A entrega amigável do veículo vale a pena?

02/05/2023 às 11:51

Resumo:


  • A entrega "amigável" de veículo financiado pode não ser vantajosa para o consumidor.

  • O valor devido ao banco geralmente supera o valor de mercado do veículo devido às taxas de juros.

  • Consultar um advogado antes de optar pela entrega pode ajudar a evitar prejuízos desnecessários.

Resumo criado por JUSTICIA, o assistente de inteligência artificial do Jus.

Para o consumidor que está com as parcelas do financiamento veicular em atraso, a instituição financeira costuma propor a entrega “amigável”.

Mas será que essa entrega “amigável” vale a pena?

Bem, cada caso é diferente. Sendo assim, precisamos analisar em que condições estão inseridas a proposta de entrega e o saldo de financiamento, para evitar prejuízos.

Para entender melhor: quando você financia um veículo, o valor devido a instituição financeira não é o de mercado do automóvel (FIPE), mas sim o valor “emprestado” somado as taxas de juros aplicadas.

Exemplo: se você financiou um veículo de R$ 50 mil, sua dívida com o banco, no dia seguinte, não será somente 50 mil. Será esse valor somadas as taxas aplicadas ao financiamento. Então o valor para quitar o financiamento, no dia seguinte, será superior aos R$ 50 mil financiados. Certo?!

Nesse cenário, a entrega amigável vai ocasionar um problema gigantesco ao consumidor, pois o banco vai fazer uma avalição do veículo, que dificilmente vai superar o valor de mercado e, com base nessa avaliação, vai calcular a diferença entre o valor do veículo e o saldo de financiamento.

Exemplo: o consumidor financiou 50 mil reais. No dia seguinte sua dívida com o banco já supera os 50 mil devido as taxas aplicadas. Por algum motivo o consumidor resolve entregar o veículo. O banco, na melhor hipótese, fará uma avaliação do veículo em R$ 50 mil. E o restante do saldo (taxas)? O restante do valor ainda será cobrado do consumidor. Entendeu o cenário!?

Agora imagine se a avaliação do banco for inferior ao valor de mercado? E no geral é assim!

Outro caso é quando o pagamento das parcelas já superou 50% do prazo financiado.

Exemplo: Imagine que você já pagou 24 parcelas de 48. Provavelmente, nesse caso, a entrega amigável resolva o problema da inadimplência. Provavelmente... Pois ainda irá depender da avaliação do veículo, feita pelo banco, e do saldo de financiamento.

Se a avaliação superar o saldo de financiamento você quita o financiamento, mas perde todo valor já pago nas 24 parcelas, incluindo a entrada que deu. Isso ocorre pois, como falado anteriormente, a avaliação realizada pelo banco dificilmente atingirá o valor de mercado do automóvel.

Entende a situação?

Então, antes de pensar e fazer a entrega “amigável” (que de amigável não tem nada) consulte um advogado para analisar seu caso. Há outas opções que podem ajudar você a não correr riscos desnecessários.

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