O artigo abrange os crimes passionais, bem como o que autor desse crime utiliza para ferir e matar suas vítimas, e como esses instrumentos utilizados causam lesões e assim geram o cenário de um homicidio movido pela paixão.

Amor e paixão são sentimentos muito próximos. Nunca se sabe onde acaba a paixão e onde começa o amor, e vice-versa. A paixão é caracterizada pela intensidade, enquanto o amor por cumplicidade. Ambos os sentimentos causam sensações de tristeza e de alegria.

 Ocorre que, algumas pessoas, com o psicológico completamente abalado, quando traídas ou com o fim do relacionamento amoroso, adoecem esse amor, essa paixão, transformando-os em raiva e ódio. E é assim que ocorrem os crimes passionais.

O crime passional é conhecido como o crime do amor, um crime cometido pela paixão. Uma paixão regada de ciúmes, posse e não aceitação do fim do relacionamento, misturado com fatores psicológicos e sociais. Os homicidas passionais alegam que mataram por amor. Muito comum essa frase nesses casos. Mas será que o amor destrói, mata e é tão cruel assim. Será que a culpa é do amor? O amor adoeceu? Ou o amante adoeceu?

Muitas perguntas giram em torno dos crimes passionais, e cada vez mais esses crimes estão presentes na nossa sociedade. Muito frequente descobre-se crimes em que o crime passional está ligado, está presente em cotidianos da sociedade. E não é uma situação atual, ocorre que, nos dias de hoje são vistos de outra perspectiva, por uma questão cultural.

Antigamente a mulher era tratada como propriedade do marido, e o índice de vitimas do sexo feminino, era bem maior do que do sexo masculino, tendo em vista que, o homem se sentia no direito de matar sua mulher, caso fosse traído, e nesse mesmo sentido pensava toda a sociedade. Para limpar a sua honra, ocorria o crime, o qual não era visto aos maus olhos e nem dava-se importância, o que difere de nossa realidade atual.

Nos recentes crimes passionais nos deparamos com vítimas tanto mulheres, quanto homens, mesmo que ainda prevaleça as vítimas mulheres. A sociedade vem mudando em aspectos sociais e culturais, o que não mais permite que o homem mate sua mulher por ciúmes, traição ou pelo fim da relação.

Ainda que não sejam enquadrados em um tipo penal para pena exclusiva, são vistos como homicídios, em que não se excluem a imputabilidade penal, devendo assim os homicidas passionais serem punidos.

Os crimes passionais sempre chocam a sociedade, e ganham espaço na mídia, por conta de seu cenário típico de crueldade e frieza de seus assassinos.

E nesse sentido, que nos diz Luiza Nagib Eluf, os homicidas passionais trazem em si uma vontade insana de autoafirmação. O assassino não é amoroso, é cruel. Ele quer, acima de tudo, mostrar-se no comando do relacionamento e causar sofrimento a outrem. Sua historia de amor é egocêntrica. Em sua vida sentimental, existem apenas ele e sua superioridade. Sua vontade de subjugar. Não houvesse a separação, a rejeição, a insubordinação e, eventualmente, a infidelidade de ser desejo, não haveria necessidade de eliminá-lo[1].

Assim, frisa ressaltar, que o autor do delito passional quer passar para vítima o seu sofrimento, que julga ser causado pela própria vítima, por isso impossibilitam ou tornam impossível a defesa dela.

O autor do delito passional, dominado pela forte emoção, e totalmente desamparado psicologicamente, comete o crime, planejado ou não, com bastante violência.

E devida tamanha violência, os homicidas passionais utilizam diversos instrumentos e causam diversas lesões em suas vítimas, gerando um cenário sangrento.

Há que se pense que as armas de fogo possuem maior índice nos crimes passionais, mas engana-se, tendo em vista, que estudos demonstram que os projéteis possuem menor índice de ocorrência, ficando em último lugar de instrumentos utilizados, isto porque, o autor quer justamente o sofrimento da vitima, matar por vingança e ódio. Quer se deparar com o prazer daquela morte, com a tortura da vítima, e, por isso, acabam usando instrumentos diversos e chocantes, causando-lhes dor e lesões cruéis.

Estudos apontam utilização de armas brancas em geral, pelo estrangulamento e esganadura, pela queimadura e por último por projéteis.

Porém, não obstante a isso nos deparamos com diferentes instrumentos e lesões aos acima citados, já que movidos pela fúria, os assassinos passionais, procuram qualquer instrumento ao seu alcance que possam ser letais às suas vitimas.

Podendo ser usados instrumentos cortantes, tais como: navalha, bisturi, faca (bastante incidência e comum), laminas de barbear, vidro, e etc.[2]

Os exemplos acima citados, quando atingidos no pescoço das vítimas, causam lesões chamadas esgorjamento, degolamento e decapitação.[3]

Ainda podem utilizar os instrumentos contundentes, que possuem suas armas ocasionais, como: bengala barra de ferro, tijolo, e etc, causando às vítimas contusões.[4]

Não podendo nos esquecer, dos instrumentos cortocontudentes, que são: foice, facão, espadagão, podão, enxada, motosserra, serra elétrica, rodas de trem, dentes, unhas, zargunho, zagaia, moenda e mondador, os quais compõem as feridas contusas.[5]

E por fim os instrumentos perfurantes e perfucortantes. Os perfurantes são conhecidos como: agulha, alfinete, pregos, furador de gelo, estoque, estilete agulhado, espinhos, e etc.[6]

Os perfurocortantes são dotados de gume ou corte, podendo conter varias faces e múltiplos ângulos, bem como, lima, baioneta e florete.[7]

A castração é um ato de vingança, que pode aparecer em casos de crimes passionais quando a vítima for do sexo masculino.

O esquartejamento revela uma frieza sem tamanho do autor do crime, em que pretende ocultar o cadáver ou dificultar a identificação dela.

Insta ressaltar, que envolve os crimes passionais o estrangulamento e a esganadura.

No estrangulamento a morte se dá pela constrição do pescoço por um lado acionado por uma força estranha, muito comum quando a vítima é inferior em forças ou é tomada de surpresa. [8]

Na esganadura, verifica-se constrição do pescoço pelas mãos, ao obstruir a passagem de ar atmosférico pelas vias respiratórias ate os pulmões, sendo sempre acompanhada de outras lesões, principalmente as traumáticas, provenientes de outras agressões como ferimentos na região posterior da cabeça, equimose em redor da boca, escoriações nas mãos e antebraços, que são decorrentes de lutas entre o autor do crime e a vítima, sendo chamadas de lesões de defesa.[9]

Não raro ainda em delitos passionais ocorrem às queimaduras e mordidas, usadas com crueldade como mutilação e deformação das vítimas.

Os instrumentos utlizados nos crimes passionais, suas lesões e características, bem como, a forma cruel em que ocorrem os crimes e o estado da vitima pós ele, estão muito interligados.

Cada instrumento, cada lesão, pode se equivaler ao tamanho do ódio, vingança, crueldade do autor dos crimes passionais.

[1] Eluf, Luiza Nagib. A paixão no banco dos réus. São Paulo, Editora Saraiva, 2013. P.163

[2] Júnior, Delton Croce. Manual de Medicina. Editora Saraiva. 8ª edição. 2ª tiragem. 2012. P. 296/297

[3] Ib Idem.

[4] Ib Idem.

[5] Ib Idem.

[6] Ib Idem.

[7] Júnior, Delton Croce. Manual de Medicina. Editora Saraiva. 8ª edição. 2ª tiragem. 2012. P. 296/297

[8] Ib. Idem.

[9] Ib Idem.



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