A POBREZA NA CHINA
Rogério Tadeu Romano
A desigualdade se tornou uma questão importante na China.
Atualmente, um terço da riqueza do país está nas mãos do 1% mais rico, enquanto os 25% na base da pirâmide tem apenas 1% da riqueza.
As conclusões são de uma pesquisa anual feita em 15 mil domicílios de 250 cidades por um instituto da Peking University e financiada pelo governo.
O coeficiente de Gini do país saltou de 0,3 em 1980 para 0,49 em 2012, com queda para 0,45 em 2015 (nesta medida, 0 representa igualdade perfeita e 1 representa desigualdade total).
Com quase 1,4 bilhões de habitantes, a China é um país que retirou perto de 700 milhões de pessoas da chamada linha da pobreza entre desde as reformas e a abertura da década de 1970 até 2016.
De acordo com o Banco Mundial, em 2005 o país tinha 254 milhões de pessoas que viviam com menos de US$ 1,25, calculados de acordo com a Paridade do Poder de Compra, que leva em conta o poder aquisitivo das moedas dentro de cada país. O número dos que viviam com menos de US$ 1,08 era de 90 milhões.
De acordo com as cifras oficiais, a área rural da China tinha, em 2007, um total de 14,8 milhões de pessoas vivendo em pobreza absoluta, com uma renda anual líquida inferior a 785 yuans, o equivalente a US$ 115 ou US$ 0,31 por dia. Outros 28,41 milhões de camponeses sobreviviam com renda entre 786 e 1.067 yuans - US$ 156 ao ano ou US$ 0,43 por dia. Em um estudo divulgado em abril, o Banco Mundial calcula que o universo de pessoas vulneráveis à pobreza é cerca de duas vezes maior do que a população que já vive na pobreza. Quase um terço da população esteve em situação de pobreza em pelo menos um de cada três anos. Grande parte da severidade da pobreza é atribuída a riscos contra os quais as famílias não têm como se assegurar.
A riqueza da China está excessivamente concentrada. O “Wealth-X and UBS Billionaire Census 2014” informou que há 152 indivíduos na China com ativos líquidos superiores a US$ 1 bilhão, perdendo apenas para os Estados Unidos.
O governo da China continua promovendo a ideia de “três autoconfidências”: ou seja, confiança no sistema político da China, na linha do Partido Comunista Chinês (PCC) e na teoria do PCC. Mas em relação à deficiência de recursos naturais, o governo está relativamente lúcido e compreende a própria situação.
A quantidade de recursos energéticos per capita é baixa, com a quantidade per capita de potencial carbonífero e aquífero (carvão e água) e petróleo e gás natural atingindo apenas 50% e 7% do nível médio mundial, respectivamente. Além disso, a quantidade de terra arável per capita é de apenas 30% da média mundial.
O governo da China admite agora a séria tendência da crise ecológica nacional e do agravamento da poluição da água, terra e ar. Por exemplo, 349 milhões de mu (cerca de 23,27 milhões de hectares), que corresponde a 19,4% das terras aráveis da China, estão severamente poluídos.
A falta de recursos hídricos representa também um problema crítico, porque a quantidade de água disponível é insuficiente e a contaminação da água também é seríssima. Além disso, a poluição do ar, segundo o estudo 2010 Global Burden of Disease, causou a morte prematura de 1,2 milhão na China, quase 40% do total mundial.