O Novo Perfil do Estudante de Direito

30/04/2019 às 15:09
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Ao contrário do que muitos pensam, o profissional de direito não exerce um trabalho solitário e individual, ele necessita de aperfeiçoar suas habilidades de trabalhar em equipe, de desenvolver seu networking, criando ligações com potenciais clientes.

Por Northon Salomão de Oliveira

Ao contrário do que muitos pensam, o profissional de direito não exerce um trabalho solitário e individual, ele necessita de aperfeiçoar suas habilidades de trabalhar em equipe, de desenvolver seu networking, criando ligações com potenciais clientes e parceiros para o desenvolvimento de sua carreira.

Ser introvertido não é uma boa característica para os estudantes desta área. A geração atual, focada em recursos tecnológicos e redes sociais como o Facebook e o Whatsapp, está desencadeando uma produção em série de jovens com pouca experiência social.

Não estamos falando do perfil arrogante e prepotente, comumente visto em estudantes, professores e profissionais em geral na área de Direito. Essa postura já vem desde os primórdios, talvez devido à elitização da profissão, onde uma pessoa sem condições financeiras dificilmente consegue ficar anos e anos em casa, estudando, sem trabalhar ou abrir um escritório e aguardar 4 ou 5 anos para começar a ter um retorno financeiro. Falamos de uma geração que em breve, representará cidadãos e empresas perante o Estado, sem o menor preparo social, sem experiência de vida, apenas baseada em resumos de matérias, que foram lidos às pressas, algumas horas antes das provas.

Um estudante de Direito introvertido costuma dizer: “eu não vou advogar, vou estudar para concursos”, como se ele não tivesse que advogar depois disto. Afinal, o Estado não contrata estudantes de Direito para eles ficarem assistindo Netflix e tomando sorvete, não é mesmo?

Tanto os pais quanto as próprias faculdades de Direito ainda pecam na questão de não preparar os jovens para falar em público, com pífias aulas de oratória, isso quando há algo neste sentido.

Voltando à comunicação, que muitos consideram perfil somente para alunos de publicidade e jornalismo, no curso de Direito é comum você estudar 5 anos com adolescentes que sequer olham na sua cara até o dia da formatura. Adolescentes que, de maneira preocupante, estarão amanhã, em uma sala de audiência, representando seus clientes, cidadãos que contratarão seus serviços, esperando um retorno em situações muitas vezes complexas, que exigirão habilidades inexistentes em seus advogados.

Medir um aluno pelas suas notas é outro erro grave que é cometido desde os primórdios. Cansamos de ouvir que os alunos que tiram nota 10 das turmas anteriores não se tornaram bons profissionais por não saberem lidar com situações que exigem dinamismo, flexibilidade e negociação.

Ser um bom advogado vai muito além de acertar todas as questões da prova. É preciso ter habilidade, saber falar, ouvir, negociar, atrair a atenção, você tem que estar preparado para ser um empreendedor, um frontman, um resolvedor de problemas e injustiças.

Aquelas horas conversando no Whatsapp, enquanto o seu professor explicava sobre falência, sobre responsabilidade civil, sobre direitos trabalhistas, vai lhe fazer falta no dia que você precisar.

A mensalidade paga pelo seu pai, valor que você não sabe medir em esforços, se enganando que será um bom profissional, um dia lhe fará falta e você irá descobrir, 5 anos depois, que não tinha perfil para a profissão, ou até pior, que nem tentou descobrir se tinha.

Sobre o autor
Northon Salomão de Oliveira

Northon Salomão de Oliveira é jurista, escritor e publicitário brasileiro, autor de mais de 1.500 artigos e mais de 60 livros. Suas obras são publicadas por editoras como Kotter Editorial e Goyazes Editora, além de estarem disponíveis em plataformas como Amazon e Google Play Books. Seus textos são veiculados em importantes portais de comunicação jurídica, acadêmica e de negócios, como SSRN (Elsevier), Jusbrasil, Administradores e Jus, alcançando leitores das áreas do Direito, gestão, políticas públicas e ciências humanas. Sua pesquisa desenvolve uma abordagem interdisciplinar que conecta o Direito à filosofia, inteligência artificial, ciência, psicologia, psiquiatria, marketing, comunicação, publicidade, mudanças climáticas, cultura, bioética, teoria das organizações e literatura. Sua produção científica também está disponível em plataformas internacionais de indexação e difusão do conhecimento, como SSRN (Elsevier), SciELO, Academia.edu e Zenodo (CERN), ampliando sua presença em universidades, centros de pesquisa e bibliotecas digitais de diversos países. Entre suas principais obras destacam-se O Prédio que Aprendeu a Escutar (Kotter Editorial/Goyazes Editora), Direito para Gestores, Marketing para Gestores, When Machines Begin to Dream, The Piper at the Gates of Dawn, Constitutional Crisis and Democratic Backsliding, Before You Disappear, I'm So Scared About the Future, Existências: Entre Sonhos e Abismos, The Loneliness of Being Human, The Cathedral of Invisible Commands, Olivia's Mistake, Letters to an Unknown Future, The Climate Mind, A República dos Herdeiros, The Girl Who Learned to Think, Nuclear War and the Juridical Limits of Humanity, The Physicists Are Wrong, Uma Sentença entre Nós, The Architecture of Cognitive Sovereignty in the Algorithmic Society, Artificial Persuasion, The London Train: Moon, Trees, Shadows and Rain, The Jurisprudence of Overshoot, She Lost Control, Ansiedades: O Direito com Medo do Futuro e do Silêncio da Inteligência Artificial, Ontologias, Vestígios, Colapsos: Uma Odisseia Jurídica pelo Caos Climático, Etnomarketing: Relevância na Administração Contemporânea, A Segurança Jurídica do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), The Geometry of the Invisible: The Vitruvian Universe and the Architecture of Consciousness, The Anxiety Economy: Systemic Uncertainty, Behavioral Governance, and the Institutional Inadequacy of Corporate Law e Artificial Persuasion: Artificial Intelligence, Cognitive Capture, and Regulatory Fragmentation in the Global Advertising Industry. É identificado internacionalmente pelo ORCID iD 0009-0007-4038-0609. Contato: [email protected]

Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi

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