Estamos cansados de ouvir que a vida é cíclica. Acredito que essa seja mesmo uma verdade inarredável.
E hoje tive um exemplo disso. Hoje, aliás, foi um daqueles dias em que me senti satisfeito pelos serviços outrora prestado a uma cliente, a ponto de dedicar alguns minutos a uma reflexão e a este texto.
O direito de família, área em que também atuo, é um ramo no mínimo delicado. Notadamente porque envolve sentimentos que muitas vezes não são muito bons. Aliás, dificilmente nós advogados somos procurados em momentos “de felicidade”. Via regra somos lembrados e consultados em episódios de extremas dificuldades e problemas de nossos clientes. Não podia ser diferente, já que como “bons brasileiros” que somos não nos preocupamos com a prevenção dos problemas, permitindo que eles de fato advenham, para depois serem solucionados.
Hoje, todavia, prestei uma consulta que fugiu à regra. Fui consultado previamente em relação a um casamento; procurado por uma cliente cujo divórcio há alguns anos realizei e pelo noivo.
Foi incomensuravelmente satisfatório ver aquela face, que no passado me procurou pela primeira vez aos prantos, repleta de felicidade.
Relatava-me que, divorciada, permitiu-se conhecer outra pessoa, e com esta agora pretende constituir novo vinculo conjugal.
Tudo isso me levou a refletir como o processo de divórcio, muitas vezes dolorido, pode ser ao final libertador. Para essa minha cliente foi. Lembro-me do seu receio, na época, em dar entrada no procedimento. Receio que imagino que acomete muitas pessoas que por razões, ou pseudo-razões diversas (como opinião de familiares, filhos, questões financeiras, etc.) renunciam à própria felicidade e continuam se submetendo a relacionamentos que, por algum motivo, se tornaram destrutivos; aceitando o que consideram ser “seu destino”; quando poderiam estar dando novos rumos à suas vidas em busca da verdadeira felicidade.
Não incito indiscriminadamente o divórcio. Não me entendam mal. Mas incentivo a busca da felicidade, a busca de relacionamentos sadios, felizes e plenos. A ruptura, o encerramento de um ciclo pernicioso para que outro mais nobre possa se iniciar. Afinal, se a vida é cíclica, que possamos cultivar bons ciclos em nossa efêmera e passageira existência; pois até do divórcio também pode advir libertação e felicidade.