Texto sobre a Imperial Ordem da Rosa, parte de uma série sobre as ordens honoríficas do Brasil Império.

O Imperador D. Pedro I do Brasil, ou Pedro IV de Portugal (1798 - 1834), por ocasião de seu segundo casamento, em 1829, criou aquela honraria que ficaria conhecida nos meios da numismática como a mais linda Ordem honorífica brasileira. O seu objetivo era demonstrar suas boas intenções e perpetuar a memória de seu matrimônio com Dona Amélia de Leuchtenberg e Eischstädt (1812 - 1873).

A Imperial Ordem da Rosa premiou militares e civis, nacionais e estrangeiros, por demonstrações de fidelidade ao Imperador ou por serviços destacáveis prestados ao Brasil. Dentre os galardoados, figuram o escritor Machado de Assis, o cientista Alfred Nobel, o matemático e astrônomo Annibale de Gasparis, o educador e sacerdote católico Inácio de Sousa Rolim, o magistrado Luiz Gonzaga de Brito Guerra.

A Ordem da Rosa era tão cobiçada, que chegou a ser utilizada no II Império como moeda de troca, com a intenção de estimular fazendeiros a libertar seus escravos. Dom Pedro II galardoou mais de quatorze mil pessoas com a insígnia da Rosa, cujo desenho original foi assinado por Eugène de la Michellerie e Pezerat - conforme documentos originais pertencentes ao Museu Imperial de Petrópolis.

Após o exílio da família imperial brasileira, a ordem se manteve em caráter privado, e o seu grão-mestre é o Chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Luiz I. Anteriormente, esse título pertenceu a Dom Pedro I, Dom Pedro II, Dona Isabel I e Dom Pedro III (do Brasil).

Há seis graus possíveis, mais do que qualquer outra ordem honorífica imperial brasileira: Grã-cruz, Grande Dignitário, Dignitário, Comendador, Oficial e Cavaleiro.

A insígnia é formada por uma estrela branca de seis pontas maçanetadas (circuladas), unidas por guirlanda composta por dezoito rosas claras, cor-de-rosa (símbolo antigo da gratidão) . Em posição central, medalhão circular em ouro, com as letras "P" e "A" entrelaçadas, em relevo. Emoldurando a medalha, uma orla azul-ferrete (cor do mar azul muito escuro, quase negro), com a legenda "AMOR E FIDELIDADE". O reverso é semelhante ao anverso, porém com a inscrição "2-8-1829" (data do casamento entre Dom Pedro I e Dona Amélia), e uma legenda auto-explicativa, "PEDRO E AMÉLIA". A fita e a banda são em tom rosa claro, como as rosas, com duas orlas brancas.

A jovem Dona Amélia, com apenas dezessete anos, cativou os brasileiros, estudou sobre a sua nova nação, aprendeu a língua portuguesa e os costumes da pátria que se dispôs a governar. Ela supervisionava e dirigia pessoalmente a educação das princesas e do pequeno herdeiro do trono, Pedro de Alcântara (futuro Dom Pedro II do Brasil), que em pouco tempo passou a chamá-la de "mamãe". Ao que se sabe, a sua presença instaurou um clima de paz no Palácio e o Imperador Dom Pedro I cumpriu a sua promessa de ser um marido digno.

Parece que a homenageada fez jus ao lema de sua Ordem - AMOR E FIDELIDADE.


Referências:
Barman, Roderick J. Citizen Emperor: Pedro II and the Making of Brazil, 1825-1891. Stanford University Press. 2002.
Carvalho, José Murilo de. D. Pedro II: ser ou não ser. Companhia das Letras. 2007.
Costa, Sérgio Correia. As quatro coroas de D. Pedro I. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1995.
Schwarcz, Lília Moritz. As barbas do imperador. Companhia das Letras, 1998.
Von Regium. Um Mérito à Fidelidade. http://www.vonregium.com/um-merito-a-fidelidade/

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Imagem 1: Insígnia simplificada da Imperial Ordem da Rosa, com estojo. Disponibilizado por: Medalhas Raras, de Milton Basile.
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Imagem 2: Foto de uma Insígnia da Imperial Ordem da Rosa, em ouro, brilhante, rubi e esmalte. Museu Histórico Nacional. Disponibilizado por: Medalhas Raras, de Milton Basile.

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Imagem 3: Anverso e reverso da insígnia da Ordem e Colar. (Acervo do Museu Imperial, Petrópolis). Disponibilizado por Von Regium.


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