Dois fatos independentes vieram a ofuscar e desviar o foco do noticiário que prevalecia nos últimos dias. A corrupção na Petrobras. O primeiro relacionado a possibilidade do avanço de uma epidemia grave que atingiu 4000 pessoas no mundo, o vírus Ebola, originário da África, ameaçando um suposto surto no País e detectado em Cascavel–PR. O outro fato se relaciona a seca que atinge a região sudeste (SP), pondo em risco a população em função dos diversos problemas resultantes da falta do abastecimento de água, como doenças, a produção, a alimentação, a energia, e a qualidade de vida.
Ambos os fatos convenientemente foram usados para esconder as mazelas relacionadas à corrupção na Petrobrás, exploradas de acordo com interesses pelas notícias divulgadas. Um ex-diretor da estatal se propôs a colaborar com a justiça dando informações a partir da delação premiada. Inicialmente as denuncias atingiam os partidos de apoio da situação. Um prato cheio para a oposição, e justo quando angariavam votos de confiança, foram surpreendidos com uma nova declaração em que a propina havia se estendido aos seus. O Ebola mascarou as denuncias contra os partidos da situação enquanto a seca escondeu a extensão da corrupção aos da oposição.
Apesar disso, as acusações de ambas as partes continuam onde uns querem mudar e apresentam continuidade e os outros querem continuar anunciando mudanças. No entanto uma coisa está clara, que os grupos acham que o país não está mal, mas que precisa melhorar e que essa melhora dependerá do candidato novo com uma política econômica ultrapassada ou daquele com uma política social desgastada.
A ameaça Ebola lembra que está além dos programas de saúde anunciados pelo governo – “mais médicos” e “mais especialidades” e por outro lado, a seca, a escassez de água, mostra o que acontece quando há falta de planejamento nas áreas de abastecimento e energia e de água. É lógico que tanto o vírus como as intempéries não podem ser atribuídos a esse ou aquele candidato, mas ambos ajudaram a amenizar as denuncias sobre os partidos de cada um.
A diferença é que está mais fácil controlar o avanço do vírus do que encontrar uma situação para resolver o abastecimento de água, pois apenas um racionamento permitirá um adiamento na expectativa da vinda das chuvas para novembro. No entanto essa medida é impopular; nem o Prefeito de São Paulo que é da base do governo, ou o recém eleito Governador de Estado que apóia a oposição, tomarão decisões que venham a irritar os eleitores até que o dia da eleição chegue.
Há muito, os paulistas estão tomando água mineral e agora estão sendo abastecido pelo segundo volume morto das represas, isto é o nível abaixo das bombas, que nunca foi utilizado em 40 anos, onde se depositam todos os resíduos poluidores. É bom que se diga que o descaso com a água e o tratamento de esgoto em 20 anos resulta da má administração de um mesmo partido, o da oposição em nível federal e da situação em nível estadual, e se deve a entrega desses serviços a uma empresa cujo objetivo principal é remunerar seus acionistas abandonando os investimentos necessários o que hoje ameaça 14 milhões de pessoas sem água nos próximos meses, resultado de uma política neoliberal de privatização irresponsável.
Esse é um risco que nós estamos sujeitos quando os bens naturais de propriedade de um povo são vendidos pelos governantes inescrupulosos a título de sanear as contas, para exploração comercial como ocorreu no Brasil com as águas, a telefonia, a saúde, e a educação, faltando agora, o petróleo, as comunicações, os recursos minerais e da biodiversidade e as indústrias estratégicas. Apesar do ebola ou da seca, os candidatos aguardam sua coerência no momento do seu voto.