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A importância da contabilidade e do mercado financeiro para a gestão industrial

19/06/2017 às 09:38

Durante o passar dos anos a contabilidade foi se modernizando e trazendo inovações tornando-se um importante meio (talvez o principal) de agregar valor às operações industriais através da geração de informações como suporte para a tomada de decisões.

INTRODUÇÃO

               Durante o passar dos anos a contabilidade foi se modernizando e trazendo inovações tornando-se um importante meio (talvez o principal) de agregar valor às operações industriais através da geração de informações como suporte para a tomada de decisões. Desta forma, a contabilidade deixou de ser apenas uma fermenta de “lançamento de informações” e de cumprimento de legislação e passou a ser aquela que talvez possamos chamar de “a arma” mais importante na gestão dos custos e sucesso de uma empresa. Hoje, com a necessidade de reduzirmos os custos e otimizarmos nossos recursos cada dia mais, a contabilidade oferece a solução de mapearmos onde e como gastamos estes recursos com a finalidade de estabelecer quanto realmente custa cada produto e o mais importante, por quanto temos que vender ou por onde podemos reduzir estes gastos. Com a contabilidade, podemos além de mapear os custos estabelecer o ponto de equilíbrio necessário para nossa produção. Para isso, o profissional contábil necessita de um amplo conhecimento dos custos da empresa, das informações lançadas corretamente e mais que isso, muito conhecimento da economia atual e do mercado financeiro.

Além destas funções, a contabilidade também possui a tarefa de atender legislações específicas que dispõe a forma (e quais princípios) deve seguir as demonstrações contábeis. Através destas demonstrações, a contabilidade brasileira atende as normas do IFRS que é o sistema internacional ao qual o brasil aderiu e que traz mais confiabilidade e segurança às informações.

Através deste trabalhos, responderemos na forma de texto em itens as questões propostas para o portfólio individual na ordem em que se encontram no enunciado do trabalho, conforme a seguir.

A Contabilidade na atualidade e a Indústria

               Nos dias de hoje, a contabilidade vem passando por frequentes mudanças com o intuito de garantir uma melhor demonstração e registro dos fatos contábeis no ramo industrial, abrangendo uma necessidade da redução de custos e melhoria nos resultados financeiros, agregado á necessidade de gerar informações precisas e de realizar demonstrações de acordo com a legislação vigente.

a. Setor Industrial na atualidade.  

               Com a modernização dos meios de produção e necessidade de maior competitividade, a indústria vem tentando alcançar formas de otimizar seus recursos através do gerenciamento dos custos de produção de bens e serviços. Esta competitividade do mercado faz com que os resultados dependam cada vez mais do grau de profissionalização das empresas que por sua vez, dependem em muito das informações prestadas pelo profissional contábil para a tomada de decisões.

b. A Contabilidade como ferramenta de geração de valor para as Indústrias.  

               Com o mercado cada vez mais acirrado, a contabilidade tem se mostrado uma importante ferramenta para a geração de valor nas empresas industriais ao ponto que ao ponto em que as empresas começaram a dar maior importância para a contabilidade como ferramenta de gestão através do fornecimento de informações. Estas informações, por sua vez, possibilitam aos gestores uma adequada tomada de decisão acerca dos produtos (preço, permanência em produção, oportunidades de melhoria e economia ao longo do processo, etc.). Após essa mudança de consciência acerca da utilização da contabilidade como ferramenta de gestão, a contabilidade passou a ser uma área estratégica e não apenas de registros, fazendo com que o profissional contábil fosse visto com outros olhos e mais valorizado no mercado a cada dia que passa.

c. Demonstrativos Contábeis Obrigatórios.  

               Atualmente existe a necessidade da confecção de diversos demonstrativos contábeis que são obrigatórios por força de lei, estes demonstrativos, também chamados de demonstrações contábeis. Neste sentido, devido ao fato de o Brasil adotar as IFRS – International Financial Reporting Standards ao fim de 2010, foi necessária a adequação da contabilidade brasileira à diversas normas com o objetivo de maior segurança na tomada de decisão, sejam aos empresários, a terceiros e ainda ao próprio governo. Para garantir uma melhor transição para estas normas, foi criado o CPC (comitê de pronunciamentos contábeis) que tem o papel de se pronunciar acerca dos princípios que regem o cumprimento das normas contábeis.

Dentre as principais demonstrações contábeis obrigatórias podemos citar:

  • Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), exceto as companhias fechadas, com patrimônio líquido, na data do balanço, inferior a R$ 2.000.000,00 (Dois milhões de reais);
  •   Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL);
  •   Demonstração do Valor Adicionado (DVA), de elaboração obrigatória somente pelas companhias abertas;
  •   Demonstração do Resultado Abrangente (DRA); e
  •   Notas Explicativas (NE's) e outros quadros analíticos necessários para esclarecimento da situação patrimonial e do resultado do exercício
  •  Balanço Patrimonial (BP);
  • Demonstração do Resultado do Período de Apuração; e
  •   Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA);

Contabilidade de Custos Industriais

a. Principais terminologias utilizadas na Contabilidade de Custos e Industrial

Dentro da contabilidade de custos e industrial, temos uma série de terminologias utilizadas como base para o desenvolvimento destes dois ramos da contabilidade. Estes termos são simples e não divergem muito da linguagem que utilizamos em nosso dia-a-dia, porém, com um sentido específico para cada uma destas terminologias.A seguir, iremos citar e discorrer melhor acerca de algumas destas terminologias.

Gasto: é o termo utilizado para definir toda e qualquer aquisição de bem ou serviço feito pela empresa. O gasto, por sua vez pode ser derivado da produção de algum bem ou serviço ou até mesmo de uma despesa administrativa. Este termo é genérico, sendo destinado para qualquer aquisição realizada pela empresa.

Custo: custo é uma subespécie de gasto, que, porém, se refere a um gasto especificamente destinado à produção de algum bem ou serviço. Podemos exemplificar um custo como aquele gasto com matéria prima para a produção ou até mesmo com o salário dos funcionários do setor fabril.

Despesa: a despesa é outra subespécie do gasto, que, neste caso pe realizado buscando a obtenção de receita e não é envolvido diretamente com a produção de bens ou serviços. Como exemplo de despesa, podemos utilizar moveis e equipamentos do setor administrativo, comissão sobre vendas, gastos com marketing, etc..

Perda: a perda, por sua vez trata do consumo involuntário e indesejado deum bem ou serviço da organização. Neste sentido, a perda é uma subespécie do grupo gasto que se desvia de qualquer finalidade da empresa. Como exemplo de perdas, podemos, podemos citar incêndios, inundações, furtos e obsolescência de estoques.

Desembolso: o desembolso é uma terminologia abrangente que engloba todas as saídas de dinheiro (e equivalentes) da organização através do pagamento. Este instituto considera o desembolso propriamente dito (operação de pagamento), independentemente deste ter ocorrido antes, durante ou depois da aquisição da mercadoria ou serviço ao qual se refere o pagamento.

Investimento: é outra terminologia bastante abrangente, uma vez que trata de qualquer aquisição de bens ou serviços registrados no ativo da empresa, desde que sejam adquiridos com a finalidade de obter-se benefícios futuros para a organização.  O investimento pode ser realizado visando o curto (aquisição de estoques) ou longo prazo (aquisição de imóvel).

Custos de produção.

Ainda dentro das terminologias utilizadas na contabilidade industrial, cumpre analisar as terminologias aplicadas aos custos de produção, que são uma parte importante da informação contábil e são subdivididos em três categorias que veremos abaixo.

Matéria Prima: é todo material destinado à industrialização do produto oferecido pela empresa e pode ser qualquer tipo de material incorporado ao produto final durante o processo fabril.

Mão de Obra: é aquele gasto realizado com salários dos funcionários do setor fabril, e pode ser dividida em direta ou indireta. A mão de obra direta é aquela diretamente ligada ao processo produtivo, enquanto a mão de obra indireta é aquela em que não podemos definir com precisão o montante de sua contribuição para o processo de industrialização. Como exemplo de mão de obra direta, podemos citar o salário dos funcionários da linha de produção, o salário de uma costureira em uma indústria de camisas, entre outros. Como exemplo de mão de obra indireta, podemos utilizar o salário de um supervisor de produção, auxiliar de carregador de pedidos na expedição, etc..

Temos ainda dentro das terminologias de contabilidade de custos os conhecidos CIFs (custos indiretos de produção)que abrangem aqueles custos de fabricação não relacionados à matéria-prima e mão de obra direta. Nos custos contemplados por essa terminologia, podemos incluir o custo alocado nas contas de manutenção de equipamentos, depreciação, energia elétrica do setor fabril, etc.

Formação de preços.

               Para manter seus produtos competitivos no mercado, o preço é aquele que, na visão do consumidor atual, talvez seja o maior diferencial de um produto, portanto sendo de suma importância que o gestor industrial fique atento ao preço de seu produto com a finalidade de mantê-lo competitivo em relação à concorrência. Mas então, fica a pergunta, como formar o preço de um produto de maneira a mantê-lo competitivo? Existem dois principais métodos de formação do preço do produto que, quando utilizados em conjunto, complementam-se ajudando o gestor industrial a tomar decisões quanto ao preço dos produtos, bem como a viabilidade de mantê-los em produção. Estes métodos são a formação de preço de venda com base nos custos e a formação de preço de venda com base no mercado.

b. Formação do Preço de Venda com base nos custos.

               A formação do preço de venda com base nos custos é aquela onde o preço do produto é definido através dos custos de produção de determinado item. Neste método, o preço de venda de um determinado item é definido através dos custos de produção deste.

c. Formação do Preço de Venda com base no mercado.

               Por outro lado, outra contribuição importante para a formação do preço de venda (e fator decisivo para esta) é a formação do preço de venda com base no mercado, onde é fundamental observação dos preços e comportamentos praticados no mercado. Neste método, deve ser observado o preço médio praticado pela concorrência para um produto equivalente, bem como a aceitação de mercado do seu produto com a finalidade de melhor adequar o preço, aumentando a qualidade, competitividade eliminando custos desnecessários durante a produção com base nas informações gerenciais macroeconômicas e microeconômicas advindas da observação das tendências de mercado.

O mercado financeiro

a) O gestor industrial deve analisar a atuação do mercado financeiro no seu negócio? O que exatamente deve ser analisado?

Como sabemos, o gestor industrial para realizar uma gestão eficiente deve ter o conhecimento de diversos ramos e dentre eles um amplo conhecimento do mercado financeiro e das atualizadas da economia. O gestor industrial deve analisar não somente, mas, principalmente o mercado do produto que está industrializando, preço de mercado praticado pela concorrência, público alvo, aceitação do produto e principalmente os mercados referentes aos seus insumos de produção. Somente assim o gestor industrial poderá entender qual o alcance de seu produto, e juntando informações de custos e mercadológicas, formar o preço final de sua mercadoria. A estimativa de vendas também é fundamental para que o gestor industrial possa projetar um pinto de equilíbrio realista para a sua produção, pois de nada adiantaria produzir algo sem possibilidade de gerar a receita mínima para cobrir seus gastos.

b. Como uma indústria pode aplicar os recursos excedentes (Lucros)?

               A principal preocupação de uma empresa e que pode significar a derrocada desta é a falta de recursos, porém, embora possa não parecer, os recursos excedentes, quando mal gerenciados podem se tornar um problema para a empresa que estará desperdiçando importantes recursos que com certeza farão falta em um momento de crise. Já pudemos notar que essencial que todos os recursos excedentes sejam devidamente aplicados para que a empresa possa maximizar seus lucros e obter sucesso financeiro, mas como fazer isso? Uma forma interessante de aplicar os recursos excedentes é investir na expansão dos negócios através de investimento em maquinários, aumento de suas linhas de produção entre outras adequações de seu parque fabril. Outra forma de investir estes excedentes é investir em outros ramos, investir em ações e títulos financeiros como forma de diversificar sua carteira de investimentos e se blindar frente a um possível enfraquecimento de seu ramo.

c) Exemplos de capital de terceiros.

Primeiramente é necessário entendermos que o capital de terceiros é aquele dinheiro que tem origem fora da sociedade empresarial, ou seja, não é capital dos sócios e sim advindos de terceiros. Como exemplo de capitais de terceiros temos os empréstimos de instituições bancárias, nos quais a empresa recebe um aporte financeiro de seu banco e paga conforme prestações/parcelas em número determinados e com juros fixados no contrato de empréstimo ou ligados a algum indexador predefinido. Neste exemplo, podemos imaginar inclusive a compra de um maquinário ou imóvel financiado pelo banco. Outro exemplo de capital de terceiros que podemos abordar é a compra de mercadoria a prazo de fornecedores. O prazo médio de compras de uma empresa é um dos principais indicadores de sua gestão de suprimentos, uma vez que neste caso a empresa está trabalhando com dinheiro do fornecedor” e provavelmente receberá o pagamento de seus clientes antes que tenha que pagar seus fornecedores, desta forma, antecipando seus lucros e evitando juros advindos de pagamentos feitos com limites bancários ou atrasos aos fornecedores.

A Importância da Gestão de Custos na Indústria

a. Análise da margem de contribuição e ponto de equilíbrio na Contabilidade

Um conceito muito utilizado na indústria e que também foi contemplado em nossos estudos deste semestre é o ponto de equilíbrio, o ponto de equilíbrio é que é aquela quantidade de mercadorias que a empresa deverá vender (e seu respectivo valor) com a finalidade de prever o valor necessário para cobrir todos seus custos. Assim, com base nos custos de produção e no preço de venda dos itens, é possível verificar a quantidade volume necessário em vendas para que seja atingido o ponto de equilíbrio. O ponto de equilíbrio é um número relativo, diretamente ligado aos custos, despesas e quantidade de mercadoria vendidos. Entendendo este conceito, podemos perceber que nem sempre “vender mais” é algo bom, pois se o aumento no número de vendas acarretar gastos (necessidade de aumento de pessoal, compra de máquinas, etc.) superiores aos cobertos pela atual margem de contribuição do item é possível que o aumento nas vendas traga um prejuízo e não um lucro para a organização.

b.  Gestão de Custos, quando bem aplicada, pode interferir nas decisões de preço, rentabilidade do produto e gerenciamento de seu custo.

A gestão de custos nos dias de hoje é essencial ao bom funcionamento das empresas, uma vez que, apenas se mensurarmos o impacto dos custos de no nosso produto poderemos saber onde há a possibilidade de otimizar os recursos da organização. Coma gestão de custos eficaz é possível que a empresa trace uma estratégia para que diminua seus gastos conseguindo um preço mais competitivo para o seu produto no mercado e consequentemente um maior lucro que é a principal finalidade de qualquer empresa. No tocante às tomadas de decisão a gestão de custos é importante ao passo que pode definir se determinado produto permanece ou não em produção de acordo com a informação que a gestão de custos vem nos passando. Em muitos casos, de acordo com as informações geradas pela correta gestão de custos, pode-se tomar decisões como tirar um produto de fabricação por este não estar atingindo seu ponto de equilíbrio ou até mesmo alterar seu preço, mudar sua ficha técnica de matérias primas, etc.

Conclusão

Após o estudo das disciplinas desse semestre e leituras realizadas para a confecção das produções textuais individual e em grupo, bem como para as avaliações virtuais e provas da disciplina, foi possível compreender melhor os mecanismos das disciplinas estudadas. Nós alunos, tivemos a oportunidade de realizar cálculos práticos do dia-a-dia da indústria, entender como se chega ao preço dos produtos e a importância de uma correta gestão de custos. Ao longo do semestre aprendemos as corretas nomenclaturas e definições da gestão de custos bem como a forma de aplicar elas. Por outro lado, nas disciplinas de Mercado Financeiro e de Capitais e Estrutura das Demonstrações foram disciplinas que, embora um pouco mais teóricas, nos oportunizaram compreender melhor a parte conceitual e de princípios. É de suma importância aprender através de disciplinas como estas últimas a forma como o sistema político e econômico influencia a profissão contábil de diversas maneiras, desde a forma como as demonstrações são exigidas pela legislação vidente até a maneira em que as taxas de juros e serviços bancários podem afetar a rotina de uma empresa.

REFERÊNCIAS

Costa, José Manoel da Contabilidade Industrial: ciências contábeis/ José Manoel da Costa. – São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.

Costa, José Manoel da Estrutura e análise contábil / José Manoel da Costa Luciano Fernandes. –Londrina: Editora e Distribuidora Educacional  S.A.,2014. 184 p.

Nogueira, Daniel Ramos Contabilidade de Custos: ciências contábeis/ Daniel Ramos Nogueira. – São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.

Pasold, Adelano Mercado de Capitais/ Adelano Pasold, Karen Hiramatsu Manganotti, Jurandir Domingues Junior. –Londrina: Editora e Distribuidora Educacional  S.A.,2014. 176 p.

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