A ameaça a biomas nacionais

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31/10/2017 às 13:16
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LAGOMORPHA LEPOIDAE Sylvilagus brasiliensis tapiti
MARSUPIALIA DIDELPHIDAE Didelphis albiventris gambá Monodelphis americana musaranha Philander opossum cuíca
PERISSODACTYLA TAPIRIDAE Tapirus terrestris anta
PRIMATES CALLITHRICHIDAE Callithrix penicillata sagui
RODENTIA AGOUTIDAE Agouti paca paca CAVIIDAE Cavia aperea preá DASYPROCTIDAE Dasyprocta agouti cutia ERETHIZONTIDAE Chaetomys subspinosus ouriço-caxeiro Coendou prehensilis coandu

RÉPTEIS (Classe)

CHELONIA (Ordem) TESTUDINIDAE(Família) Geochelone carbonaria (Espécie) jabuti
SQUAMATA AMPHISBAENIA (Subordem) AMPHISBAENIDAE Amphisbaena alba cobra-de-duas-cabeças OPHIDIA (Subordem) BOIDAE Boa constrictor jibóia COLUBRIDAE Erythrolamprus aesculapii falsa-coral Spilotes pullatus caninana CROTALIDAE Bothrops alternatus urutu-cruzeiro Bothrops moojeni jararaca Bothrops itapetiningae jararaquinha-do-cerrado Bothrops neuwiedi jararaca-de-rabo-branco Crotalus durissus cascavel ELAPIDAE Micrurus frontalis cobra-coral-venenosa SAURIA ou LACERTILIA (Subordem) IGUANIDAE Tropidurus torquatus calango TEIIDAE Cnemidophorus ocellifer calango Tupinambis merianae teiu

Segundo o Green Peace:

“O Cerrado abriga as nascentes de 8 das 12 regiões hidrográficas brasileiras e responde por um terço da biodiversidade do Brasil, com 44% de endemismo de plantas, mas está ameaçado, tendo perdido cerca de 50% de sua área original;

- Se mantido o padrão de destruição do Cerrado observado entre 2003 e 2013, até 2050 serão extintas 480 espécies de plantas e mais de 31 a 34% do Cerrado poderá ser perdido;

- As emissões de gases de efeito estufa decorrentes desse processo impedirão o Brasil de cumprir com seus compromissos no Acordo de Paris;

- A redução do bioma pode alterar o regime de chuvas na região, impactando a produtividade da própria atividade agropecuária;

- O governo brasileiro se comprometeu a disponibilizar os dados oficiais do desmatamento do Cerrado anualmente. Um dos argumentos trazidos por parte do setor privado para justificar a falta de monitoramento de suas cadeias produtivas era a ausência do Prodes do Cerrado”.

O pampa é área de importância histórica e geográfica.

Segundo pesquisa inédita do Ministério do Meio Ambiente, até 2008 o desmatamento já havia consumido 54% do bioma. Se for levado em conta apenas a vegetação nativa, os números são ainda mais assustadores. Apenas 36% do pampa se manteve e os 10%  restantes são de corpos d'água.

O levantamento do ministério registra uma devastação, de 2002 a 2008, de 2.183 quilômetros quadrados. O município de Alegrete desponta como campeão de áreas desmatadas, com 176 quilômetros quadrados no período de seis anos. Em seguida, surgem Dom Pedrito, com 120 quilômetros quadrados, e Encruzilhada do Sul, com 87 quilômetros quadrados.


IX  - CAATINGA

A caatinga é uma formação vegetal que podemos encontrar na região do semi-árido nordestino. Está presente também nas regiões extremo norte de Minas Gerais e sul dos estados do Maranhão e Piauí.

Caatinga (do tupi: ka'a [mata] + tinga [branca] = mata branca) é o único bioma  exclusivamente brasileiro, o que significa que grande parte do seu patrimônio biológico não pode ser encontrado em nenhum outro lugar do planeta. Este nome decorre da paisagem esbranquiçada apresentada pela vegetação durante o período seco: a maioria das plantas perde as folhas e os troncos tornam-se esbranquiçados e secos. A caatinga ocupa uma área de cerca de 850.000 km², cerca de 10% do território nacional, englobando de forma contínua parte dos estados da Paraíba, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Maranhão,Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia (região Nordeste do Brasil) e parte do norte de Minas Gerais (região Sudeste do Brasil).

Ocupando cerca de 850 mil km² (aproximadamente 10% do território nacional), é o mais fragilizado dos biomas brasileiros. O uso insustentável de seus solos e recursos naturais ao longo de centenas de anos de ocupação, associado à imagem de local pobre e seco, fazem com que a caatinga esteja bastante degradada. Entretanto, pesquisas recentes vêm revelando a riqueza particular do bioma em termos de biodiversidade e fenômenos característicos.

Do ponto de vista da vegetação, a região da caatinga é classificada como savana estépica. Entretanto, a paisagem é bastante diversa, com regiões distintas, cujas diferenças se devem à pluviometria, fertilidade e tipos de solo e relevo. Uma primeira divisão que pode ser feita é entre o agreste e o sertão. O agreste é uma faixa de transição entre o interior seco e a Mata Atlântica, característica da Zona da Mata. Já o sertão apresenta vegetação mais rústica. Estas regiões são usualmente conhecidas como Seridó, Curimataú, Caatinga e Carrasco.

Segundo esta distinção, a caatinga seridó é uma transição entre campo e a caatinga arbórea. Cariri é o nome da caatinga com vegetação menos rústica. Já o Carrasco corresponde a savana muito densa, seca, que ocorre no topo de chapadas.

caracterizada pelo predomínio de plantas caducifólias lenhosas, arbustivas, muito ramificadas e densamente emaranhadas por trepadeiras. Ocorre, sobretudo, na Bacia do Meio Norte e Chapada do Araripe.

A vegetação da caatinga é adaptada às condições de aridez (xerófila). Foram registradas até o momento cerca de 1000 espécies, estimando-se que haja um total de 2000 a 3000 plantas.

A caatinga apresenta vegetação típica de regiões semiáridas com perda de folhagem pela vegetação durante a estação seca.. 

Arbustos: aroeira, angico e juazeiro.

- Bromélias: caroá.- Cactos: mandacaru, xique-xique e xique-xique do sertão.

Em função da criação de gado extensivo na região, pesquisadores estão alertando para a diminuição deste tipo de formação vegetação. Em alguns locais do semiárido já são encontradas regiões com características de deserto.

A caatinga é típica de regiões com baixo índice de chuvas (presença de solo seco).

Em função da criação de gado extensivo na região, pesquisadores estão alertando para a diminuição deste tipo de formação vegetação. Em alguns locais do semiárido já são encontradas regiões com características de deserto.

As principais características da caatinga são:

- forte presença de arbustos com galhos retorcidos e com raízes profundas;

- presença de cactos e bromélias;

- os arbustos costumam perder, quase que totalmente, as folhas em épocas de seca (propriedade usada para evitar a perda de água por evaporação);

- as folhas deste tipo de vegetação são de tamanho pequeno;

- o solo da caatinga apresenta baixa fertilidade, além de ser pedregoso.

A Fauna da caatinga, ao contrário do que muitos pensam, é muito rica. Existem centenas de espécies vivendo neste bioma. Podemos citar entre as principais:

- Veado-catingueiro

- Preá

- Gambá

- Sapo-cururu

- Cutia

- Tatu-peba

- Ararinha-azul

- Asa-branca

- Sagui-de-tufos-brancos

- Pica-pau-anão-da-caatinga

A fauna possui baixas densidades de indivíduos e poucas espécies endêmicas. Apesar da pequena densidade e do pouco endemismo, já foram identificadas 45 espécies de anfíbios, 95 de répteis, 975 de aves, 148 de mamíferos e 240 de peixes num total de 1225 espécies de animais vertebrados, pouco se conhecendo em relação aos invertebrados. Descrições de novas espécies vêm sendo registradas, indicando um conhecimento botânico e zoológico bastante precário deste ecossistema, que segundo os pesquisadores é considerado o menos conhecido e estudado dos ecossistemas brasileiros.

Na Caatinga vive a ararinha-azul, ameaçada de extinção. O último exemplar da espécie vivendo na natureza não foi mais visto desde o final de 2000. Outros animais da região são o sapo-cururu, asa-branca, cutia, gambá, preá, veado-catingueiro, tatu-peba e o sagui-de-tufos-brancos, entre outros.

De acordo com dados do ano de 2009, a caatinga havia sofrido desmatamento de 46,6% de sua vegetação original. Dos 826.411 km² da área original (vegetação nativa), apenas 441.201 km² (53,4%) havia sido preservado.

- Durante o período de seca, o gado da região alimenta-se do mandacaru (rico em água). Já algumas espécies de bromélias (exemplo: caroá) são aproveitadas para a fabricação de bolsas, cintos, cordas e redes, pois são ricas em fibras vegetais. 

Em 2000 foram propostas oito eco regiões no bioma Caatinga:

  • Complexo do Campo Maior: localizado quase integralmente no Piauí e sudoeste do Maranhão. Consiste nas regiões que sofrem inundações periódicas nas planícies sedimentares.
  • Complexo do Ibiapaba-Araripe, composto pelas Chapadas da Ibiapaba e do Araripe.
  • Depressão Sertaneja Setentrional, desde a fronteira norte de Pernambuco, estende-se pela maior parte dos Estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará e prolonga-se até uma pequena faixa ao norte do Piauí. A principal característica desta ecorregião são as chuvas irregulares ao longo do ano. É a área mais seca da caatinga.
  • Planalto da Borborema: abrange partes do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. O relevo movimentado e altitudes superiores delimitam a região.
  • Depressão Sertaneja Meridional: corresponde à maior parte do bioma. Representa a paisagem típica do sertão nordestino. Distingue-se da Depressão Sertaneja Setentrional por apresentar maior regularidade de chuvas e maior ocorrência de corpos de água temporários.
  • Dunas do São Francisco: localiza-se no centro-oeste do bioma. É caracterizado pelas dunas de areias quartzosas.
  • Complexo da Chapada Diamantina: localiza-se no centro-sul do bioma e corresponde à parte mais alta da caatinga. É a região de menor temperatura. Apresenta ilhas de campos rupestres nas partes mais altas, cercadas de caatinga nas regiões mais baixas.
  • Raso da Catarina: localiza-se no centro-leste do bioma. Caracteriza-se pela caatinga arbustiva de areia muito densa.

X – O PANTANAL

São símbolos máximos da fauna pantaneira, a onça-pintada, que chega a pesar até 150 kg, pode ser vista no Parque Nacional do Pantanal, assim como a arara-azul-grande, animal que recebeu destaque na sétima arte com a animação “Rio”. Ambos os animais estão em perigo de extinção pela ação do homem. Excepcionalmente lindos e exclusivos da área pantaneira, eles figuram entre os mais procurados pelos turistas.

Outro grande destaque da região são os tuiuiús, aves de beira-rio com longos bicos e pernas. Essa ave é símbolo do Pantana

A flora que forma o habitat das 650 espécies de aves, 1100 borboletas, 80 mamíferos, 263 peixes e uma infinidade de répteis também não deixa a desejar. É casualmente definida como um mosaico de cinco regiões distintas: Floresta Amazônica, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Chaco (paraguaio,argentino e boliviano).

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Em altitudes maiores, o clima árido e seco torna a paisagem parecida com a da caatinga, apresentando espécies típicas como o mandacaru, plantas aquáticas, piúvas (da família dos ipês com flores róseas e amarelas), palmeiras, orquídeas, figueiras e aroeiras. Já em altitudes menores figuram os campos destinados à agropecuária onde predominam as gramíneas.

Em estudo sobre a matéria, Amanda Micheli Mariano de Melo(Desmatamento do pantanal) assim retratou:

“Em um intervalo de sete anos, o Pantanal perdeu 151.313 km² em de vegetação ou seja 2,82% da sua área de acordo com o Ministério do Meio Ambiente.

A pecuária é o principal vetor do desmatamento no Pantanal, de acordo com o levantamento, seguido pela produção de carvão vegetal. Visto que o Centro-Oeste, é uma das principais regiões de produção agrícola e pecuária do País. A saída dessa situação, segundo o Ministério, seria criar unidades que conservasse a região, esse mecanismo poderia ser o início para conter essa destruição ecológica.

O mais preocupante é que o Pantanal foi a segunda região mais atingida pelo desmatamento quando comparado a outros três biomas. Proporcionalmente, o Cerrado teve índice de desmate de 4,17%, seguido de Pantanal, Amazônia (2,54%) e Caatinga (2,01%). O levantamento revelou ainda que o Estado do Mato Grosso do Sul, que representa 40% da área total do Pantanal, desmatou 3,1% de sua área de 89.826 km² do bioma, enquanto o Mato Grosso, com total de 60.831 km², foi responsável por 2,4%, ou seja, parece que em algum tempo a região tenderá a desaparecer, se o desmatamento continuar dessa forma desmedida.

Os cinco dos 26 municípios que mais contribuíram para a destruição do Pantanal foram Corumbá (MS), Aquidauana (MS), Cáceres (MT), Santo Antônio do Leverger (MT) e Rio Verde de Mato Grosso (MS). As emissões anuais médias de dióxido de carbono associadas ao desmatamento no período foram de 16 milhões toneladas, informou o ministério.

O Pantanal é a região depois da Amazônia e do Cerrado, o terceiro bioma brasileiro (Que podem ser definidos como a diversidade de ecossistemas, formados por grandes formações vegetais encontradas nos diferentes continentes), a ter seu desmatamento divulgado para a população. Resta saber agora, quais serão os outros e em quanto tempo essa informação chegará às pessoas.

O desmatamento de áreas que antes tinham seu ecossistema preservado é apenas uma prova, que o ser humano ainda está muito longe de entender que seu futuro e do nosso planeta está diretamente relacionado ao meio ambiente em que ele vive. Conscientização é o vocábulo que cabe perfeitamente quando o assunto é desmatamento.”

Sobre o autor
Rogério Tadeu Romano

Procurador Regional da República aposentado. Professor de Processo Penal e Direito Penal. Advogado.

Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi

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