Pandemia e Governabilidade
Desde a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Brasil em 26 de fevereiro de 2020, advindo de homem de 61 anos de São Paulo que, na ocasião, retornava da Itália, já foram registrados mais de 172 mil casos no Brasil, com mais de 11 mil mortes até a presente data.
Com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de garantir a prefeitos e governadores a total autonomia sobre medidas de enfrentamento ao Covid-19, alavancou um debate entre as mais diversas autoridades sobre o poder do executivo em relação ao território nacional.
Com o enfretamento dos governadores em relação ao Presidente da República, a cada dia se torna mais evidente, como exemplo, no último dia 11 de maio, Bolsonaro incluiu algumas atividades no Decreto de serviços essenciais, e repercutiu entre a maioria dos governados, com ameaça até de não cumprimento do decreto.
O governador do Estado de São Paulo, João Dória, defensor contumaz do isolamento social, e que decretou quarentena em todo o Estado, comentou sobre a pandemia ao Jornal O globo: “O que tem estimulado lamentavelmente o relaxamento das pessoas é a conduta errática do presidente da República que, dando maus exemplos todos os finais de semana, sai para fazer passeios na Esplanada ou em cidades satélites de Brasília negando a ciênca, a orientação do isolamento e dando um péssimo exemplo aos brasileiros. Esse sim é o contraponto que influencia negativamente a opinião pública”.
Bolsonaro tem reagido de maneira firme sobre o relaxamento da quarentena, e após o decreto 10.344/2020, que determina os salões de beleza, academias e barbearias, como serviços essenciais, disse aos governados que não aderirem ao decreto: “Afrontar o estado democrático de direito é o pior caminho, aflora o indesejável autoritarismo no Brasil”.
Dados esses fatos, fica claro que atravessamos um início de crise institucional no país, com uma espécie de politização do vírus, disputas de interesses políticos alavancam uma questão: É possível governar em meio a uma pandemia jamais vista no mundo?
De fato, o maior debate é em relação à economia, com o fechamento do comércio, empresas chegaram à falência. Em um país que atravessou uma grande crise em 2014, e aos poucos estava se estabelecendo financeiramente, os danos causados pelas medidas de isolamento, são incalculáveis.
Fica claro que estamos atravessando um início de crise institucional no país, com uma espécie de politização do vírus, infelizmente, o que tem marcado essa pandemia não é o seu combate, e sim as mesmas disputas por poder que a população brasileira convive e já está farta.
É necessário um olhar humano para povo, o poder vem da população, e nunca se precisou tanto dos governantes nesse momento. Política nada mais é do que uma arte, e cabe aos que estão no poder, desempenhá-la da melhor maneira possível, com menos conflito e mais racionalidade.
Murillo Loureiro, 13/05/2020