APRENDIZADO DE LÍNGUA INGLESA NA INFÂNCIA: ENSINO BILÍNGUE É O CAMINHO?

20/06/2018 às 14:11
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O objetivo deste trabalho é fazer uma reflexão acerca do entendimento de que a adoção de escolas bilíngues é uma das formas mais efetivas para o aprendizado da língua inglesa por crianças enquanto as mesmas ainda se encontram no ensino regular. Para isso,

APRENDIZADO DE LÍNGUA INGLESA NA INFÂNCIA: ENSINO BILÍNGUE É O CAMINHO?

Fernando Burkert Pelachini Valle[1]

Luis Fellipe Fernandes Geoffroy[2]

Marcos Rodolfo Chagas Júnior[3]

RESUMO: O objetivo deste trabalho é fazer uma reflexão acerca do entendimento de que a adoção de escolas bilíngues é uma das formas mais efetivas para o aprendizado da língua inglesa por crianças enquanto as mesmas ainda se encontram no ensino regular. Para isso, são abordados alguns temas como o panorama do ensino de inglês na escola regular e a idade ideal para o aprendizado de idiomas, oferecendo referências para que o leitor ou pesquisador possa se aprofundar nos temas tratados e tirar as suas próprias conclusões.

ABSTRACT: The objective of this paper is to reflect on the understanding that the adoption of bilingual education is one of the most effective ways for kids to learn the English language while they are still in school. In order to do that, we approached subjects such as the situation of the English taught in schools and the best age to learn a second language, while offering references so that the reader may further study the subjects in this paper and come to his or her own conclusions.

Palavras-chave: Bilinguismo; Infância; Aprendizado de língua inglesa; Panorama.

1. INTRODUÇÃO

            O baixo índice de proficiência em língua inglesa entre os brasileiros traz alguns questionamentos acerca dos motivos pelos quais este panorama se apresenta. Embora não seja o objetivo deste trabalho aprofundar a discussão sobre essas possíveis causas, inevitavelmente alguns dos temas aqui tratados poderão contribuir para isso, na medida em que tentaremos responder se o ensino bilíngue em escolas regulares é a melhor ou uma das melhores alternativas na tentativa de reverter este quadro. Dessa forma, abordaremos alguns temas que poderão ser posteriormente objeto de aprofundamento por parte do leitor/estudioso, o qual terá então mais elementos para chegar a conclusões por si mesmo.

            Partiremos do pressuposto de que o inglês é visto atualmente como o idioma a ser aprendido por todos aqueles indivíduos que pretender atingir não apenas sucesso profissional, como era defendido no passado, mas também como algo necessário para uma vida plena em sociedade. Nas palavras de Assis-Peterson (2007, p. 9):

Diante da constatação de que o inglês é a língua corrente na rede, na comunidade científica, no mundo dos negócios e no turismo, ele diz ser inevitável não pensar, por um lado, que o inglês exclui aqueles que não o falam e, por outro, que é um trunfo da comunicação internacional dispor de uma língua comum, já que dificilmente ela poderia funcionar sem tal língua.

            Segundo a autora acima citada, assim, a falta do domínio da língua poderia gerar situações de exclusão, dada a sua importância na atualidade. Outros autores ratificam referida afirmativa, como se pode observar das palavras de Bueno (2014, p. 3): “Partindo do pressuposto que a língua inglesa é considerada a língua franca do mundo globalizado. Ao assumir esse papel de língua mundial pode-se dizer que o inglês se tornou uma das mais importantes ferramentas,tanto acadêmicas quanto profissionais.”

            A partir dessa premissa de que o inglês é atualmente a língua que serve de instrumento para a comunicação entre os povos é que desenvolveremos este breve trabalho.

2. IDADE IDEAL PRA O APRENDIZADO DE IDIOMAS

            Para que possamos abordar o ensino bilíngue como meio efetivo (ou não) de aprendizagem de um segundo idioma, não há como deixar de tratar sobre o que se entende como a idade ideal para o aprendizado de línguas. Isso porque a idade de aquisição do segundo idioma pode influenciar profundamente na forma como o próprio indivíduo pensa ou entende as realidades sociais, conforme preceitua Megale (2005, p. 4):

A idade de aquisição das línguas é considerada de extrema importância, pois afeta diversos aspectos do desenvolvimento do indivíduo bilíngüe, como por exemplo: o desenvolvimento lingüístico, neuro-psicológico, cognitivo e sócio-cultural. De acordo com a idade de aquisição da segunda língua, dá-se o bilingüismo infantil, adolescente ou adulto. No infantil, o desenvolvimento do bilingüismo ocorre simultaneamente ao desenvolvimento cognitivo, podendo conseqüentemente influenciá-lo. O bilingüismo infantil subdivide-se: em bilingüismo simultâneo e bilingüismo consecutivo. No bilingüismo simultâneo, a criança adquire as duas línguas ao mesmo tempo, sendo expostas as mesmas desde o nascimento. Por sua vez, no bilingüismo consecutivo, a criança adquire a segunda língua ainda na infância, mas após ter adquirido as bases lingüísticas da L1[4], aproximadamente aos cinco anos, conforme aponta Wei (2000). Quando a aquisição da L2 ocorre durante o período da adolescência, conceitua-se este fenômeno como bilingüismo adolescente e por bilingüismo adulto, entende-se a aquisição da L2 que ocorre durante a idade adulta.

            Sendo a idade de suma importância com relação à forma como se dará o aprendizado e a própria construção cognitiva e social do indivíduo, somos levados a indagar se há portanto alguma idade que em tese seria mais propícia para a exposição ao segundo idioma. E a resposta é afirmativa, ou seja, quanto mais precoce for o contato do sujeito com uma segunda língua, maior será a probabilidade dele se tornar fluente mais facilmente e falando com menos sotaque (GORDON, 2000 apud NASCIMENTO E SANTOS, 2013).

            O que ocorre é apenas a tendência natural que a criança e o jovem têm de assimilar mais facilmente um novo idioma. O adulto, dessa forma, deverá se esforçar um pouco mais do que a criança e terá a tendência de apresentar sotaque, já que

[...] a criança pode ser capaz de falar qualquer língua, tantas quantas ela for exposta. Na prática, resulta num falante bilíngue, sem o sotaque da língua materna, já que a criança aprenderá a segunda língua como se fosse sinônimo da primeira. O caminho sináptico para que isso aconteça é o mesmo. (NASCIMENTO e SANTOS, 2013, p. 29).

Tendo em vista que crianças, quando expostas a uma segunda língua, compreendem, absorvem e produzem o novo idioma da mesma maneira que o fazem com a primeira língua, mostra-se necessário entender que o ensino de segunda língua para crianças deve “levar em consideração a experiência que elas trazem para o ambiente escolar, assim como sua visão de mundo” (TONELLI 2008, p. 1). Com base na afirmação de que “o jogo é a forma natural de trabalho da criança a forma de atividade que lhe é inerente, a preparação para a vida futura” (VYGOTSKY 1993, apud CRISTÓVÃO e GAMERO, 2009, p. 3), mostra-se necessário o alinhamento dos métodos de ensino de língua estrangeira para crianças com a aplicação de atividades lúdicas que possibilitem à criança experimentar a língua enquanto aprende.

No entanto, ainda que se constate a aptidão natural da criança para o aprendizado de línguas, isso não quer dizer que para adultos seja impossível atingir níveis de excelência em proficiência em um segundo idioma (SPADA , 2004 apud CONFORTIN, 2014). Muito pelo contrário. Adultos podem se desenvolver de forma bastante satisfatória e célere quando nos níveis iniciais da nova língua uma vez que crianças “começam a aprender a língua sem ter algumas das habilidades e o conhecimento já desenvolvidos por adolescentes e por adultos. A criança não possui nem maturidade cognitiva, nem consciência metalinguística, nem conhecimento de mundo.” (FERREIRA, 2010, p.6).

            Portanto, o adulto não pode se utilizar da justificativa da idade para deixar de aprender um novo idioma, embora sejamos levados a concluir que o aprendizado de novos idiomas se dá de forma mais rápida e fácil proporcionalmente à precocidade da exposição desse indivíduo ao novo idioma.

3. PANORAMA DO ENSINO DA LÍNGUA INGLESA NA ESCOLA REGULAR

            Os desafios enfrentados pela maioria dos atores sociais no ensino de língua inglesa são enormes, sobretudo quando se trata de educação regular[5]: (i) professores que não dominam o idioma; (ii) metodologias de ensino ultrapassadas; e (iii) a falta de engajamento de alunos, são alguns dos pontos críticos que vêm sendo identificados pelos especialistas e pesquisadores (GARCIA, 2011).

            Não por outro motivo que

Alguns estudiosos sobre o ensino de línguas estrangeiras não se espantam com essa situação em que alunos apontam o fracasso da língua inglesa na escola, tanto que Aléong (1991) menciona em seus estudos que poucos dos indivíduos poliglotas adquiriram suas competências lingüísticas na escola. Porém, não se deve limitar e muito menos excluir o papel da escola no ensino-aprendizagem desta língua no ambiente escolar. (BUENO e MORAIS, 2014,  p. 5).

            O diagnóstico acerca do ensino de inglês na escola é de tal forma desalentador que tanto alunos e professores quanto os próprios pais entendem que a escola não é o local para se aprender um segundo idioma. Segundo Correa (2015, p. 25):

 [...] podemos reconhecer que o "discurso do fracasso", isto é, a ideia de que o ensino de língua adicional nas escolas regulares não funciona, se desdobra na atitude de pais, professores, alunos e sociedade como um todo e, por sua vez, tal sistema de crenças também é alimentado pelo comportamento social, gerando um ciclo vicioso.

            Em outras palavras, há um conformismo geral de que para se aprender outro idioma, no caso o inglês, não há outra alternativa senão a freqüência em escolas de idiomas particulares ou a realização de intercâmbio no exterior (GARCIA, 2011). Adicionalmente a essas duas alternativas para o aprendizado do idioma, destacamos a adoção de escolas bilíngües, tema central deste trabalho, embora reconheçamos a existência de outras tantas maneiras para atingir tal objetivo na atualidade[6].

            No mesmo sentido é o conceito acerca do ensino de inglês em escolas regulares particulares, ainda que em tese as mesmas tenham mais recursos materiais e humanos para proporcionar o desenvolvimento satisfatório do aprendizado do aluno. Gasparini (2005 apud DIAS, 2006, p. 109) destaca que:

Na análise aqui empreendida, foi possível identificar uma discursividade que configura o ensino de língua inglesa no contexto escolar como deficiente e precário, configurando também os cursos particulares de idiomas como os únicos lugares onde o inglês pode ser aprendido de forma eficaz.Nessa direção, pudemos também constatar que professores e alunos de língua inglesa na escola são, com freqüência,construídos como incapazes e ineficientes. Por outro lado, foi possível identificar dizeres que constituem o ensino de inglês no contexto escolar como algo que pode ser efetivo graças aos “superpoderes” do professor, como se fosse possível ao mestre “fazer até mesmo o impossível” para solucionar os supostos problemas de ensino de língua inglesa na escola.

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            Assim sendo, o que concluímos segundo as afirmativas dos autores aqui mencionados é que o ensino de inglês na escola regular se apresenta ainda muito distante do necessário para que ocorra uma mudança significativa no nível de proficiência apresentado pela população em geral, ainda que se considere o ensino regular oferecido nas escolas particulares em geral.

4. O ENSINO BILÍNGUE NO BRASIL

            É indiscutível que o fenômeno da globalização e a internet são os fatores principais para explicar a expansão do idioma inglês na atualidade (ASSIS-PETERSON, 2007). Entretanto, foi apenas a partir da década de 80 que o processo de abertura de escolas bilíngües (português-inglês) se intensificou no Brasil, tendo em vista a mudança legislativa que fez com que o idioma francês deixasse de ser obrigatório.

            Por outro lado, em contrapartida à exclusão do ensino obrigatório do idioma francês, os PCNs (2000, 25) consideram “as Línguas Estrangeiras como parte indissolúvel do conjunto de conhecimentos essenciais que permitem ao estudante aproximar-se de várias culturas e, consequentemente, propiciam sua integração num mundo globalizado.” Portanto, tendo em mente o que consta nos PCNs no que toca ao contato e interação do estudante com outras culturas, mostra-se necessária a aplicação do estudo de língua inglesa, já que a mesma assumiu o caráter de língua mundial essencial à comunicação nos âmbitos pessoal, acadêmico e profissional (BUENO et al, 2014, p.2). Como resultado, nas últimas décadas passou-se a observar proliferação de escolas bilíngües de português-inglês, especialmente nos grandes centros urbanos:

A partir da década de 90, principalmente na cidade de São Paulo, o ensino da língua inglesa como segunda língua passou a ser concomitantemente ao currículo proposto por algumas escolas de educação infantil, caracterizando um aumento significativo do número de escolas de educação bilíngüe. Atualmente, segundo a OEBI, Organização das Escolas Bilíngües35, ocorre a ampliação da educação bilíngüe para o ensino fundamental e até o médio. (DAVID, 2007, p. 71)

            A expansão do ensino bilíngue é um fato, portanto. Contudo, indaga-se: seria a expansão bilíngue a resposta mais efetiva para a reversão do quadro de baixíssima proficiência do idioma inglês entre os brasileiros? A resposta natural poderia ser afirmativa, haja vista que, a princípio, quanto mais jovem for o estudante melhor será o seu aprendizado na língua inglesa e que o panorama do ensino do idioma é desalentador tanto na escola pública quanto na privada, conforme vimos nas seções anteriores.

            Todavia, esta solução não é tão simples como pode parecer, pois esbarraria em alguns problemas mais profundos como a própria desigualdade social. Isto é, a efetiva expansão do ensino bilíngue, apesar da atual adoção da abordagem conhecida como CLIL (Content Language Integrated Learning)[7], a qual possibilita “ensinar língua adicional na escola regular desde a pré-escola até o ensino voluntário para todas as populações” (CORREA 2015, p.90), encontra obstáculos “pois as escolas têm alto custo e geralmente são acessíveis somente a uma população privilegiada economicamente.” (AMARAL, 2015, p. 33).  Na mesma linha afirma Megale (2005, p. 11):

No Brasil, a educação bilíngue para crianças do grupo dominante conquista cada vez mais seu espaço. Segundo a OEBI (Organização das Escolas Bilíngües de São Paulo), a procura pelas escolas bilíngües cresce consideravelmente. Em São Paulo, há cerca de 25 estabelecimentos da categoria, com estimativa de 2.800 alunos. Há quatro anos, estimava-se que, em todo o Brasil, 25 mil estudantes da pré-escola ao Ensino Médio freqüentassem escolas de ensino bilíngüe.

            Entende-se por grupo dominante aquele composto por aqueles indivíduos de situação econômica privilegiada, onde há uma “educação quase sempre de caráter elitista visando o aprendizado de um novo idioma, o conhecimento de outras culturas e a habilitação para completar os estudos no exterior.” (MEGALE, 2005, p. 9).

            Diante disso, como promover o acesso ao ensino bilíngue para as classes menos favorecidas? Para fins didáticos, façamos a divisão econômica da sociedade em três grupos: A, B e C. O Grupo A é composto pelas classes privilegiadas, o que Megale definiu como “grupo dominante”. Esta classe, por razões óbvias de poderio econômico, não tem nem nunca teve qualquer dificuldade em proporcionar ensino bilíngüe aos seus membros.

            Já o Grupo B é composto por aqueles que têm relativa possibilidade de acesso, dependendo das circunstâncias no caso específico. Este grupo consegue com relativo esforço colocar seus filhos em escolas regulares particulares; ou, ainda que freqüentem escolas regulares públicas, matriculam seus filhos em cursos livres de inglês, visando o acesso deles ao idioma estrangeiro. Para este Grupo B, o acesso ao ensino bilíngüe em tese seria mais viável, tendo em vista que ele possui relativos recursos financeiros para arcar com algum tipo de ensino particular. Aliás, é uma das tendências atuais a transformação de escolas particulares monolíngues em bilíngues, conforme podemos notar:

Na última década temos assistido a uma proliferação de escolas particulares que se auto-denominam bilíngues, e dentre as quais há uma variedade de propósitos, métodos e comunidades escolares. Tem ocorrido também ampliação da oferta de um auto-denominado currículo bilíngue em escolas particulares tradicionalmente monolíngües (MOURA, 2009, p. 59).

            Por seu turno, há o Grupo C, onde o acesso a qualquer tipo de ensino privado raramente é possível, ante a escassez de recursos econômicos para tanto. Logo, não tendo como arcar com os custos do ensino particular (ensino regular ou cursos livres de inglês) e, considerando ainda a falência do ensino de inglês na escola pública, conclui-se que o grupo C é o mais excluído do acesso ao ensino da língua inglesa.

            Entretanto, o acesso ao idioma através do ensino bilíngue em escolas públicas ou gratuitas é praticamente inexistente em termos de números (MOURA, 2009, p. 59). Alguns projetos pontuais estão sendo desenvolvidos em algumas regiões do Brasil, mas ainda de forma tímida[8], iniciativas essas que embora louváveis são incapazes de projetar uma reversão do quadro de baixíssimo índice de proficiência do idioma inglês principalmente entre as classes menos favorecidas.

5. CONCLUSÃO

           

            Iniciamos nosso trabalho a partir do pressuposto de que o idioma inglês é essencial na atualidade, sem entrarmos de forma profunda nos motivos pelos quais isso se dá. Na seção subsequente, traçamos um breve esboço acerca do que seria a idade ideal para o aprendizado de um novo idioma, concluindo que embora os estudantes adultos possam alcançar níveis respeitáveis de proficiência na nova língua, impossível deixar de concluir que quanto mais cedo se der o contato com o idioma, melhor será o desenvolvimento do indivíduo (NASCIMENTO E SANTOS, 2013).

            Por sua vez, em seção específica tentamos traçar um sucinto panorama do ensino de inglês na escola regular, constatando que o mesmo ainda se encontra muito distante do que é esperado tanto pelos próprios alunos quanto pelos demais atores envolvidos, como pais e professores. Este panorama desalentador não se modifica inclusive quando se trata de escolas regulares particulares, pois ainda nessas instituições há o conceito de que não se aprende inglês na escola (GASPARINI, 2005 apud DIAS, 2006).

            Por fim, na seção que trata do ensino bilíngue no Brasil, tentamos responder ao questionamento objeto do presente trabalho, isto é, se a adoção e expansão do ensino bilíngue seria o caminho ideal (ou pelo menos um deles) para a reversão do quadro de baixíssima proficiência do idioma inglês entre os brasileiros. A princípio a resposta seria afirmativa, já que vimos que a melhor idade para o aprendizado de um novo idioma seria o mais cedo possível, bem como considerando o panorama atual do ensino do idioma tanto em escolas públicas quanto particulares. Todavia, deparamo-nos com alguns problemas de ordem estrutural, especialmente levando-se em conta os custos envolvendo tal ensino, fazendo com que o mesmo seja acessível apenas a parte da população (AMARAL, 2015, p. 33). Dessa forma, para que o ensino regular bilíngüe seja adotado como uma alternativa que vise a reversão do quadro atual, deverá ser pensado dentro de políticas públicas que garantam seu acesso principalmente às classes sociais menos favorecidas.

REFERÊNCIAS

AMARAL, Rebeca Ribeiro Tavares de Almeida do. O bilingüismo na educação infantil. 2015. 58 p. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – UNICAMP. 2015

ASSIS-PETERSON, Ana Antônia de; COX, Maria Inês Pagliarini. Inglês em tempos de globalização: para além do bem e mal.Revista Calidoscópio. São Leopoldo: Unisinos. 2007. v. 5, 63 p. jan./abr. 2007

BUENO, Ivone; MORAIS, Waleska Cristina Moreira; O ensino de língua inglesa em contexto globalizado: expectativas e desafios vivenciados pelos discentes. 2014. 9 p. Disponível em http://www2.unucseh.ueg.br/ceped/edipe/anais/IIedipe/pdfs. Acesso em 06 de junho 2018.

CONFORTIN, H.O aprendizado de língua estrangeira por adultos: reflexões necessárias. Revista Perspectiva. Erechim. v.37, n.140, p. 7-18, dezembro/2013

CORREA, Tamires Huguenin. A educação bilíngue e o ensino de língua adicional no Brasil - uma possível proposta para o rompimento com o "discurso do fracasso" nas escolas regulares. 2015. 124p. Dissertação (Mestrado - Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem) Universidade Federal Fluminense, Niterói.

CRISTÓVÃO, Vera Lúcia Lopes; GAMERO, Raquel. Brincar aprendendo ou aprender brincando? O inglês na infância. Trab. linguist. apl. [online]. 2009, vol.48, n.2, pp.229-245.

DAVID, Ana Maria Fernandes. As concepções de ensino-aprendizagem do Projeto Político-Pedagógico de uma escola de educação bilíngüe. SãoPaulo: 189 pp. 2007.

DIAS, Maria Helena Moreira; ASSIS-PETERSON, Ana Antônia de. O inglês na escola pública: vozes de pais e alunos. Polifonia. v. 3. n. 2, 2006.

FERREIRA, Ivana Kátia de Souza; SANTOS, Liliana Fraga dos.A aprendizagem de língua estrangeira nos anos iniciais do ensino Fundamental. Revista Letrônica. v. 3 , n. 1,  julho 2010

GARCIA, B. R. V. Quanto mais cedo melhor (?): uma análise discursiva do ensino de inglês para crianças. 2011. 216 p. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2011

MEGALE, Antonieta Heyden. Bilingüismo e educação bilíngüe – discutindo conceitos. Revista Virtual deEstudos da Linguagem, In:  ReVEL. V. 3, n. 5, agosto de 2005.

MOURA, Selma de Assis. Com quantas línguas se faz um país? Concepções e práticas de ensino em uma sala de aula na educação bilíngüe. São Paulo, 2009.Dissertação (Mestrado – Programa de Pós-Graduação em Educação. Área de Concentração: Linguagem e Educação) - Faculdade de Educaçãoda Universidade de São Paulo. 141 p. 2009.

NASCIMENTO D. C.; SANTOS, E. E. O despertar da segunda língua na primeira infância: uma análise sob a perspectiva neuropsicológica. Caderno Intersaberes, 2013


[1] Graduado em Direito pela Universidade Bandeirante de São Paulo (UNIBAN); e Licenciando em Letras – Inglês, pela Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ).

[2]Licenciado em Geografia pela Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC); e Licenciando em Letras – Inglês, pela Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ)

[3]Licenciando em Letras – Inglês, pela Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ)

[4] Por L1 entende-se a língua nativa do indivíduo, enquanto que L2 seria a segunda língua, conforme classificações adotadas por Megale (2005).

[5]Ao utilizarmo-nos das expressões ensino regular ou escola regular estamos nos referindo à educação básica de nível fundamental e médio, nos termos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei Federal nº 9.394/1996).

[6] A expansão do acesso à internet no Brasil e no mundo deu início ao que talvez se torne a revolução na forma como se aprende outros idiomas. Plataformas como italki e wespeke são alguns exemplos.

[7] O CLIL (Content Language Integrated Learning) é uma abordagem adotada e adaptada para o ensino bilíngue, a qual propõe o ensino de conteúdos gerais não relacionados à língua a estrangeira, porém ministrados em língua estrangeira.

[8] “Acarape é pioneira em Educação Bilíngue pública”. Fonte: https://bit.ly/2Jzbr19.Acesso em 13 de junho de 2018.

“Rio terá quatro escolas públicas bilíngues até 2014”. Fonte: https://educacaobilingue.com/2013/09/18/rio-tera-quatro-escolas-publicas-bilingues-ate-2014/. Acesso em 13 de junho de 2018.

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