O preconceito revestido em críticas contra Israel

Recentemente acompanhamos uma guerra deflagrada pelo EUA contra o Iraque, com diabolização de um tirano e o pretexto de retomada de armas de destruição, onde se criou uma motivação, um tanto fictícia, com intuito de se obter apoio da mídia e se proceder de assalto riquezas naturais de um País mergulhado numa abominável ditadura secular. Assistimos pela televisão, bombardeios e ataques realizados pelas forças armadas americanas e captura de terroristas marcados em baralhos de cartas, em absurda e aparente normalidade.  Na época não se viu tanta discussão na mídia daquilo que deveria ser discutido e questionado, amplamente.

Tal introito é realizado, para demonstrar como ainda há no seio popular e digo também de pessoas cultuadas e esclarecidas - especialmente, que se manifestam nos meios sociais e mídias em profusão, a cultura do anti-semitismo. Digo isto, porque as pessoas falam acerca de Israel, com ideias e pensamentos absolutamente desapegados da realidade e do contexto histórico existente, sem aprofundamento mínimo do que dizem. Simplesmente, deixam aflorar uma cultura anti-semita arraigada  ao longo dos anos e que efetivamente, pelo que se vê, nunca fora sepultada.

Nota-se que aqui, não se pretende realizar um aprofundamento do conflito existente no Oriente Médio, quer se trazer à lume o exercício da racionalidade desapegado do preconceito de etnias. Da mesma forma, pelo genocídio judaico, por todos nós conhecidos, não se pretende criar um salvo conduto para atitudes bélicas, eventualmente, desproporcionais existentes, também não é isto.

O fato preocupante e relevante é que este conflito aflorou nas mídias sociais, de forma desproporcional, desmedida e generalizada o preconceito contra o povo judaico, a cultura do anti-semitismo, pelo simples fato de ser Israel protagonista de uma guerra de aparente desproporcionalidade. Diz-se, aparente,  para não se esconder no manto da forma as razões induvidosas de mérito – é necessário aprofundamento.

É difícil lutar ou justificar um conflito onde não se identifica um tirano, um rosto, um alvo, um inimigo específico, algo que se possa derrotar concretamente. A luta que se trava é contra um terrorismo generalizado, mentes ou dementes, que se escudam em velhos, crianças, comunidades, escolas, hospitais e que estão prontos para se matar ou a próprio povo em nome de uma causa, na crença religiosa de atingir o reino dos céus.  Quem em sã consciência é capaz de defender grupos terroristas extremistas como Hamas, Hisbollah e Jihad Islamica  ? Será que estes grupos terroristas representam a palestina ?  

Que se passa afinal? Será que o preconceito generalizado suprimiu a racionalidade?

É necessário prudência e consciência na emissão de juízos e conceitos, com fins de evitar desdobramentos preconceituosos inadmissíveis em nosso conceito de humanidade.


Autor

  • Luiz Mário Seganfreddo Padão

    Advogado em Porto Alegre (RS).ADVOGADO , com inúmeros trabalhos publicados na mídia e revistas jurídicas em profusão, como : PADAO, Luiz Mario Seganfreddo. A inconstitucionalidade da contribuicao previdenciaria do servidor inativo. R. DOS TRIBUNAIS; Sao Paulo, v.769, p.79-87, nov., 1999. ->FP; Contribuicao social; Lei 9783/99; Aposentadoria; Direito adquirido PADAO, Luiz Mario Seganfreddo. Recensoes da Lei de Sociedades Anonimas. R. DE DIREITO PRIVADO; Sao Paulo, v.2, n.6, p.128-141,abr./jun., 2001. Lei das S/A, artigo utilizado no Senado Federal, como reforma da Lei citada.

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