Por que devemos nos preocupar com quais informações são coletadas e para onde elas vão.

Você chega no trabalho, faz o seu café, liga seu computador e PÁ!, entra na internet.

Ai você se lembra que tem férias pra vencer e precisa usufruir.

Qual é a primeira ideia que vem na sua cabeça? Uma pesquisa no maravilhoso e incrível Google (rei supremo das respostas imediatas, melhor definição de Guru), buscando o local ideal pra desfrutar dos dias de descanso.

Logo após, começam a aparecer no seu computador ou celular diversas propagandas de hospedagem, blogs sobre roteiros turísticos e promoções de passagem, não é mesmo?

O exemplo acima é apenas um entre várias situações inusitadas com as quais nos deparamos na internet. Sem perceber, fornecemos nossos dados como gostos pessoais, interesse por viagens, línguas que falamos, aonde vamos ou gostaríamos de ir e isso nos insere em uma rede imensa de informações.

Mas, por que isso acontece?

Na internet, nossas informações são o "pagamento" pelos serviços que usamos. O Google, por exemplo, possui códigos em seus produtos que o permite coletar os mais variados dados de seus clientes e, não se engane, isso não é feito "por debaixo dos panos", nós consentimos assim que nos cadastramos nesses serviços, aceitando termos de utilização e políticas de privacidade que, 99% das vezes, nem lemos.

E isso não é tudo. Com certeza você, caro leitor, usa o WhatsApp para conversar com seus amigos ou procura o endereço de um barzinho no Waze. Se você entra no seu e-mail da Yahoo, posta uma foto com localizador no seu Instagram ou, simplesmente, procura o significado de uma palavra no dicionário online, é bem provável que essas e outras empresas tenham acesso aos seus dados pessoais. Verdadeiro absurdo não é mesmo?

A coleta massiva de informações é um fator preocupante. Mesmo quando somos avisados sobre a coleta de dados, nossa privacidade fica à mercê da web, ou seja, podemos ser "invadidos" a qualquer momento por qualquer um, trazendo prejuízos imensuráveis.

Então, devemos nos preocupar com os dados que dispomos na internet? SIM, com toda certeza.

É de suma importância que tomemos cuidado com o que, ativamente, informamos às empresas na web. Já ouviu aquele ditado "Quem muito pede, muito deve"? Pois leve-o para a vida. Se qualquer serviço estiver solicitando informações demais, além daquelas que são realmente necessárias para sua devida prestação, DESCONFIE! Evite disponibilizar seus dados pessoais como endereço, número de telefone, documentos, etc., especialmente em sites não confiáveis como as redes sociais, onde todos podem ter acesso.

Além disso, aqui vão algumas dicas simples mas muito eficientes:

1) Não deixe sua webcam ou microfone ligados quando você não estiver realmente usando: evita que qualquer hacker possa ter acesso às suas imagens ou que aplicativos e sites possam acessar indevidamente. Tudo que possa dar informações às outras pessoas deve ser bloqueado para não facilitar.

2) Saia de todas as suas contas em rede sociais, e-mails ou sites: descuido mais comum. Sempre que acessar suas contas, principalmente em computadores públicos, faça logout. Uma opção interessante pra quem usa o Chrome como navegador é acessar pela opção "anônimo", assim você não deixará nenhum rastro durante a navegação.

3) Crie senhas fortes e mude-as constantemente: nada de colocar a sua data de nascimento ou o nome do seu cachorro né? Evite criar senhas que sejam associadas aos seus dados pessoais, principalmente os importantes, como senhas de banco e CPF, por exemplo. Use e abuse de letras misturadas com números, sempre de forma aleatória. Memorize suas senhas, jamais anote no celular ou em qualquer aplicativo.

4) Possua antivírus: quando se trata de proteção contra vírus, Malwares e hackers, os antivírus são a melhor forma de combate. Mantenha-os sempre atualizados e faça constantes varreduras no seu computador. Opte sempre por plataformas e aplicativos que possuem boas ferramentas de segurança. Nesse ponto, os pagos podem valer cada centavo se forem evitar transtornos maiores, pois oferecem uma gama de proteção muito maior para seus dados.

5) Tome cuidado com links suspeitos e downloads: jamais clique ou baixe qualquer coisa que você não tenha absoluta certeza da procedência. Vale ficar atento, inclusive, para os que forem confiáveis, pois podem conter "cavalos de tróia".

Não se engane, estamos sendo inevitavelmente rastreados.

Com o advento da GDPR (General Data Protection Regulation ou Regulamento Geral de Proteção de Dados, em português) e da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) estaremos sim mais protegidos, porém, de nada adiantam leis se não possuirmos práticas que melhorem a nossa relação com a internet, deixando-a mais segura, de modo a evitar acontecimentos indesejados e prejuízos. Importante, também, refletir sobre tudo que disponibilizamos na web e a real necessidade dessa exposição.

Atenção e cuidado nunca são demais.


Autor

  • Bruna Ribeiro

    Advogada, Especialista em Direito Processual Civil pela Universidade Cândido Mendes, entusiasta no Direito Digital com foco em proteção de dados, cursos em Segurança da Informação e Proteção de Dados pela TI Exames, cursos Lei de Proteção de Dados e Gestão de Riscos pela Escova Virtual de Governo.

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