AS DESGRAÇAS DO SUDÃO DO SUL
Rogério Tadeu Romano
No Sudão do Sul. acontece a pior crise humanitária do planeta. O poder está completamente fragmentado, estraçalhado. Há tantas lideranças que nenhuma tem força para obter a paz. Não há interlocutores. Só sofrimento.
É o que dizem os analistas.
O governo do Sudão do Sul e agências da ONU (Organização das Nações Unidas) declararam no dia 20 de janeiro deste ano situação de fome em várias zonas do país, onde 5 milhões de pessoas, a metade da população, sofrem com a falta de alimentos.
Algumas zonas do estado de Unidade, no norte do país, estão em situação de "fome ou risco de fome" provocada pela guerra que atinge o Sudão do Sul há mais de três anos, declarou Isaiah Chol Aruai, presidente do Escritório Nacional de Estatísticas do Sudão do Sul.
A comunidade internacional acompanhou conflito étnico no Sudão do Sul, onde, segundo se narra, estão de um lado os nuers, liderados pelo vice-presidente afastado Riek Machar, e os dinkas, representados pelo presidente Salva Klir.
Para os estudiosos, tudo começou como um equívoco de um explorador europeu que, incapaz de entender a língua local, tomou o nome de um dos chefes tribais por denominação genérica de um povo, reunindo clãs distintos da etnia dinka. Depois, na década de vinte, enquanto missionários cristianizavam os nativos, regulamentos da autoridade britânica organizaram o Sudão Meridional em distritos administrativos de base étnica. Por sua vez, a política colonial tinha a finalidade de separar fisicamente a população islamizada do norte sudanês dos grupos agropastoris do sul, num limite de influência árabe-muçulmana no Vale do Nilo.
O Sudão do Sul ou Sudão Meridional (em inglês: South Sudan), oficialmente República do Sudão do Sul (em inglês:Republic of South Sudan) é um país encravado localizado no nordeste da África. Tem esse nome devido à localização geográfica, ao sul do Sudão.
O que é hoje o Sudão do Sul era parte do Sudão Anglo-Egípcio e tornou-se parte da República do Sudão, quando ocorreu a independência deste em 1956. Após a Primeira Guerra Civil Sudanesa, o sul do Sudão tornou-se uma região autônoma em 1972. Esta autonomia durou até 1983. A Segunda Guerra Civil Sudanesa desenvolvida anos depois, resultou novamente na autonomia da região, através do Tratado de Naivasha, assinado em 9 de janeiro de 2005 no Quênia, com o Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA/M). Em 9 de julho de 2011, o Sudão do Sul tornou-se um estado independente. Em 14 de julho de 2011, o Sudão do Sul tornou-se um Estado membro das Nações Unidas(ONU). O país entrou para a União Africana em 28 de julho de 2011.
Além da divisa com o Sudão ao norte, o Sudão do Sul faz fronteira a leste com a Etiópia, ao sul com o Quênia, Uganda e República Democrática do Congo e a oeste com a República Centro-Africana.
O Sudão do Sul, também chamado de Novo Sudão, possui quase todos os seus órgãos administrativos em Juba, a capital, que é também a maior cidade, considerando a população estimada. Apesar de ser rico em petróleo, o Sudão do Sul é um dos países mais pobres do mundo, com altas taxas de mortalidade infantil, e um sistema de saúde muito precário, considerado um dos piores do mundo. Em termos de educação somente 27% da população acima dos 15 anos sabe ler e escrever, chegando a 84% o índice de analfabetismo entre as mulheres e boa parte das crianças não frequentam unidades escolares.
No Sudão do Sul encontram-se 75% das reservas de petróleo do antigo Sudão localizadas sobretudo na região de Abyei, que correspondem a 98% da receita do novo país. No norte também encontram-se os oleodutos responsáveis pelo transporte do petróleo até o Mar Vermelho.
A região da África subsaariana lidera a lista, com sete de seus países entre os dez mais frágeis do Índice. O avanço do grupo extremista Estado Islâmico influiu para que Iraque, Líbia, Síria e Iêmen façam parte da dezena de Estados cuja situação se agravou mais no último ano.
Mas as desgraças naquele território não param por aí.
Relatório do alto comissário de Direitos Humanos da ONU, Zeid al-Hussein, apontou abusos sexuais em massa, assassinatos de crianças e deficientes no Sudão do Sul. Um relatório sobre violações de direitos humanos no Sudão do Sul, divulgado ontem pelas Nações Unidas, descreve um cenário no qual abusos sexuais em massa são utilizados como “arma de guerra e instrumento de terror” no país, cuja atual situação foi classificada pelo alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Raad al-Hussein, como “uma das mais horrendas do planeta”.~
As mortes, a violência sexual, os deslocamentos forçados, a destruição e os saques, principais características do conflito em 2014, se mantiveram em 2015. Entre abril e setembro, foram registrados mais de 1.300 casos de violações sexuais apenas no estado de Unity”, afirma o documento, de 17 páginas, que inclui ainda relatos de sequestros, roubo de gado e execuções nas quais crianças e deficientes físicos teriam sido queimados vivos ou esquartejados. De acordo com o relatório, combatentes de milícias ligadas ao governo teriam recebido carta branca para realizar estupros em massa de mulheres como forma de pagamento.
Forças do governo são acusadas pela morte de mais de 60 homens e meninos, que teriam se asfixiado após serem colocados num container. Mas o governo nega as acusações, afirmando que grupos criminosos usavam os uniformes do exército nacional.