Professor, de ativo a próativo. A sociedade exige. A humanidade agradece.

30/08/2024 às 16:03
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Professor, de ativo a próativo. A sociedade exige. A humanidade agradece.

Realizando uma retrospectiva história, notamos que os avanços tecno-científico que advieram, trouxeram, ao mesmo tempo, importantes inovações e avanços, como também grandes prejuízos e danos para a sociedade.

Num processo de desenvolvimento científico, econômico e cultural jamais vivenciado pelo mundo, num período marcado por inúmeras revoluções, como a Revolução Industrial, o Iluminismo surge como uma grande crítica à concepção econômica posta pelas bases mercantilistas. Os economistas do Iluminismo introduziram a noção de liberalismo econômico, segundo o qual a economia seria regida por suas próprias leis naturais, sem que houvesse necessidade de intervenção do Estado. Essa visão produziu uma influência muito significativa sobre a Revolução Industrial e as doutrinas econômicas do século XIX.

Após a Revolução Industrial, evidenciou-se uma concepção de progresso intrinsecamente relacionada com o desenvolvimento econômico, em que o crescimento de um país era associado à implantação do maquinário industrial para a obtenção do melhor rendimento econômico com base no aproveitamento dos recursos e matérias-primas disponíveis.

O grande desenvolvimento ocorrido a partir da Revolução Industrial não levou em consideração o meio ambiente e nem tampouco as condições de trabalho dos proletários nos porões das inúmeras indústrias que passaram a se constituir. Em conseqüência, o resultado foi a destruição de diversos ecossistemas, a emissão descontrolada de gases nocivos à atmosfera que, certamente, em muito contribuiu para o fenômeno do aquecimento global e, também, a grande exploração de trabalhadores que foram submetidos a condições subumanas de trabalho.

Mesmo representando um grande passo rumo ao progresso humano, o impulso Iluminista não foi capaz de sanar guerras e conflitos entre os povos. A modernidade figura como um período marcado a fundo por inúmeras contradições. Trata-se de um momento carregado de ambigüidades, em que coexistem e influenciam-se mutuamente movimentos de guerra e de paz, de preservação e destruição do meio ambiente.

Após a 2ª Guerra Mundial, observamos que, uma vez mais, o desenvolvimento científico e tecnológico da humanidade serviu também para produzir morte e destruição. Esse conflito entre as nações marcou a falência do projeto Iluminista e positivista de que a ciência e o progresso levariam a uma evolução da humanidade que teria como resultado um mundo melhor, mais justo, próspero e pacífico. Nesse cenário, surgiram as primeiras reações a esse modelo com a criação das Nações Unidas e da elaboração das declarações universais dos direitos humanos, em 1948 e, posteriormente, dos direitos das crianças, esse em 1959, tudo com a finalidade de estabelecer valores básicos eticamente, fundamentais para direcionar o desenvolvimento das práticas políticas e científicas.

Ainda no pós-guerra, verificamos a predominância de dois grandes novos modelos de desenvolvimento, pode-se dizer, novamente, na história, surgem avanços que, como o Iluminismo, retornaram à busca de uma revolução social através do progresso: o capitalismo e o comunismo. Aquele, oferecendo como padrão de vida o american way of life, com uma vida feliz ao sujeito consumidor, livre, trabalhador que exerce o seu direito de votar. O comunismo, por sua vez, um mundo sem desigualdades, no qual são corrigidas as injustiças do capitalismo e distribuídas as riquezas. Entretanto, também esses modelos, tal como com o movimento Iluminista apresentaram graves contradições e se mostraram incapazes de cumprir o que prometiam.

Essa retrospectiva nos serviu para concluirmos que, em que pese possam ocorrer grandes avanços em qualquer área, seja política, econômica, social etc., eles podem trazer outras conseqüências que, como vimos, podem ser desastrosas, máxime quando utilizados sem se considerar que esse avanço não ocorre em todas as esferas e nem é para todos e que, aliás, tem um custo.

Na área educacional, verificamos, atualmente, uma grande inovação tecnológica, um avanço, a modernização com a implantação de infraestrutura tecnológica, como redes de computadores, laboratórios de informática, acesso à Internet, bem como a disponibilização de recursos multimídia para os alunos e professores, tais como lousas eletrônicas e projetores multimídias.

A escola, aí compreendida toda e qualquer instituição de ensino, seja fundamental, médio ou superior, é desafiada a ultrapassar a lógica da exclusão social - pois sabemos que esse avanço tecnológico não atinge a todos -, cujo mapa das desigualdades sobrepõe-se ao da exclusão digital, da pobreza e da violência. Deve-se buscar, assim, ampliar as oportunidades de acesso e permanência aos espaços de ensino e a utilização dessas novas mídias e das tecnologias de informação e da comunicação, sob pena de contribuir ainda mais, para o abismo de desigualdade, ainda mais em um país como o nosso.

A escola, na acepção que lhe foi atribuída no parágrafo anterior, não é um lugar protegido, neutro, distante das manifestações sociais transformadoras. Ela não é apartada de sua comunidade e da realidade que a cerca. Muito pelo contrário, está imersa na cultura, na comunidade, na representação social e política, em contínua interação com o seu contexto.

É aí, nesse cenário, que surge a grande importância das secretarias de educação, dos docentes, dos administradores e, também, dos alunos. As secretarias precisam ser mais pró-ativas e incentivar mudanças, flexibilização, criatividade. Professores, alunos e administradores devem avançar muito mais em organizar currículos mais flexíveis, aulas diferentes, pois a rotina, a repetição, a previsibilidade são armas letais para a aprendizagem, que esteriliza a motivação dos alunos.

O docente, por sua vez, se torna um protagonista nesse processo de aprendizagem, pois é ele o difusor de conhecimento e é ele quem está em contato direto com aqueles, mais especificamente no ensino superior, que entram na academia ávidos somente pelo conhecimento científico-tecnológico, mas que também precisam de lições outras que igualmente serão de grande valia para suas vidas profissionais e, inclusive, pessoais.

É por isso que, não obstante para o exercício da docência seja necessário domínio específico em seu campo de atuação, imprescindível, também, uma formação específica de como trabalhar esse conhecimento, como definir objetivos, selecionar o conteúdo, escolher os procedimentos de ensino, promover uma avaliação inclusiva, enfim, conhecimentos e habilidades que são relacionados à didática.

Na academia de Direito, é recorrente observar professores que, em virtude de ocuparem cargos públicos de destaque, acabam negligenciando a necessidade de aprimorar seus conhecimentos em pedagogia e didática.

Essa postura pode resultar em práticas de ensino menos eficientes e impactar negativamente na experiência de aprendizagem dos estudantes. É fundamental que os docentes, independentemente de sua posição profissional, reconheçam a importância de se manterem atualizados e capacitados em técnicas e estratégias de ensino, a fim de proporcionar uma formação mais rica e eficaz aos seus alunos.

Dessa forma, a busca constante por aprimoramento pedagógico se torna essencial para o exercício da docência de qualidade no ambiente acadêmico do Direito.

Nesse sentido, leciona MATTIETTO1: “O advogado bem sucedido e o desembargador experiente são considerados, nas nossas faculdades, como habilitados a ministrar qualquer disciplina jurídica”; prossegue: “Os concursos públicos em geral, por mais difíceis que sejam não habilitam ninguém para o magistério. São na realidade, apenas uma etapa para o ingresso nas respectivas carreiras: da magistratura, da advocacia pública, do ministério público.”.

Como uma das habilidades específicas, podemos mencionar a Pedagogia.

Tem-se uma crença de que essa habilidade é necessária apenas para orientar os professores no trabalho com crianças e adolescentes, sendo prescindível para os mestres do ensino superior, já que o público-alvo nesse caso é, em sua maioria, adulto. Ledo engano.

Além do domínio prático, o professor necessita ser um motivador e um incentivador dos alunos que, na contemporaneidade, buscam uma boa qualificação profissional. Por isso, a experiência de vida do docente, a sua autoconfiança e segurança são importantes como elementos de sucesso de seus próprios alunos.

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O docente exerce uma função social, aliás, de suma importância para a sociedade. E ele deve se conscientizar desse seu papel, da ciência em que atua, ter uma visão de mundo, do tipo de ser humano que deseja educar, o que se espera desse homem no mundo atual e como a sociedade se apresenta. E isso tudo supõe um comprometimento profissional, dedicação, respeito e, acima de tudo, amor pelo magistério que, assim, não pode ser encarado como um mero “bico”, uma extra para complementar o orçamento doméstico.

Atualmente, não há mais lugar para o que PAULO FREIRE2 denomina de “Educação Bancária”, na qual o professor, por meio de aulas meramente expositivas, joga, deposita na cabeça do aluno conceitos que, posteriormente, serão cobrados em uma avaliação. Nesse método de ensino, se é que se pode chamar de ensino, o aluno é, apenas e tão-somente, sujeito passivo, mero receptor de informação.

Assim, para que essa inovação, modernização científico-tecnológica que hoje se expande por toda a sociedade, em diferentes áreas, inclusive na área educacional com a internet e todos os avanços da multimídia, possa ser canalizada para um melhoramento no sistema educacional, abrangendo todas as camadas sociais, diminuindo, dessa forma, o abismo de diferentes oportunidades, é necessário que o docente deixe de ser meramente ativo diante de uma classe de alunos passivos que, como aves pequeninas, esperam pelo regurgitar de seus alimentos.

Deve ele ser proativo, incentivando a produção de conhecimento pelos próprios alunos, baseando-se em pedagogia progressista, que concebe a construção do conhecimento numa perspectiva dialética, em que os conteúdos deixam de ser apenas os conhecimentos específicos de cada disciplina e passam a ser o conjunto de conhecimentos e habilidades que retratem a experiência social da humanidade e são avaliados face ao contexto sociocultural, estudados e retornam à sociedade no sentido de transformá-la.

Toda a prática pedagógica deve ser centralizada no aluno, sendo o professor um orientador, um facilitador de aprendizagem, por sua vez, baseada na motivação e na estimulação de problemas. É o que já prelecionava, no Brasil, Paulo Freire, responsável pelo movimento social Educação Popular, voltado para as camadas sociais economicamente menos favorecidas.


  1. MATTIETTO, Leonardo. “Resenha da obra Metodologia do ensino superior em casos, de autoria de Harriet Christiane Zitscher.” Revista Trimestral de Direito Civil, vol. 6, Rio de Janeiro: Padma, abr-jun. 2001, p. 258.

  2. FREIRE, Paulo. Apud, MARTINEZ, Sérgio Rodrigo. “Pedagogia Jurídica. 2002.”, p. 17.

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