AS PRIMEIRAS VÍTIMAS “OFICIAIS” DO COMUNISMO

Após um breve intervalo de paz, a Guerra Civil Russa tomou lugar. Um dos acontecimentos que marcou o início da revolução comunista foi a chacina da Família Imperial Russa, os “Romanov”, em 17 de julho de 1918. A queda da Monarquia na Russia não teve participação popular (assim como no Brasil) e sim uma disputa de poderes entre bolcheviques e mencheviques, que terminou com a conquista dos primeiros ao poder da Rússia e logo trataram de prender a Família Imperial para evitar um possível resgate. Depois dos assassinatos, a Imperador Russo e sua família foram enterrados em uma cova não identificada na floresta em Yekaterinburg.

Como toda política socialista, os tribunais de julgamento são imparciais e julgam “acusados” de acordo com a conveniência do momento e opositores eram presos ou deportados (assim como foi no Brasil), mas decidiram executar todos, conforme julgamento manifestado por Yakov Yurovsky[14]:

Nikolai Alexandrovich, diante do fato que seus parentes continuam seu ataque contra a Rússia Soviética, o Comitê Executivo de Ural decidiu executá-lo"

E ainda, na matéria consultada em “Aventuras na História” no canal UOL, o autor ainda completou acerca da execução:

 (...) imediatamente, o pelotão começou a atirar. Cada um tinha um nome de quem seria seu alvo, inclusive as crianças, mas a coisa logo descendeu ao caos porque a fumaça das armas tornou impossível ver qualquer coisa. A porta foi aberta e, quando a fumaça baixou, perceberam que os cinco filhos - a mais velha, Olga, com 22, o mais jovem, Alexei, com 13 - ainda estavam vivos. A ordem foi então matá-los com baionetas e o cabo dos fuzis. Quando isso não funcionou, mais tiros foram disparados.

A crueldade das execuções, claro, foi negado pelo regime soviético. Não há registros de que na época do apogeu comunista na Rússia, o regime soviético tenha reconhecido esta barbárie:

Durante o regime socialista na URSS, ninguém se atreveu a investigar a morte dos Romanov. Ou melhor, quase ninguém. Em 1979, dois curiosos russos – os amigos Alexander Avdonin e Gueli Riabov – encontraram sinais de uma cova suspeita nos arredores da Casa Ipatiev. Escavaram o local e retiraram de lá cinco ossadas que pareciam ser de integrantes da família real. Temerosos de que a descoberta fizesse a ira do Estado soviético cair sobre suas cabeças, eles recolocaram os ossos no lugar. Com o fim da URSS, em 1989, as ossadas foram novamente exumadas e submetidas a testes de DNA, que comprovaram: aqueles eram mesmo os restos mortais do czar Nicolau II, da imperatriz Alexandra e das filhas Olga, Tatiana e Anastásia.

No sítio eletrônico do History Channel[15], uma matéria mais detalhada respalda esses acontecimentos e que indiretamente, a trágica morte da Família Imperial Russa foi um assassinato pelo bem dos interesses partidários, e que feririam os Direitos Humanos, se caso a declaração de1948 existisse naquele tempo:

Em Yekaterinburg, na Rússia, o czar Nicolau II e a sua família foram executados em um dia como este, no ano de 1918, pelos bolcheviques - assim chamados os integrantes da facção do Partido Operário Social-Democrata Russo liderada por Vladimir Lênin -, fato que deu fim a três séculos de governo da Dinastia Romanov (...) os radicais socialistas bolcheviques, liderados por Lênin, tomaram o poder na Rússia e formaram um governo provisório (...)  As autoridades locais receberam ordens para evitar um resgate dos Romanov, e, depois de uma reunião secreta, uma sentença de morte foi passada para a família imperial.

No canal “TV Imperial” localizado no Streaming Youtube, há a exposição de 10 fatos sobre covarde assassinato[16] cometido pela ditadura soviética:

Autorização: A ordem para a chacina dos Romanov foi dada pelos Sovietes locais, não há provas de que Lenin e líderes em Moscou tivessem interesse em assassinar a Família Imperial. Porem, sovietes locais receberam um telegrama da capital ordenando a execução do monarca mas não da família inteira.

O Motivo Oficial: o extermínio era necessário, pois regimentos do “exército branco” que era a favor do Império se aproximavam e o governo mencionou uma conspiração contrarrevolucionária com o intuito de liberar o Monarca, mas não foi identificado nenhum sinal dessa conspiração que seria uma tentativa de libertar o Monarca.

Outra Bandeira: Após saírem da Sibéria, de onde estavam após serem transferidos pelo governo russo, e após o levante bolchevique foram levados para Yekaterinburg. Essa viagem foi feita usando uma bandeira japonesa, da missão japonesa da Cruz Vermelha para evitar linchamento de revolucionários comunistas.

Dois Enterros: Ao porão da casa Ipatiev, a Família foi alinhada de frente ao pelotão de fuzilamento, os membros que sobreviveram foram mortos por baionetas e foram escondidos em uma mina, depois foram atirados em uma vala, onde jogaram ácido e atearam fogo para diminuírem as chances de identificação.

O Destino: Inicialmente, os soviéticos relataram apenas a morte do Imperador e que os demais membros da Família teriam fugido. Em 1920, os assassinos relataram os detalhes da execução.

Sem Comoção: Infelizmente, o público Russo não se comoveu com a execução do Czar, o único que manifestou oposição ao ato cometido foi o líder da Igreja Ortodoxa (mas vale lembrar que qualquer manifestação em favor dos Romanov eram duramente reprimidos).

A Investigação: A pedido da Igreja Ortodoxa, a processo de investigação foi reaberto em 2015 que queria confirmar a identidade dos restos mortais da Família, pois desde 2009 os Romanov foram canonizados pela Igreja local. Os restos mortais foram localizados em 1991.

O Sangue Real: Como uma forma de comparar o DNA, foi preciso usar o sangue do marido da Sua Alteza Real Elizabeth II, pois ele era parente da Czarina Alexandra.

Ainda não Descansam: Os restos foram transferidos para a Fortaleza de Pedro e Paulo, em 1998, e como processo de identificação, os restos de Alexei e Maria ainda não estão enterrados (até a data de 19 de julho de 2018), estando desrespeitosamentre no arquivo estatal da Rússia.

 Portadores da Paixão: A casa onde ocorreu a chacina foi demolida e no lugar foi construída a Igreja do Sangue.


A CONTABILIDADE ENSANGUENTADA

Como mencionado no título anterior, a Família Imperial Romanov foram as primeiras vítimas oficiais do comunismo como forma de governo em 1918. Os números podem chegar a meros 100 milhões[17] de mortos ou mais até os dias atuais onde essa doutrina é usada como forma de governo.

De acordo com o “Livro Negro do Comunismo – Crimes, Terror e Repressão”, os números totais de mortes nos Estados que de declaram Comunista/Socialista é incrivelmente surpreendente. Uma ideologia em comum em diversas etnias, culturas, religião e idiomas[18], números estimados até o ano de publicação da obra em 1999:

- URSS, 20 milhões de mortos, - China, 65 milhões de mortos, - Vietnã, 1 milhão de mortos, - Coreia do Norte, 2 milhões de mortos, - Camboja, 2 milhões de mortos - Leste Europeu, 1 milhão de mortos, - América Latina, 150.000 mortos, - África, 1,7 milhão de mortos, - Afeganistão, 1,5 milhão de mortos. (Grifo Nosso)

Depois de fazer um comparativo de dos regimes fascistas, nazistas e comunistas, pode chegar a uma conclusão segundo os autores da obra supracitada:

Nosso propósito aqui não é o de estabelecer uma macabra aritmética comparativa qualquer, uma contabilidade duplicada do horror, uma hierarquia da crueldade. Entretanto, os fatos são tenazes e mostram que os regimes comunistas cometeram crimes concernentes a aproximadamente 100 milhões de pessoas, contra 25 milhões de pessoas atingidas pelo nazismo[19].

O Nazismo foi condenado e proibido como partido e culto aos líderes justamente por ter perdido a guerra, os responsáveis terem sido julgados e expostos e a divulgação e propagação das imagens atingiu o mundo todo, “foi com legitimidade que os vencedores em 1945 situaram o crime - e em particular o genocídio dos judeus - no centro de sua condenação ao nazismo” [20], enquanto nos regimes comunistas foram localizados e restritos aos países afetados, por isso vemos até hoje partidos comunistas usando a foice e martelo como o PC do B e demais “associados” às ideias leninistas-marxistas quando deveriam ser proibidos também.

A Gazeta do Povo[21] online enumerou 17 crimes mais conhecidos que foram cometidos pelos comunistas:

O Terror Vermelho (antecedido pela Guerra Civil, somam ao menos 100 mil mortos); Perseguição aos Kulaks e Cossacos (até 5 milhões e por volta de 300 mil pessoas mortas respectivamente); A fome de Tartaristão (entre 2 a 5 milhões de mortos); Holomodor (pode chegar a 12 milhões de mortos); Gulags (14 milhões de prisioneiros incluindo os mortos); Yezhovshchina (600 mil presos e/ou mortos); A Intervenção na Mongólia (entre 25 e 30 mil mortos); Invasão à Polônia (estima-se cerca de 150 mil mortos); Massacre de Katyn (mais de 20 mil pessoas mortas); Massacre de Teodósia (150 soldados feridos mortos); Massacre de Grischino (596 prisioneiros de guerra e civis executados); O Estupro de Berlim (estima-se por volta de 100 mil mortos); A Esquizofrenia Progressiva (números incertos); Deportações Internas (cerca de 250 mil deportados com muitos mortos); Repressão à Revolução Húngara (3 mil húngaros mortos); Intervenção na Primavera de Praga (137 mortos); Janeiro Negro (centenas de pessoas). (Grifo Nosso)

Os números são estimativas pesquisadas pelo autor da matéria Maurício Brum, em 2017, e as descrições dos acontecimentos demonstram, fora o período da Segunda Guerra, que os ataques aos Direitos Humanos e Individuais ocorreram para manter o comunismo no poder contando as mortes, exílios, deportações, desaparecimentos sistemáticos, censura e demais violações de Direitos tanto de prisioneiros de guerra e enfermos que tinha respaldo da legislação internacional, como a Convenção de Genebra, que dava certa proteção e dignidade a estas pessoas[22]:

Assim como os nazistas, os comunistas são tão culpados quando os primeiros, e deveriam ter sido proibidos de expandir esses ideais leninistas-marxistas, assim como os ideais de Adolf Hitler, cujos crimes não chegam perto dos crimes socialistas.

Assim Disse Kruchev ao reconhecer em um discurso com seus “camaradas” as atrocidades cometidas pela URSS, porém mais tarde ele enviou tanques de guerra para Budapeste (COURTOIS, 1999, p.17):

“O que faremos com os que foram detidos, assassinados? [...] Sabemos agora que as vítimas das repressões eram inocentes. Temos a prova irrefutável de que, longe de serem inimigos do povo, eram homens e mulheres honestos, devotados ao Partido, à Revolução, à causa leninista da edificação do socialismo e do comunismo. [...] É impossível tudo esconder. Cedo ou tarde, os que estão na prisão, nos campos, sairão e retornarão a suas casas. Eles relatarão então aos seus parentes, seus amigos, seus camaradas o que lhes aconteceu. [...] É por isso que somos obrigados a confessar aos delegados tudo a respeito do modo como o Partido foi dirigido naqueles anos. [...] Como pretender nada saber do que acontecia? [...] Sabemos que reinava a repressão e a arbitrariedade no Partido, e devemos dizer ao Congresso o que sabemos. [...] Na vida de todos os que cometeram um crime, vem o momento em que a confissão assegura a indulgência, e mesmo a absolvição”


Autor

  • Eloi Henrique Ghidetti Duarte

    Bacharel em Direito; Pós graduado em Direito Internacional; Fluência em inglês e experiência em ministrar aulas para jovens e adultos, agindo na elaboração de conteúdo, aplicação de avaliações e uso da tecnologia para o aprendizado. Serviço de intérprete e apoio de visitantes estrangeiros com dialeto inglês. Habilidade em analisar e revisar contratos comerciais para empresas, e, na elaboração de relatórios jurídicos no acompanhamento de processos. Monarquista e estudioso sobre o Império do Brasil registrado ao Círculo Monárquico Brasileiro e à Casa Imperial do Brasil.

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