Um país é a sua cultura. O Brasil importa a cultura que consome e, portanto, não é um país e sim uma ficção.

Hoje o Brasil comemora sua independência. Apesar de não ser muito filmada, a história é mais ou menos conhecida. Ao receber a ordem de D. João VI para retornar imediatamente Portugal, D. Pedro I gritou “Independencia ou morte”http://pt.wikipedia.org/wiki/Independ%C3%AAncia_do_Brasil . Os soldados que o acompanhavam à província de São Paulo aderiram à independência, arrancando dos seus capacetes as plumas que representavam as cores da metrópole. Há 50 anos, porém, o 7 de setembro deixou de ser a dada mais importante da História do Brasil.

Em 1o. de abril de 1964, instigados e subornados pela CIA os militares brasileiros deram um golpe de estado. Eles rasgaram a CF/1946 depondo o presidente João Goulart.  Pouco tempo depois de assumir o poder, o marechal Castelo Branco assinou um Acordo Militar com os EUA transformando as Forças Armadas Brasileiras em tropas auxiliares do Pentágono no Brasil. Foi assim que um século e meio depois a “Independencia ou morte” virou “Dependencia ao Norte”.

Os reflexos daquele ato de traição à independência do Brasil e de submissão do nosso país aos EUA - ato este que foi deliberadamente praticado pelos militares em 1964 e reiterado durante o regime infame que eles implantaram no país - ainda se fazem sentir duas décadas depois do fim da ditadura. Apesar do que consta dos arts. 215 e seguintes da CF/88http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm , a nossa “Dependência ao Norte” é um fato corriqueiro e pode ser vista em qualquer sala de cinema ou loja de DVDs. O Brasil não produz os filmes que os brasileiros consomem, apenas importa a produção cultural tóxica made in USA https://www.facebook.com/photo.php?fbid=858615450828951&set=pcb.858615477495615&type=1&theater .

“Dependencia ao Norte” é tão evidente em termos culturais que qualquer pessoa que admita e critique este fato é hostilizada de maneira virulenta. Os interesses econômicos consolidados dentro do país são evidentes. As empresas multinacionais e nacionais que importam, dublam, produzem legendas, distribuem e projetam filmes norte-americanos, que fazem propaganda dos mesmos e vendem os DVDs aqui imprimidos mandam no país e são capazes de fazer qualquer coisa para inibir a produção, difusão e comercialização da  cultural brasileira. A independencia cinematográfica do Brasil não interessa àqueles que vivem à custa da nossa submissão estética.

Por mais que as Forças Armadas Brasileiras desfilem hoje para demonstrar uma suposta independencia do país, a função delas é assegurar a dependência cultural Brasil em benefício daqueles que obrigam os brasileiros a consumir filmes norte-americanos e daqueles que produzem estes filmes na metrópole. Como garantidores do Mercado em última instância, os soldados brasileiros não estão a serviço do Brasil, da cultura brasileira e da independência cultural do país ou do respeito ao disposto nos arts. 215 e seguintes da CF/88. Os próprios soldados brasileiros são, aliás, ávidos consumidores dos filmes do Stalone, Schwarzenegger, Tom Cruise e etc... E alguns até demonstram em público e na internet seu orgulho em defender a “Dependencia ao Norte” como se isto fosse uma venerável tradição nacional.



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