O amianto crisotila, cuja fibra é alvo de uma campanha difamatória que atravessa décadas, continua sendo essencial para o desenvolvimento da construção civil.

Em meio às expectativas de uma economia global em crise, o Brasil vive uma situação, no mínimo, paradoxal. Ao mesmo tempo em que toma fôlego para se destacar entre os emergentes, assiste ainda impassível à sanha predatória com que concorrentes multinacionais se lançam sobre empresas de capital nacional. Exemplo a ser destacado é o do amianto crisotila, cuja fibra, alvo de uma campanha difamatória que atravessa décadas, continua sendo essencial para o desenvolvimento da construção civil.

Deu-se um toque melodramático aos ataques trazendo à tona problemas que não estão relacionados ao uso seguro do amianto. Para entender: nos anos de 1940/50, a maciça e errada utilização do amianto tipo anfibólio na reconstrução de cidades européias, arrasadas pela guerra, provocou uma série de adoecimentos e mortes de trabalhadores. Mais tarde, esses países decidiriam banir o produto, embora o utilizem em outros campos, que vão da purificação de água à indústria farmacêutica.

Em linguagem simples, a comunidade europeia não precisa mais de amianto em larga escala, nem recobre suas casas com telhas contendo esses produtos. Enfim, usar ou deixar de usar tornou-se irrelevante. Mas não para suas empresas que operam no Brasil e em outros tantos que precisam da fibra do amianto — a fibra certa, o tipo crisotila. Se de um lado são 50 países que não a usam, de outro estão mais de 150, dentre as quais Estados Unidos, Rússia, Canadá, Índia e praticamente toda a Ásia.

O amianto crisotila teve a mesma evolução de outros produtos essenciais às atividades econômicas, tendo sido eliminados os riscos para a saúde humana. No Brasil, mais precisamente na cidade de Minaçu (GO), está a terceira maior mina de amianto crisotila em operação no mundo, que tem sido uma referência na segurança de trabalho. Este fato não se deve a um milagre, mas a dois fatores que caminham juntos e estão presentes em outros setores da economia: a tomada de consciência das indústrias e as exigências de uma sociedade cada vez mais organizada.

Além dos maciços investimentos em novas tecnologias e em mecanismos para promover a saúde no ambiente do trabalho, está em vigor há mais de duas décadas um acordo que garante o uso seguro do amianto. Como se vê, há uma guerra comercial na qual vale tudo para desinformar e confundir.

A rede de produção de amianto crisotila, que compreende mineração, indústria e fornecedores, é responsável por 170 mil empregos, movimenta R$ 2,6 bilhões e injeta mais de R$ 1 bilhão ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. No comércio, sobretudo, é que se percebe a importância dos produtos de fibrocimento com amianto para a geração de emprego e renda: eles representaram mais de R$ 1,1 bilhão das vendas, segundo estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Por tudo isso, retirar o amianto de cena equivale a pôr em risco inúmeros empregos e programas de habitação social, inclusive o “Minha Casa, Minha Vida”. As chamadas fibras alternativas de polipropileno (PP), sintéticas, derivadas de petróleo, além de não resolverem o déficit de cobertura de moradias, deixam a construção civil brasileira refém de uma única empresa multinacional que as produzem. Se a opção for pelas fibras de PVA, de novo o país cairá em mãos estranhas, desta vez de grupos do Japão e da China.

O Brasil precisa ficar atento, pois tais campanhas não passam de meros ensaios para um espetáculo maior, cuja plateia é de poucos lugares. Para usar uma frase do pensador uruguaio Eduardo Galeano, o desenvolvimento é um banquete com poucos convidados. Os pratos principais estão reservados às mandíbulas do capital internacional.


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    Adelman Araújo Filho

    CARTA ABERTA AOS SENHORES DEPUTADOS DO ESTADO DE SANTA CATARINA

    O Sindicato dos Trabalhadores nas indústrias Extrativas e Beneficiamento de Minaçu Goiás e Região, Prefeitura Municipal de Minaçu GO, prefeito Maurides Rodrigues Nascimento, Câmara Municipal, presidente Rosimeire Fernandes Batista e sociedade de Minaçu - GO vêm, através desta carta aberta, apelar para o bom senso dos senhores, para que não defendam o fim do comércio e manipulação de produtos contendo amianto crisotila no Estado de Santa Catarina, como está proposto em projeto de lei que tramita na Assembléia legislativa.

    Primeiramente, informamos que esta medida vai contribuir para inviabilizar a economia da cidade de Minaçu, município com mais de 30 mil habitantes, localizado no norte do Estado de Goiás, que tem sua economia calcada na extração do amianto crisotila, onde está localizada a terceira maior mina deste mineral do mundo.

    Senhores, não defendemos a manutenção desta atividade por acaso, mas porque gera mais de 150 mil empregos diretos e indiretos e, principalmente, porque através do uso seguro e responsável do amianto crisotila, os trabalhadores conquistaram ambientes saudáveis para se trabalhar, não sendo registradas novas doenças no setor desde meados da década de 80, o que está comprovado em pesquisas realizadas por renomados professores da USP, Unicamp e Unifesp.

    O uso seguro e responsável do amianto crisotila, adotado no Brasil, na década de 80, é uma referência para o mundo e para outros setores, isso porque a poeira e, consequentemente, doenças no setor são coisas do passado, quando desconhecíamos o mal que o amianto poderia causar à saúde dos trabalhadores.

    Hoje conhecemos muito bem esta realidade e, a partir de estudos técnicos científicos e a aplicação do uso seguro, eliminamos a poeira nos ambientes de trabalho, possibilitando trabalhar de forma segura com o amianto crisotila e não aceitamos mais mentiras e ataques infundados, gerados por uma “guerra econômica” de disputa de mercado de telhas e caixas d’água.

    Informamos aos senhores que os trabalhadores brasileiros conquistaram avanços significativos no sistema produtivo das empresas, garantindo a segurança e a saúde no trabalho, que mais uma vez fazemos questão de informar que com o uso seguro e responsável do amianto crisotila a poeira foi eliminada e, conseqüentemente, os problemas de saúde também, já que atingimos a meta de ‘risco zero’ na exploração deste mineral, uma vez que a extração e produção são feitas de forma enclausurada ou umedecida, com o limite de poeira em suspensão no ar abaixo de 0,1 fcm³ (fibras por centímetro cúbico) de amianto crisotila em todos os postos de trabalho. “Isso significa 20 vezes menor do permitido na legislação federal que é 2,00 fcm³ (fibras por centímetro cúbico). Fomos de fato, a única categoria capaz de organizar o local de trabalho, conquistando legislação especifica, e a conscientização dos trabalhadores e empresários. Merecendo a confiança e a defesa de 100% dos sindicatos, federações e confederações que representam os trabalhadores do setor amianto crisotila e, a CUT não nos representa, não conhece a nossa realidade e não tem legitimidade para falar em nome dos trabalhadores do seguimento amianto

    Certos de que nossos esclarecimentos vão contribuir para que a Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina não cometa um erro histórico, agradecemos pela atenção e nos colocamos à disposição para mais esclarecimentos, inclusive para conhecer a nossa realidade em loco (Mineração e Fabrica de fibrocimento) a qualquer tempo.

    Prefeitura Municipal de Minaçu – GO fone 62 3379-1020. Câmara Municipal Fone 62 3379-2617

    Minaçu – GO, 04 de agosto de 2014.

    Adelman Araújo Filho (Chiru).
    Presidente
    E-mail: adelman@stiebemgor.org.br
    Cel: 62 9688-0162

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    Adelman Araújo Filho

    Não podemos aceitar intervenções de grupos internacionais em nossas atividades, temos que fazer valer a nossa soberania e não nos deixar levar pelos interesses comerciais. Somos capazes e legitmos para explorar o que o nosso solo brasileirro produz, de maneira honesta, racional e segura.

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