1.Conceito.
Nos primórdios o aluno de classe menos favorecida era tido como deficiente, eis que não podia compreender/falar o linguajar culto, culminando em evasão escolar, repetência, pois não fazia parte da sua realidade, do cotidiano, seja em âmbito familiar ou social o que era transmitido nas escolas.
Quanto aos portadores de necessidades especiais, os pais por desconhecimento, imposição social ou medo, vinham a matar seus filhos, queimavam ou os internavam em manicômios eternamente.
A Lei das XII Tábuas na Roma Antiga cultuava o corpo esbelto e atlético, autorizando o extermínio dos portadores de necessidades especiais. Uma vez que Esparta e Atenas era o Berço Olímpico da época. Assim apresentava-se o Platão que competiu nas olímpiadas, dotado de um corpo esbelto, esguio, magérrimo e ágil à desempenhar o seu papel nos jogos.
Ficando conhecida como a Fase da Segregação, da Exclusão onde se negavam os seus e suas anomalias. Ocorre que nos dias atuais a culpa por essa anomalia é jogada, imputada aos entes passados, gerações anteriores, de cunho congênito, sendo motivo de discórdia entre os casais que não aceitam que seus filhos são portadores de tais necessidades. Inculcando a culpa no outro cônjuge que acarretou o gen defeituoso ao filho, culminando em divórcio e desprezo pelo filho.
2. Fases da Educação Especial: 4 fases.
- Exclusão: em meados do séc. XVII onde os portadores de necessidades especiais eram banidos da sociedade, pois acreditavam que iriam contaminar com sua patologia, vindo o Cristianismo a aceitar que eram dotados de alma e que necessitavam de tratamento em locais apropriados, inserindo-os em manicômios e orfanatos;
- Segregação/separação: recolhiam todos os portadores em locais especializados para serem escolarizados, caminhando para a implantação das escolas especiais nos ensinos regulares;
- Integração: já aceitavam os alunos que se adaptavam ao ensino integrado;
- Inclusão: nos anos 80 a legislação regulamentou o ensino regular, as escolas especializando-se os profissionais para melhor atenderem aos portadores e a nova realidade educacional.
3. Ocorrências que originam a deficiência.
- Genética: durante a gravidez pode ocorrer má formação, Síndrome de Down, problemas visuais e auditivos;
- Infecções: sífilis, rubéola durante a gravidez ou ao nascer devido a infecção hospitalar;
- Após nascimento: meningite, caxumba, sarampo e paralisia infantil;
- Mecânica: por abortos tentados, sangramentos, partos prematuros, quedas, traumas musculares, cranianos, ósseos ou lesões nervosas;
4. Prevenção.
- Teste do Pezinho: colhe-se sangue do pé do bebê para detectar problemas mentais, auditivos e visuais;
- Teste de Apgar: entre 01 à 05 minutos de vida, analisa-se o tônus muscular, cor da pele, irritabilidade no choro e sua reação reflexiva, respiração, frequência cardíaca à um diagnóstico e acompanhamento precoce quando necessário;
- Pré-natal: acompanhamento periódico, alimentação saudável, não sedentarismo corrobora numa gestação tranquila e bom desenvolvimento da criança.
5. Necessidades Especiais.
- Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID): compromete as atividades estereotipadas e interação social recíproca, habilidades comportamentais e de comunicação. Tendo 5 subtipos sem especificações e os especificados como a esquizofrenia, Esquizotípica ou Transtorno de Personalidade esquiva, Autismo atípico e tardio;
- Transtorno de Rett: diminuição do crânio leva a perder a coordenação motora, a abdicação do convívio social, a repetência na lavagem das mãos, reflexo lento, marcha/caminhar descompassado, retardo psicomotor e comprometimento da fala;
- Transtorno Autista: ocorre por volta dos 36 meses de vida, evidenciado pela incompreensão da fala, atos diversos auditivos e visuais, respostas, desconexão do diálogo, sem coerência da fala, não ostenta vínculo afetivo, interação, gesticula repetidamente, não têm senso de perigo ou medo, não mantêm contato visual, físico, sendo agressivo e austero;
- Transtorno de Asperger: dificuldade com interação interpessoal, movimentos e brincadeiras repetitivos, coordenação motora um tanto prejudicada, tendo fixação por horários de ônibus, trens, ...;
- Transtorno Desintegrativo da Infância/ Síndrome de Heller: demência infantil, tendo suas habilidades na linguagem receptiva e expressiva prejudicadas, motora, social e comportamental, tornando-se antissocial, repetitivo nos jogos, nas falas;
- Transtorno de Comportamento Disruptivo: Disruptivo se desdobra em 2 ramos:
- a) Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade: ocorre por volta dos 04 anos de idade, culmina em falta de atenção, dispersão constante, perda de objetos, prazos, coisas, esquecimentos, choro frequente, sonolência, não terminar afazeres, dificuldade em manter-se nos empregos, aéreo e alheio aos acontecimentos. Já a Hiperatividade se dá pela agitação constante, falante, teimosia, barulhento, faz várias coisas ao mesmo tempo, vindo a maquiar sintomas como o TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) onde lava as mãos repetidamente, prejudicando o convívio social;
- b) Transtorno de Conduta (TC): agressividade, pratica de atos ilícitos como furto e roubos, desrespeito à normas sociais e de conduta e violação de regras;
- - Deficiência Intelectual: se dá pela perda estrutural corporal ou fisiológica como a mental, afetando o cognitivo como ação e reação, ficando seu rendimento abaixo da média;
- - Deficiência Visual: comprometimento da capacidade visual mesmo após operação ou tratamento, podendo ser severa, moderada ou profunda, dificultando a aprendizagem. Podendo ser percebido pelo inclinar da cabeça ao escrever, apertar dos olhos ao visualizar a lousa, ler livro, avistar algo, tropeçar, ferimentos;
- Deficiência Física: se dá pela perda da mobilidade estrutural motora, física ou fala de membro decorrido de lesões diversas ou adquiridas, como viral, genética, neonatais, traumáticos ou alterações neurológicas de fundo espinhal ou encefálico (convulsões e acidentes cerebrais vasculares), epilepsia, lesão medular, hidrocefalia, neuromuscular, medicamentos, paralisia cerebral dentre outras;
- Deficiência Auditiva: perda da audição, percepção ou prejuízo de processamento de informações audíveis. Aferida por grau de audição, volume, sendo de natureza leve, moderada, severa e profunda. Melhora com transplantes Coclear atrás da orelha que amplifica os sons. Têm comprometimento na fala, dificuldade de compreensão. Podendo ser oriunda de complicações gestacionais ou infecções sífilis, herpes, dentre outras, como adquiridas por meningites, medicamentos e viroses.
- Altas Habilidades e Superdotação: resolve problemas, têm facilidade de aprendizagem, talentos, capacidade de liderança, intelectual, criatividade, psicomotora e acadêmica evidentes como artes, música, se adapta rapidamente a qualquer ambiente ou situação;
- - Transtornos Psicomotores/ Distúrbios de Aprendizagem: prejuízos no processamento da informação, como a Dislexia que têm a escrita inconsistente, no soletrar, na leitura dificultando sua aprendizagem e alfabetização; Discalculia há dificuldade com a matemática, invertendo as operações e números, confundindo funções, sinais e fórmulas; Disgrafia tendo a letra disforme e inelegível ante a instabilidade do contexto escrito e sua compreensão.
6. Legislação.
De acordo com a Constituição Federal em seu art. 6º reza o direito à educação e ao lazer;
- Art. 23 delega poder a União, Estado, Distrito Federal e Municípios viabilizar o acesso à educação e a cultura;
- Art. 208, III, implica nas escolas regulares de ensino em viabilizar o acesso aos portadores de necessidades especiais com Atendimento Educacional Especializado (AEE) quando necessário;
- Art. 227 diz que é dever da família, a sociedade e ao estado prover o acesso e a permanência da criança, adolescente e jovem e ao Estado o de assegurar tal direito;
7. Inclusão e Salas de Recursos Multifuncionais.
A escolarização está calcada no desenvolvimento das competências e habilidades dos alunos, na convivência em sociedade, na coletividade, produtividade com ética e moral, preservando o direito de todos sem distinção. Pautado no respeito, valores ao vislumbrar uma personalidade do aluno e um cidadão pleno nos âmbitos sociais e educacionais, de forma humana e inclusiva.
Num contexto multidisciplinar cultuando a independência, o exercício pleno da cidadania, a desenvolver competências socioafetivas, psíquicas, físicas de forma harmônica, interativa e inclusiva, visando uma aprendizagem eficaz com liberdade, criatividade, singularidade dos alunos e diversidade.
8. Desenvolvimento Físico, Psíquico e Educacional.
As brincadeiras lúdicas levam ao conhecimento, cultura e informações diversas, a interação entre seus pares, ao respeito das regras do jogo, a motricidade, o afeto, a linguagem, o limite e o espaço do outro, a cooperar, partilhar, desenvolve habilidade em disciplinas diversas como na matemática, desenvolver-se psíquica, física e pessoalmente.
Levando a interação social, a inclusão por vias práticas de cunho pedagógicos, desenvolvendo habilidades, criatividade e elevando a autoestima e confiança de seus praticantes.
9. Incentivo pelos órgãos competentes.
Visando a inclusão escolar e social, foi preciso adaptar as regras e modalidades dos jogos, surgindo a Sociedade Brasileira de Atividade Motora Adaptada, Comitê Paraolímpico Brasileiro e o Internacional, dentre outros e suas respectivas modalidades.
Em 1870 foi a 1ªparticipação de criança surda, em 1888 surgiu os clubes dessa modalidade.
O médico inglês Guttmann, neurocirurgião foi pioneiro na recuperação/reabilitação física e emocional via esporte, em 1960 realizou a Olímpiadas dos Portadores de Deficiência.
A paraolimpíada surgiu nos jogos de Tókio no Japão. As Olimpíadas Especiais contam com 180 países em 34 modalidades esportivas. O Brasil participou pela 1ª vez em 1963 nos jogos dos EUA
10. Atividades Esportivas.
Na antiguidade realizava-se jogos e brincadeiras em festas religiosas, pagãs, funerais e a ginastica como recuperação/preparação dos soldados lesionados nas guerras. Podendo ser de modo coletivo, individual, recreativos, religiosos, lúdicos, dentre outros.
Ao Coordenação Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE) que norteia os governos estaduais e federais quanto a adequação e adaptações locais públicos para realização dos jogos, visando atender as necessidades e acessibilidade em sua plenitude concretizando a inclusão escolar, social e familiar.
Há várias modalidades de acordo com a deficiência que ocorrem 1 semana após os jogos principais nos países sedes, como o Atletismo, Arco e Flecha, Basquete, Esgrima, Goalball, Futebol, Ciclismo, Bocha, Hipismo, Natação, Racqueteball, Tênis de Mesa, Dança de Cadeiras de Rodas, Polybat, Tiro com Arco, Voleibol, Running Race/Petra, jogos de Roda, círculos, damas, xadrez, lançamento de argolas, amarelinha, passando anél, dentre outros, bastão mágico em âmbito escolar, conforme reporta Eliana Lucia Ferreira (organizadora). Atividade Física, Deficiência e Inclusão Escolar. Vol. 1 à 6. Niterói - RJ: Intertexto, 2010.
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