A Transparency Internacional é uma das formas que a sociedade civil encontrou para, junta, divulgar informações e combater a corrupção no mundo todo, com a ajuda de cada indivíduo fazendo sua pequena parte.

A ONG "Transparency International" (TI) é uma das formas que a sociedade civil encontrou para, junta, divulgar informações e combater a corrupção no mundo todo, com a ajuda de cada indivíduo fazendo sua pequena parte.

A Organização foi criada em 1993 e hoje está presente em mais de 100 países, contando com a participação de civis, líderes de Estados e setores da mídia. Através do esforço em conjunto, tornou-se a responsável por noticiar escândalos de corrupção pelo mundo todo e pressionar por novas reuniões, novos Tratados e mudanças.

Embora ela não participe diretamente das investigações, ela colabora divulgando informações que obtém e enviando especialistas para os mais diversos países em apoio. Seu site constantemente divulga novos escândalos e mostra caminhos viáveis para contornar o problema. Além disso, convida à todos a participar do combate, seja noticiando os crimes com os quais se depara, seja participando dos grupos de discussões, efetuando doações ou simplesmente ajudando a divulgar as informações em cada país. Através dela, através de pequenas ações, cada um pode fazer sua parte no combate e sair da inércia.

Uma das grande contribuições doutrinárias da Organização, foi a elaboração de 4 grandes grupos que representam os custos da corrupção no mundo:

  • Políticos: a corrupção deslegitima governos democráticos e enfraquece Estados, já que emperra seu desenvolvimento correto;
  • Econômicos: a corrupção estagna a economia ao desviar o investimento de fontes públicas e aplicá-los em projetos que beneficiam um grupo restrito de pessoas. Ela desequilibra a concorrência e desestimula os mais fracos a continuarem investindo no mercado;
  • Sociais: a corrupção faz com que a sociedade fique desacreditada e não confie mais em seus representantes, permitindo a evolução do conformismo social;
  • Ambientais: lideres corruptos ignoram completamente as questões ambientais e não fazem qualquer esforço para proteger o meio ambiente. Por vezes, o exato oposto ocorre, e projetos prejudiciais ao meio ambiente são autorizados por força do suborno.

Muitos estudos sobre os males da corrupção iniciaram-se a partir dessa divisão, sem contar a nova percepção que podemos ter a partir dela: possível perceber que até mesmo questões, a primeira vista, alheias a discussão, como as ambientais, podem estar relacionadas com a corrupção. Problemas que, para muitos, pareciam distantes e sem qualquer ligação.

Porém, apesar das denúncias, debates e marcos doutrinários, a Transparency Internacional é mais conhecida pelo seu ranking mundial anual sobre corrupção, o "Corruption Perceptions Index", no qual ranqueia 177 países de acordo com o nível de corrupção aparentemente existente no país, levando em consideração a percepção da sociedade diante desses fatos. O ranking é estabelecido com pontuações de 100 a 0 - do menos corrupto ao mais. Ele é feito como base nas opniões de pessoas entrevistadas em diversos países. Os entrevistados, com condições financeiras, profissionais e culturais variadas, são questionados sobre as percepções que possuem com relação à corrupção local - se consideram seu país ou determinado acontecimento como muito ou pouco corrupto.

O ranking de 2013 nos lembra que a corrupção não é um caso sério apenas no Brasil. Ela continua a atingir todas as sociedades do mundo e, por mais difícil que possa parecer aos nossos olhos, há muitos países considerados pela TI como em uma situação pior que a nossa.

Em 2013, nenhum país conseguiu atingir uma pontuação perfeita (de 100) e 69% dos 177 países tiveram uma pontuação abaixo de 50. Ou seja, a maioria dos países registraram níveis de corrupção acima do razoável. Naquele ano, Dinamarca e Nova Zelândia foram os primeiros da lista, com pontuações de 91. Em seguida ficaram Finlândia e Suécia, com 89. As últimas colocações ficaram com Afeganistão, Coreia do Norte e Somália, com apenas 8 pontos.

O Brasil ficou em 72º, com 42 pontos (também abaixo do razoável), empatado com Bosnia Herzegovina, São Tomé e Príncipe, Sérvia e África do Sul.

    Contudo, esse índice mundial sofre críticas, principalmente no tocante ao cálculo por meio de "percepções individuais", que não se mostram totalmente confiáveis. Cláudio Weber Abramo, em seu texto "Percepções Pantanosas" (2005), é um dos autores que mais apontaram sinais dessa desconfiança: um índice que tem como base a entrevista de pessoas deve levar em consideração como elas podem ser facilmente influenciadas por comentários alheios e noticiários; se assistem mais notícias sobre corrupção, tendem a achar que ela está aumentando, quando não é verdade. E o mesmo vale para países em que nenhuma notícia sobre isso é veiculada. Além disso, nada impede que a pessoa responda com base apenas em "ouvi dizer", sem nem mesmo ter contato com o escândalo ou com o país sobre o qual é questionada.

"No caso brasileiro, praticamente toda pesquisa que se faz leva à conclusão de que a corrupção está piorando. Tomando-se uma série histórica de tais levantamentos, e considerando apenas tais opiniões, é-se forçado a concluir que o Brasil tem piorado tanto que a esta altura já teria sido integralmente tomado por quadrilhas. Obviamente, isso não é  plausível." (ABRAMO, 2005,  p. 36)

Uma segunda crítica está na forma geral como rankings são feitos. Essa forma não pode ser usada para classificar avanços ou atrasos de países, que as vezes não fazem nenhum dos dois: "Dada uma lista qualquer, se um elemento da lista ascende n posições, então automaticamente n elementos necessariamente descenderão uma posição cada um, mesmo que nada tenha se alterado na grandeza que o ranking pretensamente reflete" (ABRAMO, 2005, p. 35).

Apesar das críticas quanto ao seu método de elaboração, o ranking mundial da Transparency Internacional, assim como seus demais estudos, são importantes ferramentas no combate internacional. Através de suas informações, temos a possibilidade de acompanhar mais de perto a realidade mundial e de nosso país, inclusive sobre fatos que, mesmo tão próximos, as vezes nem tomamos conhecimento. Além disso, temos a possibilidade de participar das discussões e relatarmos os problemas que encontramos em nosso dia a dia.


REFERÊNCIAS:

ABRAMO, Claudio Weber. Percepções Pantanosas. Revista Novos Estudos, São Paulo, 2005. Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/nec/n73/a03n73.pdf>.

TRANSPARENCY INTERNACIONAL: the global coalition against corruption. Disponível em < http://www.transparency.org/gcb2013>

TRANSPARENCY INTERNATIONAL: http://www.transparency.org/

UCHOA, Ana Paula de Deus. A Corrupção Nossa de Cada Dia. Revista MPD Diálogo, São Paulo, SP, ano VIII, n. 38, p. 6-9, set. 2012.


Autor


Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelo autor. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi.

Comentários

0

Livraria