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A força da politica economica em star wars: a guerra não é nas estrelas

O presente artigo tem o condão de realizar uma reflexão sobre a o filme Star Wars, pois as atenções ficam restritas a luta do bem(Jedi) x o mal(Sith). Nada obstante de forma clara e objetiva aponta a política econômica como um legitimador para guerra.

1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A economia sempre será o ponto de partida da sociedade capitalista e, desta forma, irá impor, de qualquer maneira, seus ideais, pensamentos e vontades.

Assim, o filme Star Wars, em tradução livre, "Guerra nas estrelas", tem como aparente enredo principal a luta do bem contra o mal, personificada nos Jedi (os cavaleiros do bem) e os Sith (os cavaleiros do mal), para manter a República e a independência dos povos.

Contudo, o que pode ser bem observado é que, na verdade, a luta entre o bem e o mal tem como foco principal o domínio das relações econômicas das galáxias pela Federação Comercial, por intermédio das guerras e utilização dos exércitos.

Neste contexto, a imposição do poder pelo domínio econômico e pela corrupção presentes no filme, mormente no senado, não podem ser renegadas a meras coadjuvantes dos sabres de luz.

2. A alegoria Star Wars

A denominação Star Wars, em tradução livre é guerra nas estrelas, e isso é muito bem explorado nessa alegoria, pois todos os filmes exploram a galáxia como o limite da vontade humana, ou pelo poder ou pela dominação dos outros seres, por mera questão econômica.

Os limites terrenos não são mais suficientes para os dominadores e eles precisam, agora, lutar nas estrelas para impor e dominar o interesse do comércio sobre as pessoas ou como bem demonstrado nos filmes sobre qualquer meio de vida, que possua capacidade econômica.

O pano de fundo desse filmes, na verdade, é a luta do bem contra o mal, se é que ele existe de fato ou é apenas uma face do bem.

Os sabres de luz personificam o poder dos seres superiores Jedi, quase deuses, dotados de valores reservados às pessoas mais capazes de serem tidas como perfeitas e isso, na visão da maioria, autoriza a os Jedi matar e mentir.

Não se pode ouvidar que o filme, em todos os seus episódios, discute sempre o opressor e os rebeldes oprimidos, levando a uma guerra civil galáctica    

3. O lado “claro” da força (Jedi x Sith)

Ao ingressar na alegoria Star Wars, como sempre, a eterna luta entre o bem e o mal é o ponto central, aprioristicamente. Essa luta é representada pelos os Jedi agentes do bem e os Sith os agentes do mal.

Outrossim, impreterível destacar dessa luta e que para ser considerado mal, basta ir para o lado negro da força ou o lado sombrio, contudo os Sith possuem as mesmas habilidades dos Jedi, que, em nenhum momento, chamam as pessoas para fazerem parte do lado claro ou bom da força, isso ocorre porque o denominado lado sombrio é uma vertente da força, uma vez que não existe nada absoluto na natureza nem mesmo o bem. Assim, a condição de existência do bem e o mal e vice-versa.

Ademais, não se vislumbra a vitória do bem sobre o mal; o que se busca, de forma incansável, é o equilíbrio na força, personificado na figura de Darth Vader, um homem que é meio máquina, o que revela novamente a dualidade presente no filme.

  A face da bondade nos Jedi é muito questionável, pois estes sempre omitem a verdade ou tentam, de alguma maneira, mascará-la, essa atitude Jedi é bem semelhante ao pensamento: “é melhor uma mentira bem dita do que uma verdade mal dita”  

Assim, os Jedi mentem e manipulam os fatos sempre para manter a paz, mesmo que esta não mais exista.

Os Sith, talvez, sejam mais realistas e sempre falem mais a verdade, pois afirmam a existência dos defeitos humanos e que estes, de alguma maneira, podem fazer com que a vontade de vencer seja maior.

Portanto, fica claro que não existe um bem absoluto e, tampouco, um mal, tendo em vista que um é produto do outro e a condição de existência.

4. A política econômica como forma de dominação e imposição do poder

A teoria social de Marx traz, em seu bojo, a dependência humana da natureza, de modo que, o homem precisa interferir.

Para Marx é impossível dissociar homem e natureza. Sendo assim, essa dependência não implica que as leis e processos naturais apliquem-se a sociedade como um todo. Assim, a alegoria Star Wars aborda essa dependência humana frente à natureza quando atribui os poderes Jedi a energia criada pelos seres vivos.   

O império galáctico é a classe dominante e possui o controle hegemônico, porque controla os meios de produção, bem como as instituições políticas e jurídicas, positivando que o Estado é um ente de classes, ou seja, o Estado de classes.

Desse modo, o Estado sempre pertencerá economicamente à classe dominante, objeto da imposição de uma classe sobre a outra, no caso da alegoria os rebeldes.

Marx afirma que o Estado existe por estar ligado diretamente a opressão de classe, que é irmanada com a escravidão. Portanto, pode-se afirmar, de forma categórica, que a opressão é a base existencial do Estado, e sem ela não existirá mais, pois, a opressão de uma classe sobre a outra é a essência da sociedade civil e a existência de um poder paralelo, que tem por finalidade impor e defender os interesses da classe dominante, perpetuando seus privilégios.

A violência, em sua “falta de sentido” maior, é exercida para eliminar qualquer oposição ao sistema vigente. Esse recrudescer da forma totalitária de governo, também, cria os inimigos do Estado e da Sociedade Civil, os indivíduos que violam as normas proibitivas da Sociedade, em alusão à desobediência civil, sendo punidos e determinados como inimigos de um sistema no qual estão excluídos.

Na alegoria fica claro que os rebeldes são intimidados e dominados por armas de destruição em massa, ou melhor, uma arma capaz de destruir um planeta e, por via de conseqüência, dizimar os inimigos, os rebeldes que lutam contra a opressão econômica causada pelo Império Galáctico.

5. CONCLUSÃO    

Com efeito, a política econômica sempre ditará os rumos da sociedade, inclusive, sendo capaz de fomentar guerras e mortes em série.

Outrossim, ao visualizar a saga Star Wars não se pode olvidar questões sociais muito mais importantes do que o embate do bem contra o mal, que, em última análise, não existe, pois, em nenhum momento, restou comprovado o lado claro da força.

A dualidade do bem contra o mal é, de certa forma, vista no embate entre os rebeldes e o Império, mas, de igual maneira, os rebeldes são a dissidência do acordo comercial existente, o que se assemelha bastante com os Sith, pois estes são dissidentes dos Jedi.

      

Sobre o autor
Imagem do autor Cristiano Lazaro Fiuza Figueiredo
Cristiano Lazaro Fiuza Figueiredo

Advogado Criminalista. Doutorando em Direito; Mestrando em Politicas e cidadania; Pós- graduado. Professor de direito penal e processo penal na Universidade Católica do Salvador e Unifass/Apoio. Professor da pós graduação da UNIfacs.

Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi

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