, Malaya e Sabah para formar a Malásia em 1963, porém, tal união se mostrou falha, proporcionando tensões raciais e econômicas na região, levando a Singapura sair desta união e criar a República de Singapura, em 1965.

Proclamada a República, Singapura passou por um período fundamental de reformas e investimentos estruturais pesados,

Singapura, realizando e efetivando suas políticas públicas de incentivo, recompensa e investimento, manejou reduzir a taxa de desemprego da população de 12% para 3% entre as décadas de 1980 e 1990, entrando para os Tigres Asiáticos, grupo dos países cuja economia é baseada em exportação. O grupo é composto por Singapura, Coreia do Sul, Taiwan e Hong Kong.

Pode ser observado que a ascensão de Singapura se deve à fatores como os citados acima, assim como outros, tão importantes quanto, sendo, o primeiro de todos, a eficiência administrativa do Governo singapuriano, vide Lee Kuan Yew, que ficou três décadas no poder. Por mais que seja ponto controverso, é indiscutível que, graças a tamanha longevidade de seu governo, fora capaz de planejar e efetivar as políticas que levaram Singapura a um nível alto de desenvolvimento em pouco tempo.

Os investimentos massivos em pesquisa só se tornaram possíveis graças aos órgãos públicos responsáveis por eles, tais sendo: Science Centre of Singapore/ Centro Científico de Singapura, que desde 1977 promove e populariza a ciência em Singapura, criado apenas para isso, foca-se totalmente na pesquisa científica, através de artigos científicos publicados e exibições públicas onde a tecnologia fica disponível para os interessados visualizarem o futuro. Outro órgão público importantíssimo é a A*STAR, criada em 2002 para promover a pesquisa e o financiamento de pesquisa nas áreas de biotecnologia, descoberta científica e inovação tecnológica, cujo as próprias pesquisas nestas áreas melhoram por consequência áreas sociais como saúde, vida urbana e sustentabilidade. Órgãos que também são responsáveis pela pesquisa científica no país são: Universidade Nacional de Singapura, Instituto de Biologia Molecular e Celular e o Instituto Tecnológico Nanyang.

O que pode, e deve, ser observado pela história de Singapura é o fato de que houve um grande planejamento para o futuro do país desde os seus primórdios, com a compra do território para a Cia das Índias Orientais, o que levou a um período de prosperidade intensa, sem deixar de observar que, mesmo após anos de descontentamento, conquistaram sua própria identidade, e a fizeram de modo que se sobressaísse das dos demais países do Leste Asiático, focando desde sua

independência em infraestrutura, educação e no próprio capitalismo do país, objetivando a melhora social como um todo, não apenas para a elite, como várias outras colônias no mundo fizeram em seu processo de formação. Singapura se sobressai pelo fato de ser planejada e construída para o futuro, objetivo que deixa cada dia mais próximo.

Políticas Públicas Econômicas de Singapura

A principal ferramenta que possibilitou a transformação e ascensão de Singapura, foram suas políticas públicas de investimentos, onde os fez primariamente em áreas chaves, como: Educação, Moradia, Infraestrutura, este com foco em seu Porto, e Pesquisa Científica, este que possui vários órgãos governamentais destinados somente à gestão de toda ciência e tecnologia produzidas no país.

Como fora previamente dito, após se declarar independente da Malásia, o governo singapuriano adotou políticas públicas, estas sendo, como bem aponta o professor de Harvard, Josh Lerner em seu livro Boulevard of Broken Dreams: Why Public Efforts to Boost Entrepreneurship and Venture Capital Have Failed and What to Do About it:

  1. Providenciar fundos monetários para os investidores de risco.
  2. Subsídios pesados para empresas em tecnologias específicas.
  3. Encorajar potenciais empresários e financiar negócios pequenos e novos.
  4. Subsídios para laboratórios de biotecnologia de ponta se moverem para o país.
  5. Recompensar as falhas de negócios, diminuindo assim o risco do negócio ao mesmo tempo que encoraja a tomada de riscos.

O resultado destas políticas foi uma incrível ascensão econômica presenciada pelo país nos anos seguintes, com uma diminuição do índice de desemprego e aumento estratosférico no PIB. Singapura, apesar de ser uma economia aberta, ou seja, capitalista, tem um Estado participativo na mesma, através de incentivos fiscais, compra e venda de ações de variados empreendimentos, injetando verba pública

diretamente na economia, estimulando, através das políticas públicas descritas acima, os empresários e empreendedores que se situam no país.

Os setores tecnológicos foram construídos praticamente com dinheiro público, pois o Estado investe diretamente neles há mais de 50 anos.

A organização territorial do país e seus setores de desenvolvimento são controladas pelo próprio Estado, que o fez a partir de uma Lei criada em 1966, permitindo que o Governo comprasse compulsoriamente quaisquer terras que desejasse, mediante indenização. Singapura, em seu planejamento, utiliza desta lei para que possa separar e construir organizadamente cada setor como bem entende, incluindo até o de moradias para a população no geral, podendo citar como exemplo os quarteirões de Biopolis e Fusionopolis, ambos destinados a pesquisa e desenvolvimento (ou Research & Development R&D/P&D) e dentro do bairro One- North, e somente serão possíveis de existir pois serão frutos desta série de investimentos e políticas públicas do país.

Tal Lei fora criada em uma época pós-independência onde havia um grande problema de pobreza: a favela, então, fora criada a Agência Estatal responsável pela habitação social, Housing and Development Board, que erradicou as favelas no país e ainda proporcionou uma ferramenta extra para o Estado organizar a distribuição de setores importantes para a sociedade singapuriana. É válido mencionar que, como o Estado é proprietário da maior parte das terras, e apenas concede a posse para os ocupantes, complicações envolvendo Direitos Reais são evitadas neste processo.

Existem em Singapura, dois grandes fundos monetários voltados para o desenvolvimento econômico do país e seus residentes, estes dois sendo: Temasek Holding, criado em 1974 e o Government of Singapore Investment Corporation, que foi fundado 7 anos depois, em 1981.

Temasek Holding é um fundo soberano criado para ser um investidor ativo em longos períodos de tempo, focado em diversas áreas de tecnologia, tais como telecomunicações e tecnologia, ou ainda em energia e recursos, enquanto o Government of Singapore Investment Corporation foi feito de maneira que o Governo pudesse deixar de depender apenas do mercado para valorizar sua moeda, criando reservas internacionais de ativos no cenário exterior caso haja necessidade.

Ambos os órgãos foram criados para realizar atividades diferentes, mas com a mesma finalidade: encorajar o investimento no país tanto de estrangeiros quanto dos nacionais, mantendo sua economia ativa e duradoura através dos esforços do Estado.

Depois de uma recessão no começo dos anos 2000 (A Grande Recessão), o PIB de Singapura foi consideravelmente afetado, que voltaria a crescer e se recuperar novamente em 2003. Para que crescesse novamente, o Governo de Singapura criou o órgão Economic Review Committee, que era composto de economistas, líderes sindicais, empresários e outros. Criado especificamente para propor soluções práticas para a recessão que se instaurava no país.

A equipe do ERC chegou em cinco pontos para estimular a economia no país:

  • Expandir os laços externos
  • Se manter competitivo e flexível como economia
  • Incentivar o empreendedorismo em uma economia de conhecimento
  • Promover tanto serviços como fabricação
  • Desenvolver seus empregados

É válido ressaltar que haviam 7 subcomitês dentro do ERC, cada qual responsáveis por auxiliar o comitê principal nas seguintes áreas: Políticas relacionadas aos impostos, o Fundo Central de Previdência, os salários e a terra; Promover empreendedorismo e o crescimento e internacionalização de empresas baseadas em Singapura; Melhoramento de capital humano; Setor de Fabricação; Indústrias de Serviços; Empresas domésticas e em como lidar com o impacto da reestruturação da economia.

Este relatório levou o Governo de Singapura a investir em inovação, focando seus fundos, juntamente de outros órgãos, em novas tecnologias para a exportação. Singapura exporta cerca de 496 bilhões de dólares no ano de 2018, consistindo em 36,8% de Serviços, 24,6% de Tecnologia, 11% de Produtos Químicos, como indica o Atlas de Complexidade Econômica.

The Next Lap

Política pública de longo termo adotada pelo Governo de Singapura em 1991, que continha ideias e propostas para tornar Singapura um país distinto dos demais. Este documento incumbiu o Long Term National Development Committee (Comitê Nacional de Desenvolvimento a Longo Prazo CNDLP) com a tarefa de escolher o caminho pelo qual Singapura se desenvolveria nos próximos 25 anos. O Comitê contava com participação tanto de líderes públicos quanto de grupos privados, chegando à conclusão de que os aspectos físicos e sociais de Singapura poderiam servir os interesses da nação para o futuro.

Incluía em si oito pontos principais para o desenvolvimento do país, estes sendo:

  1. Pessoas Para sustentar as necessidades da Singapura do amanhã, estudos sugeriram que a população deveria aumentar em 4 milhões de pessoas. Singapura assim o fez encorajando solteiros a se casarem e constituírem família, e ainda buscava trazer estrangeiros para morar no país.
  2. Educação A qualidade e o acesso ao ensino deveriam ser melhorados, começando nos níveis mais básicos até os de ensino superior, com a criação de mais universidades no país, fornecendo programas de ensino para a população adulta.
  3. Economia Singapura se tornaria um centro de negócios para todo o Leste Asiático, então seria necessário melhorar as habilidades manuais e intelectuais dos trabalhadores, então o foco foi estabelecer institutos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) em áreas específicas e melhorando a infraestrutura de tecnologia de informação, transformaria Singapura em uma ilha inteligente.
  4. Casa Um planejamento de desenvolvimento urbano mapearia um plano revisado para que Singapura estivesse atualizada em todos os quesitos urbanos, melhorando e repaginando propriedades antigas e estabelecendo um novo centro da cidade na Marina Bay.
  5. Artes e Esportes Teatros antigas seriam restauradas e melhoradas somadas a um novo centro cultural em Singapura, o Distrito do Museu. Também estabeleceu um Conselho de Artes para supervisionar as atividades culturais em Singapura.
  6. Comunidade O Governo adotaria políticas assistencialistas aos mais pobres, incluindo, mas não limitadas a saúde pública e serviços de assistência, com o foco de tornar essas pessoas que necessitavam da assistência autossustentáveis e procurassem depender menos do Governo para tocar suas vidas.
  7. Singapura Internacional Criação da Fundação Internacional de Singapura, uma ONG que tem como objetivo único estabelecer vínculos além-mar, incluindo promover que singapurianos saiam de Singapura para trabalhar e morar em outros países.
  8. Segurança Nacional Desde 1984, Singapura adotou uma postura de Defesa Total, que é a união dos esforços de todos de construir uma nação forte, segura e coesiva, em 5 pontos principais: defesa psicológica, defesa social, defesa econômica, defesa civil e defesa militar.

National Research Foundation Singapore / Fundação Nacional de Pesquisa de Singapura

Criada em 2006 com a missão de direcionar a pesquisa e desenvolvimento através de políticas públicas, planos e estratégias para a pesquisa, inovação e empreendedorismo, providenciando fundos para iniciativas estratégicas e melhoramento das capacidades de P&D por sustentar talentos de pesquisa. A NRF cumpre seus objetivos através das seguintes formas:

  • Desenvolvimento de políticas públicas, planos e estratégias para incentivar e investir em pesquisa, inovação e empreendedorismo.
  • Investe em iniciativas que fortaleçam as capacidades científicas e de pesquisa para que causem impacto a nível econômico e nacional.
  • Fortalecimento de capacidade de P&D através de políticas de incentivo e nutrição dos singapurianos, atraindo pesquisadores e cientistas estrangeiros para o país.
  • E coordenando o foco das pesquisas de diferentes empresas e laboratórios para transformar Singapura em uma economia de conhecimento intensivo, inovação e empreendedorismo.

Ou seja, a Fundação Nacional de Pesquisa assegura seus objetivos através de métodos como: fortalecimento das capacidades básicas, desta forma melhorando e adaptando as capacitações básicas dos cidadãos singapurianos para que possam utilizar melhor das novas tecnologias e não ficarem obsoletos; Desenvolvimento de talentos, fornecendo fundos e oportunidades para os talentosos em Singapura para que possam efetivamente impactar a economia e o mercado; Busca pela excelência em pesquisa através da fomentação de competitividade e garantindo o impacto econômico através de colaborações público-privadas, P&D de empresas orientadas pelo Governo para focarem em nichos específicos do mercado e através do próprio Comércio em si, todos cumpridos de forma que possam chegar a consecução do objetivo de transformar Singapura em uma economia de conhecimento, que favorece tanto o país como a indústria, de maneira a impactar diretamente a economia singapuriana, que o faz fornecendo para as indústrias de colaboração em P&D as técnicas, métodos e tecnologias necessárias para que possam realizar as suas pesquisas, por consequência aumentando a produtividade, levando ideias novas para o mercado mais agilmente, criando novos empregos e ainda melhorando o setor.

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A*STAR

Singapura é um modelo no que tange as políticas de inovação, essas que são desenvolvidas com objetivos claros, que focam nas áreas em que o País pode se destacar dos outros. De 1991 até os dias de hoje, o governo tem planos de desenvolvimentos para a ciência e a tecnologia, e, a fim de garantir maior êxito, Singapura criou um Conselho de Inovação, presidido pelo primeiro ministro, que funciona transversionalmente, apoiando os centros de pesquisa, universidades e empresas, garantindo a aplicação do sistema de inovação de forma uniforme.

Uma instituição que que é símbolo das políticas de inovação é a A*STAR (Agência para a Ciência, Tecnologia e Pesquisa), fundada em 2002, é um dos centros

mais avançados do País, que apresenta vários programas para a melhoria do nível de pesquisa e inovação tecnológica, e conta com um departamento de exploração comercial dos avanços obtidos nos laboratórios. Todo o ciclo de pesquisa é abrangido, desde o início até a monetização, a intenção do centro é o crescimento econômico, a criação de empregos e a melhoria nas condições de vida, como saúde pública, urbanização e sustentabilidade.

Além disso, a A*STAR tem suma importância no desenvolvimento de líderes para os Institutos de Pesquisa espalhados pelo País, para a comunidade científica e a indústria. Podemos dizer que ela faz o intermédio entre o acadêmico e a indústria em termos de pesquisa e inovação, integrando a colaboração entre os pesquisadores e setores públicos e privados, trazendo à economia de Singapura o embasamento científico.

Atualmente, a A*STAR supervisiona mais de 20 institutos de pesquisa, consórcios e centros localizados em Biopolis e Fusionopolis e suas proximidades, também dá apoio às pesquisas de universidades, centros de pesquisa de hospitais, assim como a outros locais e parceiros internacionais.

(Fonte: https://www.asiaresearchnews.com/content/agency-science-technology-and-research-astar - tradução livre).

Para se tornar um colaborador da ASTARS, pode ocorrer de diversas formas, dependendo da necessidade e da área que deseja atuar em colaboração.

Many to one:

Trabalha com a ideia de pesquisadores públicos poderem, de forma longa, criar parcerias com determinados colaboradores estratégicos para o avanço tecnológico designado para uma área específica, fazendo uma ponte que traz a ligação entre quem tem a capacidade cientifica de diversas disciplinas (áreas) com quem produz as pesquisas científicas em Singapura, ou seja, quem produz de maneira prática a pesquisa cientifica. Criando um laboratório em conjunto, formado por Applied Materials, Uma líder global de engenharia de materiais, and the Institute of Microelectronics (IME), Institute of Materials Research and Engineering (IMRE)

and the Institute of High Performance Computing (IHPC). Resultam em um processo de pegar as pesquisas que assim parecem promissoras e avançar para a fase de execução.

One to one:

Trabalho realizado por pesquisadores individuais dedicados a específicas áreas de projetos. As parcerias realizadas podem assumir algumas formas, como um pesquisador trabalhando em um projeto único, assim como trabalhar na formação de parcerias para criar laboratórios em conjunto para a exploração de vários projetos. A exemplo de um projeto one to one, podemos observar a A Delta Electronics, líder global em soluções de gerenciamento térmico e de energia de alta eficiência, e o Instituto de Bioengenharia e Nanotecnologia (IBN) que estabeleceram em conjunto um laboratório de diagnóstico para se concentrar no desenvolvimento de tecnologias para detecção aprimorada de doenças infecciosas e medicina personalizada.

One to Many:

Um modelo de colaboração de que um RI reúne várias empresas para formar um consórcio, para trabalhar em suas capacidades de desenvolvimento tecnológico do RI para colaborar em pesquisas de áreas em comum. Ou seja, Junta empresas que possuem interesse em um mesmo ramo para trabalharem juntas, atingindo o mesmo objetivo, ocorrendo normalmente em setores pré-competitivos. Um exemplo deste modelo é A Nanoimprint Foundry dirigida pelo Instituto de Pesquisa e Engenharia de Materiais (IMRE) tem parceria com empresas como Microresist Technology (Alemanha), EVG (Áustria), NTT-AT (Japão), Solves (SME), Evonik, Akzo Nobel para demonstrar as aplicações da tecnologia de nanoimpressão e para desenvolver a nanoimpressão através a placa metálica ou plástico flexível (como fonte material para nanoimpressão)

Many to Many:

É um modelo que consiste em um consórcio realizado por instituições públicas e empresas privadas, com a finalidade de criar plataformas eficazes tanto para setores de atuação públicas quanto privadas para colaborarem nas mesmas áreas de pesquisa para aumentar a capacidade de pesquisa. Um exemplo que pode ser observado é a EpiGen Global Research Consortium envolvendo o Singapore Institute of Clinical Sciences (SICS) é uma rede internacional de pesquisa com 5 organizações membros em 3 países, com foco na ciência e tecnologia em epigenética aplicada. Essa plataforma acelera a tradução de ciência básica e parcerias eficazes com empresas.

Programas de Consórcio de Industriais

Alavanca a amplitude de experiência técnica nos Institutos de Pesquisa SERC para ajudar a indústria local a subir de valor técnico e de produção. Esses programas abrangem P&D básico e aplicado em todos os institutos de pesquisa SERC e fornecem o canal, bem como oportunidades para empresas locais trabalharem com grandes indústrias por meio de colaborações de pesquisa ou programas de associação. A P&D pré-competitiva é realizada em um ambiente de consórcio onde os membros se beneficiarão da P&D de desafios de tecnologia de plataforma comum. Ou seja, grandes indústrias se aproveitam das pesquisas realizadas, assim como as indústrias locais ganham com visibilidade e também experiência técnica, através das pesquisas e desenvolvimento realizado juntos. Surge como uma clara tentativa do Governo de incentivar as pequenas industrias (locais) a produzirem e investirem em pesquisas, fornecendo parceira com as grandes indústrias para atingir o objetivo em comum, a produção de novas tecnologias que tragam lucros, tanto para o Estado, quanto para todas as empresas/instituições previstas no consórcio.

Programas de Empresas Privadas com a A*STAR

Colaborações de P&D exclusivas entre uma empresa privada com os institutos de pesquisa, A * STAR que ajudam a aprimorar a vantagem tecnológica da empresa

por meio da transferência de tecnologia do instituto de pesquisa. Ou seja, há uma parceria entre a instituição pública com a privada, para aumentar o acesso a tecnologia de ponta para o aprimoramento e aumento do alcance das pesquisas, podendo servir de forma como aprendizado de novas técnicas e protocolos para as industrias

Para o avanço da tecnologia, tecnologias de plataforma de ponta, por exemplo, são essenciais para apoiar a pesquisa biomédica tanto pela indústria quanto pela academia. As entidades de pesquisa da A * STAR fizeram parceria com os principais participantes da indústria para aumentar o acesso à tecnologia de ponta para o avanço de suas pesquisas. Essa parceria pode servir como uma plataforma de aprendizado para a indústria obter novos insights de usuários na comunidade de pesquisa, o que pode facilitar o avanço de sua tecnologia e o desenvolvimento de novos protocolos e técnicas.

Podendo servir para as empresas a oportunidade de começar suas pesquisas, utilizando e compartilhando suas tecnologias e avanços com o Estado, tendo a facilidade de produzir suas pesquisas sem a necessidade de fazer grandes investimentos de capital, incentivados e financiados pelo Estado.

Os exemplos incluem o Singapore Bioimaging Consortium (SBIC) - Nikon Imaging Center e o Clinical Imaging Research Center - uma joint venture entre a NUS e a A * STAR com a parceira da indústria, a Siemens.

Incentivo Para a Empresa Privada

Como podemos observar no tópico anterior, o Governo de Singapura por meio de diversos planos procura o incentivo necessário tanto para os pesquisadores autônomos, quanto para pequenas, médias e grandes industrias para investir na inovação tecnológica, quanto no próprio país.

Apesar de ser uma economia capitalista e aberta, o Estado de Singapura promove vários incentivos empresariais para que as várias empresas atuantes no país

busquem inovar, tomando como parceiro o próprio governo através de parcerias público-privada. Este é um ponto extremamente importante para o desenvolvimento da economia no país, uma vez que o Estado é partícipe das inovações tecnológicas, se colocando como um grande investidor que busca sempre a criação de novas tecnologias para melhorar a vida dos residentes e empresários do país.

O governo tentou na última década aumentar o valor técnico e estrutural, tanto pelo fortalecimento dos direitos de propriedade intelectual quanto pelo fornecimento de grandes subsídios a empresas nacionais e estrangeiras. Os incentivos financeiros para a realização de P&D em Singapura inclui o fornecimento de terras e habitação, programas de treinamento e assistência financeira para compra de equipamento científico. Estima-se que o governo paga aproximadamente 30 centavos para cada dólar que as empresas investem em P&D.

Os incentivos aumentaram a quantidade de P&D realizada em Singapura, de cerca de 0,8 % do PIB em 1990 para cerca de 1,9% em 2000 (conforme a tabela abaixo). Assim, a participação de a força de trabalho envolvida em P&D triplicou no mesmo período.

A maior parte da P&D não é surpreendentemente, realizado dentro do setor de manufatura e eletrônicos, juntamente com TI e as comunicações são responsáveis por cerca de 64% do total de P&D em Singapura (Ano 2000 Nacional Pesquisa de P&D em Cingapura). Além disso, a maior parte da P&D vem do setor privado (cerca de 63%) e as empresas estrangeiras respondem por mais da metade dos gastos da indústria com P&D.

Sendo assim, com os números evidenciados acima, percebe-se que o esforço do governo teve efeitos positivos na obtenção de capital estrangeiro para investimento em inovação tecnológica, assim como para fortalecer também a indústria local e avanço tecnológico para o próprio país.

Os pontos fortes de Singapura, em relação ao grande avanço de inovação, parecem ser sua capacidade de usar tecnologia, incluindo tecnologia de informação e comunicação, a qualidade da educação básica, o amplo licenciamento de tecnologias estrangeiras e o uso de tecnologias de processo avançadas e recursos de gerenciamento de processos (Wong 2001)

Enterprise Singapore

Preliminarmente, é necessário contextualizar a criação da Enterprise Singapore, que teve sua origem na fusão da International Enterprise (IE) Singapore com a SPRING Singapore, em 1 de Abril de 2018.

A SPRING era uma agência responsável por ajudar os empreendimentos de Singapura a crescer, e também passar para o exterior uma relação de confiança nos produtos e serviços oferecidos pelo país, pois cuidava da segurança dos bens de consumo. Ela funcionava com parceiros, para auxiliar esses empreendimentos com financiamentos, capacitação, tecnologia, inovação e acesso ao mercado.

Além disso, a agência teve um papel importante em desenvolver e promover um padrão internacionalmente reconhecido em infraestrutura de alta qualidade. Entretanto, em 2018 se juntou com a IE Singapore, findando suas atividades como SPRING em 5 de Fevereiro do mesmo ano, não deixando de dar continuidade com todos os seus projetos, mas agora com um novo nome e um propósito maior.

A Enterprise Singapore é uma agência governamental campeã em desenvolvimento empresarial, focada em trazer para Singapura uma economia com empresas internacionalmente competitivas, e um status de centro comercial fortalecido. Tem como missão o crescimento de Singapura por meio da criação de capacidades e pelo acesso às oportunidades do mercado global, além da contribuição na criação de bons empregos aos singapurianos.

Para isso, a agência se compromete a criar capacitação, inovação e internacionalização, desenvolvendo um senso de confiança e qualidade nos produtos e serviços de Singapura aos olhos do resto do mundo.

Ela é estruturada para ajudar empresas de todos os portes, desde startups, micro e pequenas empresas, até empresas de médio e grande porte, a se fortalecerem

e serem globalmente competitivas, por meio do aumento de produtividade, da inovação, do uso da esfera digital, e do desenvolvimento de talentos, uma vez que as companhias precisam de agilidade frente às mudanças da situação econômico.

Apesar de seus esforços, com o fim de ingressar no mercado fora do País, a Enterprise Singapore precisa de ajuda, e é por isso que ela conta com uma rede de apoio, composta por parceiros nacionais e internacionais, que auxilia as empresas que querem se internacionalizar, e que está presente no desenvolvimento empresarial nos 23 (vinte e três) Industry Transformation Maps (ITMs Mapas de Transformação Industrial tradução livre).

O trabalho feito pela agência com cada cliente, com cada empresa, é de inseri-lo(a) em novos mercados, usando de melhorias e inovação, e adoção de novas tecnologias para aumentar a produtividade, visando assim facilitar a expansão no mercado no exterior, e o fortalecimento de capacidades de liderança para a criação de um banco de talentos.

Por fim, a Enterprise Singapore não só trabalha com empresas e companhias, é dada muita importância para o desenvolvimento de Singapura em si, que em partes é logrado com o desenvolvimento empresarial, mas que tem grande participação do fortalecimento do país como um centro comercial em suas medidas. A agencia governamental coopera com industrias parceiras para aumentar o ecossistema de infraestrutura comercial, por meio de melhorias em financeiro, gerenciamento de riscos, logística, entre outros, de forma a garantir a relevância de Singapura para a comunidade comercial global.

Quanto a Forma de Educação como Incentivo

Outra forma que podemos observar de incentivo a uma produção de inovação tecnológica realizada em Singapura, é a presença de uma reestruturação na base educacional, em que cada vez mais procura sair do ensino memorista, para a abertura de um ensino que traga mais a amplitude do senso crítico, formações de opiniões em viés ideológico pré-realizado nas escolas, e incentivar a criatividade com atividades extracurriculares.

Para isso, Singapura realiza um programa de atração das franquias de universidades renomadas dos EUA, assim como de outros lugares da Europa, facilitando com incentivos financeiros e redução de taxa de impostos. Visando, por consequência, a chegada de mais estrangeiros e que se possibilitem ficar pós faculdade em Singapura e permanecer no país para abertura de uma empresa para movimentação de economia.

O investimento na educação é compreendido como o primeiro passo para a inovação tecnológica, criando a mentalidade inovadora e criativa desde o começo aos alunos, que, portanto, também são utilizados nas grandes indústrias que ali se encontram, preparados para o mercado de trabalho, assim como também, para as pesquisas de inovação, crescentes nos últimos anos em Singapura.

Políticas Educacionais

De antemão, para facilitar o entendimento, é necessário ressaltar que Singapura passou por 4 (quatro) fases de desenvolvimento econômico, de 1965 a atualmente, todas seguindo o mesmo propósito final, o crescimento econômico e o desenvolvimento do País, não sendo possível dizer que são fases conflituosas, mas sim complementares.

Singapura sempre tratou seu desenvolvimento com muita competência, analisando as demandas do mercado interno e externo, tomando assim medidas a longo prazo que resultassem em êxito, não sendo diferente com a educação, até porque para o sucesso econômico, o sistema educacional deve ser bem estruturado e deve prover ao País mão de obra qualificada e pesquisadores. Tendo isso em mente, Singapura passou por 4 reformas/políticas educacionais, que acompanharam as fases de desenvolvimento econômico, complementando as demandas do País de forma harmônica e visionária.

(Fonte: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/167288/001020153.pdf?sequence=1&isAllowed=y)

De forma a possibilitar maior compreensão, a devida explicação sobre as políticas educacionais será dividida em 4 (quatro) fases nos tópicos que seguem.

Primeira Fase 1965/1973

Seguindo o contexto econômico de 1965 a 1973, Singapura se via com o setor industrial emergente, tendo a necessidade de mão de obra qualificada para trabalhos desde os manuais até os puramente intelectuais, e que fosse capacitada para se comunicar com as empresas estrangeiras. Até o momento o sistema educacional era disperso, subdividido entre as comunidades étnicas, com escolas com diferentes idiomas e culturas, escolas chinesas, malásias e indonésias.

Visando criar uma identidade nacional e capacitar a população, a reforma educacional foi protagonizada pela unificação da educação. Foi criado um novo sistema, que incluiu os três idiomas, tâmil, malaio e mandarim, e o inglês para o currículo estudantil, estabelecendo o ensino bilíngue compulsório. Era de interesse do Governo reforçar as relações comerciais estrangeiras, então era importante que a população soubesse outros idiomas além do materno, que a juventude aprendesse a conviver com a pluralidade, e que desenvolvesse o senso de pertencimento ao País.

Além da unificação quanto aos idiomas, outra mudança realizada foi a unificação do plano de ensino, se atendendo ao desenvolvimento comum das áreas de ciência, matemática e disciplinas técnicas.

De forma a centralizar o sistema educacional com eficiência, o Governo utilizou de raciocínios administrativos e criou um sistema nacional de avaliação, além de disponibilizar a educação primária de forma gratuita.

Não suficiente, para suprir as demandas industriais, era necessária a formação de profissionais técnicos. Para tanto, a solução encontrada foi a criação do Departamento de Educação Técnica, em 1968, que se propunha a capacitar os jovens, por meio de centros de treinamento e de oficinas obrigatórias de metalurgia, desenho técnico e eletricidade, o diferencial era que as meninas podiam optar entre essas oficinas e economia doméstica, enquanto os meninos só tinham a primeira opção.

Segunda Fase 1974/1985

Analisando os reflexos da primeira fase de desenvolvimento econômico, o resultado não foi tão bom quanto o esperado, Singapura alocou industrias explorativas, com salários baixos e linhas de produção em massa, não atingindo a produtividade e o crescimento industrial idealizado. O país entrou então na Segunda Revolução Industrial, lançando um novo plano de desenvolvimento, que buscava aumentar a participação do setor manufatureiro no PIB.

Para o crescimento econômico era necessário investir no setor terciário e níveis técnicos, e dentre as medidas adotadas para esse fim, uma delas tange ao incentivo às áreas de conhecimento científico e tecnológico, exemplificados pela pesquisa.

Quanto só sistema educacional, a taxa de alfabetização havia subido desde a primeira reforma, mas apenas 1/5 (um quinto) da população continuava os estudos até o nível secundário. Tendo isso em vista e o mencionado nos parágrafos acima, a nova reforma tinha como propósito reduzir a evasão escolar e o gasto inutilizado de recursos.

O NSE (Novo Sistema Educacional) instaurou exames nacionais comuns, metodologias de escolha de diretores, maior autonomia para as escolas, análises do ministério da educação e regulamentação financeira. O governo se preocupou com a melhoria dos materiais, fornecendo versões impressas e audiovisuais, ainda focando em matemática e ciência.

A partir da implementação do novo sistema, o ensino primário poderia ser feito em 6 (seis) ou 8 (oito) anos, e os alunos poderiam levar 4 (quatro) ou 5 (cinco) anos para obter o certificado de nível básico, tudo dependendo do desempenho de cada um. Da mesma forma, para obter o certificado de nível avançado, os alunos poderiam levar 2 (dois) ou 3 (três) anos.

Para os alunos que não conseguissem atingir o nível avançado e não pudessem ingressar nas faculdades, o Governo disponibilizava treinamento técnico, para que eles conseguissem uma certificação básica que lhes permitisse entrar no mercado de trabalho.

Terceira Fase 1986/1997

O desfecho do NSE cumpriu o proposto, os índices de evasão escolar diminuíram drasticamente, anteriormente 66% dos alunos abandonavam os estudos antes da conclusão do ensino primário, e em 1986, menos de 1% dos alunos abandonavam os estudos antes dos 10 anos completos de educação.

Entretanto, o currículo estudantil continuou muito rígido, sem possibilidades de flexibilização, o que fez com que não houvesse muita iniciativa e protagonismo nas escolas.

Com os indícios da globalização mais presentes, o maior desafio de Singapura era manter-se competitivo no cenário mundial. Como sempre, a educação anda lado a lado com a economia na nação asiática, e quando, em 1985, o país foi atingido pela recessão global e a queda do preço do petróleo, 25% do setor industrial foi atingido. Sendo necessário assim mudar a estratégia de ensino para suprir as novas demandas.

Dessa vez, o cerne da mudança foi o desenvolvimento dos professores, estimulando a liderança e o protagonismo, inserindo professores de alta qualificação nas escolas e possibilitando condições para aperfeiçoamento, além de melhores salários.

O Ministério da Educação passou a desenvolver um programa de seleção por alto desempenho acadêmico, treinamento INE (Instituto Nacional de Educação) disponibilizava 100 horas anuais para treinamento profissional, com a intenção de atualizar os professores e às mudanças mundiais; e também disponibilizava cursos de turno integral para os diretores de escolas aprenderem a teoria e a prática de uma gestão escolar e propostas salariais para atrair professores e diretores. Com a oferta de bolsas de estudo para a carreira docente e todas as melhorias aplicadas, a profissão de professor passou a ser valorizada e competitiva.

O intuito do Governo era de que os alunos fossem educados na escola a fim de desenvolver a criatividade, a reflexão, a inovação, o empreendedorismo e a capacidade de solucionar problemas, além é claro dos componentes voltados à inovação científica e tecnológica que já estavam presentes nos planos de ensino.

Junto com essas mudanças, o ensino nas escolas primárias e secundárias se tornou integral, com a intenção de permitir maior flexibilização do currículo, da grade horária e maior autonomia para as escolas.

Como meio de viabilizar todas essas propostas, novas escolas foram construídas, e algumas até foram dadas como autônomas, podendo ministrar os próprios processos de seleção dos professores, a admissão dos alunos e acréscimos no currículo estudantil.

Por fim, Singapura, até o momento, passava um status de educação voltada para cargos de excelência, sem muito incentivo às profissões técnicas, para o exterior. A fim de mudar isso, em 1992, os alunos com baixo desempenho na educação primária eram colocados em uma escola normal técnica, ao invés do ensino vocacional, antes de serem admitidos em centros profissionalizantes, o que fez com que o ensino se tornasse pós-secundário, dando mais anos aos alunos para se desenvolverem.

10.4. Quarta Fase 1998/2020+

Nesta quarta fase, que traz consigo medidas que perduram até o presente momento, a globalização já é parte influenciadora nas relações internas e externas de Singapura, determinando novos desafios concorrenciais e culturais.

O País é relativamente pequeno, composto por ilhas, separadas da Malásia e da Indonésia por dois estreitos, o que o torna escasso em recursos naturais, trazendo para o Governo a preocupação com a sustentabilidade, que teve como proposta de solução a iniciativa de tornar os habitantes capazes de continuar aprendendo pela vida inteira, implementando na educação o incentivo à criatividade e o desejo de aprender.

Destarte, a nova e última reforma estabelecida pelo Ministério da Educação tinha o nome de Thinking Schools, Learning Nation (Escolas Pensantes, Nação em Aprendizado tradução livre). Esse novo sistema estabelece que os alunos teriam em torno de 10 (dez) anos de educação, sendo desses 6 (seis) no ensino primário compulsório, que funcionaria na base do ritmo de aprendizado dos alunos.

Junto com essa medida, os estudantes teriam maior flexibilidade e poder de escolha, sendo possível a escolha em instituições de ensino com focos para interesses diversos. Vale ressaltar que os exames ao final de cada etapa não foram abolidos.

Com isso, o aprendizado em Singapura passou a englobar as habilidades de desenvolver lideranças, confiança e autoconhecimento, voltadas para o pensamento criativo e aprendizado colaborativo. Além disso, as escolas passaram a utilizar mais o uso da tecnologia, o que auxiliava na maior autonomia quanto a recursos.

10.5. Sistema Educacional Atual

Atualmente, Singapura, após a constante busca por aprimoramento da sua educação e formação de uma população capacitada, é símbolo mundialmente em ensino técnico e profissionalizante.

O currículo estudantil não deixa de lado suas primeiras intenções, de 1965, em desenvolver habilidades como a matemática e a ciência, e também em ser bilíngue, porém, hoje mais componentes são ofertados, como os estudos sociais, a educação cívica e moral, música e artes, além de apresentar um enfoque no estudo de tecnologias de informação e comunicação. Toda criança no País deve passar, compulsoriamente pelos 6 (seis) anos de educação primária, onde o currículo é idêntico a todos, conforme o que foi dito acima.

O sistema estudantil conta com a educação primária, secundária, junior college, ensino técnico e profissionalizante, politécnicos e ensino superior, devendo os alunos passarem por algumas avaliações que determinam em qual nível de ensino estarão alocados.

Com o fim do ensino primário, todos os alunos passam pela avaliação PSLE, que determina qual o nível de aprendizado que deverá passar pelo ensino secundário. Depois, há a avaliação GCE, que é dividida em 3 (três) níveis diferentes, N Normal; O Ordinary; A Advanced. Os alunos que alcançam pontuação suficiente para o Normal podem ingressar nos cursos do Instituto Técnico, já aqueles que conseguem pontuar o Ordinary podem ingressas nos cursos politécnicos e junior college, e somente aqueles que obtém pontuações Advanced podem ingressas nas universidades. Além disso, os alunos podem selecionar programas que foquem em suas áreas de interesse, como artes, música e linguagens ou tecnologia, negócios e engenharia. Porém, não é possível dizer que uma vez fazendo certa pontuação o aluno só poderá fazer um tipo de ensino, visto que há flexibilidade quanto a progressão dos alunos nos níveis, de acordo com o desempenho acadêmico.

Quanto aos que pontuam Ordinary, o junior college é uma ferramenta de aprendizado que capacita os alunos a conseguirem o certificado Advanced, usando do foco na área de conhecimento que mais interesse o aluno. Já o estudo politécnico disponibiliza ao aluno cursos nas áreas de negócios, química, ciências, comunicação,

design, mídia digital e engenharias, essas que são as maiores demandas do mercado em Singapura.

Após os 10 anos de ensino primário e secundário, 96% dos alunos seguem para os estudos pós-secundário: 31% vão para o junior college, 42% para politécnico e 22% para Instituto Técnico. A universidade, no entanto, mantém um alto padrão de admissão de forma que apenas 30% dos estudantes ingressam nos cursos de ensino superior.

(Fonte: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/167288/001020153.pdf?sequence=1&isAllowed=y)

Conclusão

As políticas de inovação refletem na performance tecnológica e no desenvolvimento de competência de um País, a capacidade de inovar e de incluir a inovação no mercado são determinantes para a competitividade global. Após a exposição argumentativa, fica claro que a atividade inovativa está intimamente ligada ao progresso econômico e ao bem-estar, trazendo melhorias em setores como a saúde e o meio ambiente.

Como pode ser observado, os principais fatores que tornam Singapura a potência econômica que é hoje são: o investimento em políticas educacionais o alto orçamento aplicado a educação provém pesquisas, desenvolvimento de profissionais e capacidade competitiva; as políticas de inovação em si e a criação de centros de inovação visam evoluir cada vez mais na ciência e na tecnologia; e, por fim, os incentivos fiscais, atrativos para corporações multinacionais e um ambiente favorável para atrair talentos estrangeiros trazem para o País o desenvolvimento de capacidades coorporativas para a população, além de gerarem empregos e inovação.

Ao todo, examinado o conteúdo deste artigo, é importante ressaltar que, apesar de Singapura optar por uma economia de mercado aberto, ou seja, capitalista, o Estado não é mínimo e não deixa os interesses do país à mercê dos interesses do Mercado, agindo como um grande investidor com um bolso profundo, fomentando a

economia das mais variadas maneiras, sendo por consequência o grande motivo do porquê Singapura é um dos países mais desenvolvidos do mundo.

As políticas públicas e os incentivos empresariais são fatores extremamente importantes para a Singapura que existe hoje, e devem ser reconhecidas em todo o globo como tais. O Estado guia a economia para satisfazer os interesses públicos do país sem deixar que um interfira no outro de forma danosa, formando um equilíbrio harmônico sutil e deveras impressionante.

Em suma, o Estado de Singapura é o agente por trás do desenvolvimento pois inovou por si só com a participação estatal na economia, devendo ser tido como exemplo a ser seguido pelo mundo, ao menos suas políticas e incentivos, pois estes são o real motivo de Singapura ser o polo tecnológico e de desenvolvimento humano que é atualmente.

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https://www.researchgate.net/profile/Ar i_Kokko/publication/5094494_Growth_I nnovation_Policies_For_a_Knowledge

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