Este artigo tem por objetivo de forma sucinta fazer uma análise histórica da secretaria estadual de cultura do Piauí.

                                                                                                                                                                                                        

Além dos festivais que já estão no calendário anual de atividades, como o Encontro Nacional de Folguedos, outros eventos também são realizados pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura do Piauí (Secult), como incentivo a essas manifestações.  No mês de maio ou junho, o Festival de Inverno de Pedro II, além de trazer artistas de renome nacional, também reúne grandes artistas locais, levando também para as praças da cidade, vertentes do jazz e do blues, pilares do evento.

O Festival de Teatro Lusófono (Festluso) promove tanto o teatro local, como o intercâmbio com artistas de outros países de língua portuguesa, possibilitando ao público o acesso às apresentações de qualidade e totalmente gratuitas. Artistas de Portugal, Moçambique, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Macau e de outros estados do Brasil se apresentam todos os anos no Festluso.

O Encontro Nacional de Folguedos, tradicional evento que acontece há mais de 40 anos, tem como principal característica incentivar e difundir a cultura popular, principalmente a tradição do bumba-meu-boi. O evento também movimenta o comércio do artesanato piauiense e a economia local.

Em Bom Jesus, o som rústico da rabeca se mistura com a zabumba, o triângulo e até com o ritmo do cavalo-marinho, tradicional na região da mata pernambucana.  Grandes nomes da cultura popular e jovens estudantes da cidade passam pelo evento que mantém viva a tradição da rabeca e impulsiona o fazer cultural em Bom Jesus.

Os festivais de cultura também servem como porta de entrada para jovens artistas. Por meio de oficinas permanentes e cursos de diferentes áreas, os eventos proporcionam visibilidade e incentivo aos artistas que estão iniciando. Em Oeiras, crianças têm aula de bandolins no Centro Cultural Major Selemérico, que foi totalmente recuperado e entregue em 2016, e se apresentam na Semana Cultural do município. Em Floriano, são ministradas oficinas de teatro e iluminação cênica no Espaço Cultural Maria Bonita. Os jovens dançarinos da Escola de Dança Lenir Argento, em Teresina, também viajam o estado se apresentando nestes festivais.

A consolidação de grandes festivais de cultura é uma das melhores formas de incentivar os artistas piauienses e o povo que tem acesso às suas próprias raízes. Aliado à preservação do patrimônio artístico-cultural, os eventos beneficiam desde crianças até os mestres fazedores de cultura, que repassam conhecimento às novas gerações.

                A Secretaria da Cultura do Estado do Piauí é o órgão da administração executiva do governo do estado do Piauí encarregado de apoiar, executar ou desenvolver políticas sobre a cultura no âmbito do estado. Em 6 de dezembro de 1973 o governo do Piauí, por meio da lei estadual nº 3.262, criou a Secretaria Estadual da Cultura, Desportos e Turismo.

Até 1975 as ações governamentais de incentivo à cultura concentravam-se na Secretaria de Cultura do Estado. A partir de então, foram criadas mais duas instituições, com áreas específicas: a Fundação Cultural do Piauí, com atuação principalmente no resgate das manifestações folclóricas e da memória do Estado e a FAGEPI, com o objetivo de fomentar o esporte piauiense nas mais diversas categorias. Em 1997, foi criada a Fundação Estadual de Cultura e do Desporto do Piauí (FUNDEC), através da fusão da Fundação Cultural do Piauí e a Fundação de Assistência Geral aos Desportos do Piauí – FAGEPI. Em 2003, aconteceu a separação das fundações, criando-se então a Fundação Estadual de Esportes do Piauí (Fundespi) e a Fundação Cultural do Piauí (Fundac). Em junho de 2015, a lei estadual nº 6.673 cria a Secretaria Estadual de Cultura – SECULT, em substituição à Fundac.

Nos primeiros anos, após a mudança da capital para Teresina, a Assembleia Provincial funcionou, juntamente com o Liceu Piauiense, em casa alugada, na Praça da Constituição, hoje Praça Marechal Deodoro, tendo em vista as dificuldades de alojamento dos órgãos oficiais, por falta de prédios para acomodá-los. Em 1860, o então diretor do Liceu Piauiense se dirigiu ao Presidente da Província, Diogo Velho Cavalcanti de Albuquerque, futuro Visconde de Cavalcanti, solicitando providências no sentido de transferir o Liceu para uma outra casa, alegando não ser mais possível os dois órgãos continuarem no mesmo prédio, em face das dificuldades de acomodação. O referido imóvel pertencia ao Comendador Jacob Manoel de Almendra e o documento pertinente encontra-se no Arquivo Público do Piauí.

Logo depois, o governo provincial adquiriu prédio de João Isidoro França, na mesma praça, onde havia funcionado o primeiro teatro da cidade e uma escola pública, instalando nele, depois de algumas adaptações, a Assembleia Legislativa. Posteriormente, o referido prédio passou por novas modificações. No governo do Sr. Helvídio Nunes sofreu reforma que lhe alterou totalmente a fachada neoclássica, o que é lamentável. Com a mudança da Assembleia Legislativa para o edifício Petrônio Portella, às margens do rio Poti, passou a ser sede da Secretaria de Estado da Cultura.

            O primeiro teatro de Teresina hoje é sede da Secretaria Estadual de Cultura (Secult). O Palácio da Cultura, situado num dos mais importantes sítios históricos da cidade, ganhou reforma e modernização e foi devolvido à capital – com a preservação dos traços arquitetônicos do século XIX.

            O prédio, que já abrigou o Liceu Piauiense e a Assembleia Legislativa do Piauí, passou por uma série de adequações. No total, foram investidos recursos na ordem de R$ 1,2 milhão. Entre os serviços executados durante a reforma, estão a recuperação da estrutura, incluindo recuperação do forro, telhado, paredes, banheiros e estacionamento. O espaço também ganhou novo piso, pintura e mobiliário. Todas as instalações elétricas e hidráulicas também foram revistas e melhoradas.

            Portas e janelas foram recuperadas. Além disso, o local ganhou uma plataforma elevatória para atender pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. No piso superior do prédio, o auditório “Sulica” se transformou num teatro com capacidade para 100 pessoas, com novas poltronas, palco, cortina, iluminação e som adequados para receber eventos e espetáculos. Além disso, o Palácio da Cultura abriga inúmeras obras de arte, como do artista plástico piauiense Afrânio Castelo Branco.

            A reconstituição da sede da Secult representa o resgate de toda a identidade e memória da Praça Marechal Deodoro, berço do desenvolvimento urbano de Teresina. O Palácio possui uma arquitetura eclética e em estilo neoclássico, trazido ao Brasil pela missão artística francesa de 1816 e que se tornou a arquitetura oficial do Império.

            Na fachada, janelas e portas foram restauradas, devolvendo ao prédio suas características originais.  O local ganhou ainda nova decoração, a exemplo da galeria composta por desenhos dos gestores que já passaram pelo órgão, feitos pelo cartunista e caricaturista Dino Alves. No gabinete, um grande painel de madeira pintado pelo Mestre Dico também deixa esse espaço ainda mais rico.

            Na sala da Diretoria Financeira Administrativa, várias peças representam o artesanato piauiense, com destaque para a produção do Polo Cerâmico do Poti Velho, de Teresina.

            O Palácio da Cultura foi reinaugurado em 21 de dezembro de 2017.

Folclore é um conjunto de mitos e lendas que são transmitidos de geração a geração e se expressam através de danças, de poesias, de músicas originando festas populares que ficam tradicionalmente conhecidas passando a caracterizar determinadas regiões.

A colonização do Piauí foi feita no rastro das boiadas. Ainda hoje o boi é um dos principais sustentáculos da nossa economia e uma das presenças vivas do nosso folclore. Além das várias versões do Bumba-Meu-Boi, Boi de Julho ou Boi de São João, o folclore piauiense imortalizou a marchinha O Meu Boi Morreu.

Em seu livro Zamba, editado em 2000, a folclorista Lisete Napoleão Medeiros, discorrendo sobre a origem dessa composição poética e musical, nos diz que um rico fazendeiro do Piauí elegeu-se a deputado federal e estando em plenário da Câmara dos Deputados, sediada no Rio de Janeiro, onde até então funcionava o Distrito Federal, foi informado pelo seu assessor de imprensa sobre a morte de “Mimoso”, o seu boi de estimação.

Consternado com a notícia, o deputado tirou o chapéu-de-couro da cabeça e em prantos solicitou para que todos se levantassem e que de pé fizessem um minuto de silêncio. Após ser prontamente atendido, ainda com lágrimas nos olhos, exclamou: – “Senhores, o meu boi morreu, o que será de mim?!” Segundo a autora, durante muito tempo o fato gerou comentários e há até quem ateste que foi esse inusitado incidente que inspirou a criação da marchinha:

“O meu boi morreu,

O que será de mim,

Manda buscar outro, maninha,

Lá no Piauí”.

O folclore do Piauí reúne diversas lendas e tradições típicas desta região do Brasil. Os costumes folclóricos são passados de geração a geração, e envolvem mitos, danças, poesias, músicas e festas populares.
            O folclore piauiense conta com simpatias, causos, cordéis, folguedos e com uma maravilhosa culinária regional. Todas estas manifestações culturais transmitem a essência do povo do Piauí.
            Entre as lendas que fazem parte do folclore da região, temos as histórias sobre o “Cabeça de Cuia” e o “Zabelê”.     As duas lendas falam sobre homens tradicionais do Piauí, como pescadores e indígenas.
            Outra tradição folclórica famosa do Piauí é o Bumba Meu Boi, um tipo de dança que surgiu entre os escravos e os senhores. A dança é, na verdade, uma sátira sobre a desigualdade social que existia no tempo das grandes criações de gado do Piauí, que eram mantidas com a mão de obra escrava no século XVIII.

            O Bumba Meu Boi envolve diversos personagens, um figurino especial e instrumentos como o maracá e o bombo. As caracterizações representam o Caipora, os doutores, o burrinho, o curandeiro, entre outros personagens típicos da região. A tradição acontece durante o mês de junho, nas comemorações em homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro.
            A Quadrilha também é uma manifestação do folclore do Piauí que acontece nas festas juninas. A tradição é do século XIX e tem influências da Corte Imperial Portuguesa. A quadrilha do Piauí tem trajes típicos de chita, chapéus de palha e muita dança.
            Na culinária, o Piauí tem diversas iguarias típicas, como a paçoca salgada, a Maria Isabel, o bolo de milho, a canjica, o vatapá, a carne de sol e a tapioca. O folclore e as tradições são partes fundamentais da cultura do Piauí. Os eventos representam a história do povo e fazem parte do patrimônio cultural da região.

O Piauí ganhou repercussão nacional por ser um dos estados que mais tem investido em cultura. O fato chamou a atenção do ator Paulo Betti ao comentar que enquanto em estados mais ricos do país estão fechando teatros e casas de espetáculos, como o Rio de Janeiro onde foram fechados 36 teatros, São Paulo teve 10 casas de espetáculos fechadas e Minas, 9, o Piauí segue na contramão e entregou à população reformas e modernização do Complexo Cultural Theatro 4 de Setembro, em Teresina; Teatro Maria Bonita, em Floriano; Cine Teatro de Oeiras e ainda a Casa da Cultura em Corrente. Além das reformas, o Governo do Estado inaugurou o Teatro Saraiva, em Parnaíba; o ALARD, em Bom Jesus; e em parceria com a Universidade Federal do Piauí, o Governo do Piauí está reformando o teatro de Picos.

Dessa forma, com o intuito de manter viva essa identidade local, a preservação do patrimônio no Piauí vem sendo colocada como ponto fundamental das ações da Secretaria Estadual de Cultura (SECULT).

Desde a criação do órgão em 2015, a partir da extinção da antiga Fundação Cultural do Piauí, a Secult executa projetos de restauração e reforma dos prédios mantidos pelo Estado.

A primeira obra entregue e totalmente restaurada foi o Espaço Cultural Maria Bonita, em Floriano, que além de teatro também possui museu com acervo, que conta parte da história do antigo prédio da usina elétrica. Desde então, várias outras casas de cultura que estavam correndo riscos estruturais foram entregues novamente à população.

O Complexo Club dos Diários/Theatro 4 de Setembro hoje funciona em sua totalidade e abriga galeria de arte, teatro de bolso com 130 lugares, salas de oficina de teatro e espaço para shows. As escolas de dança e música também receberam melhorias no piso, instalações elétricas e hidráulicas e adequação das salas de ensino.

Na cidade de Oeiras, o Sobrado Major Selemérico foi restaurado, ganhou salas em homenagem a Possidônio Queiroz, músico oeirense, compositor de grandes valsas, e outra que homenageia Esperança Garcia. O espaço hoje funciona como casa de cultura, recebendo exposições e visitas guiadas, além de abrigar, também, a escola de bandolins, que mantém viva a tradição do instrumento na cidade. O Cineteatro Oeiras foi modernizado para receber exibições de filmes e grandes espetáculos.

A coordenadora de registro e conservação da Secult, arquiteta Patrícia Mendes, explica que a maioria das 23 casas ligadas à Secult são bens tombados, que exigem fiscalização e manutenção. “Antes as reformas demoravam até dois anos para terminar. Hoje, as obras são mais rápidas. Com a criação da Secult, o número de projetos foi ampliado e a melhoria dos espaços culturais é encarada como uma prioridade”.

O Museu do Piauí – Casa de Odilon Nunes também recebeu uma das mais significativas intervenções. O antigo casarão possui acervo diversificado que foi reorganizado em um novo projeto museográfico com novas salas, pinacoteca, iluminação e recursos didáticos.

Na nova organização interna das salas do museu há um espaço dedicado à arte sacra, com artigos e réplicas das igrejas mais conhecidas do Piauí.  As peças ganharam nova cenografia, possibilitando recursos de comunicação mais atrativos para o público que visita o local. Duas salas dedicadas às culturas negra e indígena foram montadas, além do tradicional espaço dedicado à história do Piauí.

O Governo do Estado investiu cerca de R$ 360 mil na reforma do Museu do Piauí. Além disso, o novo projeto museógrafo, orçado em R$ 300 mil, foi realizado com apoio do Sistema Estadual de Incentivo à Cultura – Siec.

“Nesse novo projeto, o museu ficou mais atualizado, interessante, confortável e o acervo está mais valorizado. Passamos a dar a devida atenção às peças já existentes, que dividem o espaço com novas peças adquiridas e doadas para o nosso museu que, a partir de agora, fica à altura dos museus mais atualizados do Brasil,” afirma a coordenadora do Museu do Piauí, Dora Medeiros.

As mais recentes intervenções da Secult na preservação do patrimônio este ano foram em casas de Teresina, Pedro II e Floriano. A melhoria do Memorial Tertuliano Brandão possibilitou a abertura da Escola de Jazz, na cidade de Pedro II. Em Floriano, o Espaço Cultural Christino Castro foi reaberto após reforma. O local possui museu, biblioteca, anfiteatro e loja de artesanato.

O principal espaço de preservação da cultura negra também mereceu atenção especial. O antigo Memorial Zumbi dos Palmares passou a se chamar Esperança Garcia, em homenagem à escrava piauiense que viveu na região de Oeiras, no século XVIII. Aprendeu a ler e a escrever com os padres jesuítas e escreveu uma carta ao governador da província, denunciando os maus tratos que sofria.

O Memorial Esperança Garcia recebeu todas as melhorias necessárias ao funcionamento e também ganhou acessibilidade, com rampas na entrada e no palco. Os muros foram grafitados com personalidades do movimento negro e o espaço passou a receber regularmente oficinas e apresentações culturais.

A reabertura e manutenção dessas casas de cultura pela Secult também influenciam na circulação de festivais, que passam a ter casas de espetáculos com espaço físico adequado. O Piauí hoje recebe festivais internacionais como o Festival de Teatro Lusófono (Festluso), que agora também tem apresentações em cidades do interior. Sem falar do projeto Seis e Meia, que traz grandes artistas nacionais para o Estado.

A Secult também conclui a reforma das escolas, com a entrega da Escola Técnica Estadual de Teatro Gomes Campos. Pelo interior do Estado, mais reformas e modernizações. Em Corrente, o Centro Cultural Coronel Benjamim José Nogueira foi todo reformado. O espaço ganhou também um teatro. Em Piripiri, o teatro João Claudio Moreno, que fica no Memorial Espedito Resende – casa mantida pela Secult – foi entregue à população, permitindo a realização de shows e grandes eventos na cidade.

Já em Parnaíba, em parceria com o Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, a obra do Teatro Saraiva.            

Isso sem falar do novo Teatro da cidade de Bom Jesus – o teatro Alard, construído pela Secult, para abrigar as principais manifestações artísticas da região.

Preservar e restaurar os patrimônios históricos são essenciais para uma sociedade que deseja manter seu passado coletivo. Manter a memória viva para o conhecimento da própria história e transmitir isso às novas gerações.

O Sistema de Incentivo Estadual à Cultura – SIEC foi criado por meio da Lei Nº 4.997, de 30 de dezembro de 1997, com o objetivo de estimular e desenvolver a criação e produção de expressões culturais e os processos de preservação e proteção do Patrimônio do Estado. O SIEC contempla as seguintes áreas: música, artes cênicas, fotografia, cinema e vídeo, artes plásticas e artes gráficas, folclore e artesanato, pesquisa e documentação, literatura, patrimônio histórico, artístico e ambiental.

Anualmente é definido um orçamento para o sistema, equivalente a 0,5% do orçamento geral do Estado. Os projetos são apresentados, analisados pelo Conselho Deliberativo e, se aprovados, recebem um certificado emitido pela Secretaria Estadual de Fazenda. Os coordenadores dos projetos devem buscar patrocinadores que, em troca do incentivo, serão isentos do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

O conselho é formado por dez membros, sendo cinco da sociedade civil organizada e cinco de órgãos ligados ao Governo do Estado.

O Siec aprovou 89 projetos no Piauí, em 2018, sendo 72 na capital e 17 no interior para o ano de 2018. No total, foram 202 projetos inscritos em Teresina e 38 no interior do Estado.

Com o certificado em mãos, os proponentes buscam a captação de recursos junto às empresas, que terão isenção sobre o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Entre os projetos aprovados na capital, está o Projeto “Música Para Todos”, que existe há 17 anos. Também foram contemplados o Salão do Livro do Piauí – Salipi, o Festival de Rabecas de Bom Jesus, entre outros projetos.

Através do Siec, também foi garantido apoio do Governo do Estado a várias obras e reformas de teatros e casas de cultura espalhadas pelo Piauí, como é o caso da reforma do Centro Cultural Odilon Nunes, em Amarante, e do Teatro Alard, em Bom Jesus.

O Conselho Estadual de Cultura (CEC) é um órgão consultivo e normativo da política cultural do Estado. Criado em 12 de outubro de 1965, no governo Petrônio Portella, mediante o Decreto nº 631, o Conselho foi o primeiro no gênero a ser instituído no país, precedendo a sua criação ao próprio Conselho Federal de Cultura, que data de 1966, extinto no Governo Collor de Melo, e hoje substituído pelo Conselho Nacional de Política Cultural, instituído no final de 2007, pelo Governo Federal.

Ao conquistar uma sede própria, o Conselho que antes funcionava em dependências do Arquivo Público do Estado expande suas atividades por meio do Centro Cultural da Vermelha. O CCV foi criado em 13 de maio de 2010, com o objetivo de sediar as ações de divulgação cultural do Conselho Estadual de Cultura do Estado.

Com base no Regimento Interno do CEC, capítulo V, Art.30, os principais eixos de atuação são: a criação do Centro Integrado de Ciências e Tecnologia, a realização de encontros e eventos similares sobre temas relevantes da atualidade nacional e internacional; a realização de cursos de formação, atualização e aperfeiçoamento, a partir de proposta apresentadas pelas Câmaras Permanentes; a realização de apresentações e exposições nas seguintes áreas: música, artes cênicas, fotografias, cinema e vídeo, artes plásticas, folclore entre outras e a propositura de convênios com entidades culturais, econômicas e científicas, nacionais e estrangeiras.

 Por meio de palestras, seminários, conferências, exposições artísticas e manifestações teatrais suas atividades movimentam a comunidade do bairro Vermelha, um dos mais antigos da capital do Estado e dos mais sensíveis à produção cultural, onde praticamente, teve origem a nossa arte santeira, com artistas de renome nacional e internacional, como o famoso mestre Dezinho e o mestre Expedito, responsáveis pela criação de uma escola no Estado.

O CCV dispõe de uma Biblioteca Comunitária que está à disposição da comunidade e é constituída de quatro mil livros, abrangendo as principais áreas do conhecimento. Em sua estrutura o centro possui ainda o Auditório Liz Medeiros, que também funciona como miniteatro, destinado a apresentações artísticas. Existe também um Centro de Informática através do qual se concretiza a criação de uma biblioteca virtual, com o propósito de atrair os jovens da periferia.

Cineas das Chagas Santos é o atual presidente do Conselho Estadual de Cultura. Piauiense, de Campo Formoso, sertão do Caracol (PI), é professor, editor, produtor cultural, vive em Teresina desde maio de 1965. Preside a Fundação de Apoio Cultural do Piauí (FUNDAPI) e coordena o grupo A Cara Alegre do Piauí. É autor dos livros: As Despesas do Envelhecer (crônicas); Pétalas (poemas); O Menino que descobriu as palavras, e Ciranda Desafinada (infantis), entre outros.

Maria Dora de Oliveira Medeiros Lima (Vice-Presidente), nasceu em Esperantina (PI), filha de Cicero Medeiros Barros e Arlinda de Oliveira Barros. Aos 16 anos, como muitos jovens da sua geração, veio para Teresina dar continuidade aos estudos. É licenciada em História pela Universidade Federal do Piauí. Pós-Graduada em Administração, em nível de Especialização, em Gestão Empresarial Competitiva, com ênfase em Recursos Humanos (INPG) na cidade de São Carlos (São Paulo). É Especialista em História da Arte e da Arquitetura pelo Instituto Camillo Filho – Teresina, Piauí. Funcionária da Secretaria de Estado da Cultura do Piauí onde exerceu várias funções como: Recepcionista, Chefe de Setor, de Secção, Coordenação e Direção.

Atualmente é membro do Conselho Estadual de Cultura, exercendo o cargo de Vice-Presidente, Membro do Conselho do SIEC (Sistema Estadual de Incentivo à Cultura), coordenadora do Sistema Estadual de Museus do Piauí e do Museu do Piauí – Casa de Odilon Nunes. Foi contemplada com Medalha da Ordem do Mérito Renascença do Piauí, conforme decreto Nº 10.493 de 13 de março de 2001.

Graduado em História (Licenciatura Plena) pela Universidade Federal do Piauí (1985). Especializado em Língua e Literatura Inglesa pela Universidade Federal do Maranhão e Administração Empresarial pelo CLA-SP. Instrutor e Examinador de Trânsito pela ABDETRAN (2000). Membro do Grupo de Trabalho Elaborador do Projeto de Lei do Código de Posturas do Município de Teresina (1988). Membro do CEC (1991-1997). Professor de Língua Inglesa e Orientador Pedagógico do Yázigi desde 1975. Tem experiência na administração pública, onde atuou como Secretário Municipal de Serviços Urbanos de Teresina (1986-1988), Subsecretário de Estado da Segurança Pública do Piauí (1990-1991), Diretor de Fiscalização e Policiamento do DETRAN (1995-2000), Secretário Municipal de Esportes e Lazer de Teresina (2001-2002), Diretor de Unidade de Planos e Programas do DER (Desde 2003). Atual Conselheiro do CEC, representando a Assembleia Legislativa do Piauí.         

Wilson Seraine é formado em Física pela Universidade Federal do Piauí-UFPI, tem Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática pela ULBRA. É professor do IFPI, secretário executivo da Funcor-Fundação Nordestina do Cordel, Presidente do Conselho Estadual de Educação e palestrante de cultura popular nordestina com ênfase na obra de Luiz Gonzaga. Apresenta o programa A Hora do Rei do Baião na FM Cultura de Teresina.                   

João Batista Sousa Vasconcelos, ator, diretor de teatro e shows musicais, dramaturgo de cena, produtor cultural e pequeno empreendedor de casas de eventos, bares temáticos e restaurantes artísticos populares.

Parceiro em produções executivas do Sesc Regional Piauí contribuiu na execução do Sesc Piauí de Dança e Festival SESC de Teatro Infantil Pipoca com Guaraná.

Participou dos filmes cômicos “Mocambinho”, “Todo Mundo Mora no Dirceu” e a trilogia “Corpúsculo”, dirigidos por Franklin Pires.

Foi Presidente do Grupo Harém de Teatro, no período 2014/2015. Atualmente é coordenador do Complexo Club dos Diários/Theatro 4 de Setembro e membro do Conselho Estadual de Cultura.

 Cláudia Simone de Oliveira Andrade, cantora, compositora, poeta, produtora cultural e bacharel em Direito. Seu 1º livro de poemas intitulado Sobre Todos os Sons da Natureza (Edições Não Ser/1887) teve um de seus poemas analisado pela Gramática Saraiva com distribuição nacional. Também participou de diversos livros como: Elas Escrevem, Elas Inspiram/ Antologia Transcultural de Poesia Feminina/Antologia de Escritoras Piauienses do Sec. XIX a Contemporaneidade/CroceviadiVersi – Encruzilhada de Versos – Pequena Antologia Transoceânica/Baião de Todos.

Em 2000 lançou seu 1º CD intitulado A Quintessência produzido por Marleide Lins. Em 2005 venceu o concurso Publique da FUNDAC, atual Secretaria de Cultura do Estado do Piauí e publicou o livro A Quintessência homônimo do CD, sendo elogiada pelo poeta Hardi Filho. Produziu o Projeto Canta Piauí, amplamente divulgado pelas redes sociais, tendo contemplado diversos grupos, compositores e interpretes piauienses como: Roraima, Fátima Castelo Branco, Eita Píula, Soraya Castelo Branco, Netinha Piauí, Balandê Baião, Gabi, Edvaldo Nascimento, A Ópera dos Malungos, entre outros. Atualmente, é Coordenadora de Marketing do Projeto Música Para Todos, onde produz também programa para a TV e é Conselheira de Cultura do Estado do Piauí.

               Jonas Pereira da Silva, natural de Valença do Piauí, é formado em Licenciatura Plena em Letras Português/Literatura, Pós-Graduação em Psicopedagogia Clínica e Institucional. Linguística e o Ensino da Língua Materna. Membro da Academia de Letras da Confederação Valenciana (ALVC).

Membro do Conselho Estadual de Políticas Públicas Sobre as Drogas – CEPD/PI e do Conselho Estadual de Cultura (CEC).

Em 2007 foi eleito Poeta do Ano no Festival de Talentos – FUNDAC, com a poesia, Doce Princesa.

Livros Publicados: O Cantinho do Poeta, Revivendo João Ferry, As Aventuras do Heliotero.

Maria do Rosário Sales (Lari Salles), de Buriti dos Lopes (PI), já recebeu título de Cidadã Teresinense e Medalha de Mérito Renascença e Mérito Professor Wall Ferraz da Prefeitura Municipal de Teresina. Atriz e diretora de teatro desde 1979, tem mais de trinta espetáculos no currículo, três filmes e um programa de TV (ENCENA). Recebeu mais de quinze prêmios como atriz e diretora em todo o Brasil.       Exerceu a Coordenação de Artes Cênicas da Fundação Cultural Monsenhor Chaves. Ex-Diretora da Confederação Nacional de Teatro. Ex-Presidente da Federação de Teatro Amador do Piauí. Dedicação exclusiva ao teatro e a cultura do Piauí. Atualmente: Presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do estado do Piauí (SATED – PI). Conselheira do Conselho Estadual de Cultura. Conselheira do Sistema de Incentivo Estadual à Cultura (SIEC).  Coordenadora do Projeto Vem que é Teatro (FCMC). Participou entre outros espetáculos: Raimunda/Raimunda – Chico Pereira da Silva, A Serpente – Nelson Rodrigues, Saltimbancos – Chico Buarque, Opera da Liberdade – Aci Campelo, A Guerra dos Cupins – Afonso Lima, Monologo Apareceu a Margarida – Roberto Athaide, A República dos Desvalidos – Afonso Lima. A Rainha do Rádio – José Safiotti e a casa de Bernarda Alba – Garcia Lorca.

 Nelson Nery Costa, nasceu em Teresina, em 21 de março de 1959. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e obteve o grau de Mestre em Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. É Doutor em Direito pela Universidade Lusíadas de Lisboa (Portugal) e Doutor em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Foi Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção Piauí, por três mandatos, além de Presidente da Caixa de Assistência de Advogados do Piauí (CAAPI). Diretor da Escola de Advocacia do Piauí (ESAPI), Conselheiro Federal e Seccional e Presidente da Comissão de Advocacia Pública do Conselho Federal da OAB. É Defensor Público-Geral, desde 1986, de 2007 a 2011, sendo hoje o 1º Defensor Público da Categoria Especial. Ex-Presidente da Associação de Defensores Públicos do Piauí e ex-Diretor da Associação Nacional de Defensores Públicos (ANADEP). Ocupa a Cadeira nº 33 da Academia Piauiense de Letras, sendo seu Presidente de 2014 a 2017. É Professor Associado de Direito Público da Universidade Federal do Piauí, desde 1987, além de integrar o Conselho Editorial da Revista Forense, fundada em 1904.

Fabio Núñez Novo foi Secretário da pasta de 2015 a 2018

Secretaria de Cultura e Fundação Cultural do Piauí (Desde a criação em 1973)

  • Wilson de Andrade Brandão (Idealizou a secretaria de cultura – 1º Governo Alberto Silva)
  • Luís Pires Silva – Secretário de Educação e Cultura (1º Dirceu Arcoverde)
  • Joaquim Bezerra (Interino)
  • Manoel Paulo Nunes (Interino)
  • Jesualdo Cavalcanti Barros- Secretário de Cultura, Desportos e Turismo e Presidente da Fundação Cultural do Piauí (1º Governo Hugo Napoleão)
  • Padre Sólon Correia de Aragão (Secretário Estadual de Cultura)*
  • José Elias Martins Arêa Leão (Presidente da Fundação Cultural do Piauí) *

*Neste período houve um secretário de cultura e um presidente da fundação. Antes apenas uma pessoa exercia as duas funções

  • Israel José Nunes Correia (2º Governo Alberto Silva)
  • João Henrique de Almeida Sousa (Secretário de Cultura)
  • Deusdetit Sousa (Presidente da Fundação Cultural do Piauí)
  • Antonio de Noronha Pessoa Filho (Secretário e presidente da Fundação Cultural do Piauí)

Secretaria de Cultura extinta, neste período apenas Fundação Cultural do Piauí

  • Suzana de Melo Tavares Silva
  • Osmar Ribeiro de Almeida Júnior (1º Governo Mão Santa)
  • Maria de Lourdes Carvalho Rufino (2º Governo Mão Santa)
  • Aldenora Mesquita (2º Governo Hugo Napoleão)
  • Sônia Maria Dias Mendes (1º e 2º Governo Wellington Dias)
  • Marlenildes Lima da Silva (Bid Lima)
  • Scheyvan Xavier Lima (Governo Zé Filho)
  • Francisco Assis Sousa

Em 2015 volta a ser Secretaria de Estado da Cultura

  • Fábio Núñez Novo
  • Marlenildes Lima da Silva (Bid Lima)

             Jesualdo Cavalcanti Barros, enquanto Deputado Estadual foi Secretário de Cultura, Desportos e Turismo e Presidente da Fundação Cultural do Piauí (1983/1986). Nesse período foi implantado o Projeto “Petrônio Portela”, que resultou na publicação de cerca de 40 obras de autores piauienses que versavam sobre temas regionais; foram publicadas 13 edições da Revista Presença (revista de divulgação da literatura e da arte piauienses). Defensor da preservação do Patrimônio Histórico, quando secretário de cultura, participou de um movimento para barrar a demolição do Clube dos Diários (Fundado em 1922), que previa a construção de um Shopping no local.

             Fábio Núñez Novo, natural da cidade de Bom Jesus, no extremo Sul do Piauí, situada a 635 Km da capital, Teresina. Nascido em 20 de julho de 1974, é filho de Eduvigis Novo Vásquez Núñez e Ramon Núñez Losada, oriundos da Galícia, região da Espanha fronteiriça com Portugal.

A trajetória política de Fábio Novo iniciou aos 19 anos, quando foi eleito vereador na cidade de Bom Jesus. Ainda naquela cidade assumiu a Secretaria Municipal de Educação e Cultura e a vice-prefeitura, de 2005 a 2007.

É fundador e diretor da Rádio FM Cidade Comunitária Bom Jesus. Foi secretário geral da Associação de Radiodifusão Comunitária do Estado do Piauí (ARCEPI) no biênio 2000/2001; diretor-presidente do Jornal “O Cerrado” e assessor técnico da Secretaria de Interior e Assuntos Municipais do Governo do Estado, no período de novembro de 2000 a novembro de 2001.

É formado em Jornalismo pela Faculdade Santo Agostinho e Pedagogia pela Universidade Federal do Piauí. Foi locutor da Rádio Gurgueia, em Bom Jesus, de 1985 a 1990, e estagiário na TV Timon (MA), de julho a dezembro de 2004. Integrou a equipe do jornal O Dia, jornal Diário do Povo e portal 180 Graus, em Teresina.

Fábio Novo foi presidente da Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores no Piauí por dois mandatos consecutivos. Assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Piauí, pela primeira vez, em 2008, como suplente do deputado estadual Olavo Rebelo. Em 2010, com um total de 24.022 votos, assumiu, como titular, o mandato de deputado estadual. Em 2014, foi reeleito deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores, com 28.864 votos. Em 07 de outubro de 2018 é reeleito para o terceiro mandato de deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores, com 35.714 votos. Em 29 de junho de 2015 assumiu o cargo de secretário estadual de Cultura.

À frente da pasta, Fábio Novo se sobressaiu e foi reconhecido pela classe artística e pela opinião pública como o secretário mais atuante do governo Wellington Dias. Durante a sua gestão, as casas de cultura espalhadas pelo Estado foram reformadas e modernizadas. Novos espaços também foram construídos, tornando possível a descentralização de projetos consagrados, como Seis e Meia e Boca da Noite.

O balanço da sua gestão, de dois anos e nove meses, à frente da Secretaria de Estado da Cultura, "uma pasta com poucos recursos num estado onde há outras prioridades". O orador lembrou que quando o governador Wellington Dias perguntou sobre qual seria o foco da gestão da então Fundação Cultural do Piauí, Fábio Novo respondeu que seria a recuperação do que havia de patrimônio cultural.

“Nós colocamos claramente para o governador que o nosso desejo no primeiro momento era recuperar o que já existia de patrimônio da Secretaria, os espaços de cultura, teatros museus e hoje estamos aqui para um relato do que foi possível fazer nesses dois anos e nove meses”, explicou.

Fábio Novo começou o relato dos feitos na Secult pela capital, Teresina, citando o símbolo maior da cultura piauiense, o Teatro 4 de Setembro, onde havia inclusive o risco de desabamento do teto. Todo complexo foi reformado e modernizado: Theatro 4 de Setembro, Oficina Procópio Ferreira, o Clube dos Diários, o Teatro Torquato Neto e o Espaço Cultural Osório Júnior.

“Com isso foi possível devolver alguns projetos como os projetos Seis e Meia, Boca da Noite. Na parte do bar, foi instalado o Café Genu Morais, onde foi possível lançar mais de 100 livros e autores piauiense em dois anos. Pelos nossos cálculos com eventos e espetáculos que aconteceram no complexo, foram mais de 150 mil pessoas, que passaram pelo Complexo Clube dos Diários e do Theatro 4 de Setembro”, citou.

O deputado também mencionou a reabertura da Biblioteca Cromwell Carvalho, que tem um público estimado de 400 pessoas por dia, com todos os espaços físicos climatizados. A reforma do Museu do Piauí, com destaque a museografia que o tornou mais atrativo na capital. O Memorial Esperança Garcia na Avenida Miguel Rosa, que cuida da cultura afro-brasileira, ganhou uma biblioteca uma sala de vídeo, sala para oficinas e cursos inclusive em convênio com Universidade Estadual.

“Tivemos emendas de 25 deputados onde foi possível fazer trabalho de educação patrimonial e que permitiu a reforma do prédio da Secretaria de Cultura. O prédio abrigou o primeiro Teatro da Cidade e também a Assembleia Legislativa do Piauí. Devolvemos a fachada original, construímos um auditório belíssimo, climatizado com sistema de som e luz, que ganhou o nome Teatro Sulica, uma servidora que teve um trabalho belíssimo à frente da Secretaria de Cultura”, acrescentou.

Fábio Novo ressaltou que a Escola de Música, aumentou de 14 para 24 as salas de aula, que atendem a 1.400 alunos. A Escola de Dança também foi reformada e ampliada, com 1.250 alunos matriculados em 2018. A reforma da Escola de Teatro que tinha 200 alunos matriculados ano passado e hoje são 537 alunos após a reforma. Todas as salas reformadas, climatizadas e mobiliadas, além de instalação de um novo laboratório de audiovisual de dança e artes cênicas. Escola de dança chegou a ganhar o prêmio mundial na Rússia.

“A Escola dos Bandolins em Oeiras, com 200 alunos, foi reaberta para não se perder a tradição na cidade. A Escola de Rabecas em Bom Jesus, que também oferece aulas de teatro e dança para 400 alunos. Saímos de 1.200 para 9.600 alunos estudando artes, instrumentos, dança, algum fazer cultural, lapidando talentos fora da sua cidade e fora do risco da vulnerabilidade: a violência e a droga. Se mantivermos o nível das suas escolas por mais uma década teremos revelado no Piauí grandes talentos. Nos 80 pontos de cultura onde necessitava a contrapartida do governo e a prestação de contas para continuarem recebendo recursos do governo do Estado e governo Federal a situação foi regularizada. As contrapartidas foram depositadas para que esses projetos pudessem voltar a funcionar. À medida que os projetos são apresentados e as contas são prestadas são repassadas três parcelas de R$ 60.000 para desenvolver as suas atividades culturais nos mais diversos municípios do Piauí”, comenta Fábio Novo.

O deputado destacou ainda o apoio dado a realização de um calendário cultural permanente e atual no Piauí, como o Festival de Inverno de Pedro II, o Festival das Rabecas, Festival da Cultura de São Raimundo Nonato, com a Opera da Serra da Capivara realizada no Boqueirão da Pedra Furada, que ganhou caráter internacional.

“As imagens ganharam o mundo pela qualidade, inclusive o que garantiu os recursos para a realização da segunda edição do evento que aconteceu no mês de julho. Foram intensas atividades pelos 300 anos de Oeiras, onde fizemos a reforma e a modernização de um prédio do primeiro Palácio do Governo, que abriga o Memorial dos Governadores da Província e Republicanos. Fizemos o Memorial Esperança Garcia no piso inferior, implantamos a Escola dos Bandolins ainda como parte das comemorações dos 300 anos. Entregamos o Museu de Arte Sacra, no dia 26 de dezembro de 2017. Apoiamos muito fortemente a cidade de Floriano, que é um polo cultural, onde acontece a segunda maior encenação da Paixão de Cristo, só perdendo para Nova Jerusalém. Recuperamos o Espaço Maria Bonita, reeditamos o Festival de Cinema dos Sertões e o Festival de Teatro", elencou.

O lançamento do primeiro edital de audiovisual do Piauí, numa parceria com Agência Nacional de Cinema, também foi lembrado. “Ganhamos uma disputa com os demais estados brasileiros. O Piauí ganhou uma discussão com Rio e São Paulo, que ficavam com mais de R$ 1 bilhão. Cada estado vai receber algo em torno de R$ 10 milhões do fundo. Vamos fazer a partir de maio os primeiros curtas e longas”, adiantou, citando o documentário sobre Torquato Neto que já ganhou vários prêmios desde o lançamento".

Nas cidades polos do Piauí, lembrou Fábio Novo, faltavam alguns equipamentos para promover a descentralização do "fazer cultural". O projeto Seis e Meia, por exemplo, foi descentralizado. Além de Floriano e Oeiras, agora Corrente, Bom Jesus, Piripiri e Parnaíba vão receber eventos. E mais dois novos espaços estão sendo realizados em Piracuruca e Piripiri, além da Cadeia Pública de Jerumenha e o complexo do porto da Barcas de Parnaíba, que também estão sendo revitalizados.

Deputados como Francisco Lima (PT) e Marden Menezes (PSDB) elogiaram o desempenho de Fábio Novo à frente da Secretaria de Cultura. Lima destacou a importância desse trabalho para as futuras gerações.

Segundo Limma, “a cultura contribui para engrandecer o Piauí e o seu povo, mas durante muito tempo foi relegada ao segundo plano. Um grande trabalho foi feito por Vossa Excelência no momento de grande desafio para os estados. O Piauí foi capaz de fazer esses investimentos graças ao apoio do governador e a competência do gestor”, ressaltou Limma, citando a recuperação do Teatro Municipal de Esperantina.

Marden Menezes falou que é inegável o desempenho do secretário Fábio Novo, inclusive na cidade de Piripiri, destacando a parceria para recuperação do museu e a criação de um novo espaço cultural, adaptando o antigo auditório do memorial Espedito Resende.

“Uma ilha produtiva dentro do atual governo. Sem olhar cor partidária, foi a secretaria que mais executou projetos através de emendas. Apesar de estarmos em lados opostos o objetivo maior é servir a sociedade piauiense e disso nós não podemos descuidar. Gostaria de poder dizer isso para os demais, mas nem todos tiveram o mesmo zelo a mesma desenvoltura que vossa excelência”, afirmou Marden Menezes.

Em 06 de abril de 2018, Fábio Novo deixou a Secult e voltou a atuar como deputado estadual.

 Marlenides Lima da Silva (Bid Lima), dos muitos dons que Marlenides Lima da Silva, conhecida como Bid Lima, possui a comédia é, sem dúvida, o mais marcante. A atriz até explorou outros estilos, mas gostou mesmo foi do humor. Além de atuar ela é figurinista, cenógrafa e produtora cultural. É graduada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Piauí e está concluindo Mestrado em Educação na Universidade de Columbia em Asunción. Sua história no teatro começa nos anos noventa e desde então trabalhou com quase todos os diretores de teatro de Teresina. Apresentou não só no Piauí como na Europa e África. Já recebeu o prêmio de teatro Melhores do Ano, elaborou figurinos premiados, assim como cenários para algumas peças como “As Malditas”. Bid Lima já atuou nos espetáculos “Quando as máquinas param”, “A casa de Bernada Alba”, “Corpúsculo”, a sátira do filme “Crepúsculo” que também ganhou uma adaptação para o cinema, dentre outras. A atriz, faz parte do Grupo Harém de Teatro. E mesmo afastada dos palcos, temporariamente, segundo a própria atriz, Bid Lima continua sempre em contato com o teatro, mesmo que nos bastidores.

Bid Lima cresceu cercada pela família, uma família grande de artistas natos e dessa mistura de talentos tinha que sair artista de qualquer jeito. Segundo Bid Lima, uma festa familiar se torna um grande evento pela quantidade de parente. E não é por menos, a família da atriz praticamente fundou o bairro Memorare, pois a avó teve treze filhos e quarenta e sete netos, sendo também a moradora mais velha do bairro que fará 94 anos de idade. Já o bisavô, Possidônio, foi quem ajudou a construir a igreja do bairro. As festas de final de ano eram temáticas e tinham espaço para apresentação de danças, teatro e música. Bid Lima relembra o trecho da poesia de Coelho Neto que declamou aos seis anos de idade e nunca esqueceu: “Ser mãe é desdobrar fibra por fibra o coração!” No meio de tanta gente Bid e as primas começaram a levar os dons artísticos para fora do ambiente familiar, apresentado também no grupo da igreja. O gosto pelas artes foi crescendo e Bid Lima começou a seguir o caminho das artes.

Na adolescência, mais precisamente em 1997, com dezesseis anos de idade, Bid Lima entrou para a sua primeira oficina de teatro. Era o “mergulho teatral de férias”, uma oficina ofertada pelo grupo Procópio Ferreira que aconteceu no Theatro 4 de Setembro. O primeiro professor de Bid foi Arimatan Martins que percebeu bem cedo o dom da atriz. E nesse mergulho teatral a atriz conheceu Luciano Brandão, Franklin Pires, Cintia, Alex, entre outros. Amigos que seguiram rumos diferente nas artes, mas que mantiveram o elo forte.

“O Arimatané um gênio, percebeu esse traço cômico que a gente tinha, não só eu como minhas primas. Tanto que éramos chamadas de os trapalhões porque tudo que a gente fazia, podia ser até sério, transformávamos numa coisa moleca, era uma coisa da gente mesmo”, diz a atriz. Depois da experiência Bid Lima passou a se dedicar intensamente aos espetáculos. Um ano depois de iniciar no teatro a atriz se apresentou em Portugal e nunca foi de negar um desafio artístico, se arriscou nos palcos e explorou de tudo um pouco.

A necessidade e criatividade formou a cenógrafa e figurinista Bid Lima que usou os conhecimentos adquiridos no curso de Artes Visuais para aprimorar as suas técnicas. A falta de incentivos e de recursos foi despertando na atriz o desejo para criar os elementos cênicos, então a atriz foi se encarregando desse ofício até que deixou de ser apenas uma função e se tornou paixão. Bid Lima fez o figurino do ator João Branco para a peça teatral “As palavras de Jó” de Cabo Verde, além do figurino de “As Malditas” premiado como melhor figurinista no troféu Os Melhores do Teatro Piauiense de 2017.

Bid Lima confessa que teve certa dificuldade para decorar textos, mas foi criando mecanismos para superar esse desafio. E de todos os papéis feitos a personagem que ela se apaixonou foi Helena de Sonhos de uma noite de verão do Shakespeare, pois foi o primeiro papel grande, com muitas falas e que forçou a atriz a superar seus medos e sua timidez.

As experiências com o teatro fizeram Bid Lima explorar também o universo do cinema participando do filme “Corpúsculo” (2010), sátira do filme “Crepúsculo” interpretando a personagem Bela Swina. Posteriormente a atriz deu continuidade a sua personagem no filme “Eclampse” (2012), ambos dirigidos por Franklin Pires. A experiência deu certo e foi bem aceita pelo público. Bid Lima relata as dificuldades de se construir um filme com poucos recursos e com muita força de vontade por parte da equipe. O sucesso foi tanto que mesmo fora das telas as pessoas identificavam a atriz pela personagem do filme.

Os filmes e peças apresentados pela atriz são os resultados de uma parceria bem-sucedida com o ator e diretor Franklin Pires. E essa química entre os dois atores se estendeu para fora dos palcos chegando até as experiências e brincadeiras publicadas na internet. Bid Lima comenta que na interpretação o diálogo e sincronia entre os dois é tão forte que mesmo em cenas improvisadas os dois conseguem se entender, como se ela conseguisse ler o olhar de Franklin.

Bid Lima experimentou um pouco de tudo e comenta o quanto isso é importante para a construção do artista, não desperdiçar as oportunidades e entender que tudo é aprendizado. São duas décadas se dedicando ao teatro e, segundo a atriz, não importa se a mensagem será trágica ou cômica, o que realmente importa é o poder transformador que a arte possui, tanto para o público como para o artista.

Bid Lima mergulhou, ao logo da sua trajetória artística, na produção cultural, pois ser atriz exigiu outras competências, tendo que fazer o trabalho de produtora e posteriormente assumindo esse ofício. Ficar nos bastidores é tão importante como subir no palco, a apresentação da peça é a forma final da obra que tem um caminho árduo até a sua exposição.

Bid Lima já produziu o Festival de Rabecas de Bom Jesus, o espetáculo “Paixão de Cristo”, a “Caravana da rabeca”, o “Auto de Natal”, entre outros. O jogo de cintura para atrair o público não é simples e Bid comenta que mesmo diante dos obstáculos é preciso que o artista insista e pense em estratégias para permanecer produzindo arte. A atriz acredita no poder das artes como complemento para a educação e como a percepção do ser humano se modificar quando entra em contato com as artes de modo geral, diz também que é preciso se conhecer e essa consciência é uma das habilidades exigidas no teatro. E tanta dedicação acontece porque o teatro, para Bid Lima, é a sua base, por isso ela afirma: “O teatro é vida, é uma forma de respirar e uma válvula de escape.”

Bid Lima arranca risos da plateia com muita facilidade, suas personagens ganharam a admiração e o gosto popular. Foram inúmeras peças apresentadas e mais de quarenta trabalhos ao longo desses vinte anos de teatro, com muitas histórias divertidas, muita dedicação e sacrifício. Hoje Bid trabalha nos bastidores tentando levar a arte ao maior número de pessoas possíveis e desenvolvendo um trabalho para a valorização da cultura piauiense. A atriz foi conquistando o seu espaço, mostrando o seu talento, ficando conhecida como uma das representantes da comédia do teatro piauiense. Além disso também usou a aptidão com a comédia para apresentar a força e importância do humor fomentando reflexão de temas delicados ou tabu. Foi no palco que Bid se encontrou e se sentiu confortável para dialogar com outros artistas. E o teatro não foi apenas paixão, tampouco sonho, foi muita batalha e força de vontade para criar caminhos e condições favoráveis, assim como criar um público fiel.

Os folguedos são festas de caráter popular cuja principal característica é a presença de música, dança e representação teatral. Grande parte dos folguedos possui origem religiosa e raízes culturais dos povos que formaram nossa cultura (africanos, portugueses, indígenas). Contudo, muitos folguedos foram, com o passar dos anos, incorporando mudanças culturais e adicionando, às festas, novas coreografias e vestimentas (máscaras, colares, turbantes, fitas e roupas coloridas). Os folguedos fazem parte da cultura popular e do folclore. Embora ocorram em quase todo território brasileiro, é no Nordeste que se fazem mais presentes.

O Encontro Nacional de Folguedos do Piauí é palco de grandes manifestações culturais do Estado e do Brasil. Desde 1974, sua história e consolidação estiveram associadas ao fortalecimento das manifestações folclóricas piauienses. Inicialmente, o Encontro era realizado durante três dias no Teatro de Arena, localizado na Praça da Bandeira.

Em 1978, o evento ganhou projeção nacional, porém, em 1980 voltou ao caráter estadual. Nos anos de 1982 e 1983, o Folguedos foi realizado no Centro de Convenções e, após esses dois anos, passou a acontecer na Prainha, zona Sul de Teresina, onde ficou por 10 anos.

De 1984 a 1992, o evento manteve o âmbito estadual, para de 1993 em diante incorporar grupos e atrações nacionais. Desde o início desta década, o Encontro de Folguedos estava sendo realizado no Parque Potycabana. Em 2009, o evento foi transferido para a parte externa do Estádio Albertão, onde acontece atualmente.

Todos os anos grupos de vários estados se encontram durante o Encontro Nacional de Folguedos. O encontro reúne apresentações de quadrilhas e de grupos folclóricos. A tradição do Bumba-meu-boi também está presente no evento, além das comidas típicas, artesanato e dos shows musicais.

Festival de Rabecas, realizado no sul do Piauí, o evento mantem a tradição da rabeca e proporciona o encontro entre diferentes gerações de músicos que tocam o instrumento. É também em Bom Jesus que está a primeira orquestra de rabecas do Brasil, formada por jovens da rede pública. Na programação também está a realização de oficinas e de shows musicais, tudo aberto ao público.

A rabeca ou rebeca é um instrumento musical de cordas friccionadas, aparentado ao violino, e geralmente encarado como uma espécie de versão mais rústica ou primitiva deste último. Apesar da evidente semelhança entre os dois, a rabeca pode ser considerada como um instrumento com identidade própria, uma vez que se distingue do violino em muitos aspectos, principalmente na construção e no modo de tocar.

Ao contrário do violino, a rabeca não possui um padrão universal de construção, apresentando muitas variações no tamanho, formato, número de cordas, afinações utilizadas e materiais empregados em sua confecção. As características de cada instrumento obedecem às tradições regionais e à criatividade e aos meios de que dispõe o fazedor de rabecas, que é na maior parte das vezes um artesão com poucos recursos materiais. Quanto à maneira de tocar, o violino é normalmente posicionado sob o queixo do músico; a rabeca, embora também possa ser tocada nesta posição, é mais frequentemente apoiada sobre o peito ou sobre o ombro esquerdo do tocador, à maneira de alguns instrumentos medievais.

Tanto as características do instrumento como de sua execução permitem ao rabequeiro (ou rabequista) uma ampla variedade de timbres e sonoridades, bastante distintos daqueles encontrados no violino. Um exemplo: enquanto o cavalete do violino é curvo, para permitir a fricção de uma corda de cada vez, o cavalete da rabeca é geralmente bem mais plano, o que favorece a fricção de duas ou mais cordas simultaneamente.

Identificar uma origem precisa para a rabeca é uma tarefa complicada. Entre seus ancestrais mais remotos, estão provavelmente os primeiros instrumentos de cordas friccionadas, trazidos pelos árabes para a Europa, como o rabab ou rebab, de origem persa, e o ar’abebah, utilizado pelas tribos berberes da África do Norte. Estes instrumentos em geral traziam apenas uma ou duas cordas e uma caixa de ressonância em formato de pêra, recoberta por um couro. Versões mais sofisticadas destes instrumentos, chamadas de rabé, rabel ou rebec, agora já com tampo de madeira e três cordas afinadas em quintas justas, tornaram-se extremamente populares na baixa Idade Média, disseminando por toda a Europa a técnica e o som das cordas friccionadas.

Com o tempo, estes instrumentos acabaram por se misturar com diversos tipos de violas de cordas pulsadas então em voga na Europa, como a vihuela espanhola. O resultado foi um novo instrumento que combinava a técnica e o som das cordas friccionadas com o formato característico da caixa de ressonância das violas, composta de dois tampos interligados por ilhargas, com um estreitamento central formando uma espécie de cintura. Ao contrário das violas, contudo, este novo instrumento tinha os tampos mais grossos e côncavos, e continuava a ser afinado em quintas. É com estas características que encontramos as primeiras referências ao instrumento chamado rabeca.

Uma variante menor deste instrumento, tocada sob o queixo e modificada por gerações sucessivas de meticulosos artesãos até alcançar um formato padronizado, resultaria no violino e nos outros instrumentos de sua família, que mais tarde se tornariam dominantes em toda a Europa. Com a popularização do violino, a rabeca tornou-se praticamente obsoleta no continente europeu, permanecendo apenas em algumas poucas regiões, principalmente áreas rurais e montanhosas. É o caso da rabeca chuleira portuguesa, do rabel dos pastores castelhanos e da rabeca presente em alguns pontos da cordilheira italiana.

É provável que a rabeca, sendo um instrumento popular na península ibérica à época do descobrimento do Brasil, tenha chegado ao país já nos primórdios da colonização portuguesa. Existem algumas referências bem antigas ao uso do instrumento em festas populares, como as realizadas na Bahia, em 1760, para comemorar o casamento da Princesa do Brasil (a futura rainha Maria I), com seu tio D. Pedro (mais tarde D. Pedro II): “No dia onze fizeram os sapateiros e corrieiros a sua demonstração em uma dança de ricas e vistosas farsas, que em nada cedia à dos alfaiates, e discorreram pelas ruas ao som de várias rabecas destramente tocadas."

Em suas diversas variantes, a rabeca pode ser encontrada em praticamente todo o Brasil: nos fandangos paranaenses, nas folias de Reis de Minas Gerais, nos bois de reis e cavalos-marinhos da zona da mata nordestina, na música caiçara do litoral paulista, nos reisados e danças de São Gonçalo em todo o nordeste, em comunidades de índios Guaranis em São Paulo e no Rio Grande do Sul, na marujada do litoral paraense e em muitas outras regiões. Em cada um desses lugares, possui características e repertório próprio, tendo sempre como denominador comum sua integração aos folguedos e festas populares.

Instrumento musical da família das cordas, a rabeca é precursora do violino, mas diferente do instrumento erudito nasceu nos terreiros e se consagrou com a cultura popular.  Em Bom Jesus, o instrumento encontrou mãos e talento de sobra para celebrar a música e as manifestações culturais do sul do Piauí.

Com o intuito de preservar e disseminar a tradição desse instrumento, muitas vezes discriminado, que nasceu, em 2008, o Festival de Rabecas de Bom Jesus. A iniciativa teve como principal inspiração o mestre rabequeiro Joaquim Carlota, filho da cidade, que toca desde os 12 anos o instrumento que aprendeu sozinho.

“Nosso objetivo desde o início foi de preservar essa tradição tão antiga da rabeca e repassar esse conhecimento às novas gerações. Além disso, o festival leva oficinas de grafite, dança, bonecos e várias outras do circuito cultura viva”, conta o deputado e ex-secretário estadual de Cultura, Fábio Novo.

O evento tomou grandes proporções e se expandiu para outras artes, possibilitando o acesso gratuito de crianças e jovens do município a oficinas de dança, teatro e outros instrumentos musicais.

O município dispõe do Espaço Cultural Mestre Joaquim Carlota que se tornou o local fixo para as oficinas permanentes e para a primeira orquestra de rabecas do Brasil, formada por jovens de escolas públicas.

O professor e bailarino Francisco Rodrigues participa desde os 11 anos do festival e ressalta a importância do evento para a cidade. “Participo desde a primeira edição. Esse evento só me traz aprendizado, experiência e é através dele que posso transmitir a arte com a dança. Hoje sou professor e fico feliz por este ano estar com 70 alunos, entre crianças e adolescentes, que podem aproveitar essa oportunidade da mesma forma que aproveitei”, diz Francisco.

A cidade de Pedro II, a 200 km de Teresina, é chamada de "a Suíça piauiense". Originalmente, esse título veio do seu clima serrano. Hoje, pode-se dizer que o município tem outros atrativos que justificam a comparação: a exploração sustentável do seu enorme potencial turístico, a lapidação e produção de jóias de opalas e o tradicional Festival de Inverno, que impulsiona o turismo, artesanato e a economia local.

Criado em 2004, o festival de inverno de Pedro II, ano após ano, vem ganhando luz no cenário musical e prestígio entre o público que, com o evento, também aumenta a cada edição. O festival conta com atrações musicais e artísticas, exposições, feiras de artesanato, atividades esportivas e de ecoturismo.

Pelo seu palco já passaram músicos famosos como: Hermeto Pascoal, Dominguinhos, Oswaldinho do Acordeon, Renato Borghetti, Leo Gandelman, Yamandú Costa, Hamilton de Holanda, JJ Jackson, Derico e Sindicato do Jazz, Arthur Maia, Wagner Tiso, Danilo Caymmi, Leila Pinheiro, Ivan Lins, João Bosco, Marina de La Riva, Stanley Jordan, Maria Rita, Fernanda Takai, Zeca Balheiro, Skank, Alcione, Alceu Valença, Elba Ramalho e muitos outros artistas de peso que também mostraram seu talento em solo Piauiense.

O evento, que reúne música, gastronomia e ecoturismo, é promovido pelo Governo do Piauí, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, Prefeitura de Pedro II e SEBRAE.

O Salão do Livro do Piauí acontece desde 2003. O evento reúne em um só espaço feira de livros, bate-papo literário, palestras de grandes nomes da literatura nacional e internacional, apresentações de representantes da música piauiense, cinema, exposições de fotografia, artes plásticas e muito mais. O evento é uma realização da Fundação Quixote, e acontece anualmente, no mês de junho, reunindo um público de até 200 mil visitantes, ao longo de uma semana.

Todos os anos, o Salão estabelece um tema que norteia a programação. Já foram homenageados escritores piauienses como H. Dobal e Da Costa e Silva, mas, também já foram temas do Salão, Miguel de Cervantes e seu Dom Quixote, os 50 anos da Bossa Nova e o poeta piauiense Torquato Neto, grande nome do tropicalismo.

O Salão sempre trabalha com uma programação recheada de atrações.

Para o presidente da Fundação Quixote, Prof. Kássio Gomes, “o SALIPI 2018 alcançou seus objetivos, dentre eles o de encher os corredores de gente que gosta de ler, aprender e ver algo novo.”

O maior Salão do Livro do Piauí repete todos os anos o sucesso e traz sempre autores de projeção nacional e regional. Conta com grandes escritores e entusiastas da literatura e da arte, que participam de bate-papos literários, palestras no 21º Seminário Língua Viva, exposições, danças, apresentações teatrais e shows com grandes artistas do cenário musical piauiense e brasileiro. Em sua pluralidade, o SALIPI fez história com uma viagem de infinitas possibilidades, mas que tem destino certo - o de fomentar a literatura e o hábito de ler entre os jovens. Para 2019, a Fundação Quixote sabe que, para superar a edição de 2018, terá que percorrer caminhos novos e experiências únicas para chegar lá.

Emoção e estandes cheios de livros para encher as estantes das casas e as almas de esperança por um mundo melhor, dono da liberdade e da livre escolha de ir e vir. O SALIPI sempre se preocupou com as ideias e ações pensadas para o bem comum das pessoas.

O SALIPI é atualmente uns maiores eventos literários e culturais do Piauí que tem o objetivo de promover a cultura piauiense e nacional através da realização de palestras, venda e exposição de livros, atrações musicais e teatrais. Ou seja, um conjunto de ações pensado para incentivar a formação de novos leitores.

A versão do SALIPI se espalhou pelo interior do estado, onde versões regionais do evento nos municípios de Picos, Bom Jesus e Valença. 

Foi grande o número de visitantes que compareceu ao campus da UFPI em Bom Jesus para prestigiar o primeiro dia do SALIBOM, surpreendendo até a própria organização do Salão. Ao se dirigir ao público, o Pró-Reitor de Extensão declarou o apoio da Universidade na realização do Salão do Livro não só em Teresina e em Bom Jesus, mas também em todos os campi.

“Nós apoiamos não só a difusão do hábito da leitura, com eventos como esse que abrem janelas do saber e da busca pelo conhecimento em milhares de pessoas; mas também a UFPI apoia a publicação de livros e a descoberta de novos autores com a EDUFPI, que comemora mais de quinhentos livros lançados”, afirmou o Pró-Reitor, estendendo a todos o convite para visitarem o stand da EDUFPI, que trouxe os lançamentos mais recentes para apresentar à região.

O diretor do Campus da UFPI de Bom Jesus, Stélio Bezerra, disse estar lisonjeado ao sediar o SALIBOM no campus, com envolvimento de servidores, estudantes e da comunidade em geral do município num processo de semear o conhecimento por meio da leitura.

“Muito nos honra fazer parte do primeiro Salão do Livro de Bom Jesus, nesse momento tão especial para a UFPI de Bom Jesus, em que o campus Professora Cinobelina Elvas comemora dez anos. Estamos dando início à consolidação de um trabalho que envolve dedicação e renúncia por amor ao conhecimento, à pesquisa e ao desenvolvimento de uma região. Queremos compartilhar esse sentimento de realização com cada um que passar pelo SALIBOM e sabemos que entre essas crianças e jovens estão os futuros atores que darão continuidade ao trabalho iniciado por nós”, agradecendo a presença de todos e desejando uma boa leitura desse evento.

Crianças de escolas das redes municipal e estadual de Bom Jesus vão ter um motivo a mais para frequentar o SALIBOM. Ao todo, três mil e setecentas delas vão receber o cheque-livro no valor de dez reais para adquirir obras durante o Salão. A ação faz parte de um projeto de incentivo a novos leitores da Secretaria Estadual de Educação.

O projeto Seis e Meia é uma realização do Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Cultura e traz shows de cantores de renome nacional e dá oportunidade a artistas locais destacados.

Inicialmente pensado para o Theatro 4 de Setembro, o projeto foi ampliado em 2018 para as cidades de Piripiri, Parnaíba, Floriano, Oeiras, Bom Jesus e Corrente. Além dos shows em Teresina, que acontecem uma vez por mês.

Cantores consagrados da música brasileira já passaram pelo Projeto Seis e Meia, como Alcione, Zizi Possi, Frejat, Zeca Baleiro, Joanna, Fafá de Belém, Jorge Aragão, Mart’nália, Paulo Ricardo, Toni Garrido, Maria Gadú, entre outros.

O Projeto Boca da Noite foi fundado em 13 de agosto de 1997, é um evento do Governo do Estado promovido pela Secretaria de Estado de Cultura. As apresentações têm entrada franca e são realizadas no Espaço Osório Júnior, no complexo Clube dos Diários todas as quartas-feiras, onde o público conta sempre com o show de uma banda piauiense. O repertório do show deve conter no mínimo 60% de músicas autorais. O objetivo é valorizar e dar visibilidade aos músicos piauienses divulgando e dando oportunidade às bandas locais.

O Projeto Boca da Noite foi descentralizado em 2017 e expandido para mais nove cidades além de Teresina, onde já acontece há 20 anos. Cidades de norte a sul do Piauí receberam shows de artistas locais totalmente gratuitos. O projeto chegou a Parnaíba, Piripiri, União, Teresina, Floriano, Oeiras, Picos, São Raimundo Nonato, Bom Jesus e Corrente, ao todo foram 86 apresentações pelo Piauí em 2017.

Os trabalhos inscritos no Projeto Boca da Noite são analisados por uma comissão, constituída por cinco membros de notório saber artístico e cultural, sendo dois representantes da Secult, um representante do Sindicato dos Músicos, um representante do Conselho Estadual de Cultura e um representante da Ordem dos Músicos do Brasil no Piauí.

A Secretaria Estadual de Cultura – Secult dispõe de 80 Pontos de Cultura no Piauí. Os Pontos de Cultura desempenham um papel muito importante nas cidades, levando o fazer cultural para a população através de cursos, oficinas e apresentações.

O Programa Cultura Viva é o responsável pela Rede de Pontos de Cultura do Piauí conveniada com o Ministério da Cultura (MinC). O convênio Nº 363/2007 foi assinado em 2007 e contemplou os 80 Pontos de Cultura, com três parcelas de R$ 60 mil para cada ponto. A primeira parcela foi paga em 2008 a todos os 80 Pontos de Cultura, com um valor total de R$ 4,8 milhões. Em 2013, a segunda parcela foi paga apenas a 37 Pontos de Cultura com um valor total de R$ 2.220.000,00. Em 2017, foi iniciado o pagamento do restante da segunda parcela aos 43 Pontos de Cultura que não foram contemplados em 2013, com um valor total de R$ 2.580.000,00.

A liberação do recurso acontece por ordem de solicitação acompanhada da documentação de habilitação plena no Siscon e visitas in loco da Coordenação Estadual que emite o parecer favorável à liberação.

Criada em 2014, a Política Nacional de Cultura Viva visa garantir a ampliação do acesso da população aos meios de produção, circulação e fruição cultural a partir do Ministério da Cultura, em parceria com governos estaduais e municipais e por outras instituições, como escolas e universidades.

         O estado do Piauí é muito rico em manifestações culturais. Como o estado é relativamente grande, havendo vários tipos de clima, vegetação e relevo, é comum a variedade de culturas conforme o local. As manifestações mais comuns no Piauí são: Bumba-Meu-Boi, Cavalo Piancó, Congada, Samba de Cumbuca, Reisado, bandolins, rabecas, entre outros.

         De Norte a Sul do Piauí, o fazer cultural característico do povo piauiense é apresentado de diversas formas. Seja na música, dança, teatro ou até nas misturas dessas manifestações culturais é que se encontra a nossa identidade. Em festivais que ultrapassam a capital Teresina, a cultura é preservada por meio do fomento de diferentes tipos de arte e apresentações pelo estado, como ocorre também em Floriano, Oeiras, Pedro II e Bom Jesus.

        

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Secretaria_da_Cultura_do_Estado_do_Piau%C3%AD

http://www.fundac.pi.gov.br/index.php

http://www.cec.pi.gov.br/index.php

https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:WzvcJp2VuHAJ:https://webas.sefaz.pi.gov.br/legislacao/asset/1ac4f63b-4eee-4da6-9704-b450194db201/Lei-4997.pdf%3Fattach%3Dtrue+&cd=3&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=355309


[1] Advogado, doutor em direito internacional pela Universidad Autónoma de Asunción. E-mail: benignonovo@hotmail.com

[2] Jornalista, graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Piauí. E-mail: marisa.ogomes1@gmail.com


Autores

  • Benigno Núñez Novo

    Advogado, doutor em direito internacional pela Universidad Autónoma de Asunción (UAA)

    Textos publicados pelo autor

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  • Marisa de Oliveira Gomes

    Marisa de Oliveira Gomes

    Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Piauí. Trabalhou na assessoria de comunicação na Fundação Cultural do Piauí (FUNDAC) e Defensoria Pública da União (DPU). Membro do Projeto de Pesquisa Tecnologias Midiáticas, Consumo Cultural e Subjetividades Juvenis em Teresina, orientado pelo Professor Dr. Gustavo Fortes Said.

    Textos publicados pela autora


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