Um exemplo de perseguição étnica

14/09/2017 às 14:45

Resumo:


  • A dirigente de Myanmar, Aung San Suu Kyi, é acusada de ser conivente com a perseguição étnica contra os muçulmanos rohingyas.

  • Mais de 370.000 refugiados rohingyas fugiram para Bangladesh devido à limpeza étnica promovida pelas Forças Armadas de Myanmar.

  • A perseguição aos rohingyas não é recente, existindo desde antes da independência de Myanmar em 1948, com a negação de cidadania a essa minoria étnica.

Resumo criado por JUSTICIA, o assistente de inteligência artificial do Jus.

O artigo relata caso de violação aos direitos humanos.

UM EXEMPLO DE PERSEGUIÇÃO ÉTNICA

Rogério Tadeu Romano

A atual dirigente de Myanmar, prêmio Nobel da Paz, tem responsabilidade na fuga de diversos muçulmanos de seu país, eles que são minoria, para Bangladesh, país paupérrimo na Ásia.
A ONU fez um alerta e um apelo à dirigente birmanesa Aung San Suu Kyi por uma "mobilização", depois que o número de muçulmanos rohingya que fugiram para Bangladesh nas últimas duas semanas se aproximou de 300.000.
Os budistas claramente perseguem a minoria muçulmana, naquele país.
São 370.000 refugiados rohingyas chegados a Bangladesh.

Aung San Suu Kyi, líder de fato do país, não fez nada para encerrar o regime de apartheid no qual os rohingyas não têm direito à cidadania e agora fecha os olhos para a limpeza étnica implementada pelas Forças Armadas.

Segundo se informa apenas nas últimas semanas, com a intensificação do processo de limpeza étnica, ao menos 379 mil rohingyas foram expulsos de Myanmar para Bangladesh, uma das nações mais pobres do planeta, onde eles são abrigados em ilhas alagadas. Segundo o próprio Exército do país, 40% das vilas habitadas pelos rohingyas foram esvaziadas. Imagens mostram que estão destruídas. Muitas foram queimadas. Basicamente, um caso clássico de limpeza étnica levada adiante pelos militares de Myanmar.

A ONG The Arakan Poject denunciou nesta sexta-feira um massacre cometido em uma aldeia de Myanmar por budistas com a conivência das forças de segurança contra muçulmanos, incluídos mulheres e crianças.
As autoridades birmanesas afirmaram que não têm informações sobre o incidente, que teria ocorrido na terça-feira em Du Char Yar Tan, no estado de Rajine.
“O número exato ainda não sabemos, recebemos dados que variam entre 10 e 60 (mortos)”, relataram fontes da ONG para o jornal local “The Irrawaddy”.
“As forças de segurança e aldeães saquearam muitas casas da aldeia. Mulheres e crianças foram brutalmente assassinadas e algumas (birmanesas) foram supostamente estupradas”, acrescentou a organização segundo testemunhas.
“Foram apunhalados, o que indica que o massacre foi perpetrado por civis, mas na presença das forças de segurança, que não fizeram nada para impedir”, acrescentou a ONG.
A organização The Arakan Project disse que o ataque ocorreu depois da visita à região do monge U Wirathu, um dos fundadores do grupo 969, que defende que a minoria muçulmana do país ameaça a pureza racial e a segurança nacional.
Myanmar tem cerca de 60 milhões de habitantes, dos quais 89% são budistas, 4% muçulmanos e o restante de outras religiões.

No caso em tela, além das organizações internacionais de direitos humanos, cabe à ONU tomar uma decisão para proteção da minoria rohingyas.

Não é de hoje essa perseguição.

A perseguição aos rohingyas não é nova. Existe desde antes de 1948, ano da independência da Birmânia, como era chamada Myanmar até 1989. Uma das primeiras leis do país, que determinou quais seriam as etnias oficiais, não incluiu os rohingyas. Estes não tinham direito à cidadania, a não ser que provassem estar no país por, ao menos, duas gerações.

O governo de Myanmar argumenta que os rohingyas são bengaleses. O argumento é de que eles não seriam originalmente da região. Mas sabe-se que muçulmanos viviam no que hoje é Myanmar desde o século XII.

Sobre o autor
Rogério Tadeu Romano

Procurador Regional da República aposentado. Professor de Processo Penal e Direito Penal. Advogado.

Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi

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