Nessa eleição “sui generis” os partidos se assemelham, as propostas se igualam, os candidatos se equivalem, e a dita nova política ou de mudança pode ser resumida no ditado popular - “trocar seis por meia dúzia”.

Não é de hoje que se busca a mudança política apenas justificando a alternância no poder ou composição de alianças com base na similitude dos programas partidários apesar das divergências de princípios.

Já na república velha existia a política do café-com-leite. Era um acordo de alternância de poder, definindo pela escolha de candidatos a Presidência. Eles representavam ou as oligarquias dos grandes fazendeiros plantadores de café (São Paulo) ou os produtores de leite (Minas Gerais). A finalidade era a manutenção dos poderes políticos, a garantia dos latifúndios por meio de regalias, cargos e financiamentos por parte da administração pública.

São Paulo representava a força política e Minas o maior eleitorado. Após a crise mundial influenciando negativamente no preço do café, a política foi se fragilizando, e Minas aliou-se ao Sul e ao Nordeste formando a Aliança Liberal, resultando na eleição de Vargas. 

Atualmente o resultado da eleição depende não de um acordo, mas de uma disputa entre o PT nascido em São Paulo contra o PSDB também de lá, mas representado por um candidato mineiro. Ambos dependem do apoio de uma coligação cujos representantes se originam do Norte e Nordeste, portanto deslocando o eixo, ou como se diz a polarização política. Em outras palavras, a política será ou do café ou do leite, com apoio do coco e do açaí.

A maioria dos partidos que concorreram nas eleições apesar do viés de esquerda, têm uma quedinha para o centro ou mesmo para a direita.  Apóiam a bolsa família, o programa de importação de médicos cubanos, distribuição e gratuidade dos remédios, saúde e educação pública extensiva a todos, socialização dos transportes, políticas sociais que caracterizam a esquerda. Por outro lado pregam a autonomia e independência do Banco Central, a desindexação em geral, menor interferência estatal na economia, revisão da legislação trabalhista, reforma previdenciária, todas as bandeiras da direita. As posições de centro reconhecem os avanços do governo na tentativa de manter o equilíbrio das forças divergentes, embora achem que os programas governamentais necessitam de aperfeiçoamentos.

São partidos de esquerda, renovadores, liberais, sócio-democratas, ambientalistas, nacionalistas, que acolhem posições e idéias reacionárias, conservadoras, capitalistas, e comportamentos de centro, quando defendem a conciliação e a tolerância. Afinal ninguém sabe ao certo o que defendem, pois querem mudar o que aplaudem, querem manter o que discordam, e pouco importam as bases do acordo desde que não haja extremismos das partes.

Não existem diferenças marcantes ou grandes transformações entre as propostas dos candidatos e daquele que apoiará um ou outro. Na saúde, admitem os méritos do Sistema Único de Saúde e o “Programa Mais Médicos”. Na educação, fora as propostas de aplicação de mais verbas, ampliação das bolsas nada de novo se especula. Quanto à segurança pública fora algumas elucubrações e promessas vazias, o que existe está feito e é o que está valendo, pois eles sabem que toda e qualquer mudança concreta dependerá do congresso, ou seja, da “base de sustentação” do governo.

O Presidente, de fato, tem pouca influência administrativa direta sobre o cidadão, exceção feita aos discursos populistas. Qualquer iniciativa encaminhada ao legislativo é acompanhada de projeto e quando aprovada, a Justiça ditará o comportamento. O Prefeito, no entanto, mais junto ao povo interfere na vida do munícipe diretamente no simples reordenamento urbano.

Nessa eleição “sui generis” os partidos se assemelham, as propostas se igualam, os candidatos se equivalem, e a dita nova política ou de mudança pode ser resumida no ditado popular - “trocar seis por meia dúzia”.


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