Este ainda que é um tema de pouca relevância, revela-se como um fenômeno social quase e muitas vezes ignorado e encoberto pelo medo.

O Bullying é uma palavra de origem inglesa, que foi adotada por diversos países, para conceituar alguns comportamentos agressivos e anti-sociais, e é um termo muito utilizado nos estudos realizados sobre a problemática da violência escolar.

“Bullying é um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais alunos contra outro (a), causando dor, angústia e sofrimento. Insultos, intimidações, apelidos cruéis, gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que ostilizam, ridicularizam e enfernizam a vida de outros alunos levando-os à exclusão, além de danos físicos, morais e materiais, são algumas das manifestações do comportamento do bullying”. (Fante, 2005 p. 28 e 29)

            A mesma autora, ainda acrescenta que “definimos o bullying como um comportamento cruel e intrínseco nas relações interpessoais, em que os mais fortes convertem os mais frágeis em objetos de diversão e prazer, através de “brincadeiras” que disfarçam o propósito de maltratar e intimidar”. (Fante, 2005, p. 29).

            A definição universal de bullying é compreendida como um subconjunto de comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais alunos contra outro (a), causando dor, angústia e sofrimento.

            Portanto, segundo Fante (2005), a expressão bullying é entendida como “um subconjunto de comportamentos agressivos, sendo caracterizado por sua natureza repetitiva e por desequilíbrio de poder”. 

            Beane (2010), aponta que o termo bullying descreve uma ampla variedade de comportamento, o qual, influencia sobre os sentimentos, o relacionamento, o corpo, a propriedade, a reputação de uma pessoa. Neste contexto, as pessoas (criança ou adolescente) vitimizado por este tipo de violência apresentam prejuízo a sua formação psicóloga, emocional e sócio-educacional. Essas crianças são socialmente rejeitadas, ameaçadas, assaltadas e atacadas por um ou mais indivíduos, verbalmente, fisicamente e psicologicamente.

Histórico

O bullying é um fenômeno mundial tão antigo quanto à escola. Segundo a ABRAPIA (2010), tudo teve inicio com o trabalho do Professor Dan Olweus, na Universidade de Bergen na Noruega (1978 a 1993) e com a campanha nacional anti-bullying nas escolas norueguesas (1993). No início dos anos 70, Dan Olweus iniciava investigações na escola sobre o problema dos agressores e suas vítimas, embora não se verificasse o interesse das instituições sobre o assunto. Já na década de 80, três rapazes entre 10 e 14 anos, cometeram suicídio, onde estes incidentes pareciam ter sido provocados por situações graves de Bullying, despertando, então, a atenção das instituições de ensino para o problema.

O procedimento adotado pelo pesquisador e professor Dan Olweus foi o uso de questionários, já que os estudos de observação direta ou indireta são bastante demorados. Os primeiros resultados sobre o diagnostico de bullying foram informados por Olweus em 1989, e por ele se verificou que um em cada sete estudantes estava envolvido em caso de bullying.

Em 1993, Olweus publicou o livro “BULLYING at School” apresentando e discutindo o problema, os resultados de seu estudo, projetos de intervenções e uma relação de sinais ou sintomas que poderiam ajudar a identificar possíveis agressores e vítimas. Essa obra deu origem a uma Campanha Nacional, com o apoio do governo Norueguês, que reduzia em cerca de 50% o caso de bullying nas escolas. Sua repercussão em outros países, como o Reino Unido, Canadá e Portugal, incentivou essas nações a desenvolverem suas próprias ações.

O programa de intervenção proposto por Dan Olweus, tinha como características principais desenvolver regras claras contra o bullying nas escolas, alcançou um envolvimento ativo por parte de professores e pais, aumentar a conscientização do problema. (FANTE, 2005, p. 45)

Nos Estados Unidos o tema é de grande interesse, pois o fenômeno cresce. Estamos bastante atrasados em relação aos estudos e tratamentos deste comportamento, comparados aos países europeus. (FANTE, 2005, p. 46)

Portanto assim, percebemos que o fenômeno bullying está ocorrendo nas escolas do mundo inteiro, inclusive no Brasil, apesar de não termos muitas pesquisas e estudos referentes a este assunto. Existe alguns estudos da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência, onde nos mostram que as escolas brasileiras o bullying apresenta índices superiores aos países europeus.

Bullying Escolar

O Bullying é uma violência continuada, que ocorrem sem motivação evidente. São atos repetidos de intimidação, física ou mental, praticada por um indivíduo ou grupo, diretamente contra um outro indivíduo que não é capaz de se defender por si só, na situação atual.

É importante refletirmos a diferença entre: agressividade, crime e violência. Na agressividade o sujeito agressivo tem atitudes agressivas para se defender e não é tido como violento. Ele possui os padrões de educação contrários às normas de convivência e respeito para com o outro. O impulso agressivo é tão inerente à natureza humana quanto o impulso amoroso; o crime, é uma tipificação social e portanto definido racialmente é uma rotulação atribuída a alguém quê fez o que reprovamos; já o termo violência, pode ser uma reação conseqüente a um sentimento de ameaça ou de falência da capacidade psíquica em suportar o conjunto de pressões internas e externas a que este submetida.

Características do Bullying

      De acordo com Beane (2010), as características do bullying são: o comportamento é agressivo e negativo, o comportamento é executado repetidamente, e também ocorre num relacionamento onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.

 As principais formas de maus-tratos que as vítimas do Bullying passam:

Segundo Beane (2010), a agressão moral, verbal e corporal sofrida pelos alunos provoca dor, angústia, e sofrimento na vítima da brincadeira que pode entrar em depressão. Portanto o mesma descreve as principais formas de maus-tratos, as quais são descritas a seguir:

·    Físico (bater, beliscar, chutar);

·    Verbal (apelidar, xingar, zoar);

·    Moral (difamar, caluniar, descriminar);

·    Sexual (abusar, assediar, insinuar);

·    Psicológico (intimidar, ameaçar, perseguir);

·    Material (furtar, roubar, destroçar pertences);

·    Virtual (zoar, descriminar, difamar, por meio da internet e celular).

Sinais de que seu filho (a) é vítima de Bullying Escolar

O seu filho apresenta com freqüência desculpas para faltar aulas ou indisposições  como dores de cabeça, de estômago, vômitos antes de ir na escola; pede para mudar de sala ou de escola, sem apresentar motivos convincentes; apresentam desmotivação com os estudos, como queda do rendimento escolar e dificuldades de concentração e aprendizagem; volta da escola irritado ou triste, machucado, com as roupas ou materiais sujos ou danificados; apresenta aspecto deprimido, contrariado, aflito, ou tem medo de voltar a sozinho da escola; possui dificuldades de relacionar-se com os colegas e fazer amizades; ele vive isolado em seu mundo e não querer contato com as outras pessoas que não façam parte da família.

De acordo com Beane (2010), estes são alguns sinais que podem ser observados pelos pais ou responsável (tutor), para detectar a vítima de bullying.

Conseqüências e efeitos

Segundo Fante (2005), as conseqüências desse fenômeno afetam todos os envolvidos e em todos os níveis, porém especialmente a vítima, que pode continuar a sofrer seus efeitos negativos muito além do período escolar. Pode trazer prejuízos em suas relações de trabalho, em sua futura constituição familiar e criação de filhos, além de acarretar prejuízo para a sua saúde física e mental.

            Assim, a vítima pode superar ou não traumas causados pelo bullying, dependendo de suas características individuais, do seu relacionamento consigo mesmo e com a sociedade e, principalmente com a sua família.

            Para Fante (2005), caso essa superação não aconteça, o trauma que foi estabelecido prejudicará o seu comportamento e a sua inteligência, gerando sentimentos negativos e pensamentos de vingança, baixa auto-estima, dificuldades de aprendizagem, queda de rendimento escolar, podendo desenvolver transtornos mentais e psicopatologias graves, além de sintomatologia e doenças de fundo psicossomático, transformando-o em um adulto com dificuldades de relacionamento e com outros graves problemas.

            A conseqüência mais grave do bullying é o suicídio e homicídio que ocorrem quando os jovem-alvo não conseguem suportar a coação dos seus algozes, que segundo Silva (2010), são considerados quadros menos freqüentes. Assim as vítimas em total desespero se utilizam de atitudes extremas para aliviar o seu sofrimento.

            Para Pereira (2002), os efeitos do bullying para as vítimas podem ser imediatos e efeitos ao longo da vida. O mais ardente é a fraca auto-estima que o aluno vitimizado sente. Esses alunos vivenciam pouca aceitação, e assim “menos escolhidos como melhores amigos e apresentam fracas competências sociais tais como cooperação, partilha e ser capaz de ajudar os outros”. 



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