Conhecer o perfil e as necessidades no que se refere à demanda dos usuários possibilita o desenvolvimento de estratégias e ações voltadas para a melhoria dos serviços de atenção à saúde.

Conhecer o perfil e as necessidades no que se refere à demanda dos usuários possibilita o desenvolvimento de estratégias e ações voltadas para a melhoria dos serviços de atenção à saúde. Assim a presente obra teve como principal objetivo analisar o perfil assistencial dos atendimentos realizados pelo Hospital Regional “Manoel de Sousa Santos”, do município de Bom Jesus, Estado do Piauí, identificando se o perfil dos pacientes é adequado ao centro ou se está enquadrado na atenção básica. Trata-se de um estudo de caráter quantitativo baseado na análise documental descritiva, onde os dados foram extraídos do banco de dados do hospital.

Obtiveram-se, como resultados, no que se refere ao perfil dos usuários, maior percentual do sexo feminino (52,79%), faixa etária compreendida entre 21 e 30 anos (20,95%), fundamental incompleto (11,77%), procedentes do próprio município onde se localiza o hospital. Quanto à classificação de risco, o hospital atende paciente classificados como pouco urgentes, se enquadrando no perfil de atenção básica, pois a maioria dos atendimentos (91,49%) é voltada para a clínica geral seguido da especialidade de gineco-obstetrícia. Nesse sentido, constatou-se que o hospital apresenta características da rede de atenção básica, o que merece discussões e reflexões sobre a disponibilidade e reorganização dos serviços oferecidos tanto na baixa quanto na média complexidade, possibilitando uma melhoria através de propostas, ações e estratégias voltadas para a resolução desta problemática.

A qualidade dos serviços oferecidos por uma unidade de saúde ou centro hospitalar interfere consideravelmente no agravamento ou não das patologias mais recorrentes, sendo de grande relevância o conhecimento da população atendida, da demanda e dos procedimentos desenvolvidos no pronto atendimento do paciente, considerando o acolhimento e humanização dos serviços, para o planejamento de novas ações estratégias no intuito de melhorar a qualidade destes. Tendo-se em vista a estrutura do hospital de médio porte, objeto do presente estudo, sendo este referência na macrorregião da Chapada das Mangabeiras, atendendo a 23 municípios, esta pesquisa tem como tema o perfil assistencial do Hospital Regional “Manoel de Sousa Santos” no município de Bom Jesus, no Estado do Piauí.

Diante do grande fluxo de pacientes e da responsabilidade de gerir esta instituição, surgiu a seguinte problemática: O Hospital Regional “Manoel de Sousa Santos” atende o perfil adequado de pacientes ou a maioria se enquadra na atenção básica? Nesse sentido, têm-se como questões norteadoras: Qual o perfil dos pacientes atendidos no Hospital Regional Manoel de Sousa Santos? Qual a maior demanda no que se refere às patologias atendidas neste hospital no ano de 2016? Quais os atendimentos mais realizados, no período de 2016, no Hospital Regional Manoel de Sousa Santos? Qual o nível de classificação de risco, segundo o Protocolo Manchester, em que o Hospital se enquadra?

Coadunando com estas indagações pretende-se analisar o perfil assistencial dos atendimentos realizados pelo Hospital Regional Manoel de Sousa Santos, do município de Bom Jesus, no Piauí, identificando se o perfil dos pacientes é adequado ao centro ou se está enquadrado na atenção básica. Considerando tal objetivo, são elencados os seguintes objetivos específicos: traçar o perfil dos pacientes atendidos no Hospital Regional Manoel de Sousa Santos; verificar a maior demanda quanto às patologias atendidas no ano de 2016; listar os atendimentos mais realizados neste mesmo período, no referido hospital; classificar os atendimentos realizados no Hospital de acordo com o Protocolo Manchester.

A metodologia utilizada divide-se em dois momentos: o primeiro refere-se ao levantamento bibliográfico no intuito de construir o referencial teórico embasando com mais solidez a presente pesquisa, sendo que o mesmo ocorreu através de livros e artigos extraídos de revistas científicas e periódicos. Utilizaram-se como critérios de inclusão: artigos publicados entre 2007 e 2017, compreendendo um período de dez anos, onde de um total de 44 foram selecionados 15; também se utilizou como critério artigos que versavam sobre a temática, sendo que foi escolhido um estudo sobre um hospital que adota a mesma metodologia de classificação de pacientes de acordo com a gravidade, sendo este o Protocolo de Manchester Triage System - MTS©., no intuito de realizar uma análise comparativa.

O segundo momento consiste num estudo de caráter quantitativo baseado na análise documental descritiva, pois visa descrever as características de uma população, de um fenômeno ou de uma experiência, sendo estes dados levantados e apresentados de forma quantitativa em tabelas, gráficos e quadros após a análise dos mesmos.

As informações levantadas foram extraídas da base de dados do hospital, onde foi possível verificar: o perfil dos pacientes atendidos, a demanda no que se referem às patologias mais recorrentes que chegam à unidade, os atendimentos e procedimentos mais frequentes, todos no período de 2016, bem como a classificação de risco dos atendimentos realizados.

Os serviços de atenção à saúde necessitam ter um plano organizacional bem estruturado e gerido de forma criteriosa e responsável. Nesse contexto, entra o papel do gestor hospitalar que consiste no gerenciamento dos recursos humanos, materiais, financeiros e tecnológicos, onde o mesmo deve conhecer profundamente tanto sobre a área da saúde quanto sobre a área administrativa, devendo possuir um conhecimento especializado.

Para tanto, é necessário que, ao pensar na gestão de um hospital, o administrador deva, antes de tudo,

[...] conhecer profundamente a instituição em que se trabalha ter conhecimento das normas e rotinas dos serviços que ela presta, reconhecer seus pontos fortes e/ou aqueles que precisam ser melhorados para, a partir de então, ser traçado um planejamento claro e organizado para simplificação e eficiência do trabalho. É importante, ainda, definir a forma de gestão que será adotada. (SANTOS; ARRUDA, 2012, p. 03).

Nesse contexto, faz-se necessário discorrer sobre os conceitos e relação entre os serviços de ABS (Atenção Básica de Saúde) e de Assistência de Média Complexidade, enfatizando o setor de Urgência e Emergência, no intuito de melhor embasar o estudo que segue.

 Antecedendo as considerações que serão feitas a seguir, julga-se relevante a abordagem em tordo da Rede de Atenção à Saúde e sua subdivisão, haja vista que:

A Rede de Atenção à Saúde, tendo a Atenção Primária como centro, se organiza em:

Atenção Básica de Saúde (ABS): compreende um conjunto de ações, de caráter individual e coletivo, que engloba a promoção da saúde, a prevenção de agravos, o tratamento e a reabilitação, constituindo o primeiro nível da atenção do Sistema Único de Saúde (BRASIL, 2006).

Atenção Média Complexidade: é prestada por meio de uma rede de unidades especializadas de média complexidade, garantindo o acesso à população sob sua gestão (ibidem).

Atenção Alta Complexidade: é a atenção à saúde de terceiro nível, integrada pelos serviços ambulatoriais e hospitalares especializados de alta complexidade. É organizada por meio do sistema de referência (ibidem). (RAMOS, 2011, p. 202).


Atenção Básica de Saúde (ABS)

Como mencionado anteriormente, os serviços de ABS constituem uma série de ações, tanto individuais quanto coletivas, que compreendem a promoção da saúde, prevenção, reabilitação e o tratamento, sendo então o primeiro nível da atenção do SUS. (RAMOS, 2011)

Portanto, a atenção básica é entendida como o primeiro nível da atenção à saúde no SUS (contato preferencial dos usuários), que se orienta por todos os princípios do sistema, inclusive a integralidade, mas emprega tecnologia de baixa densidade. (BRASIL, 2011, p. 16).

Dessa forma, é necessário orientar os serviços de ABS de acordo com os seguintes princípios: primeiro contato, integralidade, orientação familiar, longitudinalidade, coordenação e orientação comunitária.

O primeiro princípio, primeiro contato, diz respeito à porta de entrada, o acesso do cidadão, tanto geográfico quanto organizacional, devendo este ser de forma facilitada. O segundo consiste no reconhecimento e atendimento das necessidades de saúde da população, sendo que quando for necessário, esta deve ser encaminhada para outros pontos de assistência da rede. O terceiro trata-se do conhecimento que a equipe de APS (Atenção Primária à Saúde) deve ter sobre os membros da família e seus problemas de saúde. A longitudinalidade (quarto princípio) corresponde ao relacionamento pessoal de longa duração que deve haver entre os cidadãos, ou comunidade, e os profissionais de saúde. O quinto refere-se à coordenação que consiste no compartilhamento de informações clínicas, fator essencial para o profissional da ABS acompanhar o cidadão, nos diversos pontos da rede. E o sexto, e último, consiste no controle social, através da orientação comunitária. (RAMOS, 2011)

Assim, a Atenção Básica em Saúde:

É desenvolvida por meio do exercício de práticas gerenciais e sanitárias, democráticas e participativas, sob forma de trabalho em equipe, e dirigidas a populações de territórios bem delimitados, pelas quais assume a responsabilidade sanitária, considerando a dinamicidade existente no território em que vivem essas populações. Utiliza tecnologias de elevada complexidade e baixa densidade, que devem resolver os problemas de saúde de maior freqüência e relevância em seu território.

É o contato preferencial dos usuários com os sistemas de saúde. Orienta-se pelos princípios da universalidade, da acessibilidade e da coordenação do cuidado, do vínculo e da continuidade, da integralidade, da responsabilização, da humanização, da equidade e da participação social. (...).

A atenção básica tem a Saúde da Família como estratégia prioritária para sua organização de acordo com os preceitos do Sistema Único de Saúde. (BRASIL, 2011, p. 16).


Assistência de Média Complexidade

Segundo a Secretaria de Atenção à Saúde (SAS), do Ministério da Saúde (MS) apud Brasil (2011, p. 12):

A média complexidade ambulatorial é composta por ações e serviços que visam atender aos principais problemas e agravos de saúde da população, cuja complexidade da assistência na prática clínica demande a disponibilidade de profissionais especializados e a utilização de recursos tecnológicos, para o apoio diagnóstico e tratamento.

Os serviços de Média Complexidade (MC) englobam procedimentos especializados realizados por médicos, bem como outros profissionais de níveis superiores e médios, terapias especializadas e realização de próteses e órteses, segundo o Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA). (BRASIL, 2007 apud TOLDRÁ; SOUTO, 2013).

Instituída pelo Decreto nº 4.726, de 2003, a Atenção de Média Complexidade tem suas atribuições descritas no Artigo 12 da proposta de regimento interno da Secretaria de Assistência à Saúde, onde:

[...] Os grupos que compõem os procedimentos de média complexidade do Sistema de Informações Ambulatoriais são os seguintes: 1) procedimentos especializados realizados por profissionais médicos, outros de nível superior e nível médio; 2) cirurgias ambulatoriais especializadas; 3) procedimentos traumato-ortopédicos; 4) ações especializada sem odontologia; 5) patologia clínica; 6) anatomopatologia e citopatologia; 7)radiodiagnóstico; 8) exames ultra-sonográficos; 9) diagnose; 10) fisioterapia; 11) terapias especializadas; 12) próteses e órteses; 13) anestesia. O gestor deve adotar critérios para a organização regionalizada das ações de média complexidade, considerando a necessidade de qualificação e especialização dos profissionais para o desenvolvimento das ações; os dados epidemiológicos e sóciodemográficos de seu município; a correspondência entre a prática clínica e a capacidade resolutiva diagnóstica e terapêutica; a complexidade e o custo dos equipamentos; a abrangência recomendável para cada tipo de serviço; economias de escala e métodos e técnicas requeridas para a realização das ações. (BRASIL, 2009, p. 208).

Assim, percebe-se a importância do papel do gestor que tem a tarefa de administrar de forma equilibrada todas as ações envolvidas nos serviços de Média Complexidade visando à satisfação dos clientes, bem como a dos colaboradores.

Entender as subdivisões das redes de atenção à saúde proporciona uma visão ampla dos conceitos e considerações de cada uma, dando um maior suporte para esta pesquisa. No entanto, faz-se necessário conhecer a relação existente entre os serviços de atenção básica e de média complexidade, assim como as diferenças entre ambos.

Os serviços de atenção básica constituem o contato preferencial da população, sendo este considerado o primeiro nível de atenção à saúde pelo SUS, no entanto, mesmo sendo entendida como a base orientadora do sistema, e diante de todos estes aspectos, “[...] os procedimentos realizados diretamente em seus serviços não esgotam as necessidades dos usuários do SUS”. (BRASIL, 2011, p. 12).

A atenção básica emprega tecnologia de baixa densidade, o que difere da média complexidade, sendo que:

Por tecnologia de baixa densidade fica subentendido que a atenção primária inclui um rol de procedimentos menos complexos, capazes de atender à maior parte dos problemas comuns de saúde da comunidade, embora sua organização, seu desenvolvimento e sua aplicação possam demandar estudos de alta complexidade teórica e profundo conhecimento empírico da realidade. (BRASIL, 2011, p. 11-12).

Dessa forma, entende-se que a estrutura e os insumos e equipamentos disponibilizados na ABS se tornam, de certa forma, insuficientes para atender as demandas de natureza mais complexa da população.

Dentro desse cenário é possível compreender os serviços de média complexidade como a área da atenção à saúde que passa a receber estes pacientes, aumentando o fluxo dos mesmos nos hospitais. Assim, constata-se que:

Os serviços de especialidade e a atenção hospitalar de média complexidade tornaram-se, frequentemente, a verdadeira porta de entrada do sistema, atendendo diretamente a grande parte da demanda que deveria ser atendida na rede básica, perdendo-se tanto na qualidade do atendimento primário quanto no acesso da população aos tratamentos especializados (quando verdadeiramente necessários), representando, além disso, ampliação ineficiente dos gastos do SUS. (BRASIL, 2011, p. 14).

Nesse sentido, entende-se que a procura pelos serviços de média complexidade, de forma desequilibrada, uma vez que muitas dessas demandas podem ser resolvidas na atenção básica, desestabiliza a estrutura financeira do SUS, com gastos desnecessários.

Para tanto, é necessário que se potencialize a estrutura das UBS (Unidades Básicas de Saúde), com estes insumos visto que “[...] a incorporação de tecnologias na atenção básica, seja na forma de equipamentos ou de conhecimentos aplicados, amplia a capacidade de respostas das UBS”. (PIRES et al., 2010, p. 1018).

Esta ação torna-se essencialmente necessária, uma vez que os serviços de atenção básica estão dispersos e mais próximos da população englobando ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde. Já os de média e alta complexidade “[...] são regionalizados, localizados em emergências, especialidades e internações hospitalares, visando à concentração do volume para redução de custos”. (PIRES et al., 2010, p. 1010).

Conhecer a demanda e suas particularidades no que se refere ao perfil do público, destacando suas características físicas, sociais, econômicas e culturais, auxilia no processo de reestruturação dos serviços oferecidos, inclusive na melhoria e qualidade dos mesmos e da estrutura das unidades e hospitais.

O gestor pode utilizar esses dados no intuito de organizar as ações que devem ser desenvolvidas visando o objetivo final que é a excelência no atendimento dispensado à população atendendo às suas necessidades.

Pensar num atendimento de qualidade imediatamente nos remete aos princípios pautados na humanização e no acolhimento, bem como tratamento, dispensado ao público, o que promove consequentemente, um elevado nível de satisfação e conforto ao usuário do sistema de atenção à saúde.

Como já visto anteriormente, os serviços de atenção à saúde são subdivididos e organizados em níveis, sendo eles: atenção básica, de média e alta complexidade, onde o foco desta pesquisa concentra-se na média complexidade, nível do objeto de estudo.

Dessa forma, sentiu-se a necessidade de traçar o perfil dos usuários atendidos em hospitais de média complexidade, bem como na atenção básica, a fim de fundamentar esta pesquisa possibilitando a sustenção dos dados fornecidos sobre o Hospital Regional Manoel de Sousa Santos no município de Bom Jesus-Piauí, pois “O conhecimento sobre o perfil e as necessidades da demanda das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) torna-se estratégico para o planejamento e melhorias em saúde”. (FELCHILCHER; ARAÚJO; TRAVERSO, 2015, p. 223).

Nesse sentido, torna-se relevante avaliar o perfil dos usuários que frequentam desde a atenção básica até os serviços de média complexidade, enfatizando os atendimentos em urgência e emergência, uma vez que traçar este perfil auxiliará também no melhor aproveitamento dos insumos e subsídios que constituem a estrutura organizacional e garantem o bom funcionamento dos hospitais, evitando gastos e uso de equipamentos desnecessários ao atender o público que procura os serviços de média complexidade, quando seu problema pode ser resolvido nas unidades de atenção básica.

Assim, quanto ao perfil dos usuários que buscam a urgência e emergência:

Reconhecer as diversas características de pacientes assistidos no Serviço de Emergência (SE) hospitalar constitui uma importante ferramenta para o planejamento de ações de saúde, pois oferece subsídio para a elaboração de estratégias, viabilizando a diminuição de agravos à saúde e seus fatores determinantes a partir do perfil de morbimortalidade da população. (KOPSEL; VICENSI, 2012 apud RODRIGUES et al., 2015, p. 15).

Tais procedimentos levam o gestor a conhecer as necessidades dos usuários que procuram os serviços da rede e planejar com mais segurança as ações desenvolvidas em âmbito geral resultando num serviço de qualidade e consequente satisfação de todos os agentes envolvidos nesse processo.

Nesse sentido, entende-se, então, que o perfil dos usuários que procuram as unidades básicas de saúde refere-se a problemas de saúde que não representam risco à vida, diferindo dos usuários que procuram os serviços de média e alta complexidade representando um público classificado na categoria grave com sérios riscos de saúde. Compreender a distinção entre estes perfis colabora para a melhoria do fluxo, rotatividade e eficiência dos serviços tanto das UBS quanto dos hospitais.

Considerando todas essas informações convêm analisar, quanto ao perfil sociodemográfico dos usuários, as variáveis: idade, sexo, escolaridade. Sendo estes dados avaliados no capítulo referente aos resultados da pesquisa.

No entanto, há também a necessidade de conhecer o perfil dos atendimentos no que se refere à oferta e demanda, destacando os principais tipos de especialidade médica de atendimento que representam a maior demanda por ordem de procura, bem como analisar as variáveis de satisfação.

As variáveis aqui apresentadas constituem o Protocolo de Manchester Triage System - MTS©, sendo este utilizado na unidade de saúde, objeto de estudo desta pesquisa, e que será utilizado para a análise comparativa dos dados levantados nesta pesquisa, consistindo numa:

[...] metodologia de trabalho desenvolvida na Inglaterra, na década de 1990. Foi implantado inicialmente na cidade de Manchester em 1997 e então adotado como norma nos hospitais do Reino Unido, sendo também adotado ou em fase de implantação na Irlanda, Holanda e Canadá (10).O objetivo desse protocolo consiste em classificar os pacientes de acordo com as prioridades de intervenção. O método segue os seguintes passos: identificação da queixa inicial do paciente, seguimento do fluxograma de decisão e, por fim, estabelecimento do tempo de espera de acordo com a gravidade. (SILVA et al., 2016, p. 428).

Este protocolo apresenta um fluxograma que estabelece uma classificação de atendimento através de um sistema de cores, assim representado: vermelho (emergente) o que determina um atendimento imediato; laranja sendo classificado como muito urgente prevendo um atendimento num período de dez minutos; amarelo representa urgência, devendo o paciente ser atendido em até 60 minutos; o verde (pouco urgente) consiste no atendimento em no máximo 120 minutos, tendo por fim a cor azul, considerada não urgente, o atendimento em 240 minutos. Ao se organizar o tempo de atendimento baseado na classificação de risco possibilita uma assistência mais eficiente e em menor tempo. (SILVA et al., 2016).

Utilizado em vários países, o mesmo foi avaliado por um grupo de especialistas brasileiros quanto à viabilidade de adaptação à realidade brasileira, onde, no Brasil, Minas Gerais foi pioneiro na implantação do protocolo e adotado como política pública desde o ano de 2008, sendo que o município de Bom Jesus, no Piauí, foi implantado desde... (SILVA et al., 2016).

A organização e estruturação do atendimento de forma planejada e competente evita o aumento dos agravos recorrentes devidos o tempo de espera elevado nos serviços públicos de saúde. A atenção básica deve ser o primeiro contato dos usuários, nos casos em que envolvam procedimentos mais simples de promoção da saúde, prevenção e reabilitação, sendo o fluxo de demanda nas UBS é maior, bem como o tempo de espera por atendimento, diferente dos serviços de média e alta complexidade.

Diante dos aspectos apresentados, é relevante abordar o perfil dos atendimentos, bem como da demanda e oferta dos serviços na atenção de média complexidade, foco deste estudo, destacando as principais especialidades procuradas, assim como as patologias mais recorrentes, listando posteriormente os atendimentos mais realizados no Hospital Regional Manoel de Sousa Santos no município de Bom Jesus-Piauí, no ano de 2016.

Traçar o perfil dos atendimentos no âmbito das redes de atenção básica e de média complexidade é uma abordagem necessária no que se refere à caracterização das ofertas e demandas, no intuito de viabilizar maior efetividade no atendimento através do encaminhamento de casos clínicos para o tipo de serviço correto.

Nessa perspectiva, ao se deparar com o motivo pela procura dos serviços de emergência, os usuários os buscam quando consideram que seu problema de saúde é grave ou quando avaliam que a atenção básica não resolverá seu problema. (PIRES et al, 2013).

Um estudo realizado por Furtado et. al. (2004), em um hospital geral de Pernambuco, constatou que 74,5% dos atendimentos poderiam ser realizados na atenção básica, por não se caracterizar como urgências, pois eram queixas típicas. Com esta demanda os casos graves e agudos acabam prejudicados, acarretando no acúmulo de tarefas e ainda no aumento de custos de atendimento e a sobrecarga da equipe dos profissionais de saúde. (CAMERRO et al, 2015, p. 516).

Sendo assim, diante desta afirmativa, percebe-se que a desorganização, no que se refere às ações e estratégias voltadas para a melhoria do fluxo e equilíbrio dos atendimentos em serviços de atenção de média complexidade pode acarretar sérios problemas no desenvolvimento organizacional dos hospitais, resultando em gastos desnecessários, bem como mau uso das equipes que são preparadas para eventos de uma magnitude maior que a demanda, prejudicando consideravelmente os casos mais graves e agudos.

Nesse sentido, adotar estratégias que agilizem o atendimento tem como primeiro passo a investigação do perfil da demanda a fim de aumentar a resolutividade em ambos os setores das redes de atenção à saúde. Assim, nesse contexto:

A Atenção Básica representada pela Estratégia de Saúde da Família, como porta de entrada aos serviços de saúde e centro de comunicação da Rede de Atenção à Saúde, vem sendo impulsionada pelo processo de descentralização, registrando grandes esforços para reorganizar-se em direção à valorização e fortalecimento para que realmente se consagre como a principal porta de entrada do sistema de saúde. No entanto, observa-se uma falha desses serviços de saúde, sendo que serviços de urgências e emergências são sobrecarregados pelo volume muito grande de pacientes com casos de complexidade menor e que poderiam ser atendidos nos serviços das unidades básicas. (SANCHES; CARVALHO, 2015, p. 34).

Sendo assim, considera-se que o perfil da demanda dos serviços de atenção básica esteja voltado para casos de baixa complexidade, enquanto que os da média complexidade abrangem os serviços de urgência e emergência que constituem casos de maior complexidade.

Tais considerações serão discutidas no capítulo a seguir onde serão analisados os dados levantados, bem como será traçado o paralelo entre os sistemas de baixa e média complexidade abordando, principalmente, os perfis dos usuários e da demanda de ambos.

Este trabalho tem como objetivo apresentar os resultados obtidos através da análise do banco de dados, sendo estes levantados no ano de 2016, do Hospital Regional Manoel de Sousa Santos no município de Bom Jesus-Piauí, considerando o Protocolo de Manchester Triage System - MTS© e traçando um paralelo entre este e o Hospital das Clínicas da UniversidadeFederal do Triângulo Mineiro (HC/UFTM) que utiliza o mesmo método de classificação dos pacientes de acordo com as prioridades de intervenção, orientando-se através das estapas de: identificação da queixa inicial do usuário, o seguimento do fluxograma de decisão e o estabelecimento do tempo de espera conforme a gravidade. (SILVA et al, 2016)

O estudo realizado por Silva et al (2016) teve como principal objetivo:

[...] avaliar o grau de satisfação dos usuários atendidos no setor de Acolhimento com Classificação de Risco do Pronto-Socorro Adulto do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC/UFTM) em relação aos critérios: confiança na equipe, marcas da humanização (edu­cação, respeito e interesse), ambiência (conforto, limpeza e sinalização), agilidade no atendimento, encaminhamento ou agendamento de consulta.

Nesse sentido, este estudo visa a traçar o perfil do Hospital Regional Manoel de Sousa Santos no município de Bom Jesus-Piauí, também levando em consideração as seguintes variáveis: sociodemográficas (sexo, faixa etária e nível de escolaridade) que correspondem ao perfil dos usuários atendidos e perfil dos atendimentos do hospital (especialidade médica de atendimento, maior demanda dos serviços).

Para tanto, no intuito de organizar e facilitar tal análise será designada uma nomenclatura para cada hospital sendo: hospital A o objeto de estudo desta pesquisa, ou seja, Hospital Regional Manoel de Sousa Santos de Bom Jesus-Piauí, e hospital B o Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC/UFTM), tendo como parâmetro o protocolo que já foi mencionado neste capítulo.

No que se refere ao perfil sociodemográfico dos pacientes atendidos, tem-se os seguintes dados:

Tabela 01 – Análise comparativa do perfil sociodemográfico dos usuários atendidos nos referidos hospitais.

Variáveis

Hospital A

Hospital B

Sexo

Feminino        52,79%

Masculino       47,21%

Feminino 56,6%

Masculino 43,7%

Idade

0 - 5 anos      12,78%

6 - 10 anos      5,38%

11 - 15 anos 4,36%

16 - 20 anos 9,79%

21 - 30 anos 20,95%

31 - 40 anos 16,95%

41 - 50 anos 10,06%

51 - 70 anos 12,91%

> 70 anos 6,82%

≤ 20 anos       7,7%

21 - 30anos 29,6%

31 - 40anos 16,3%

41 - 50 anos 15,6%

51 - 60 anos 15,6%

61 - 70 anos 10,7%

71 - 80 anos 2,2%

≥ 81 anos 2,2%

Escolaridade

Analfabeto                       2,25%

Fundamental Incompleto 11,77%

Fundamental Completo      2,27%

Médio incompleto 3,50%

Médio completo               4,41%

Superior  1,88%

Pós-graduação   0,03%

Sem informação 73,89%

Analfabeto                       7,7%

Fundamental Incompleto 31,3%

Fundamental Completo  21,7%

Médio Incompleto          31,7%

Superior                           7,3%

Pós-graduação                 0,3%

Total (100%)

45.461

300

FONTE: Adaptada de Silva et al (2016)

Diante dos dados apresentados acima, foi possível constatar que os maiores índices quanto ao sexo, em ambos os hospitais, no que se refere à frequência dos atendimentos, é o gênero feminino, sendo que no hospital A consiste em 52,76% dos usuários atendidos, enquanto que no hospital B o percentual é de 56,6%.

Esses percentuais revelam que a mulher tem uma maior preocupação com a saúde, visto que a presença maciça destas nos estudos a torna protagonista nos cuidados da saúde, expressa nos dados em maior quantidade quanto à procura dos serviços de saúde. (PIRES et al, 2013)

Há muitos estudos que revelam uma maior utilização das mulheres dos serviços de saúde, tanto ambulatoriais quanto hospitalares, sendo que a demanda masculina pode estar relacionada, geralmente, por motivos de trabalho ou pelo seguro social, enquanto a demanda feminina é essencialmente voluntária, de modo espontâneo, estando relacionada ao planejamento familiar, prevenção contra o câncer de colo uterino e mama, demonstrando uma maior preocupação desta com sua saúde. (PIMENTEL et al, 2011)

Quanto à idade, observou-se que em ambos os hospitais os usuários que mais procuram os serviços estão compreendidos na faixa etária entre 21 e 30 anos, seguido da faixa etária de 31 a 40 anos, onde ambos os hospitais estudados apresentam percentuais semelhantes. Considerando o maior percentual de pacientes do sexo feminino, estes índices podem estar relacionados ao fato de nessa faixa etária haver uma maior preocupação por parte das mulheres em cuidar de sua saúde através dos serviços de prevenção e planejamento familiar, como mencionado anteriormente.

No que se refere à escolaridade percebe-se que, dos dados que foi possível coletar, a maior porcentagem consiste em pacientes com o ensino fundamental incompleto, no hospital A, enquanto que no hospital B o maior percentual consiste em pacientes com ensino médio incompleto.

Nesse sentido, estudos revelam que o nível de instrução tem influência sobre o nível de satisfação dos usuários com os serviços de saúde oferecidos, pois sabe-se que quanto maior o nível de escolaridade, maior o nível de criticidade dos usuários, aumentando proporcionalmente o nível de exigência quanto à qualidade dos serviços e, consequentemente, maior a possibilidade de insatisfação dessa população. (SILVA, 2016).

Assim, através dessa reflexão pode-se perceber a necessidade da análise e importância desta variável neste estudo.

Outro aspecto importante a ser analisado nesta pesquisa é a procedência dos usuários, onde foi possível observar que as maiores partes dos atendimentos realizados são de pacientes do município de Bom Jesus (62,14%), seguido de outros municípios adjacentes (36,77%), sendo que ainda atende uma pequena parcela de outros estados (1,09%).

Gráfico 01 – Procedência dos usuários atendidos no hospital

O Hospital pesquisado, de acordo com o que já foi citado nesta pesquisa, compreende uma região aonde concentra grande fluxo de atendimentos de usuários de outros municípios, assim como de outros estados, visto que se situa na região da Chapada das Mangabeiras e assiste à população desses municípios que se localizam em outros estados. Outros estudos sobre a procedência de usuários em serviços de atendimento de atenção à saúde também apontam dados semelhante e revelam que:

[...] em situações de emergências o atendimento deve ser feito de forma incondicional, independentemente da cidade de origem, segundo a Carta de Direitos dos Usuários da Saúde. Por outro lado, acredita-se que o elevado percentual de atendimentos com procedência no próprio município deve-se ao fato da população não conhecer os seus direitos, omitindo a procedência por receio de recusa de atendimento. (RODRIGUES et al, 2015, p. 20)

Também se objetivou traçar o perfil assistencial do Hospital Regional Manoel de Sousa Santos no município de Bom Jesus-Piauí, visto que estes dados, como já mencionados, constam do período de 2016, onde foram levantados índices importantes, considerando as seguintes variáveis: clínicas dos atendimentos, a procedência dos usuários e a classificação de atendimento que é um dos principais interessem deste estudo. Tais índices serão apresentados a seguir.

A análise das clínicas de atendimento consiste na avaliação das especialidades mais procuradas no hospital, tendo em vista que este tipo de estudo colabora para compreender melhor em que nível de atenção os serviços oferecidos estão mais enquadrados.

Tabela 02 – Análise da demanda das clínicas de atendimento.

Clínicas de Atendimento

Quantidade

Índice

Cirurgia Geral

541

1.19%

Clínica Geral

41.604

91,49%

Fonoaudiologia

767

1,69%

Obstetrícia / Ginecologia

1.102

2,42%

Ortopedia / Traumatologia

970

2,13%

Pediatria

350

0,77%

SAVVIS

127

0,28%

Total (100%)

45.461

100%

FONTE: Dados pesquisados pelo autor (2016)

Ao analisar os índices apresentados na tabela acima, observou-se que a maior demanda no que se refere às especialidades consiste nos serviços de Clínica Geral, revelando quase a totalidade dos atendimentos realizados, sendo este um percentual de 91,49% do total.

Diante destes índices percebe-se que a maior demanda refere-se aos serviços de atenção básica, onde os usuários muitas vezes procuram o hospital no intuito de serem atendidos com mais rapidez, o que consequentemente interfere diretamente no desenvolvimento das ações e estratégias voltadas para a melhoria da qualidade dos serviços oferecidos de média complexidade, visto que conforme Pires et al., (2010, p. 1018) “[...] Percebe-se a necessidade de organizar os serviços de referência e contra referência, os fluxos e as centrais de regulação que objetivem equalizar a oferta, mais que obstaculizar o acesso do usuário.”

Para tanto, torna-se essencial a veiculação de esclarecimentos e a promoção de discussões em torno desta problemática no intuito de proporcionar à população atendida a conscientização sobre as competências de cada nível de atenção à saúde, compreendendo que a atenção básica deve ser a porta de entrada principal para atendimentos de baixa complexidade desafogando os hospitais de média complexidade.

Devido à preocupação com estes índices o Hospital adotou o Protocolo Manchester que é pautado num método de triagem, onde:

Um dos métodos de triagem utilizados é o Sistema de Triagem de Prioridades de Manchester, implementado no ano de 1997 em Manchester, Inglaterra. Esse método consiste em promover um atendimento de acordo com o critério clínico. Através desse método é definido qual o tempo alvo recomendado até o atendimento médico. O Protocolo conta com 54 fluxos abrangendo as possíveis situações previsíveis. Cada fluxo segue com um discriminador que direcionará o funcionário a cor de identificação correspondente a queixa do cliente. São ao todo 5 cores:vermelho, laranja, amarelo, verde e azul. (PORTUGAL, s.d apud MADEIRA; LOUREIRO; NORA, 2010, p. 545).

Sendo assim, cada cor corresponde a um nível de gravidade e tempo de espera pelo atendimento, o que auxilia na organização e eficiência dos serviços, principalmente no Pronto Socorro, sendo: vermelho (emergente – 0 minuto), laranja (muito urgente – no máximo 10 minutos), amarelo (urgente – até 60 minutos), verde (pouco urgente – 120 minutos) e azul (não urgente – no máximo 240 minutos). (MADEIRA; LOUREIRO; NORA, 2010).

Ao analisar os dados apresentados no gráfico acima foi possível constatar que a grande maioria dos usuários atendidos (70,60%) concentra-se no nível de classificação verde que é considerado pouco urgente, o que coaduna com os dados apresentados sobre a demanda quanto ao atendimento, demonstrando um perfil assistencial básico, sendo que o hospital foco deste estudo tem um perfil de média complexidade.  Nesse sentido, é notório que:

A organização no serviço de emergência é essencial na assistência ao paciente com risco iminente de vida. A assistência deve ser eficaz, pois muitas vezes não há tempo ou condições para sequer perguntar ao paciente seu nome ou se ele aceita determinado tratamento, tornando-se indispensáveis decisões e ações imediatas. (BEZERRA et al, 2017, p. 201).

Portanto, faz-se necessário propor ações estratégicas que possam intervir nessa realidade auxiliando na diminuição do fluxo de pacientes pouco ou não urgentes, encaminhando-os de maneira humanizada aos serviços da atenção básica, setor da saúde responsável por atendimentos de baixa complexidade.

Outro objetivo desta pesquisa e que tem grande relevância é definir quais as principais patologias mais frequentes no setor de atendimento, o que colabora na organização do setor de classificação de risco deste hospital, visto que a triagem no momento do acolhimento do paciente auxilia nesse processo e facilita a priorização do atendimento pela gravidade clínica.

O setor de acolhimento do paciente é o principal coadjuvante no bom desempenho dos serviços realizados em âmbito hospitalar, visto que é através da triagem realizada neste que são classificados os casos de acordo com sua gravidade e organizados os atendimentos, onde:

O principal objetivo da triagem na emergência é estimar a gravidade da doença dos pacientes, estabelecendo prioridades no atendimento, adequando o tempo de espera de acordo com suas condições clínicas e não por ordem de chegada, garantindo tratamento eficiente, prestando assistência de forma integral (CHRIST et al, 2010 apud SANTOS, 2014).

Porém, ao analisar minuciosamente o banco de dados do setor de consultas realizadas observou-se que da totalidade dos atendimentos, apenas uma parte dos procedimentos foi informado quanto à especialidade e registrado no sistema, visto que foram selecionadas as patologias por área com a maior demanda no hospital, perfazendo um total de 11988, sendo elas: gineco-obstetrícia, cardio e pneumologia, gastroenterologia, endocrinologia, cirurgia, traumatologia, neurologia, urologia e nefrologia, bem como outros tratamentos.

Nesse sentido, observou-se que dos 45.461 atendimentos realizados no hospital, o maior percentual passou pela clínica geral e apresentou problemas de natureza gineco-obstétrica, seguido de patologias do sistema cardiorrespiratório onde os dados podem ser visualizados na tabela abaixo.

Tabela 03 – Análise da demanda das patologias clínicas no setor de atendimento.

Patologias/área

Quantidade

Índice

Gineco-obstetrícia

5681

47,38%

Tratamento Cirurgico   

977

8,14%

Cardiorrespiratórias

1277

10,65%

Digestivas

978

8,15%

Endocrinológicas

425

3,54%

Geniturinárias 

517

4,31%

Traumatológicas

1179

9,83%

Neurológicas 

209

1,74%

Outra natureza  

745

6,21%

Total (100%)

11.988

100%

FONTE: Dados pesquisados pelo autor (2016)

Assim, observou-se que as patologias mais frequentes no setor de atendimento consistem em afecções ou estados de saúde que necessitam da atenção do setor de gineco-obstetrícia (47,38%), o que demonstra uma relação com os dados mais expressivos no que se refere aos fatores gênero e idade, onde os usuários que mais utilizam os serviços do hospital são do gênero feminino compreendido na faixa etária de 21 a 30 anos.

No entanto, percebeu-se também uma grande demanda no que se refere a atendimentos que são comumente realizados na atenção básica, como já foi mencionado anteriormente ao se analisar o fator classificação de risco, onde:

Há dificuldades de constituição da Atenção Básica como efetiva porta de entrada ao sistema, considerando a forte cultura hospital ocêntrica que marca tanto a organização dos sistemas como a própria demanda populacional. Em muitos municípios, a primeira procurada população continua sendo a rede hospitalar e/ou os serviços de pronto. (SENNA; COSTA; SILVA, 2010, p. 127).

Assim, pode-se afirmar que os hospitais de média complexidade estão assumindo um perfil de atenção básica devido à grande demanda dos serviços oferecidos e por representarem para a população uma referência de garantia quanto ao pronto atendimento de suas necessidades. Isto se deve à estrutura que os hospitais oferecem que é superior à atenção básica, apesar de que este problema pode ser resolvido facilmente através do investimento por parte do poder público, bem como por meio de políticas públicas que possam atenuar esta situação.

Ao refletir sobre as questões levantadas nesta pesquisa, em busca de respostas quanto à realidade do hospital investigado, percebeu-se que, embora este ofereça uma estrutura e serviços de média complexidade, realiza diariamente serviços que são destinados à rede de atenção básica, o que demonstra uma sobrecarga quanto à demanda populacional e lhe confere um perfil dessa natureza.

Quanto aos objetivos propostos e levantados no início deste estudo, concluiu-se que a maior demanda pelos serviços oferecidos é do sexo feminino, bem como a maioria dos usuários compreende a faixa etária entre 21 e 30 anos, com o ensino fundamental incompleto. Também foi possível constatar que o maior percentual da população atendida é originário do município de Bom Jesus-PI, onde o hospital está localizado, apesar deste atender usuários de outros estados e municípios.

No que se refere às clínicas de atendimento, observou-se que a clínica geral compreende a maior fatia dos atendimentos realizados o que sobrecarrega o hospital, podendo estes pacientes ser encaminhados para as unidades de atenção básica, possibilitando um menor desgaste dos colaboradores e melhorando os serviços de urgência e emergência que competem a esta rede.

Isso significa que, de acordo com a  análise dos dados obtidos quanto à classificação de risco, o Hospital Regional Manoel de Sousa Santos de Bom Jesus-Piauí se enquadra  na classificação verde (pouco urgente), onde os serviços de clínica geral apresentam uma maior demanda seguido da especialidade mais procurada que consiste na área de gineco-obstetrícia.

Tais considerações nos levam a refletir sobre as competências e atribuições destinadas a cada setor e rede de atenção à saúde, abrindo espaço para novas discussões e reflexões que devem ser realizadas no intuito de melhorar e ampliar a qualidade da saúde pública, vislumbrando novas propostas de ações e estratégias que devem ser planejadas visando o bem-estar e a saúde da população, assim como a satisfação dos colaboradores envolvidos no processo.


Autores


Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi.

Comentários

0

Livraria