Toda vida é valiosa

25/03/2019 às 15:51

Resumo:


  • Toda vida é valiosa, independentemente de circunstâncias

  • No Brasil, a pobreza tem diminuído, mas a violência continua aumentando

  • A cultura de vitimização contribui para o aumento da criminalidade e superlotação carcerária

Resumo criado por JUSTICIA, o assistente de inteligência artificial do Jus.

Análise acerca das causas do crescente aumento da criminalidade no Brasil

Toda vida é valiosa

                                                           Fernando Lemme Weiss[1]

A pobreza vem diminuindo lentamente no Brasil desde o início do Plano Real, em 1994, apesar da recessão iniciada no fim de 2014 e superada em 2017. A violência, contudo, não para de aumentar. O total de homicídios subiu de 40 mil em 1997 para mais de 62 mil em 2018, segundo o IPEA.

Nesse mesmo período, a população cresceu apenas 25%. Completando o alarmante quadro, o total de presos no Brasil saltou de 308 mil em 2003 para mais de 700 mil em 2018.

Esse fracasso retumbante na proteção à vida humana, que é o direito mais fundamental, é fruto da cultura de vitimização presumida de qualquer um que desrespeite as normas, seja sonegador, motorista infrator, aluno agressor, batedor de carteiras ou traficante.

O discurso vitimista desmoraliza a educação de uma forma geral, que é o processo social de estímulo a boa condutas e constrangimento em relação às inadequadas. Também respalda a criação de leis que estimulam a criminalidade, o que acaba gerando mais prisões, superlotação do sistema carcerário, leis mais frouxas para reduzir a lotação,  que proporcionam mais crimes e assim por diante.

Já passou da hora de entendermos que só uma mudança significativa em nossas normas de conduta será capaz de inverter a tendência de estímulo à ilicitude, o que naturalmente demandará investimentos nas estruturas de neutralização e recuperação de infratores, mas será amplamente recompensado após alguns anos.

O que não faz sentido é supervalorizar algumas vidas perdidas, como se merecessem um esforço maior de apuração do aparelho policial/judiciário, mas manter a fracassada receita de impunidade, esperando que os resultados mudem.

                                                   


[1]  Advogado, Mestre e Doutor em Direito Público pela UERJ (2003 e 2007),  Procurador do Estado do Rio de Janeiro, CPF nº 769 695 927 15, OAB/RJ - 56.201

Sobre o autor
Fernando Lemme Weiss

Advogado, mestre e doutor em Direito Público pela UERJ, Procurador do Estado do Rio de Janeiro

Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi

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Colaboração com o debate acerca da redução da criminalidade

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