Capa da publicação Erros de português que aparecem em petições
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Correção de erros comuns em petições

07/09/2026 às 20:05
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Quais erros de português são frequentes em petições? O artigo reúne problemas de grafia, crase, pronúncia, sintaxe, plural e uso vocabular.

Como estudei latim e admiro o livro “Réplica”, de Rui Barbosa, comovente culto à língua portuguesa, resolvi ajudar pessoas que escrevem textos com erros sintáticos que seriam evitáveis se dessem um pouco mais de atenção à nossa língua.

Falar e escrever bem o português é obrigação de qualquer profissional que queira desempenhar melhor o seu ofício. Afinal, diz a nossa Constituição Federal em seu artigo 13: “A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil”.

“Saber escrever a própria língua faz parte dos deveres cívicos. A língua é a mais viva expressão da nacionalidade. Como havemos de querer que respeitem a nossa nacionalidade se somos os primeiros a descuidar daquilo que a exprime e representa, o idioma pátrio?" (Napoleão Mendes de Almeida).

A seguir, os exemplos são apresentados por assunto, sem a repetição dos mesmos cabeçalhos, citações e notas de contato a cada ocorrência.


Pronúncia, grafia e uso de palavras

Entre os usos apontados como incorretos estão ”falar em bom vocábulo”; “pronunciar bem um termo”; “mâs, pâra, câda”; “gratuíto”; e “rúim ou ruínho”.

Outros exemplos são “c cedilha”; “secionar”; “David, Madrid, Bagdad”; “excepção”; e “defruxo, endefruxado, desfarcar, quélo”.

Outros exemplos são “portuguez, inglez, pêzames, apezar” etc; “resoar, resecar” etc; “peras, maçãs e etc”; “paguei vinte reais ao invés de quinze”; e “mu-ié, mí-io, fô-la, bi-iête”.

Outros exemplos são “AD(e)vogado, dificuL(i)Dade”; “Oh! menino (apelo) e ó menino (admiração)”; “sóteropolitano, hêmocitológico, antrôpologia, áerovia, áeroplano”; “acatólico”; e “stock, sport, Stockholm”.

Outros exemplos são “expontâneo, explêndido”; ”té, Zé, inda”; “grã, grão, bel, val, dês que, mui”; e “Santo Francisco, Santo José, São Antônio, São Henrique”.


Contrações, preposições e crase

Quanto a contrações, preposições e crase, são apontados como incorretos “n’o, n’um, de + o, lhe + o”; “co’o, c’o, co’um”; “àquele, àqueles, àquelas, àquilo”; “ele foi à pé, isto pertence à meu irmão, compras à prazo”; e “ele está à morrer, ele se pôs à gemer”.

Outros exemplos são “À rosa murchou”; “A Roma é cidade linda”; “Refiro-me a Roma de César, Reporto-me a Lisboa de Camões”; “Ele foi ferido a bala, ele ferido ao cacete, escrever uma carta à máquina”; e “Estou as portas da morte”.

Outros exemplos são ”Dei um lápis aquela menina”; ”Refiro-me aquele homem”; “Refiro-me aquilo”; “Dei isto as minhas irmãs”; e “Vestir-se a Luís XV”.

Outros exemplos são Vou a Melhoramentos; Chegou à vias de fato; Quanto à referências; Daremos à pessoas dignas; e Eu vou à casa.

Outros exemplos são Dirigi-me a casa de Pedro; Fui a Casa Anglo-Brasileira; Levamo-lo à terra; Chegamos ainda hoje à terra; e Direi isso à Noemi.

Outros exemplos são Entregue o documento à Chiquinha; Escrevi à Laura; Dei isso a vossa senhoria; Devido a morte do pai; e Devido as dificuldades.

Outros exemplos são Obediência as leis; Referente a prisão; Com respeito a situação; Quanto a natureza; e Devido à morte ocorrida em nosso grupo.

Outros exemplos são Nação à que você se refere; Dei à uma velhinha; Mandei à essa cidade; à uma hora; e Isso aconteceu as duas horas.

Outros exemplos são Estudo da uma as cinco; Faltavam vinte minutos para a uma hora da tarde; e Morreu à uma da madrugada.


Pronomes, formas verbais e prefixação

Neste conjunto, aparecem como formas incorretas Devemos amar-o; Devemos ama(s)-lo; Fiz + o; Diz + o; e Amemos + a.

Outros exemplos são Eis + o; Amas+ lo; Vendes + lo; in + buir; e in + berbe.

Outros exemplos são in + plicar; in + mmergir; in + móvel; fazem-o; e amavam-a.

Outros exemplos são puseram-os; e trouxeram-as.

Divisão silábica

Na divisão silábica, são indicadas como incorretas as formas outr-ora; ag-ora; apo-strofar; cons-telação; e-vangelho; e me-tencéfalo.

Outros exemplos são par-óquia; post-ergar; eu-stomia; sin-ônimo; sub-screver; e “des-armar”.

Outros exemplos são “bis-a-vô”; “ex-ér-ci-to”; “e-xce-der”; “am-bí-gu-o”; “e-qu-i-va-ler”; e “gue-rra”.

Outros exemplos são “ubí-quo”; “cnido-se”; “dz-eta”; “gn-oma”; “mnemô-nico”; e “pneumá-tico”.

Outros exemplos são “ne-utro”; “na-ipe”; “rei-nado”; “ig-ual”; “cir-cu- ito”; e “co-itado”.

Outros exemplos são “gui-zo”; “his-tóri-a”; “ar-má-ri-o”; “es-pé-ci-e”; “poe-ira”; e “proê-mio”.

Outros exemplos são “miú-do”; “ciú-me”; “occi-pital”; e “ab-lução”.


Uso de maiúsculas e minúsculas

Entre os usos apontados como incorretos estão escrever com letras minúsculas no começo do período; com letras minúsculas no começo de citações; com letras minúsculas no começo dos versos; e com letras minúsculas nos nomes próprios.

Outros exemplos são com letras maiúsculas a partícula de nos nomes próprios constitutivos de locução, como Rio de Janeiro; com letras maiúsculas “O RIO Amazonas, o Rio Negro”; com letras maiúsculas os nomes de meses; e com letras maiúsculas os nomes de povos.

Outros exemplos são com letras minúsculas os nomes de vias e lugares públicos; com letras minúsculas os títulos de produções artísticas; com letras minúsculas nas designações de sociedades, corporações etc; e com letras minúsculas nos nomes comuns tomados individualmente, em sentido especial, como Capital, Igreja e Estado.

Outros exemplos são com letras minúsculas nos nomes abstratos tomados personificadamente, como a Ira, o Ódio e a Inveja; com letras minúsculas em designações como Pedro, o Grande; D. Manoel, o Venturoso; e O Lidador; com letras minúsculas nos pontos cardeais, como em “Os habitantes do Sul” e “O Oriente contra o Ocidente”; e com letras minúsculas em Deus e em palavras sinônimas do monoteísmo, como o Criador, o Onipotente, o Filho e Tupã.

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Abreviaturas

Quanto a abreviaturas muito usadas, o texto menciona Ante Christum (antes de Cristo); ao cuidado; anno Domini (no ano do Senhor); ante meridiem); depois de Cristo; digníssimo; era cristã; et cetera; pede deferimento; post meridiem; e post-scriptum.

Estrutura e classificação dos substantivos

Também são apontados como erros tema ou raiz; substantivos próprios tais como caramuru, jorge vi etc; substantivos comuns tais como livro, árvore etc; substantivos próprios que designam pessoas, nações, estados, cidades, localidades etc; e substantivos próprios que designam entidades, organizações etc.

Outros exemplos são substantivos comuns, que não próprios, como o nome dos meses, o nome dos dias da semana etc.

No caso dos substantivos coletivos, o texto critica o uso sem especificar o especificativo e menciona, entre os exemplos, miríade; cardume; enxame; réstia; tertúlia; repertório; fauna; teoria; claque; troféu; artista; árvore; acervo; elenco; corja; tropa; matilha; manada; bolada; bando; assembleia; câmara; filmoteca; cambada; maquinaria; e facção.


Funções sintáticas e gênero gramatical

Nesta parte, são apontados como erros função de acusativo em vez de objeto indireto etc; função de dativo em vez de objeto direto etc; que o português é língua sintética etc; e que o alemão é língua analítica etc.

Outros exemplos são que égua é palavra fêmea etc; que rio, guerra, cabeça são nomes neutros em português etc; que são masculinos os substantivos tribo, enxó, juriti etc; e que são masculinos os substantivos ordem, aragem, linguagem etc.

Outros exemplos são que são masculinos os substantivos cútis, fênix etc; que são femininos os substantivos cometa, planeta, trema etc; que são masculinos os substantivos fubá, gambá, maná etc; e que são masculinos os substantivos homenagem, aragem etc.

Outros exemplos são que são femininos os nomes dos montes (Vesúvio), mares (Atlântico), rios (Amazonas), meses (janeiro) e ventos (aquilão) etc; que são masculinos os nomes das partes do mundo (Europa), as ciências e as artes liberais (medicina), os nomes próprios de regiões (Amazônia) etc; que são masculinos os nomes de répteis, batráquios, peixes e insetos etc; e que são masculinos os substantivos flexionados como a pulga macha, a fêmea do jacaré etc.

Outros exemplos são que são masculinos ou femininos os substantivos sem gênero como artista, pianista, jovem, cliente etc; que são masculinos ou femininos os substantivos de gênero fixo como João é uma criança, Maria é um algoz de seu pai etc; que são masculinos ou femininos outros substantivos de gênero fixo ou sobrecomuns como algoz, pessoa, tipo, vítima etc; e que são masculinos ou femininos substantivos comuns de dois, que passam a especificar ofícios, como a bandeira, o bandeira, o caixa, a caixa etc.

Outros exemplos são que são masculinos ou femininos substantivos comuns de dois, que designam coisas, como o capital, a capital etc.


Plural, singular e palavras estrangeiras

Por fim, são apontados como erros o gênero da palavra cal: “O cal não está bom” etc; o plural como projetís, reptís etc; o plural como tóraxes, lápises etc; e o plural como cálixes, apêndixes etc.

Outros exemplos são o plural como cárácters, catéters etc; o plural como guardas-portões, guardas-fatos etc; o plural como banho-marias, obra-primas etc; e o plural como glórias-patris, padres-nossos etc.

Outros exemplos são o plural como dois quebras- nozes, dois sacas-rolhas etc; o plural como dois páes-de-lós, olhos-de-cabras etc; o plural como as lógicas, as teodiceias, os budismos etc; e o plural como os pró, os contra, os sim, os não etc.

Outros exemplos são o singular como o Alpe, o arredor, a calenda etc; o plural como Os Estados Unidos forma, constitui etc; o singular como o alforje, a luva, a algema, a venta, o óculo, a anda, o bofe etc; e o singular sem flexionar-se o Cíceros, o Andradas, o Prados etc.

Outros exemplos são palavras estrangeiras, quando existe o correspondente em português: bife, bonde, clube, lanche, líder etc; e o plural de palavras estrangeiras como os deficit, os habitat, as lady, os meeting, os penny, os superavit etc.


Estou disponibilizando meu serviço profissional de correção de textos de petições, artigos, TCC, dissertações e teses universitárias.

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Sobre o autor
Máriton Silva Lima

Advogado militante no Rio de Janeiro, constitucionalista, filósofo, professor de Português e de Latim. Cursou, de janeiro a maio de 2014, Constitutional Law na plataforma de ensino Coursera, ministrado por Akhil Reed Amar, possuidor do título magno de Sterling Professor of Law and Political Science na Universidade de Yale.

Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi

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