Nos EUA dois presidentes sofreram processo de impeachment: Andrew Johnson e Bill Clinton.
Andrew Johnson, o 17º Presidente dos Estados Unidos, foi destituído de seu cargo em 1868 por ter violado aTenure of Office Act.
O motivo formal para "justificar" o impeachment foi a demissão abrupta do então secretário da Guerra, Edwin Stanton. O partido Republicano, de oposição, usou o argumento de que a demissão contrariava uma lei que proibia o presidente de demitir o secretário de Estado sem prévia consulta ao Senado. No entanto, a razão real do impeachment tinha a ver com o projeto de reconstrução, como veio a ser chamado o processo de reunificação do país, no pós-Guerra Civil.
Johnson assumiu o poder após a morte de Lincoln em 1865.
Tensas desde o princípio, as relações políticas entre presidente e Congresso chegaram ao extremo do impeachment, que foi aprovado na Câmara, em 24 de fevereiro de 1868 por 124 votos a 46. No senado, então com 54 integrantes - 42 republicanos e 12 democratas, eram necessários 36 votos para apear Johnson do poder. O julgamento começou em 30 de março de 1868 e a votação final, ocorrida em 26 de maio, mostrou 35 senadores a favor do impeachment. A vitória a Johnson foi assegurada pelo voto de Edmund Ross, republicano de Kansas, crítico ardoroso de Johnson. A razão pelo voto inesperado foi a recusa a "ferir de morte a presidência".
Em 1974, Richard Nixon, o 37º presidente do país, renunciou de seu cargo para evitar um impeachment devido a seu envolvimento no escândalo de Watergate.
Em 1999, o 42º presidente americano, Bill Clinton, envolveu-se num escândalo sexual com sua estagiária Monica Lewinsky. Porém, a razão de impugnação de mandato não foi o escândalo, mas, sim, um falso testemunho de Clinton, confirmado por Monica. Apesar das acusações, o processo de impugnação foi arquivado pelo Congresso norte-americano.
Clinton sofreu um processo de impeachment pela Câmara dos Representantes sob duas acusações, uma de perjúrio e uma de obstrução da justiça, em 19 de dezembro de 1998. Dois outros artigos do impeachment (uma segunda acusação de perjúrio e uma acusação de abuso de poder) não foram aceitos pela Câmara. As acusações surgiram após o escândalo Lewinsky e a ação judicial movida por Paula Jones.
Clinton foi absolvido pelo Senado em 12 de fevereiro de 1999. Exigindo uma maioria de dois terços para a condenação, apenas 50 senadores (de 100) votaram pela acusação de obstrução e 45 pela acusação de perjúrio.
A votação na Câmara e no Senado foi amplamente partidária. Na Câmara, apenas cinco representantes democratas votaram pelo impeachment. No Senado, que tinha 55 senadores republicanos, nenhum dos senadores democratas votaram pela condenação.
Pelo sistema europeu, vinculado à tradição jurídica britânica, além das penas de caráter político-administrativo, ocorre também aplicação de penalidades civis e criminais, razão pela qual é ele reputado por Duguit como um processo de natureza mista, isto é, político-penal. Essa é a linha adotada no Brasil.
Como citado por Paulo Brossard (Impeachment): “Strory já ensinava que o ‘impeachment’ é um processo de natureza puramente política”. No ensinamento de Brossard, Lawrence, tantas vezes citado pelas maiores autoridades, faz suas as palavras de Bayard, no julgamento de Blount: “o ‘impeachment’, sob a Constituição dos Estados Unidos, é um processo exclusivamente político. Não visa a punir delinqüentes, mas proteger o Estado. Não atinge a pessoa nem seus bens, mas simplesmente desveste a autoridade de sua capacidade política”.
Observe-se que Munro (The government, pág. 288) refere-se ao caso do secretário de Estado Belknap, que, apesar de haver o presidente Grant, em 1876, aceito a demissão, o processo de impeachment prosseguiu no Senado, concluindo que o processo tinha a natureza mista, nos Estados Unidos, e não puramente política.
No Brasil, em 1992, mesmo renunciando, o Presidente Collor teve seu impedimento declarado pelo Senado Federal.