Compreendem-se habitualmente os Direitos Humanos em três gerações, reflectindo os três ideais da Revolução Francesa. Os de primeira geração, de "liberdade", compreendem as liberdades políticas e cívicas; os de segunda geração, de "igualdade", compreendem os direitos sociais, económicos e culturais; e os de terceira geração, de "fraternidade", referem-se aos direitos relativos à autodeterminação, ao meio ambiente, à paz e à qualidade de vida.
Apesar das críticas internacionais, habitualmente focadas em questões de liberdade de expressão e de imprensa, não há dúvida que, hoje, a situação dos Direitos Humanos em Angola é muito mais positiva do quando dos Santos chegou à presidência.
Relativamente aos direitos de primeira geração, o país conhece hoje uma multiplicidade de partidos e organizações políticas e sociais, inexistente e impossível de comportar durante os anos de guerra.
Organizações como a Amnistia Internacional continuam a exigir ao governo padrões de actuação não comportáveis com a maturidade actual da democracia angolana. A lei penaliza a difamação e a mentira, uma vez que são armas demasiado utilizadas no debate cívico e político. Além disso, é de lembrar que a UNITA - o mortal inimigo de ontem - é hoje um parceiro reconhecido e aceite no jogo da democracia, sem que se tenham verificado vinganças e promovendo-se um espírito de verdadeira paz e reconciliação após o fim da guerra civil.
No campo dos direitos de segunda geração, o progresso é notório. O crescimento económico do país após o final da guerra, ainda que baseado nos rendimentos da exploração petrolífera, permitiu a Luanda encetar esforços na recuperação das infraestruturas e também apostar na diversificação da economia, de modo a reconstruir o país, criar empregos e tornar a sociedade mais equilibrada.
O investimento em saúde e educação conheceu também um incremento notável ao longo da última década. Tudo isto contribui para que a situação socio-económica dos angolanos seja hoje muito mais favorável do que durante os tempos de guerra.
Finalmente, em termos os direitos de terceira geração, Angola conhece hoje uma situação inteiramente diversa. A guerra não era apenas uma ameaça directa às vidas dos cidadãos. Ela significava a proliferação de armas ligeiras, a destruição do meio ambiente à passagem das tropas, e acima de tudo as minas, um legado sinistro que perdura até hoje. Não são só os feridos, os mutilados, os órfãos que perderam as suas famílias.
São também as vítimas das minas anti-pessoal, que continuaram operacionais após o fim da guerra, apesar dos esforços do governo angolano no sentido da desminagem. O governo de José Eduardo dos Santos assinou em 1997 a Convenção sobre a Proibição do Uso, Armazenamento, Produção e Transferência de Minas Antipessoais e sobre a sua Destruição, também conhecida como Tratado de Ottawa. A paz, a protecção do meio ambiente, um território que progressivamente se liberta do flagelo das minas - eis o retrato de uma nação que evoluiu de forma notória também neste campo.
Neste sentido, a evolução de Angola relativamente à protecção dos Direitos Humanos foi reconhecida pela Comissão dos direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, num relatório divulgado em Março de 2015.