O CRESCIMENTO DA DIREITA NACIONALISTA
Rogério Tadeu Romano
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país não se converterá em um “campo de migrantes”, em uma dramática confirmação da política de tolerância zero adotada por seu secretário de Justiça, Jeff Sessions. Democratas e republicanos aumentaram a pressão sobre Trump contra o endurecimento da medida de separar as crianças de seus pais na fronteira com o México. Em tom desafiador, o presidente responsabilizou os democratas pela lei e disse que são eles que devem mudá-la. “Digo que é tudo culpa dos democratas”, disse Trump.
Consoante ainda informou o Estadão, no dia 19 de junho de 2018, na Alemanha, há algumas semanas, Uwe Tellkamp, um dos mais conhecidos romancistas alemães, afirmou que “95% dos imigrantes” não são refugiados de fato, mas imigrantes em busca de um melhor padrão de vida. Ele está errado – em 2017, 43% dos imigrantes que pediam asilo ganharam status humanitário – e foi duramente criticado por usar dados falsos num debate tão apaixonado.
Tradicionalmente, a âncora do conservadorismo no Parlamento alemão tem sido a União Social-Cristã (CSU), partido bávaro irmão da CDU de Merkel. Na corrida final para as eleições estaduais deste ano na Baviera, a CSU vem endurecendo posições sobre imigração e integração, explicitamente para bloquear o avanço da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD). “Se retomarmos o discurso e a ação abandonados, conseguiremos tornar a AfD obsoleta”, disse Alexander Dobrindt, líder da bancada da CSU no Parlamento.
Após anos do centrismo amorfo de Angela Merkel e da ascensão da extrema direita, estaria o conservadorismo alemão voltando? Em abril, o Werteunion, ou União de Valores, reuniu-se na cidade de Schwetzingen para adotar o que seus membros chamaram de “manifesto conservador”. Missão: tomar de volta o partido da facção de Merkel e redirecioná-lo para suas tradicionais raízes conservadoras.
O Werteunion é o neoconservadorismo na Alemanha.
Segundo O Globo, na edição de 19 de junho, o ministro do Interior da Alemanha, Horst Seehofer, adiou por duas semanas a execução do seu plano de barrar, nas fronteiras alemãs, os refugiados já registrados em outros países da União Europeia (UE), mas continua firme na decisão de adotar a medida mesmo contra a vontade da sua chefe, a chanceler federal Angela Merkel.
Vice-premier da Itália e ministro do Interior, o ultranacionalista Matteo Salvini chocou até mesmo seus aliados mais próximos de governo ao propor um censo e eventuais expulsões na população cigana no país. O líder do partido xenofóbico Liga ainda lamentou não ter como expulsar os ciganos que já têm cidadania italiana.
O cientista político e professor da LUISS, Giovanni Orsina, afirma que o fascismo nunca foi embora da Itália, mas o atual terreno fomentou o seu auge. "A identidade nacional e racial voltam a ser importantes. Há uma crise demográfica europeia que, na Itália, é particularmente grave. Temos empregadores que dizem que os italianos vão embora porque aqui não tem trabalho. Os imigrantes chegam durante meses, 200.000 por ano. São publicadas todo tipo de crônicas sobre violações, insegurança... e o mais importante: não podemos esquecer que fomos nós que inventamos o fascismo".
Recep Tayyip Erdogan sabe que tem a Europa refém, por causa dos migrantes e refugiados que acolhe, e permite-se todos os excessos de linguagem. Recentemente afirmou que, “hoje, a Europa é a fascista e cruel Europa dos tempos da Segunda Guerra Mundial. A Europa de hoje é a Europa dos tempos medievais, que vê os turcos e o Islão como inimigos”, disse o chefe de Estado turco.
Essas experiências recentes lembram o nazismo alemão, onde se desenvolveu o racismo.
O racismo alemão era um racismo político, fundado sobre o estado civil e o vínculo de religião.
A ideia racial, no nazismo, trouxe a separação entre alemães e não-alemães especialmente entre alemães e judeus, afirmando os nazistas que a luta contra os judeus é questão de vida ou morte.
Necessário distinguir o nazismo do fascismo, como observou Pedro Calmon: a moral do fascismo era clássica, sonhava com o império romano; a do nazismo era romântica(romantismo de aço); reavivava as origens germânicas. O fascismo considerava a raça uma comunidade de sentimentos; o nazismo um laço de sangue. O fascismo considerava o império como uma tendência política: é o fim dominador do Estado; o nazismo, como uma predominância racial; o destino superior dos arianos.
O fascismo e o nazismo com seu desvario fizeram desencadear o mundo mal.