Lista de acidentes que ocorrem em academias e consequências. Tratamento de condições de risco da edificação. Diminuição de acidentes e controle de ambientes. Gestão de risco.

1. INTRODUÇÃO

 

O Estado de São Paulo possui o registro de aproximadamente nove mil academias de atividades físicas e estabelecimentos afins, segundo a Associação Brasileira de Academias – ACAD Brasil, concentrando um terço das academias do país. Tal setor agrega legislações que protegem e fortalecem as suas atividades em vários aspectos: administrativos, técnicos e comerciais.

“Possuem uma preocupação específica na realização de eventos técnicos, esportivos, sociais, e culturais, visando a melhoria da qualidade de seus serviços e da sua rentabilidade para atuarem no mercado Fitness”. (ACAD Brasil).

Diante desse universo significativo de estabelecimentos, o tema proposto tem como objetivo realizar análise de vários ambientes internos e sua relação direta com a exposição de pessoas a riscos desnecessários, quer seja por desconhecimento de aspectos estruturais, construtivos e de acabamento da edificação, ou mesmo por desinformação em relação a lei, e até por omissão e descaso (imprudência, negligência e imperícia).

Muitas situações determinam condições inseguras graves, que podem resultar na ocorrência morte, ou lesões corporais de natureza gravíssima, o que reforça a necessidade desse estudo.

Constatou-se a inexistência de percepções dos administradores legais e frequentadores (clientes e colaboradores) nesses ambientes que apresentaram tais riscos “invisíveis aos leigos”, analisando os dados da pesquisa apresentada sobre condições inseguras X acidente pessoais X ambiente, ocorridos em academias.

Nessa amostragem foram colhidos e analisados registros de acidentes em uma academia que possui sistema de cadastramento, através de boletim de ocorrência (formulário interno) por atender norma do sistema da qualidade, ISO 9001.

Os casos foram classificados e organizados de forma a discutir a prevenção e promoção de ações contra acidentes pessoais atendendo requisitos mínimos de segurança e conforto, não só aos trabalhadores, mas como também aos clientes.

O objetivo desse artigo é posicionar a atuação do engenheiro de segurança do trabalho em relação aos problemas que as inúmeras condições de risco levantadas, associadas a comportamentos de risco, devam ser orientadas, observando o trinômino capacitação técnica, legislação e realidade.

Na proteção a integridade e a capacidade de trabalho dos colaboradores, pretende-se reforçar o papel do Engenheiro de Segurança do Trabalhocomo profissional na criação de cultura direcionada ao hábito da prevenção e organização geral dos ambientes, pela sua conduta que reforça a adoção de padrões e protocolos. Mais que a preocupação, atuar de forma preventiva e corretiva sobre os ambientes, aparentemente inofensivos e sem controle para o trabalho (pelas não-conformidades presentes), buscando proporcionar o máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. (IBAPE/SP).

A metodologia utilizada foi a constatação “in loco”, análise de registro de acidentes e registro de inconformidades nos diversos cenários de trabalho, relacionados a circulação, levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições ambientais.

Pretende-se ainda restringir e reduzir significativamente as causas de acidentes pela identificação do risco, tratamento e eliminação dos principais fatores geradores de acidentes de trabalhos e pessoais, que estejam intrinsicamente ligados ao ambiente e a edificação.

Discute ainda soluções a serem adotadas sob orientação do engenheiro de segurança.

 

2. APLICAÇÃO

 

Foram estudadas legislações relacionadas ao tema, municipais, estaduais e normas nacionais e internacionais. Também foram abordados fatores considerados muito importantes, que estão correlacionados diretamente a aspectos construtivos, como depreciação predial, tipo de finalidade e de utilização (ocupação), idade da edificação, falhas no uso e manutenção, como causa de acidentes.

O local selecionado possui aproximadamente quatro mil metros quadrados de área construída, onde estão matriculados cerca de 2.300 clientes, e seu quadro de funcionários (administrativo e técnico) conta com a média de 120 colaboradores (registrados pela CLT), incluindo prestadores de serviço terceirizados em diversas áreas. O horário de funcionamento é das 06 horas às 23:59 horas de segunda a sexta-feira. Sábados, domingos e feriados, das 09 horas às 17 horas.

Os ambientes compreendem complexo aquático, com duas piscinas, sendo uma semiolímpica, 25 metros, 1,70 metros de profundidade regular, e outra recreativa, com acesso controlado, com profundidade máxima de 1,40 metros; vestiários das piscinas; casa de máquinas; área técnica, com cabines com painéis de controle elétrico; mezanino, lanchonete, cozinha, refeitório de funcionários/área de descanso; sala de reuniões; área administrativa; área administrativa técnica (sala dos gestores); estúdio terceirizado para prática de pilates; sala terceirizada de estética e massagem; child care; vestiários masculino e feminino; sauna seca nos vestiários; sala de musculação com distribuição de 150 equipamentos; duas salas de ginástica e dança; sala para aula de ciclismo indoor; ringue para atividades de boxe; quadra de squash; tatame para prática de ginástica e lutas (múltiplas artes marciais); quadra poliesportiva (prática de esportes coletivos e aulas de circo, entre outras atividades).

As pessoas de modo genérico estão nesses ambientes por dois motivos: praticar atividade física ou trabalhar. As percepções das pessoas em relação aos ambientes são positivas, agradáveis e acolhedoras, pois estão em um local interno controlado.

A tabela estruturada pelo autor classifica os acidentes ocorridos com colaboradores e clientes, com relação dois aspectos: causas pessoais e causas provocadas por condições de risco da edificação. Lista uma série de lesões ocorridas, inclusive aquelas com resultado morte.

A confiabilidade dos dados é relativa, pois têm origem em documentos arquivados por conta do sistema da qualidade. São ocorrências pesquisadas durante 14 anos de existência do estabelecimento. Os atendimentos se deram por diversos colaboradores, e até mesmo clientes participaram das emergências como voluntários.

Na maioria dos casos as informações são básicas, apenas com registro do que aconteceu, com identificação da vítima, tipo de lesão ou emergência, e local em que ocorreu. Entretanto, ilustram com propriedade o objeto deste artigo, e refletem com coerência um perfil de causas e consequências que deverão ser úteis como forma de alerta e conscientização, até mesmo para desenvolvimento de melhores e mais adequadas formas de registro dessas ocorrências.

Em grande parte dos cenários as correções são muito simples e representam adequações de custo baixo. Em contrapartida, as consequências dos acidentes resultam em nefastos e irreparáveis perdas.

O Engenheiro de Segurança do Trabalho na promoção e prevenção da segurança no trabalho deve atuar de modo dinâmico, presente nesses locais, como um facilitador do trinômio: capacitação técnica, legislação e realidade (atuando de forma imediata nos locais de risco).

Na cultura brasileira, entre as empresas e pessoas, o cumprimento da legislação está associado a não sofrer sanções ou multas, se cumpri a lei por motivação do poder coercitivo. O objetivo é estabelecer um parâmetro harmônico em que o Engenheiro de Segurança do Trabalho possa orientar um sistema aplicável, preventivo e que sobretudo seja efetivo na mitigação de riscos de acidentes nesses cenários e contribua na redução desses números.

A seguir seguem dados compilados e organizados tendo em vista a consequência, gravidade das lesões, e número de ocorrências. As causas foram listadas de acordo com a origem do acidente: causas pessoais, o acidente foi causado por ação do próprio agente, sem interferências externas, ou condições adicionais de risco. Causas de acidente em virtude das condições de risco da edificação: a estrutura da edificação, condições de risco externa, como falta de acabamento, pisos escorregadios, falta de corrimão, falta de sinalização de advertência, falta de equipamentos ou sistemas de segurança.

 

 

 

 

 

Tabela 1 – Classificação de acidentes – acidentes leves 2000-2013

 Tipos de lesões

Total

Porcentagem

Causa pessoal

Causa ambiental

Luxação/entorse

66

23%

79%

21%

Queda de pressão

49

17%

100%

-

Pequenos cortes

99

35%

62%

38%

Cortes-contusos

71

25%

73%

27%

 TOTAL

285

100%

75%

25%

Fonte: elaborado pelo autor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tabela 2 – Classificação de acidentes – moderados e graves 2000-2013

 Tipos de lesões

Total

Porcentagem

Causa pessoal

Causa ambiental

Quedas

41

33%

73%

27%

Queda com perda de consciência

5

4%

60%

40%

Queda com fratura grave

3

2%

67%

33%

Choque elétrico com óbito

1

1%

100%

-

Choque elétrico

6

5%

67%

33%

Fraturas

23

18%

83%

17%

Luxações/entorse

25

20%

84%

16%

Sucção de membros na piscina

3

2%

-

100%

Equipamentos mal fixados com acidentes ao usuário

3

2%

-

100%

Incêndio

2

2%

100%

-

Hemorragia

2

2%

100%

-

Convulsão na piscina

1

1%

100%

-

Convulsão

3

2%

100%

-

Parada cardiorrespiratória

2

2%

100%

-

Exposição com inalação de produtos químicos

3

2%

100%

-

Mão presa em tubulação

1

1%

-

100%

Infarto agudo do miocárdio

1

1%

100%

-

 TOTAL

125

100%

75%

25%

Fonte: elaborado pelo autor.

Nos casos acima, por exemplo, o acidente com produto químico, o trabalhador não fez uso de equipamento de proteção individual que estava disponível. Inalou o produto que causou uma cegueira temporária. Outro exemplo, é o caso de membro preso em tubulação hidráulica. Uma criança na piscina introduziu sua mão em tubulação sem proteção, dentro da piscina. Como a mão inchou, a solução apresentada na ocasião foi realizar a retirada dos azulejos e quebrar a área que compreendia a tubulação.

A seguir, tem-se fotos com situações que ilustram condições de risco que os ambientes oferecem aos usuários em geral e as medidas preventivas.

 

Figura 1 – Condições de riscos estruturais/edificação

 

LOCAL

CONDIÇÃO

POSSÍVEL CAUSA

EFEITO

MEDIDAS PREVENTIVAS

 

Vestiário próximo a piscina.

Espaço sob a pia do lavabo aberta.

Má condição de manutenção.

Lesões traumáticas: contusões, cortes-contusos, hemorragias e fraturas.

Instalação de um gabinete.

 

Área da piscina.

Fiação esta exposta. Instalar corretamente o sistema de som.

Má condição de manutenção.

Choque elétrico, parada cardiorrespirató-ria, queimaduras e fraturas.

Colocação de conduites, embutir fios e terminais elétricos.

 

Vestiários piscina.

Isolamento adequado de fiação elétrica.

Má condição de manutenção.

Choque elétrico, parada cardiorrespirató-ria, queimaduras e fraturas.

Colocação de conduites, embutir fios e terminais.

 

Vestiários piscina.

Cadeira obstruindo o corredor de passagem.

Posição inadequada.

Lesões traumática: contusões, cortes, hemorragias e fraturas.

Retirar a cadeira e qualquer outro objeto que obstrua a passagem.

 

Vestiários piscina.

Forro danificado, solto.

Má condição de isolamento elétrico.

Choque elétrico, parada cardiorrespirató-ria, queimaduras e fraturas.

Conserto de forro e instalação de fios em conduites.

 

Vestiários piscina.

Parede quebrada.

Falta de revisão estrutural geral de aspectos de segurança por meio de um formulário padrão de conservação predial.

Lesão traumática: contusões, cortes, hemorragias e fraturas.

Conserto da parede.

 

Área da piscina.

Fiação esta exposta. Instalar corretamente o sistema de som.

Má condição de manutenção.

Choque elétrico, parada cardiorrespirató-ria, queimaduras e fraturas.

Instalação de conduites, embutir fios e terminais.

 

Área da piscina.

Lixo, desordem geral e resíduos de descarte de materiais de construção.

Condição inadequada; local impróprio.

Incêndio, lesões traumáticas: contusões, cortes, hemorragias e fraturas.

Organização geral e limpeza do local.

 

Casa de máquinas.

Portão de acesso à painel de energia aberto (sem cadeado).

Negligência.

Choque elétrico, parada cardiorrespirató-ria, queimaduras e fraturas.

Instalar o cadeado e fazer o controle de acesso ao local limitando ao pessoal técnico.

 

Área da piscina.

Escada de alumínio em condições inseguras em local irregular. Próximo a brinquedo.

Falta de inspeção predial geral.

Lesões traumática: contusões, cortes, hemorragias e fraturas.

Organização geral. Proceder ao armazena-mento adequado.

 

Piscina.

Fiação esta exposta. Instalar corretamente o sistema de som.

Negligência.

Choque elétrico, parada cardiorrespirató-ria, queimaduras e fraturas.

Instalação de conduites, embutir fios e terminais.

 

Interior da academia. Rota de fuga.

Porta corta-fogo obstruída/ trancada (correntes e cadeado).

Negligência.

Morte por asfixia pelo confinamento e exposição a fumaça e ao fogo, obstrução da rota de fuga.

Retirar o cadeado e as correntes e liberar a porta.

 

Casa de máquinas.

Quadro de energia elétrica aberto.

Negligência.

Choque elétrico, parada cardiorrespirató-ria, queimaduras e fraturas.

Fechar o quadro. Manter o controle.

 

Casa de máquinas.

Produtos químicos diversos esquecidos e abandonados.

Má condição de armazenamento; local impróprio.

Incêndio, lesões traumáticas: contusões, cortes, hemorragias e fraturas.

Organização geral e limpeza do local.

 

Casa de máquinas.

Adaptação elétrica irregular, fios desencapados, fiações expostas.

Negligência.

Choque elétrico, parada cardiorrespirató-rio, queimadura.

Colocação de conduites, embutir fios e terminais, organizar o local.

 

Casa de máquinas.

Produtos químicos abandonados

Má condição de armazenamento em local impróprio.

Incêndio, lesões traumática: contusões, cortes, hemorragias e fraturas;

Organização geral e limpeza do local.

 

Vestiário Piscina.

Perfil metálico e canto vivo na área da ducha.

Falta de revisão estrutural geral. Aspectos de segurança.

Lesões traumática: contusões, cortes, hemorragias e fraturas.

Melhoria e correção estrutural. Remoção de objetos.

 

Acesso a casa de máquinas.

Falta de corrimão na escada de acesso e sinalização de advertência de altura. Teto baixo.

Falta de revisão estrutural geral de aspectos de segurança por meio de um formulário padrão.

Lesões traumática: contusões, cortes, hemorragias e fraturas.

Instalar corrimão e advertência referente a altura.

 

Acesso a Piscina

Falta de cadeado no portão de acesso a casa de maquina e filtros da piscina

Falta de revisão estrutural geral de aspectos de segurança.

Choque elétrico, parada cardiorrespirató-ria, queimaduras e fraturas.

Instalar cadeado e aplicar placas de advertência no local.

 

Corredor de acesso a piscina.

Caixa de hidrante obstruída.

Falta de revisão estrutural geral de aspectos de segurança, limpeza e organização por meio de um formulário padrão.

Morte por asfixia pelo confinamento e exposição ao fogo e fumaça.

Desobstruir caixa de hidrante.

 

Mezanino sobre a piscina.

Guarda corpo irregular, espaço entre vãos de 13 cm.

Falta de revisão estrutural geral de aspectos de segurança por meio de um formulário padrão.

Queda, morte, lesões traumáticas: contusões, cortes, hemorragias e fraturas.

Correção física do guarda corpo.

 

Piscina.

Ganchos para pendurar roupas com pontas contundentes que podem ofender a integridade física das pessoas.

Falta de revisão estrutural geral de aspectos de segurança por meio de um formulário padrão.

Lesões traumáticas: contusões, cortes, hemorragias e fraturas.

Substituição dos ganchos com verificação da altura e formato.

Fonte: elaborado pelo autor.

 

No dia-a-dia, frequentadores em geral, até mesmo funcionários de manutenção não observam esses cenários como potencialmente perigosos. A escala de riscos em função de probabilidade e consequência tendem a números sem controle.

Estas ilustrações reforçam alguns números dos acidentes registrados e a necessidade da atuação proativa do Engenheiro do Segurança do Trabalho em conjunto com a direção e seus corpo técnico.

O estudo, conforme relatado anteriormente, foi realizado com base no período de existência do estabelecimento, representando amostra pontual dos riscos da edificação.

Apresentado o diagnóstico, as medidas de correção devem ser adotadas imediatamente, criando-se metas de controle de acidente e prevenção contínua.

 

3. OBJETIVO

 

Na área de segurança do trabalho não deve existir a palavra “sorte”. Então o objetivo principal desse trabalho é alertar sobre os riscos que as pessoas não percebem, identificar nas circunstâncias, aparentemente mais quotidianas e simples, cenários que possuem perigos potenciais. Trata-se de posicionar o Engenheiro de Segurança do Trabalho mais próximo da sociedade como um facilitador entre a norma, sua aplicação e a realidade das empresas, reforçando o aspecto prevenção. Prevenir acidentes e doenças por meio do tratamento dos riscos à saúde existentes nos ambientes de trabalho, e concomitantemente, adotar ações corretivas.

Tal pensamento está alinhado conforme a Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho, que o ordenamento jurídico brasileiro adotou pela Convenção nº 155 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, que dispõe sobre Segurança e Saúde dos Trabalhadores e o Meio Ambiente de Trabalho.

 

4. METODOLOGIA

 

O estudo envolveu a análise e investigação de acidentes pessoais ocorridos em uma academia de esportes, e a relação direta entre seus ambientes complexos, tendo em vista a ocupação para atividades diversas. Durante o período de três meses foram observadas e registradas inúmeras situações e analisados documentos, principalmente aqueles que descreviam os acidentes, suas circunstâncias, ações adotadas por parte dos responsáveis pelo atendimento e resultados finais.

 Após os consentimentos e autorizações para o desenvolvimento desse estudo, passamos a colher as informações e constatações ‘in loco”. Registros fotográficos identificaram condições de risco. O quadro com resumo dos principais problemas e seus possíveis tratamentos fora apresentado com o intuito de expor situações que a percepção geral de leigos não privilegia.

Doze visitas técnicas foram necessárias para análise, delimitação do espaço de tempo para coleta de dados, tendo em vista o número de associados e tipos de ambientes, e classificação quanto a circulação geral ou aqueles de presença restrita aos trabalhadores, terceirizados ou não.

No período de 2000 a 2013 foram analisados 468 registros de ocorrências, sendo que desse número absoluto, 58 eram irrelevantes e foram desprezados, por não se enquadrarem no escopo do trabalho. Portanto, a amostragem utilizada são 410 ocorrências. Os métodos utilizados foram o método descritivo para observar, registrar, analisar e correlacionar situações ocorridas e o método bibliográfico, para fundamentar teoricamente o relatado no primeiro método.

 

5. CONCLUSÃO

 

Esse estudo caracterizou um estabelecimento que apresenta diversos ambientes para práticas de atividades físicas. A edificação em questão possui uma ocupação que deve cumprir sua finalidade e função de modo múltiplo. Demonstrou-se que estes ambientes necessitam de cuidados específicos por parte de seus administradores, pois apresentam particularidades distintas.

São habitados por professores, manutencistas, trabalhadores terceirizados de limpeza e prestadores de serviço, além dos próprios associados, que representam um grande universo. Há uma preocupação contínua com a elevada frequência dos espaços, que devem oferecer completo conforto, segurança e atender sua finalidade.

O incidência de acidentes é uma realidade existente, como se pode notar no levantamento da pesquisa, em que este artigo identificou que as pessoas não percebem riscos potenciais presentes em edificações e nos locais que efetuam práticas de atividades físicas.

Conclui, pelas razões descritas, que existam procedimentos corrijam e alertem sobre os riscos que as pessoas não percebem, em ações orientadas pelo Engenheiro de Segurança do Trabalho: 1) identificar as circunstâncias potenciais de risco; 2) registrar em relatório; 3) orientar as ações imediatas; 4) determinar as interdições pela presente insegurança e condições de risco, quando necessário; 5) criar processos particulares de intervenção, promovendo a aplicação das normas e leis.

Conclui-se que a atuação do Engenheiro de Segurança do Trabalho é imprescindível para a mudança de comportamento, adequação dos espaços, e adoção de medidas de seguranças. Mais que um promotor de prevenção e orientador de cumprimento de normas, é um formador de cultura preventiva que tem plenas condições em sua formação de cuidar das pessoas, no sentido amplo.

De forma direta, é um profissional dentro do contexto social que possui campo de atuação certo, que pode contribuir diretamente com doutrinas de qualidade, segurança e saúde, sobretudo no papel importante de responsabilidade social, pois exige posturas, pelo dever universal, como elo de uma cadeia forte inserido em um sistema.

 

6. REFERÊNCIAS

 

  1. ATLAS. Segurança e Medicina do Trabalho - Manuais de Legislação. Ed. 72ª, São Paulo/SP. Editora Atlas, 2013.

 

  1. ACADBRASIL. Associação Brasileira de Academia. Disponível em: http://www.acadbrasil.com.br/a_acad.html. Acesso em: 08/09/2014.

 

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NR-02: Inspeção Prévia. Disponível em: http://portal.mte.gov.br/legislacao/normas-regulamentadoras-1.htm. Acesso em: 08/09/2014.

 

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NR-8: Edificações. Disponível em: http://portal.mte.gov.br/legislacao/normas-regulamentadoras-1.htm. Acesso em: 08/09/2014.

 

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NR-17: Ergonomia. Disponível em: http://portal.mte.gov.br/legislacao/normas-regulamentadoras-1.htm. Acesso em: 08/09/2014.

 

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5674 2012. Manutenção de edificações – requisitos para o sistema de gestão de manutenção. Disponível em: http://www.abnt.org.br. Acesso em: 08/09/2014.

 

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13752: Perícias na construção civil. Disponível em: http://www.abnt.org.br. Acesso em: 08/09/2014.

 

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575: Edifícios habitacionais de até 5 pavimentos – Desempenho. Disponível em: http://www.abnt.org.br. Acesso em: 08/09/2014.

 

  1. Ministério do Trabalho e Emprego - MTE. Cartilha: Plano Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho - PLANSAT. Brasília/DF. 2012. Disponível em: http://portal.mte.gov.br/seg_sau/dia-mundial-de-seguranca-e-saude-no-trabalho-28-de-abril.htm. Acesso em: 08/09/2014.

 

  1.  Conselho Federal de Engenharia e Agronomia - CONFEA. Resolução nº 359. Dispõe sobre o exercício profissional, o registro e as atividades do Engenheiro de Segurança do Trabalho e dá outras providencias, Brasília, 31 de julho de 1991.

 

  1.  PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO. Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo. Decreto nº 32.329, 23 de setembro de 1992. Regulamenta a Lei 11.228, 25 de junho de 1992. Disponível em: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/chamadas/anexo_17_do_decreto__32_1371660699.329_1992. Acesso em: 08/09/2014.

 

  1.  GUIA DE ANÁLISE DE ACIDENTES DE TRABALHO. http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812D8C0D42012D94E6D33776D7/Guia%20AT%20pdf%20para%20internet.pdf acesso em 12/12/2014 às 20h40min.

 

  1.  CAMINHOS DA ANÁLISE DE ACIDENTES DO TRABALHO. http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BD96D6A012BE3CCC6D50AEC/pub_cne_analise_acidente.pdf. Acesso em 12/12/2014 às 22h30min.

 

  1.  IBAPE/SP – Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo. Norma de Inspeção Predial – 2012.

 

  1.  ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Convenção nº 155 Segurança e Saúde dos Trabalhadores e o Meio Ambiente de Trabalho. Disponível em: http://www.oitbrasil.org.br/convention. Acesso em 12/12/2014 às 23h30min.

 

  1.  CORPO DE BOMBEIROS DO ESTADO DE SÃO PAULO. Decreto nº 56.819/11, estabelece as Medidas de Segurança Contra Incêndio no Estado de São Paulo. Disponível em: http://www.corpodebombeiros.sp.gov.br. Acesso em 15/12/2014 às 22h30min.

 

  1.  CORPO DE BOMBEIROS DO ESTADO DE SÃO PAULO. Instruções Técnicas. Disponível em: http://www.corpodebombeiros.sp.gov.br. Acesso em 15/12/2014 às 22h30min.

 

  1.  NATIONAL FIRE PROTECTION ASSOCIATION. NFPA 1620 – estabelece critérios para desenvolvimento de planos pré-incidente. Disponível em: http://www.nfpa.org/codes-and-standards/document-information-pages?mode=code&code=1620. Acesso em 16/12/2014 às 00h30min.


Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelo autor. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi.

Comentários

0

Livraria