Muito se houve sobre erros médicos, sobre a vinda de médicos cubanos, mas pouco se fala sobre a realidade brasileira, com o mesmo enfoque que se dá aos erros médicos, no Brasil.

Calma, em primeiro vislumbre, muitos médicos brasileiros acharão que este artigo vai falar mal dos médicos brasileiros, mas a verdade é que os médicos brasileiros precisam de tratamentos e cuidados especiais.

É comum notícias de erros médicos, como se todos os médicos brasileiros agissem pela ânsia mercantilista. Todavia existe uma verdade que não é muita divulgada, de forma contumaz, pela mídia, a de que muitos médicos brasileiros estão doentes.

Seja médico da rede pública de saúde, ou não, os médicos brasileiros têm que dar com rotinas estressantes, não comuns, mas por descasos (do Estado) à saúde humana. Saúde no Brasil passou a ser permeada de interesses diversos, de um lado, muitos políticos que querem privatizar o Sistema Único de Saúde (SUS), de forma que possam lucrar com acordos entre eles e os lobistas, de outro, as mãos famigeradas dos donos de planos de saúde particular.

Na rede pública de saúde, como é notório, os médicos, além de serem médicos, possuem outras tarefas, como faxineiros, curandeiros - rezar aos deuses para ajudar o paciente, já que falta um pouco de tudo nos hospitais -, administradores, e demais funções não pertinentes a eles. Em muitos hospitais públicos faltam instrumentais cirúrgicos, fios cirúrgicos adequados ao tipo de sutura, luvas - acreditem, mas em muitos hospitais públicos as luvas cirúrgicas são reaproveitadas - medicamentos etc.

Na falta de macas, os médicos exercem suas criatividades para poderem dar "bom" atendimento aos pacientes. Em outros momentos passam a ser engenheiros mecânicos para evitar que alguma cadeira de roda venha a se desmontar, por já estar em péssimo estado.

Nos estabelecimentos particulares, os médicos são sobrecarregados: com metas de produção - alcançarem quantitativos de atendimento, senão são despedidos -; com a rotatividade dos auxiliares administrativos - baixo salário e sobrecarga horária, o que ocasiona ingressos de pessoas que terão que se adequarem e aprenderem as normas e regras da empresa. Além disso tudo, alguns médicos (especialidades médicas) são obrigados a constituírem firma, para poderem trabalhar nas clínicas particulares. Em outros casos, as contratações são feitas com certo salário fixado na CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social), mas suplementado por fora, isto é, paga-se um valor total, mas não especificado na CTPS, o que compromete, posteriormente, os direitos trabalhistas dos médicos.

Eis a situação de cada médico brasileiro, que não é noticiado com a mesma veemência em que a mídia relata casos de erros médicos. Alguns médicos, sem tempo de buscarem consultas médicas - cada médico tem a sua especialização - para seus problemas de saúde acabam se automedicando, o que é até uma ironia. E medicamentos são ingeridos sem que o médico adoentado possa procurar exames adequados e profilaxia correta.

Existem médicos e médicos, os bons e os ruins, assim como qualquer outro profissional, que não seja da área de saúde. É um crime duplo que se faz no Brasil, contra os próprios médicos e contra os pacientes. A quem interessa adoecer o Brasil?

P.S: O título não é provocativo aos médicos brasileiros, mas uma forma de chamar atenção, em primeiro momento, para, depois, o leitor saber como está a saúde, real, dos médicos brasileiros, e a inércia do Estado em não promover saúde humanitária.


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