Reprodução assistida: a aderência à fertilização in vitro por casais acometidos pela infertilidade e gestação tardia.

Carolina Jose Pires Xavier
Carolina Jose Pires Xavier
05/06/2023 às 10:40
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Artigo teórico


Assisted reproduction: adherence to in vitro fertilization by couples affected by infertility and late pregnancy.

Carolina Jose Pires Xavier

 Graduanda do Curso de Biomedicina do Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU/Brasil

RESUMO
A fertilização in vitro é uma das técnicas utilizadas no segmento da reprodução humana assistida. Diante do cenário atual, onde há uma drástica mudança no padrão de vida da sociedade, esta técnica se torna a esperança para aqueles que adiaram o processo natural biológico de reprodução e enfrentam o diagnóstico de infertilidade ou a gravidez tardia. Sabe-se também, que a técnica é utilizada também por casais homoafetivos.

A infertilidade é considerada como patologia e pode desencadear outras doenças associadas ao bem-estar psicológico, portanto, é de suma importância que haja uma alternativa medicinal para os acometidos, além de, acompanhamento adequado. A gravidez tardia pode estar relacionada à fatores socioeconômicos, como o padrão de vida que tem sido adotado pela sociedade atualmente, onde outras questões se tornam prioridade como a realização profissional e estabilidade financeira.
Descritores:
doenças, anatomia, tecnologia, assistência à saúde, técnicas e equipamentos analíticos, diagnósticos e terapêuticos

SUMMARY

In vitro fertilization is one of the techniques used in the segment of assisted human reproduction. Faced with the current scenario, where there is a drastic change in society's standard of living, this technique becomes hope for those who postponed the natural biological process of reproduction and face the diagnosis of infertility or late pregnancy. It is also known that the technique is also used by homoaffective couples.

Infertility is considered a pathology and can trigger other diseases associated with psychological well-being, therefore, it is extremely important that there is a medicinal alternative for those affected, in addition to adequate monitoring. Late pregnancy may be related to socioeconomic factors, such as the standard of living that has been adopted by society today, where other issues become a priority, such as professional achievement and financial stability.

Descriptors: diseases, anatomy, technology, health care, analytical, diagnostic and therapeutic techniques and equipment

INTRODUÇÃO

A constituição de uma família e o tornar-se pai e mãe são fenômenos importantes para o estabelecimento de uma identidade social adulta, o que contribui para a realização pessoal do indivíduo. Entretanto, é comum na atualidade as pessoas adiarem o projeto parental em busca de uma realização profissional, de um melhor status socioeconômico ou mesmo aguardando o encontro do cônjuge ideal. Quando finalmente decidem ter filhos, não é raro que os casais se deparem com um declínio na capacidade reprodutiva da mulher ou do homem, capacidade em potencial somente confirmada com a gestação. Assim, a infertilidade pode ser uma realidade para esses casais, um diagnóstico frequentemente associado a impotência, culpa, vergonha e fracasso.

A American Society for Reproductive Medicine define como infertilidade a ausência de gestação após 12 meses de relações sexuais frequentes (duas a três por semana) sem anticoncepção. A Organização Mundial de Saúde reconhece a infertilidade como um problema de Saúde Pública que afeta de 8 a 12% dos casais em todo o mundo. No entanto, a infertilidade não deve ser entendida como uma doença clássica, pois nem sempre é acompanhada de componentes como dor, internação e risco de vida, mas, ainda assim, ela desencadeia diversas alterações psicológicas, sendo entendida como uma situação ameaçadora e geradora de diferentes conflitos, sentimentos e sensações. Atualmente, a medicina conta com alternativas com o fito de solucionar esta questão. Neste âmbito, enquadra-se a técnica de fertilização in vitro.

JUSTIFICATIVA

O tema tratado no presente trabalho tem o fito de levantar uma reflexão sobre uma pauta que atualmente não tem sido tão mencionada devido à mudança na expectativa de vida de milhares de casais, que por sua vez, optam por alcançar a estabilidade financeira e adiam a gravidez. Observamos esta mudança ao analisarmos a taxa de fecundidade total no Brasil entre os anos de 2000 (2,39) a 2015 (1,72). Segundo dados obtidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) esta mudança de prioridades impacta diretamente na idade em que as mulheres são mães pela primeira vez, o que pode gerar como consequência uma maior dificuldade para engravidar. Ademais, correlaciona-se também o diagnóstico de infertilidade com aumento de doenças associadas ao consumo de substâncias e alimentos como obesidade mórbida, tabagismo, alcoolismo e outras patologias que podem ou não ser de origem genética. O projeto também trata das dificuldades enfrentadas por casais homoafetivos. Associa-se também, patologias psíquicas/transtornos psicológicos como uma consequência gerada a partir da impossibilidade de gerar uma vida.

Nestes casos, a fertilização in vitro (FIV) tem sido utilizada pelos profissionais da área da saúde com o objetivo de ser um método reprodutivo alternativo para a constituição de uma família.

Visando demonstrar a importância e impacto que a evolução no âmbito da reprodução humana assistida tem trazido aos casais que buscaram tratamento adequado.

METODOLOGIA

O projeto foi desenvolvido com base em conteúdos publicados, artigos científicos, pesquisas feitas por instituições atreladas à reprodução humana assistida e livros. Neste estudo, realizamos uma correlação com a mudança de hábitos, expectativa de vida e aumento de doenças para com a infertilidade e consequentemente, a procura por alternativas como a fertilização in vitro. Os dados utilizados neste estudo contribuem para a comparação das questões debatidas de forma qualitativa e quantitativa.

Através de dados quantitativos obtidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pode-se observar um declínio na taxa de fecundidade correspondente ao número médio de filhos por mulher.

Gráfico 1: Taxa de fecundidade no Brasil entre os anos de 2006 à 2021

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2022

O relatório emitido em novembro de 2022 pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) juntamente ao Sistema Nacional de Produção de Embriões ((SisEmbrio) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) traz de forma quantitativa, dados de extrema importância para o segmento da reprodução humana assistida, como o número de embriões congelados por ano. Observa-se uma crescente ao comparar o ano de 2020, com um total de 88.503 com o ano de 2021 totalizando 114.372.

Gráfico 2: Número de embriões congelados por ano

Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 2022.

Outro dado de relevância, é o aumento considerável no número de ciclos realizados por ano.

Gráfico 3: Número de ciclos realizados por ano

Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 2022.

Além disto, foi realizado, entrevista de caráter quali-quantitativo e transversal com 80 pessoas de diferentes faixas-etárias, sexo e orientação sexual.
Dentre estas, 68,8% mulheres e 31,3% homens. A idade variou entre 17-20 anos (52,5%); 21-25 anos (23,7%); 26-30 anos (15%) e +40 anos (8,8%). 71,3% se declarou heterossexual seguido por 21,3% bissexual, 6,3% dos entrevistados se identificavam com outra sexualidade e 1,2% como homossexual.
As questões levantas ao grupo tiveram objetivo de analisar o padrão de vida e expectativa. Outro ponto a ser considerado foi a prevenção individual quanto à relações sexuais ativas. 38,8% dos entrevistados pretendiam ter filhos, 36,3% não e 25% talvez. 60% afirmou consumir de maneira continua substâncias como tabaco, nicotina e álcool e 40% não. 83,8% afirmou não ter realizado nenhum exame de caráter ginecológico ou urológico, em contrapartida, 16,3% sim.
Quando questionados em relação ao uso de métodos contraceptivos (camisinhas, dispositivos intrauterinos, medicamentos de anticoncepção) 55% declarou não fazer uso e 45% sim.

Gráfico 4: Sexo biológico dos participantes da pesquisa

Gráfico 5: Faixa-etária dos participantes da pesquisa

Gráfico 6: Orientação sexual dos entrevistados

RESULTADOS

Com base nos resultados obtidos através das pesquisas realizadas neste projeto, pode-se relacionar o decréscimo da taxa de fecundidade com a mudança de hábitos e expectativa de vida, aumento do grau de escolaridade e acesso à serviços de saúde pública como o conhecimento de métodos de anticoncepção.

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As mudanças citadas anteriormente podem gerar como consequência uma gravidez tardia, dificultando assim a concepção, considerando que, a fertilidade diminui gradualmente a partir dos 30 anos e principalmente após os 35 anos, já aos 40 anos a chance de engravidar é inferior à 5%.

Dentre as patologias associadas com a infertilidade estão: tabagismo e alcoolismo neste caso, decorrente ao estilo de vida, o uso contínuo do cigarro e álcool podem afetar diretamente na qualidade do espermatozoide, influenciando principalmente na motilidade. Estima-se que aproximadamente 8% a 58% dos homens que consomem álcool sofrerão de alguma patologia sexual.

Doenças reumáticas também estão associadas à infertilidade masculina, uma vez que, há uma hiperprolactinemia que interfere na espermatogênese e também na motilidade dos espermatozoides.

A dieta também é um fator de extrema importância. Considerando que, atualmente, há um aumento considerável no consumo de alimentos ultra processados, açúcares e gorduras trans temos por consequência, um crescente no número de pessoas acima do peso. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) cerca de 30% da população mundial sofre com sobrepeso, a organização utiliza o IMC (Índice de Massa Corporal) para definir a classificação da obesidade, o cálculo consiste em dividir o peso do paciente pela sua altura elevada ao quadrado. O parâmetro utilizado indica que acima de 25kg/m2 já é considerado como sobrepeso.

Diante de todas as reações metabólicas desencadeadas a partir de dietas hipercalóricas, cita-se alterações no ambiente testicular, levando em consideração que, os espermatozoides são extremamente sensíveis, essas mudanças podem levar à infertilidade.

Nas mulheres, algumas patologias como a síndrome dos ovários policísticos, síndrome da anovulação, menopausa precoce, dentre outras estão relacionadas à infertilidade.

Todos os cenários citados anteriormente são realidade de milhares de pessoas, portanto, a infertilidade tem sido um grande desafio para os profissionais na área da reprodução humana, felizmente, as técnicas utilizadas estão em constante avanço. Os dados obtidos contribuem para o desenvolvimento das metodologias utilizadas para o tratamento da infertilidade, uma vez que permitem a identificação das possíveis causas e a aderência da população afetada ao tratamento adequado.

CONSIDERAÇÕES FINAIS


A mudança na expectativa de vida impactou diretamente no processo natural de reprodução humana. A aderência e recorrência à tratamentos dispostos pelo segmento da reprodução humana assistida tem aumentado com o passar dos anos, as buscas por esses tratamentos são compreendidas como movimentos adaptativos dos sujeitos, no sentido de superar o problema. Baseando-se nesta informação, correlaciona-se este aumento com a gestação tardia, que pode estar relacionada ao fator idade, considerando que, em mulheres a produção das células germinativas pelos ovários ocorre somente durante a vida intrauterina, a quantidade produzida reduz de maneira gradual durante o passar dos anos e se interrompe na fase da menopausa. Em homens as variações mais importantes ocorrem a partir dos 45 anos de idade. Além disso, a ausência de exames de rotina ginecológica e andrológica podem impactar no diagnóstico precoce de infertilidade. Hábitos alimentares e o consumo exacerbado de substâncias como o tabaco e álcool também podem influenciar na fertilidade. Bem como patologias de origem genética. Sendo assim, a fertilização in vitro é usada para auxiliar a reprodução intrinsecamente ineficiente pelo coito e, em vários países, a proporção de crianças nascidas após a fertilização in vitro está aumentando. Embora a fertilização in vitro seja uma tecnologia capacitadora para pacientes inférteis, ela também contorna as barreiras reprodutivas e altera as pressões de seleção.

A fertilização in vitro favorece características diferentes nos espermatozoides (nadadores rápidos em distâncias curtas) do que o coito (mobilidade para frente em distâncias maiores). Da mesma forma, um homem com baixa qualidade de esperma e uma mulher que decide adiar sua primeira gravidez para uma idade avançada, podem aumentar sua aptidão reprodutiva por fertilização in vitro.

REFERÊNCIAS

Badalotti, M., & Petracco, A. (1997). Infertilidade: definições e epidemiologia. In M. Badalotti, A. Petracco & C. Telöken (Eds.), Fertilidade e infertilidade humana (pp.3-7). Rio de Janeiro: Medsi.

Registro Latino Americano de Reproducción Assistida [RedLara]. 2017.

Sullivan EA, Zegers-Hochschild E Mansour R, Ishihara O, de Mouzon J, Nygren KG, Adamson GD. International Committee for Monitoring Assisted Reproductive Technology (ICMART) world report:assisted reproductive technology 2004. Hum Reprod. 2013;28(5):1375-90.

Sobre a autora
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Carolina Jose Pires Xavier

Graduanda do Curso de Biomedicina do Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU/Brasil

Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi

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