QUEM MATOU NISMAN?

16/09/2017 às 11:22
Leia nesta página:

O ARTIGO DISCUTE FATO CONCRETO ENVOLVENDO A MORTE DE PROMOTOR NA ARGENTINA.

QUEM MATOU NISMAN?

Rogério Tadeu Romano 

O ex-espião Antonio Stiuso passou mais de 16 horas testemunhando, sessão que se arrastou até a madrugada e contou com um forte aparato policial. Segundo a imprensa local, Stiuso disse que Nisman foi assassinado pelo trabalho que estava fazendo contra a ex-presidente Cristina Kirchner e funcionários de seu governo.

No dia 25 de fevereiro do corrente ano, o promotor argentino Ricardo Sáenz alegou que até o momento não há uma explicação lógica para a falta de evidências concretas sobre um eventual suicídio de Nisman. A investigação oficial não determinou quem disparou a pistola achada com o morto no banheiro de seu apartamento, no bairro portenho de Puerto Madero.

Agora se informa que a juíza Fabiana Palmaghieza, que até a última terça-feira estava à frente da investigação sobre a morte do promotor argentino Alberto Nisman, declarou-se incompetente para seguir comandando o processo. Há perto de vinte anos, em ato covarde, o mundo estarrecido assistiu a um crime de terrorismo, que deixou 85 mortos e cerca de 300 feridos na sede da Amia (Associação Mutual Israelita Argentina), em Buenos Aires.

A oposição ao governo argentino da então presidente Cristina Kirchner e os líderes da comunidade judaica acusaram o governo de ignorar as decisões da Justiça em Buenos Aires, que condenou, à revelia, um grupo de iranianos, que, naquele ano, ocupava postos no governo da época.

Dias antes de morrer, o promotor Alberto Nisman – que era encarregado do caso desde 2004, preparava-se para detalhar uma grave denúncia contra a presidente da Argentina e seus ministros de relações exteriores, alegando que ambos teriam articulado um pacto internacional para deixar impunes os suspeitos do atentado. Falou-se que haveria um acordo entre o governo daquele País e a Argentina (acordo secreto), que visaria a fortalecer laços comerciais entre as duas Nações, acomodando as suspeitas em torno do caso.

No processo, Nisman falou em vantagens comerciais para a Argentina, que poderia vender grãos ao Irã e comprar petróleo mais barato. Reportagem da revista “Veja”, com ex-integrantes do governo de Hugo Chaves, da Venezuela, sugere que o acordo poderia incluir também o pagamento de propina a integrantes do governo em troca de tecnologia nuclear.

Noticiou-se que essas investigações teriam apontado autoridades do primeiro escalão do governo do Irã.

Trabalhou-se com duas hipóteses. Uma era a chamada “pista síria” e, segundo esta, o atentado teria sido uma resposta do governo sírio a Menem, depois que este cancelou uma venda de reatores nucleares àquele país. A outra, que é a que Nisman achava a correta, era a “pista iraniana”: o atentado teria sido obra do Hizbullah, com apoio do governo do Irã, após a decisão argentina de suspender um acordo de transferência de tecnologia nuclear ao país.

Em cena de verdadeiro filme de suspense, aparece o promotor Nisman morto, às vésperas de divulgar as informações que atingiriam o governo argentino.

De início, a notícia era de caso de suicídio.

Em verdade, a tese do suicídio, pelas informações que se seguiram, parece não ter fundamento.

A sociedade argentina precisa saber quais os responsáveis pela morte de Alberto Nisman.

Repita-se que seu assassinato foi uma agressão à Justiça e precisa ser solucionado.

A Veja, em seu site, assim se reportou ao caso: 

"Segundo os peritos federais argentinos, Alberto Nisman foi assassinado. A análise do local do crime, disposição do corpo e todas os rastros que foram deixados pelo criminoso (ou criminosos) não deixavam dúvidas de que o procurador foi executado à sangue frio. “A quantidade de evidências que comprovam que Alberto Nisman foi executado é tão grande e evidente, que todas as perícias anteriores que comprovam o contrário só podem ter sido feitas sob encomenda para justificar uma história oficial”, disse a VEJA um ex-funcionário dos serviços de inteligência argentinos.

A análise da localização das manchas de sangue revelaram que, quando recebeu o tiro, Nisman estava ajoelhado e subjugado, tendo uma de suas mãos torcidas para trás. Além disso, ficou evidenciado que o corpo do assassino impediu que essas gotas de sangue seguissem a rota prevista, funcionando como um anteparo frente alguns objetos do banheiro do procurador.

Para completar, não foi encontrada pólvora na mão de Nisman, embora a arma utilizada em sua execução deixe esse tipo de vestígio, o que confirma que o disparo não foi realizado pelo procurador. Segundo o jornal Clarín, os peritos confirmaram que a cena do crime foi montada para justificar a tese do suicídio."

Sobre o autor
Rogério Tadeu Romano

Procurador Regional da República aposentado. Professor de Processo Penal e Direito Penal. Advogado.

Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi

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