1. Introdução
1.1 Temática
A temática da pesquisa científica foi elaborada com base no Estudo de caso da Rede de Turismo Comunitário do Ceará – Tucum, Turismo Comunitário um modelo de gestão eficaz e sustentável. Após internalização da pesquisa poderá ser referência teórica para implantação em outras comunidades onde não existe este modelo de gestão democrática.
O objetivo do presente estudo é contribuir para a implantação do modelo de gestão eficaz e sustentável do Turismo Comunitário do Ceará.
1.2 Problemática
Este estudo pretende responder as questões elaboradas:
Quais as atividades Turísticas são desenvolvidas pelas comunidades que praticam o Turismo Comunitário envolvendo a produção, organização, sustentabilidade e autogestão?
Esta questão envolve as atividades turísticas, sendo a primeira variável a organização, que promove a capacitação de pessoas. Outra atividade dentro da organização apresenta-se a prática do cooperativismo e capacitação solidária, conforme afirmou Barbosa e Coriolano (2013).
2. Revisão da Literatura
2.1 Definições
2.1.1 Conceitos de Organização
Para Coelho (2004), as organizações existem, todos precisam de bens e serviços para sobreviver, e são as organizações as responsáveis pela produção de bens e serviços. No ponto de vista de Motgan, (1996), as organizações são propostas como um fim em si mesmo. Como instrumentos criados para se atingirem outros fins. Observando pela origem da palavra, organização deriva do grego orgamon que significa uma ferramenta ou instrumento. Ou seja, instrumento em busca de fins determinados.
Segundo Maximiano (1992) a organização pode ser a combinação dos esforços individuais que buscam realizar os fins coletivos. Portanto, através da organização torna-se possível alcançar as finalidades que seriam difíceis para uma pessoa.
2.1.2 Conceito de Produção
Segundo Martins, Laugeni, (2002. p. 05) o conceito de administração da produção “é toda atividade desenvolvida pela empresa visando atender seus objetivos de curto, médio e longo prazo, se interrelacionam de forma muito complexa.” Sendo essas atividades, ao tentar se transformar insumos, como matérias-primas, em produtos e os serviços, obtém os recursos e agregam valor ao produto final. (Martins, Laugeni, 2002).
Outro conceito sobre Administração da Produção que “é o campo de estudo dos conceitos e técnicas aplicáveis à tomada de decisões na função de Produção (empresas industriais) ou Operações (empresas de serviços)”.(Moreira, 2002, p. 3). A tomada de decisão é um desafio permanente para quem gerencia.
2.1.3 Conceito de Sustentabilidade
Para os autores como Wilkinson et al. (2001) sustentabilidade é vista como renovação e recuperação. Para Veenan e Polytilo (2003), numa ótica das pressões econômicas atuais. Para Degani, (2003) é visto como garantia de direito aos países subdesenvolvidos. Rattner (1999) trata do conceito centrado nas pessoas.
Para Wilkinson et al. (2001) o conceito de sustentabilidade apresenta a preocupação sobre sua manutenção, renovação e a recuperação de recursos naturais, porém deve, primeiramente incluir a dimensão ética de integridade, percebendo o pensamento entre as pressões econômicas da atualidade com as necessidades ambientais do futuro.
2.1.4 Conceito de autogestão
Para conceituar autogestão é preciso compreender a economia solidária. Conforme afirmou Tauile (2001), a economia solidária teve seu início no Brasil, especificamente no Rio Grande do Sul, na década de 80, como prática social diferente. Esta prática social voluntária segundo Tauile (2001, p. 4), se expressou numa das formas particulares de economia solidária é a autogestão. Conforme afirmou sobre Associação Nacional de Trabalhadores e Empresas de Autogestão - ANTEAG “às recentes experiências brasileiras acompanhadas pela ANTEAG (e sob uma ótica menos “fria”, ainda que não necessariamente menos rigorosa em termos da realidade cotidiana),” o problema de origem da autogestão é que ela deve ser entendida, e talvez acima de tudo, como “um projeto de sobrevivência... trabalha-se com os restos do capitalismo, principalmente com os setores econômicos mais fragilizados”.
2.2 Hipóteses e modelo Conceitual
2.2.1 Organização e auto gestão nas entidades de Turismo Comunitário
O objetivo desta parte do trabalho de pesquisa é fazer uma relação entre Organização e autogestão nas entidades de Turismo Comunitário. Como também apresentar uma hipótese de acordo com as questões elencadas acima. Os Autores pesquisados: Ministério do Turismo (2010); Maldonato, (2009); Barbosa e Coriolano (2013).
Segundo o Ministério do Turismo (2010,), recebem visibilidade na academia, e na mídia, no setor público as várias experiências de organização dentro do setor turístico no qual receberam algumas denominações como Turismos: de Base Comunitária, Solidário, e de conservação, “entre outras denominações, no mundo, em particular na América Latina.” (Ministério do Turismo 2010, p. 15).
Hipótese 1
1.O nível de organização mostrou-se modelo de gestão eficaz, como meio de chegar à autogestão influenciando positivamente no Turismo Comunitário.
2.2.2 Produção e auto gestão nas entidades de Turismo Comunitário
O objetivo desta parte do trabalho da pesquisa é fazer uma relação entre Produção e autogestão nas entidades de Turismo Comunitário. Como também possibilitar a síntese de do estudo a construção da hipótese apresentada no modelo conceitual. Autores pesquisados: Lima; Mendes e Hora (2011); Crisóstomo, (2009) e Minc (1997.
A produção na ótica do Turismo Comunitário, parte do princípio chave, que é a comunidade, nela há a busca de sustentação, por seus próprios meios. Em geral através do aproveitamento dos recursos naturais. Onde são criadas as atividades dentro da cadeia produtiva, que são os elementos essenciais para a sobrevivência e desenvolvimento local. Através destes recursos que, há o favorecimento do seu crescimento produtivo. Comprovado a partir dos benefícios vindos da própria comunidade, evitando dependência exterior. (Lima; Mendes e Hora, 2011), a comunidade com seus próprios recursos contribui para sua produção evitando dependência de fora. Então, cultivo próprio independente está relacionada ao que a comunidade produz, depois decide como aplicar o excedente.
Hipótese 2
O Turismo Comunitário proporcionou aos residentes a produção através do aproveitamento dos recursos naturais, por meio disto desenvolver autogestão própria pela comunidade.
A seguir a relação sustentabilidade e autogestão nas entidades de Turismo Comunitário.
2.2.3 Sustentabilidade e Autogestão nas entidades de Turismo Comunitário
Segundo o Ministério do Turismo (2010), o Turismo Comunitário está em crescimento, bem como recebem visibilidade acadêmica, e na mídia, no setor público as várias experiências de organização do setor turístico denominada como Turismo de Base comunitária, Turismo comunitário, solidário, de conservação, entre outras denominações, em todo o mundo, e em particular na América Latina.
Para Coelho (2004), estas organizações existem e precisam de bens e serviços para sobreviver, além de serem responsáveis para produzir esses benefícios e meios de sobrevivência. Que serão prestados pela comunidade, através da associação, que são formas de construção de rede de integração, com outras instituições, para construir sua auto-gestão. Neste sentido Mendonça (2004) afirmou que a organização das entidades de Turismo comunitário realizam suas atividades de produção de bens e serviços nas associações. Estas ligas através de redes utilizam o turismo como alternativa organizativa, em defesa de seu território. Com este procedimento a comunidade procura gerar renda e promover à autogestão, com apoio de suas entidades, que executam a governança pelas entidades associativas. (Maldonato, 2009).
Hipótese 3
O Turismo Comunitário apresenta modelo de autogestão sustentável e alternativa para os visitantes em aprender com os residentes o seu modo de vida.
2.2.4 Modelo Conceitual
Variáveis Independentes Variável Dependente
VI1.Organização
H1
VI2.Sustentabilidade H2 V D Autogestão
|
|
H3
VI3. Produção
Variável Independente 1: Organização relaciona-se com a Variável Dependente (VD) Autogestão - Hipótese 1
A Variável Independente 1 (VI1) organização tem como Hipótese 1 (H1)
O nível de organização mostrou-se modelo de gestão eficaz, como meio de chegar à autogestão influenciando positivamente no Turismo Comunitário.
A Variável Independente 2 (VI2) tem como Variável Produção a Hipótese 2 (H2),
O Turismo Comunitário proporcionou aos residentes a produção através do aproveitamento dos recursos naturais, por meio disto desenvolver autogestão própria pela comunidade.
Variável Independente 3 (VI3) Sustentabilidade se relaciona com a Variável Dependente Autogestão (VD)- Hipótese 3
O Turismo Comunitário apresenta modelo de gestão eficaz e sustentável como alternativa para os visitantes em aprender com os residentes o seu modo de vida.
Variável Independente Autogestão tem ligação com todas as variáveis V1, V2, V3. Como foi feito o item 2.2. em que as Variáveis 1, 2, e 3 relacionaram com a Variável Independente Autogestão.
3. Metodologia
3.1 Desenho da Investigação
Em termos de abordagem, esta dissertação correspondeu a um estudo de caso Turismo Comunitário um modelo de gestão eficaz e sustentável, e em particular estudo sobre o Instituto Terramar que atua na assessora do Turismo Comunitário na Costa do Ceará.
Yin (2001), sugere que um estudo de caso “atraente” deve reunir algumas características básicas: Engajamento, instigação e sedução – essas são características incomuns dos estudos de caso. Produzir um estudo de caso como esse exige que o pesquisador seja entusiástico em relação à investigação e deseje transmitir amplamente os resultados obtidos. Este engajamento pode ser com frequência a luta perseguida neste trabalho.
3.2 Instrumento de Medida
(Guião de análise: Produção, organização, sustentabilidade e autogestão – escrever o que observar) fazer roteiro anterior.
Para Yin (2003, p. 79), “para ajudar a preparar o pesquisador a realizar um estudo de caso de alta qualidade, deve-se planejar sessões intensivas de treinamento, desenvolver e aprimorar protocolos de estudo de caso e conduzir um estudo piloto. Esses procedimentos são especificamente desejáveis se a pesquisa tiver como base um projeto de casos múltiplos ou envolver vários pesquisadores (ou ambas as coisas).” Para este trabalho foi desenvolvido uma entrevista com a Senhorita Rosa Martins, a qual ajudou na entrevista dentro da sequência na ordem das variáveis: produção, organização, sustentabilidade e autogestão. Eis algumas observações as quais foram percebidas na visita.
3.2.1 Produção
Como é feita a produção?
No Instituto Terramar é uma instituição que não produz artesanato ou produtos vindos das comunidades que praticam o Turismo Comunitário, mas trabalha com a produção de conhecimentos na área de gestão, para a construção de parcerias para Auto sustentação do Grupo. Observa-se uma larga produção em documentos de divulgação na Internet por meio de sites, blogs como documentos feitos de papel.
Segundo falou Martins (2014), nas comunidades que praticam o Turismo Comunitário há diversidades de produtos, em geral adquiridos pela própria comunidade, como também no mercado da vizinhança.
3.2.2. Organização
A organização do Instituto Terramar é feita pelo colegiado de pessoas com papéis definidos. Onde a figura central é capacidade de diálogo entre os dirigentes. Sendo que cabe a Martins (2014), a responsabilidade pela articulação e comunicação com as comunidades que praticam o Turismo Comunitário. Ela tem a tarefa de formar grupos de líderes, o Grupo de Turismo Comunitário (GT). Estas pessoas são responsáveis de multiplicar os treinamentos em suas organizações locais. Conforme Martins (2013) este grupo é constituído pelas pessoas que realizam atividades turísticas na comunidade, em geral fazem parte da associação comunitária ou grupo social organizado. Abrigam subgrupos que realizam serviços especializados, como: hospedagem, passeios e trilhas, alimentação e lazer. A escolha da coordenação para o grupo acontece em cada dois anos.
Com a criação da Escola dos Povos do Mar será possível treinar mais líderes para efetivar o trabalho de gestão eficaz nas Comunidades, através do Grupo de Turismo Comunitário (GT).
3.2.3 Sustentabilidade
Em termos de sustentabilidade o Instituto Terramar tem em seu conceito de trabalho na prática circular democrática, na busca de implantação nas comunidades e a produção de alimentos sustentáveis com aproveitamento de sua capacidade produtiva.
3.2.4. Autogestão
Autogestão desenvolvida pelas comunidades através das representatividades constituída pelos Conselho das Comunidades organizadas. O Instituto Terra Mar respeita as decisões de cada comunidade, e o Conselho elabora as diretrizes para o seguimento dos seus desafios. Toda gestão é colegiada com forte indício de acordo em todas as decisões, o grupo tem forte tendência para a autogestão.
O modelo de gestão dos equipamentos da Rede Tucum passa por duas atividades hipotéticas e teóricas:
a) gestão comunitária coletiva, através do GT que é o responsável pela gestão dos serviços e prestações de contas;
b) gestão familiar: unidade familiar responsável pela organização, gestão dos serviços e prestação de contas junto ao GT. (Martins, 2013).
3.3. Entrevista
Como é feita a organização dos serviços do Turismo Comunitário? Suas Tarefas são distribuídas de forma democrática, proporcionando uma diversificação produtiva.
A organização é feita com forte teor democrático. Há nas comunidades um conselho que dialoga com a Rede de Turismo Comunitário. Como também existem os sócios colaboradores e os sócios efetivos que realizam o trabalho de campo e de secretaria de divulgação.
Como o grupo trabalha a sustentabilidade nos outros grupos dependentes?
A prática da sustentabilidade está presente nas conversas informais, como também no local onde são feitos os trabalhos administrativos. Na sede do Instituto Terramar, há o espaço amplo que proporciona as pessoas oportunidade de reflexão com qualidade.
Em todas as salas há acesso a internet. Há um espaço onde fica um auditório circular onde as pessoas se reúnem para fazer biodança e construir assembleias populares em vista da construção de projetos sociais.
Auto gestão – Como o grupo administra se é democrático ou gerencial.
Faz parte da gestão as parecerias que promovem oportunidade de sustentação do projeto do Instituto Terramar. E as decisões em geral tem a participação de todas as pessoas envolvidas. Conforme demonstrou a estrutura de participação na Rede Tucum. Sua estrutura é descentralizada com atribuição e princípios de democracia direta, transparência e igualdade de gênero, raça e etnia. (Martins, 2013).
A estrutura organização é formada pelas seguintes instâncias: Assembleia, Coordenação Colegiada, Coordenação Executiva e Secretaria Executiva (Martins, 2013).
3.4 Objeto de Estudo
3.4.1 História Instituto Terramar
A formação do Instituto Terramar, vem desde 1993. Nasceu em busca da cidadania real. Como superação das limitações diante da mentalidade positivistas, onde as suas regras legais estão acima de tudo, medindo a relação entre indivíduos e o Estado. O fortalecimento dos grupos comunitários é feito através da gestão do Instituto Terramar, que utiliza as lutas contra as desigualdades sociais do Brasil, para ser um processo de constituição de sujeitos que elaborem de forma crítica e a (re) invenção da vida social. (Terramar, 2014).
Os Aspectos que envolveram o Instituto Terramar, sintetizam alguns pontos, como: tempo que se soma a outro(s) tempo(s), permitindo a construção de trajetórias, projetados nesse caminho de se fazer instituição.
Houve inicialmente no primeiro momento a Afirmação da pesca artesanal (1993 – 1997). Com a superação inicial do apoio à pesca artesanal, era o tempo dos arrecifes artificiais, na busca de adaptação tecnológica com base na amarração de pneus, inspirada nas marambaias feitas pela organização dos povos indígenas.
Num segundo momento houve a luta no campo político dos movimentos sociais na Zona Costeira (1997-1999). Entra em campo o processo formativo e organizativo na promoção das atividades econômicas causando impacto nos territórios da Zona Costeira do Ceará.
Surge o Movimento Nacional de Pescadores (MONAPE), e o Fórum de Pescadores e Pescadoras do Litoral Cearense (FPPLC), o Fórum do Litoral, hoje Fórum em Defesa da Zona Costeira Cearense (FDZCC); e a crítica ao modelo de desenvolvimento na Zona Costeira cearense, ao projeto de desenvolvimento do Turismo no Nordeste (PRODETUR/NE) no Ceará, o Complexo Industrial Portuário do Pecém.
3.4.2 Diretrizes Metodológicas
Em síntese as linhas gerais de ações do Instituto Terramar realiza as atividades através da leitura crítica da realidade, no mapeamento das prioridades, na busca de definição de onde e quais ações vão ser concretizadas. Opta pela autonomia das comunidades, onde deve atuar dentro da coerência com o projeto político da instituição.
3.4.3 Conselho diretivo
Conselho Diretor do Instituto Terramar
- Presidenta: Maria do Céu de Lima
- Tesoureira: Geórgia Zaranza
- Secretária: Mary Alice McCabe
Conselho de Fiscal
- Soraya Vanini Tupinambá
- Lindomar Fernandes de Lima
- Maria Dolores Mota Farias
Conselho Consultivo
- Ângela Maria Bessa Linhares
- Henrique Cezar Martins Gomes
- Gustava Bezerril Cavalcante
3.5 Recolha de dados
Os dados foram obtidos na entrevista com Rosa Martins, responsável direta pela Rede Turismo Comunitário Tucum, assessorado pelo Instituto Terramar.
No dia 15 de maio de 2014 em visita a sede do Instituto Terramar, numa conversa informal, com questões que deram tonalidade a entrevista. Decorreu-se um diálogo de forma espontânea, uma conversa onde foram colocadas algumas observações sobre o trabalho do Instituto Terramar na sua gestão e acompanhamento da Rede Tucum.
A Senhora Rosa Pereira Martins há 27 anos executa o trabalho de assessoria e coordenação da Rede de Turismo como instrumento de pesquisa simplificado unitário, junto ao Instituto Terramar. O diálogo transcorreu dentro da normalidade, no qual a respondente participou até o fim, sem intervenção. A observação e anotações resultaram neste relatório, seguem abaixo as palavras de Martins (2014):
Posso afirmar que é através do Estudo e muita Formação está visível o apoio da assessoria do Instituto Terramar a Rede de Turismo Comunitário.
Em 2007, em sua Primeira Assembleia são elaborados os procedimentos internos de monitoramento das atividades. Após três anos de debates nasce uma nova concepção na ótica da diversidade, como o diálogo e exigência, excelência na qualidade dos serviços. Busca-se a cultura da preservação e conservação. São criados princípios importantes para prosseguir articulando a rede de Turismo Comunitário. É desenvolvida a reflexão sobre o modelo de sociedade de consumo e privatização dos bens considerados públicos. Porém, precisa criar poder com capacidade crítica de pensar Turismo Comunitário. Buscando compreender que os benéficlos deveriam está dentro da comunidade. Como, contrapor se a realidade que vale é os recursos financeiros? Surgem os três itens: 1. Organização; 2. Capacidade crítica; 3. Território Livre.
Como é feita a valorização da memória da comunidade?
Através da contação de história nas rodadas de conversas nos terreiros. Ou no resgate da manifestação cultural. Uma das novidades é que a comunidade tem buscado resgatar através de Tia Teresa, uma dançante das antigas. Que ela possa incentivar as crianças a dançar o coco. Então foi criado o grupo de dança do coco. Outro avanço tem sido a compreensão da conquista do território, isto fortalece no residente sua identidade relacionada com a terra de seus ancestrais.
Como o povo se organiza nas redes de turismo comunitário?
Em relação autogestão, o Terramar possibilita que as comunidades tenha inteira liberdade em suas decisões de gestão, com um colegiado composto pelos representantes de todas as comunidades, com esta organização forma a rede de turismo comunitário.
4. Estudo de Caso
4.1 Historial
4.2 A Organização
Nesta parte busca-se o procedimento de acordo com as orientações de Yin (2005) que o investigador busque o rigor científico. Este é o desafio em relação às hipóteses do estudo, sem perder de vista a flexibilização do estudo.
4.2 A Produção
A teoria sobre a produção no pensamento dos autores estudados oferecem o conceito sobre administração para obtenção de seus objetivos de curto e médio prazo. Suas atividades estão agregadas na busca de matérias-primas, em produtos e os serviços. (Martins; Laugni, 2002). Foram apresentados diversos conceitos, mas em geral na direção de cunho capitalista. Como mostrou Costa Junior (2008), eficiência aliada baixos custos. Outro conceito considerado importante segundo Marcelo (2012), a produção passa pelo aspecto rural, ligado a terra, capital e mão de obra.
4.4 Sustentabilidade
Nos conceitos de sustentabilidade no pensamento de Wilkinson et al (2001) é vista como renovação e recuperação. Para Degani, (2003), garantia de Direito. Para Rattner (1999), centrado nas pessoas com acentuação no modelo participativo. Para Veenane Polytil (2003), componentes do crescimento, da distribuição e componente ambiental e institucional. Degani (2003), modificação dos modelos tradicionais de desenvolvimento para níveis sustentáveis.
O Turismo comunitário convive na sustentabilidade de seus projetos e programas de convivência com os turistas, pois tudo respira sustentabilidade.
4.5 Autogestão
No conceito de Autogestão recorreu ao pensamento de Tauile (2001) com origem no Rio Grande do Sul através da prática social diferente, com aspectos voluntários, por meio da economia solidária. Superando o capitalismo com os setores fragilizados. Para a Unesco (1982) na autogestão as pessoa assumem o poder influenciado pela organização nas diferentes esferas da vida econômica e social. Para Jouvenet (1985) e Lapassade (1970), seria uma revolução inacabada. Para Gadotti (1992) a autogestão seria transformação e não somente participação. Para ele a empresa é administrada pelos trabalhadores. Segundo Bonduki (1992) seria gestão administrativa pelos moradores associados em associações.
No Turismo comunitário autogestão está contida na forma de organização coletiva, na qual o poder é feito de forma circular, onde todos decidem sobe seu jeito de governar. As associações e conselhos da comunidade são decisivos nos momentos de tomada de decisão.
Em relação as Três hipóteses sempre relacionando com autogestão, no item 5.1 citam-se validação das hipóteses 1, 2, 3 Quando no estudo de caso fala do colegiado como meio de tomar decisões administrativas das comunidades. O Instituto Terramar oferece assessoria aos grupos que fazem a rede tucum para que tomem decisões pelos seus representantes. A Rede Tucum oferece uma rede de comunidades que tomam decisões em colegiados, com grupos de trabalho de lideranças, valorizam as coordenações e estratégia da rede. Em geral decidem tarefas, formando o núcleo de gestores criando as agências de turismo.
5. Considerações Finais
5.1 Teoria
No que respeita ao Turismo Comunitário em relação a variável independente organização, deu ênfase a capacitação de pessoas, ao firmar a prática do cooperativismo, complementado pela variável independente autogestão, dentro do aspecto de capacitação solidário (Barbosa e Coriolano, 2013). Segundo Patuleia et al. (2011) precisa superar o modelo de implantação do Resort que degrada a natureza para se aproximar do Turismo Comunitário organizado em rede, capaz de luta e conquista de seu território. (Barbosa e coriolano, 2013), e implantação da qualidade de vida (Bourdin, 2001). Juntos proporcionam incluir a variável independente sustentabilidade.
Após conhcer estas diversas formas de ofertas turísticas a Rede Tucum oportunamente favoreceu na pesquisa científica a compreensão sobre os diversos tipos de Turismo comunitário, como o Turismo de Base Comunitário, o Turismo Solidário. Em relação à Produção a teoria tem apresentado ainda o modelo capitalista. Em relação à teoria apresentou alternativa de um turismo engajado em sustentabilidade. (Ministério do Turismo, 2010). Como mostrou a teoria, ao fazer a comparação com a prática houve uma certa repetição, mas o importante é encadear a análise para compreender o trabalho desenvolvido pelas comunidades.
5.2 Implicações para a gestão
Para a gestão o trabalho teórico ofereceu a partir da variável independente organização suporte de compreensão do que seja uma gestão colegiada e democrática com a variável independente autogestão. Com isto é possível dar oportunidade para que o Instituto Terramar possa gerenciar muitas pessoas e construir um mundo novo possível na raiz do bem viver, como mostrou o trabalho de Pereira (2014), no qual há elementos de eficácia por ser dialogal e sempre presente a autogestão nas decisões democráticos em prol do Turismo Comunitário.
5.3 Limitações e futuras investigações
As limitações deste trabalho se deparam na falta de estudos sobre a criação de uma nova metodologia de trabalho e novas ferramentas, no sentido de melhorar os resultados de vendas e a produtividade individual e coletiva da Rede Tucum. Como também o controle de gestão das atividades de distribuição dos serviços nas comunidades que praticam o Turismo Comunitário. Faltou contribuir no apoio de superação das dificuldades de gestão dos associados a Rede Tucum, principalmente sobre a falta de registros de controle dos turistas por cada prestador de serviços nas pousadas que aplicam o Turismo comunitário. Poderia contribuir mais visitando estas realidade, para contribuir ajudando a superar esta dificuldade de gestão, para tanto é desejo superar esta lacuna indo em busca de conhecimento sobre elaboração de planilhas de custo benéfico, para que os produtos gerados e distribuídos pela comunidade sejam valorizados pelos Visitantes.
Para futuras investigações poderia construir o Projeto Político Pedagógico para a criação da Escola dos Povos do Mar. Um sonho dos gestores da Rede Tucum, com objetivo de educar de forma continuada e permanente dentro da realidade dos residentes.
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