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O que sabemos sobre o padrão institucional da democracia brasileira?

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27/09/2026 às 15:14

Resumo:


  • O Brasil adotou o presidencialismo como regime político na constituição de 1988, seguindo um padrão histórico do país que já havia passado por outros períodos democráticos sob esse regime.

  • O Brasil é uma república presidencialista multipartidária, com um elevado número de partidos políticos, o que impacta diretamente no desenho institucional do país e na necessidade de construção de coalizões partidárias no poder legislativo.

  • Os presidentes brasileiros contam com uma "caixa de ferramentas" institucionais para construir coalizões estáveis, envolvendo poderes legislativos, prerrogativas orçamentárias, gerenciamento de gabinetes, poderes partidários e instituições informais, como estratégias de política distributiva e ações de accountability.

Resumo criado por JUSTICIA, o assistente de inteligência artificial do Jus.

Conclusão

Segundo os autores proeminentes do debate das instituições políticas e dos regimes políticos, o presidencialismo estava fadado ao impasse. Linz (1981) argumentava que o fato de o poder executivo no presidencialismo ser composto através de uma legitimidade dúbia era o principal motivo para a crença de que, em algum dado momento, governos divididos iriam existir e a democracia logo se veria numa situação de gridlock. Segundo Shugart e Carey (1992), por sua vez, o presidencialismo em si não estaria fadado ao fracasso governamental: segundo os autores o presidencialismo só seria potencialmente destrutivo se viesse somado a outro arranjo institucional: o multipartidarismo.

No entanto, com o passar do tempo, a experiência do presidencialismo latino-americano mostrou que essas previsões estavam equivocadas. Os países que tiveram experiências de maior estabilidade democrática foram justamente os países que iam na contramão de todas as crenças acadêmicas, com o Brasil configurando, provavelmente, o mais improvável dos casos. Relembrando, o Brasil além de possuir o presidencialismo como característica institucional também possuía um multipartidarismo elevado à enésima potência, sendo o país sede dos maiores recordes do número efetivo de partidos já registrados no mundo democrático. Além disso, o presidente brasileiro, comparativamente, também estava na lista dos presidentes mais poderosos. A receita parecia ser perfeita para seguir rumo ao colapso democrático, mas também existiam contrapesos importantes à figura do presidente da república. De maneira geral, no entanto, o Brasil possui uma “paisagem institucional” que se provou funcional. A Suprema Corte brasileira, com votos de juízes indicados pelos partidos governantes, julgou casos de corrupção no Brasil, políticos foram mandados para a prisão e impeachments aconteceram5. As preocupações de que o presidencialismo brasileiro pudesse descambar em algum tipo de breakdown da democracia se provaram erradas.


Referências

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Notas

  1. Fatores como influência de países vizinhos e experiência institucional passada aparecem entre as principais candidatas para explicar escolhas institucionais.

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  2. Embora o voto ainda não fosse um fenômeno universal, de maneira comparativa o Brasil já possuía instituições razoavelmente democráticas quando comparado a outros países naquela época (Abranches, 2018).

  3. A Lei de Duverger é uma das poucas leis das ciências sociais: sistemas eleitorais proporcionais tendem ao multipartidarismo e sistemas eleitorais majoritários tendem ao bipartidarismo.

  4. Algumas teorias argumentam que elevados graus de polarização tendem a produzir mais partidos próximos ao centro, assim como elevados níveis de congruência entre partidos de um sistema tendem a produzir outros partidos nas margens do sistema partidário.

  5. Segundo Alston et al (2016), impeachments são um sinal de que políticos não estão acima da lei

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Sobre o autor
Como citar este texto (NBR 6023:2018 ABNT)

MELO, Alan Cavalcanti. O que sabemos sobre o padrão institucional da democracia brasileira?. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 31, n. 8488, 27 set. 2026. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/110749. Acesso em: 30 set. 2026.

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