A narrativa visa demonstrar que, por vezes, o poder-saber do professor pode ser utilizado para modificar o interesse do aluno a aprender a aprender.

Nos idos de 2009, antes de iniciar o período tive a curiosidade de indagar aos meus pares acerca do desempenho dos alunos daquela turma, ainda tão jovens, em sua maioria. Grande parte dos professores com os quais conversei e que ministraram aulas para os alunos, foram enfáticos em afirmar que aquela turma “não era fácil”. Era como se existisse certo desinteresse pelo curso (não na sua totalidade, ressalve-se), mas por determinados meios didáticos ou pedagógicos. Preparei-me e refleti sobre como poderia alterar aquela situação.

Fui ao encontro dos aprendizes. No primeiro dia de aula, expus, de forma singela, o conteúdo programático, as avaliações, delimitei a bibliografia. De logo, percebi que, havia sim, um certo desapego de alguns alunos, acerca da disciplina. Comecei a primeira aula, contando a história em que a “teoria, na prática, modifica o operador do direito.” E mais que o Direito do Trabalho era um divisor de águas na vida de cada cidadão, diante da necessidade de viver e sobreviver com dignidade, já que o trabalho era um dos pilares da vida humana.

Contudo, parecia que a “profecia” apresentada por outros professores começava a ganhar musculatura: conversas paralelas, saídas extemporâneas, etc., faziam parte dos atos que, alguns dos alunos, insistiam em manter vivos. Como ministrava aulas nas quartas e sextas-feiras, resolvi mudar a relação de poder. Apenas usaria a não rara arma “o professor manda”, se fosse, efetivamente, necessário. Usei-a nalgumas ocasiões e resultou em bons frutos. Continuei ministrando as aulas. Mas, desta vez, comecei a oportunizar situações, no sentido de trazer para perto aos alunos mais dispersos. Uma das saídas era (e foi) debater com os “desinteressados” como eles viam o Direito. Como resolveram enfrentar uma faculdade de ciências, sem se preocupar com as experiências (?). Tratei, também, de buscar no Direito do Trabalho as normas que alcançavam parentes e pessoas próximas dos alunos (pais, irmãos, tios, amigos, namorados, etc.).

As mudanças começaram a surgir, embora já estivéssemos chegando à época das avaliações. Alguns alunos começaram a questionar como ocorreriam as avaliações, apesar de já haver descrito isto no início do semestre, ou seja, realizar-se-iam com questões subjetivas, como o fim de que fossem debatidos os pontos analisados nos assuntos ministrados. Comecei a descobrir que, dentre os “desinteressados”, crescia a necessidade de se integrar ao grupo (focal, pode-se dizer). Assim, encerrados assuntos da primeira avaliação, marquei a prova, relembrando aos alunos que estudassem, eis que ser-lhe-iam cobradas respostas objetivas sobre os vários assuntos discutidos nas aulas.

Na data da avaliação, cerca de dez (10) alunos não compareceram, pelos mais variados motivos. Todavia, para minha surpresa, dentre os “desinteressados”, quase todos, cumpriram a missão. Depois do resultado, com notas altas, baixas, discuti com os alunos as provas e demonstrei que não era impossível aprender a aprender. Faltava-lhes um estímulo (às vezes, um puxão de orelhas, como fiz, quando necessário). Terminamos o período, todos, “vivos”. Desinteressados existiram (ninguém agrada, integralmente, a uma plateia de ouvintes), mas, ainda eles, compreenderam que o saber nasce com cada um de nós.

O que falta é alguém para desprender a nau chamada de aprendizagem, no intento de que ela percorra os mares do conhecimento. Por fim, entre os alunos que, inicialmente, estavam indecisos, desmotivados ou algo parecido quanto à sua postura como aprendiz, hoje, em nossa cidade, um deles é Juiz do Trabalho, e eu tive a oportunidade de ter contribuído para não deixar que o diamante continuasse bruto. Esta experiência fez (e faz) como que mudemos as metodologias educacionais, isto porque:

"Boa parte dos professores se preocupa, exclusivamente, em atender às necessidades da escola, ignorando as demandas dos alunos. Um professor lider consegue ajustar às necessidades da turmas às da escola e fazer disto uma causa positiva e motivadora para o grupo (Carlos Harmitt, mestre em educação, 2010, internet). 


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